O Tempo e a Esperança
26 História Extra II
Notas iniciais
História Extra II
Suzumi se olhou no espelho e sorriu. Estava perfeita. Desceu da cadeira que havia colocado para poder alcançar o espelho, pegou sua mochila e saiu para a sala. Seu pai a esperava lá ansiosamente. Com o mesmo sorriso meigo de sempre, ele a abraçou.
— Minha princesinha! Está linda!
— Obrigada papai! – agradeceu feliz.
— Acho que essa roupa não é apropriada para a academia, Suzumi. – falou a mãe receosa.
— Ah, Shizuru. Deixa! Ela está linda! – disse ele feliz olhando para o vestido rosa que a menina vestia e acariciando os cabelos, que estavam presos com fitas vermelhas – Além do mais, você sabe minha opinião sobre isso... – acrescentou ficando sério.
— Sei, sim. Mas já conversamos sobre isso. – falou Shizuru num tom decidido, mas gentil – Agora para de enrolar e vai deixar logo ela lá. Não é bom chegar atrasada no primeiro dia de aula.
— Ta, ta... – falou ele contrariado, mas sorrindo.
Kimura Kahei era um homem muito doce e amável. Tinha os cabelos ruivos, olhos verdes muito expressivos e era muito bonito. Sempre tratava os filhos com muito carinho, mas tinha uma nítida preferência pela primogênita. Tratava Suzumi como se fosse um bibelô, uma bonequinha de porcelana. Shizuru, sua esposa, constantemente o alertava sobre como aquilo seria prejudicial para o desenvolvimento da menina, que ela não estaria preparada para o mundo ninja. Mas Kahei não queria que sua “princesinha” se tornasse ninja.
— Temos dois meninos. Não precisamos mandar Suzumi. — ele argumentara.
Foi a única briga do casal em dez anos de casamento. No final, Kahei acabara cedendo. Ele realmente podia ver, para seu total desespero, que a menina tinha potencial. Concordara com a esposa, mas, inconscientemente, esperava que a filha não se adaptasse à rigidez exigida na academia. Todavia, não podia deixar de ficar feliz com o sorriso de Suzumi no primeiro dia de aula.
— Bem, — disse ele derrotado – vamos, né?
— SIM! – gritou Suzumi levantando os braços.
— Se despeça de seus irmãos. E da mamãe também.
— Certo papai. Tchau Shunsui-nii-chan – e deu um beijo no menino.
— Tchau Suzumi-nee-chan! – falou o pequeno Shunsui brincando no chão.
— Tchau, mamãe, Suichi-nii-chan. – e beijou a mãe e o irmãozinho que estava no colo dela.
— Tchau querida. – disse Shizuru docemente – E cuidado.
De mãos dadas com o pai, a menina sorria se sentindo feliz e importante. Era seu primeiro dia na academia! Queria aprender muitas coisas para mostrar ao pai e fazer ele se orgulhar dela. Tinha que ser a melhor!
Quando chegaram ao portão, um homem recebia as crianças. Ao ver o pai de Suzumi, acenou alegremente.
— Kahei! Há quanto tempo!
— Iruka! – cumprimentou sorridente – Que bom te ver! Faz muito tempo mesmo. Lembra da minha filha, Suzumi?
Iruka olhou para a menina que segurava possessivamente a mão do pai e o fitava desconfiada.
— Claro que eu lembro! Mas, como cresceu! Está linda! Diga-me Suzumi, ansiosa para virar ninja? – perguntou ele alegremente.
Suzumi afirmou com a cabeça.
— Que bom! Pode entrar então!
Suzumi olhou tristemente para o pai. Detestava se separar dele. Mas, para não vê-lo triste nem preocupado, deu um grande sorriso.
— Tchau papai! – e lhe deu um beijo no rosto.
— Tchau, minha princesinha. E não vá para casa sozinha, hein? A mamãe virá buscar!
— Certo. – e entrando na academia, virou antes de chegar à porta e acenou.
Iruka observou a menina desaparecer e depois se virou para Kahei.
— Foi prudente você ter mudado de idéia.
— Eu não mudei. – disse Kahei sério – Por mim, Suzumi não entraria na academia. Ela é delicada e meiga demais para ser uma ninja. Mas... Shizuru fez questão... – ele suspirou triste.
— Que bom que você se casou com uma mulher que tenha cérebro, diferente de você! – falou num tom brincalhão – Mas tenho que ir. Vou entrar agora. A aula vai começar.
— Até mais Iruka! E dê uma olhada em Suzumi por mim!
A preocupação de Kahei em relação à academia não era totalmente infundada. Para Suzumi, que crescera dentro de uma redoma de vidro super-protegida pelo pai, o primeiro dia na academia fora um verdadeiro inferno. Os mais velhos tomaram seu lanche, puxaram seu cabelo até retirarem as fitas colocadas com tanto carinho, sujaram seu vestido e, por ultimo, jogaram seus cadernos no chão e o pisotearam. Sem saber como se defender, a menina começara a chorar copiosamente, enquanto todos riam dela.
— Haha, olhe que otária! – disse um apontando e rindo escandalosamente.
— Ei, vamos rasgar esse vestidinho fresco? – propôs outro.
— Vamos! – concordaram todos.
Quando a menina deu dois passos para trás, caindo no chão assustada com aqueles que vinham em sua direção, uma sombra surgiu em sua frente e gritou autoritária:
— O que vocês pensam que estão fazendo?
Era uma menina também. Porém, ela vestia uma calça e não um vestido e também não parecia nem um pouco assustada. Furiosa, afastou os cabelos azul-claros que caiam nos olhos.
— Quem é você? – gritou um dos meninos.
— Ei cara – disse outro assustado – Essa é Kaneshiro Yumi. Descendente do Nidaime.
Todos pararam e olharam assustados para a garotinha de cabelos curtos.
— Muito bem! – disse Yumi séria – Quem vai ser o primeiro? – e fez uma postura de luta.
Os meninos se entreolharam e começaram a afastar-se desconfiados. Yumi levantou Suzumi, ajudou-a a ajeitar a roupa e entregou os cadernos.
— Obrigada... – agradeceu Suzumi.
— Não tem de quê. – disse Yumi sorridente – Mais cuidado da próxima vez.
Porém, Suzumi tinha decidido que não haveria próxima vez. Logo que chegasse em casa, pediria para o pai tirar-lhe dali. Ele tinha razão. O mundo ninja não era para ela.
Todavia, o pai não estava em casa quando chegou. No caminho, Shizuru explicara que ele havia sido convocado para uma missão muito importante. E mesmo vendo o estado da filha, Shizuru não concordou que a garota faltasse no dia seguinte à aula.
— Você vai me agradecer quando for mais velha. – dissera ela ao deixá-la na porta da academia.
Sua única consolação dentro da academia era a presença de Yumi. Logo se tornaram grandes amigas e não se desgrudavam. Para Suzumi, ficar tão perto da amiga era um fator de proteção. Mas Yumi não se contentava apenas com isso. Passou a incentivar a menina a aprender meios de se defender.
— Você devia ser mais independente – dizia Yumi – Revidar. Se apenas chorar, nunca vai ser uma ninja.
— Eu não quero mais ser uma ninja! – respondera Suzumi – Assim que o papai voltar, ele vai me tirar daqui!
Desde então, passara a esperar a volta de seu pai com mais intensidade, rezando para o fim de seu suplício. Contudo, os dias se passavam e não recebiam nenhuma notícia. Sua mãe estava cada vez mais apreensiva e se tornara mais irritadiça, gritando com os filhos sempre que perdia a calma. Já haviam passado duas semanas desde que Kahei tinha saído da vila e não havia nenhuma noticia.
Era uma tarde nublada e as aulas já haviam se encerrado. Suzumi estava angustiada, pois a noite estava caindo e sua mãe ainda não tinha ido buscá-la. Observou as crianças irem embora e ela ficar sozinha. Antes de ir também, Yumi argumentou preocupada:
— Por que você não vai só?
— Papai não gosta que eu ande só... – foi a resposta.
A noite chegou e com ela, a chuva. Suzumi continuava em frente à academia, com suas lágrimas misturadas à água que caia pelo seu rosto, desfigurando aquele rosto suave com tristeza, enquanto a menina presenciava as horas irem e virem sem, contudo, ninguém lembrar dela. Quando percebeu que era inútil continuar parada ali, começou a andar de volta para casa, apreensiva. Nunca andara sozinha, muito menos a noite. Sua mente infantil não concebia nenhuma razão para a mãe não ter ido buscá-la, mas algo dentro de si dizia que era muito sério. E quando viu todas as luzes de sua casa acesas e muitas pessoas lá, sentiu medo. Começou a ouvir murmúrios entre as pessoas:
— Pobre mulher! Tão jovem!
— Dizem que não encontraram o corpo dele, só os pedaços!
— E a única coisa que restou intacta foi a bandana...
— E as crianças?
— Parece que ela tentou matar os dois meninos. Enlouqueceu com a notícia.
Com dificuldade, Suzumi abriu caminho entre as pessoas, para ver sua mãe sendo levada por dois ninjas médicos que a imobilizavam.
— Ei! – gritou Suzumi – Para onde estão levando minha mãe?!
Shizuru a olhou por um momento e a menina compreendeu que ali não existia mais aquela mulher amorosa, apenas uma casca vazia.
— Que boneca feia... – murmurou Shizuru com os olhos arregalados e insanos – quando tivemos uma filha, Kahei, ela não terá um brinquedo tão deprimente...
Um anbu a afastou do caminho e a levou para dentro de casa. Tudo estava bagunçado e quebrado, e uma bandana pousava em cima da mesa.
— Onde está meu pai? – perguntou assustada – Quando ele volta?
O anbu a olhou com sua tradicional máscara.
— Ele não voltará. Está morto.
Seu coração parecia ter sido arrancado do peito. Ela olhava incrédula para aquela feia máscara tentando adivinhar que tipo de brincadeira sem graça era aquela. Contudo não era uma brincadeira. Aos poucos todos foram embora, a rua esvaziou e Suzumi continuava de pé, olhando para o nada.
Seu pai não voltaria.
Nunca mais.
Enquanto seu rosto permanecia seco, dentro de si, afundava um mar de lágrimas. Não soube o porquê de não derramar nenhuma daquelas lágrimas por seu pai. Talvez, o fato de não ver seu corpo lhe desse a falsa esperança que todos estivessem errados. Mas, lá dentro de si, sabia que não era bem assim.
Seu pai se fora, levado pelas asas da morte.
Sua mãe se fora, levada pelas correntes da insanidade.
Estava só.
O choro de Suichi a tirou do seu transe. Como se fosse um robô programado para aquilo, foi até o quarto dos irmãos. Ambos tinham marcas pelo corpo. Mas ela não se intimidou. Com cuidado, ninou o irmão mais novo e o colocou para dormir de novo. Friamente, começou a arrumar toda a casa, levando toda noite para apagar os rastros da luta que houvera ali. Provavelmente os médicos lutaram com sua mãe antes de levá-la. Quando terminou tudo, Shunsui a olhava da porta de seu quarto.
— Su-chan... O que aconteceu? Por que a mamãe fez aquilo? Quando o papai volta?
Ele tremia enquanto falava e Suzumi se aproximou dele. Como explicar para um garotinho de cinco anos o que havia acontecido?
— Não se preocupe com nada, Shunsui. – falou ela se espantando de como sua voz estava calma. – Eu estou aqui. Vou cuidar de vocês. E vou precisar de sua ajuda para que possa cuidar do Suichi, enquanto eu estiver na academia...
— Su-chan não vai mais desistir? – perguntou ele espantado.
— Não. Não desistirei de ser ninja. E nunca vou desistir da minha vida por causa da dor. – ela disse decidida, pensando na mãe – Vamos conseguir sobreviver! Eu prometo!
Abraçou o irmão e o levou de volta para o quarto. Depois, tomou um banho frio e jogou seu vestido na lixeira. Em seu quarto, guardou todos os brinquedos, escondeu suas bonecas e, vendo que o sol nascia, vestiu uma roupa que nunca usara então. Uma bermuda e blusa. No fundo da gaveta, guardou a bandana do pai.
— Um dia eu vou usá-la. – prometeu pra si mesma. E olhando no espelho, acrescentou – Hora de crescer, Suzumi. A infância acabou.
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A dor foi a primeira coisa que sentiu quando recuperou a consciência. Uma dor que não provinha de seu corpo, mas de sua alma. Abriu os olhos lentamente e constatou que não estava em seu quarto como há quatro anos atrás. Estava no hospital. Sentou-se lentamente na cama, fazendo com que seus olhos se acostumassem com a claridade. Lá fora, pássaros cantavam como se a cumprimentassem. Passando as mãos pelo rosto para apagar as lágrimas que caíram inconscientes, percebeu que haviam retirado todos seus piercings.
“Que hora inapropriada para lembranças...” pensou Suzumi.
A porta abriu naquele instante e Sakura entrou. Sorriu ao ver a menina acordada.
— Finalmente retorna ao mundo dos vivos! – exclamou com um sorriso – Estávamos todos preocupados.
— “Estávamos”...? – perguntou confusa.
— Sim. Seu time, Naruto, seus irmãos... Ah, não se preocupe, eles estão na casa de Yumi. Ela acabou de sair daqui. Disse que voltava mais tarde. Mas tem alguém que ta esperando para te ver!
Sakura colocou a cabeça na porta e fez um sinal para alguém entrar. Por um momento, o coração de Suzumi deu um salto. Seria Naruto? Mas não era. Makoto entrou desconfiado no quarto, sem olhá-la diretamente nos olhos e segurando uma sacola. Esperou a médica examinar rapidamente Suzumi e continuou em pé mesmo quando ela saiu.
— Não vai sentar? – perguntou Suzumi.
Makoto fez que não com a cabeça.
— Eu não pretendo demorar. – disse ele numa voz grave – Você precisa descansar.
Suzumi começou a rir.
— Nossa essa voz não combina com você! – disse ela debochando.
— Nem combina com você a atitude que teve com a Hyuuga-san. Eu esperava mais maturidade de sua parte. – revidou Makoto, sem alterar o tom de voz.
Ela pareceu que tinha levado um choque. Olhou para ele como se quisesse constatar que não era alguém se passando por seu colega. A forma com que ele falara era totalmente diferente da usada dois meses atrás. E se irritou profundamente com isso.
— Se você veio aqui para me passar lição de moral, não perca seu tempo. Um pirralho como você não tem influência nenhuma sobre mim! Se ainda fosse o Naruto-sensei...
— Você esperava por ele e não eu, não é? – disse ele parecendo um pouco magoado – Ouvi seu coração se desacelerar quando me viu. Mas ele não poderá te ver tão cedo. Saiu em uma missão muito importante.
O ânimo de Suzumi caiu repentinamente ao ouvir isso.
— E-Ele nem quis saber como eu estava? – perguntou deprimida
— Claro que quis. Ele só saiu da vila quando soube que você estava fora de perigo... Mas não podia esperar você acordar... A missão era urgente. Faz algum tempo que ele saiu...
— Quanto tempo? – quis saber tentando parecer displicente.
— Três dias.
Suzumi olhou para ele, incrédula. Makoto afirmou com a cabeça.
— Você está inconsciente há quatro dias.
— Isso é alguma espécie de brincadeira? – perguntou nervosa.
— Não. Hyuuga Hanabi te feriu mortamente. E eu não a culpo. Você mereceu. – disse frio.
Suzumi o olhou com raiva.
— O que você quer insinuar com isso? – sibilou ameaçadoramente.
— Não quero insinuar. Estou afirmando. Se há uma culpada de toda essa confusão, foi você Suzumi. Quase morreu por nada. Apenas por um capricho.
— Quem é você para me falar de capricho seu idiota? – falou ela se alterando – Você ficou dois meses sem falar uma única palavra e agora só por que essas orelhas malditas parecem ter melhorado um pouco e você parece ter aprendido a merda de um jutsu, acha que pode falar assim comigo?
— Eu não fiquei em silêncio por capricho. Era necessário. Assim eu pude aperfeiçoar minha linhagem. Não sei se você já ouviu falar disso, mas quando se renega um sentido, outro se desenvolve para equilibrar as coisas. Sem minha voz, minha audição se desenvolveu. E continuaria com meu silêncio se eu não o tivesse quebrado para salva-la de sua própria estupidez! – falou de forma desapontada.
Aquilo foi a gota d’água para Suzumi. Agarrou um vaso em cima da mesa, e jogou em Makoto, que desviou com uma rapidez inesperada. O vaso se espatifou na parede, enquanto a garota chorava copiosamente.
— Então você só se preocupa com seu maldito treinamento? Foda-se! Eu não pedi para ser salva!
— Pediu sim... – falou Makoto de forma decidida — No momento em que por mero capricho e irresponsabilidade se meteu numa luta que não poderia vencer contra uma chunin e principalmente por ter se metido aonde não foi chamada indo atrás de defender alguém que não precisa ser defendido...
— Isso não é da sua conta! Não pedi pra você interromper o seu ridículo treinamento! – falou ela aumentando o tom de voz.
— Você não sabe o que é ser um Otori, Suzumi. Ninguém sabe. Muito menos o que é ser um Otori como eu. – por um momento passou por seus olhos uma expressão de amargura — Eu venho me esforçando pelos últimos dois meses pra tentar melhorar, provar para todos que eu posso triunfar! Preciso mostrar! Provar que posso me superar! Por mim mesmo, e por Takeshi-sama... Que ao contrário de você sempre acreditou em mim...
Percebendo o ar triste que envolveu Makoto, a garota colocou as mãos no rosto e se pôs a chorar mais. Ele a olhou, confuso. Não sabia por que, mas seu coração sempre disparava quando a via. Como também se enchia de raiva cada vez que seu coração batia mais rápido por Naruto. Mas ela tinha errado, e ele não podia, nem queria poupá-la.
- Eu estou aqui hospitalizada, quase morri e você me passa sermão quando eu não tenho culpa de nada?! – disse insistindo com sua irresponsabilidade.
Makoto fechou os olhos controlando sua impaciência. Suzumi estava sendo mais infantil que do que ele esperava. Respirou fundo antes de continuar:
— Suzumi, cresça! Pare de agir como criança! Assuma sua culpa! – pediu já impaciente – Hanabi-san não queria brigar com você. Você a provocou além do imaginável! Eu e Yumi somos testemunhas disso e já contamos tudo para Naruto-sensei. Ele concorda conosco. Você foi inconseqüente, procurou uma briga que não podia vencer e se meteu em um assunto que não te diz respeito. Teria sido melhor que ela tivesse chegado ao Naruto-sensei. – Depois assumiu uma postura pensativa — Sempre achei que essa história entre ele e a Hinata-sensei estava mal contada. Você não ouviu, nem acho que o sensei prestou atenção, mas ela disse algo que me deixou com mais certeza que há algo errado. Não estou defendendo a Hyuuga-san – esclareceu rapidamente quando ela o olhou com raiva – acho que ela também foi longe demais. Mas estou te preparando. Quando o sensei voltar, você ouvirá bem mais dele. E sinto que quando essa história se esclarecer, você também terá que pedir perdão à Hinata-sensei e a Hanabi-san!
Suzumi permaneceu calada e sem olhar para ele. Depois de um tempo, falou friamente.
— Vocês dos grandes clãs sempre se protegem ou o problema é só comigo?
— Eu não estou protegendo ninguém. Você não está entendendo minha posição e a sua nessa história. – respondeu da mesma forma fria.
— Eu nunca entendo nada não é? – indagou amarga.
Makoto suspirou. Estava difícil falar com Suzumi daquele jeito.
— Acho que você não quer entender...
— EU NÃO QUERO ENTENDER NÃO É?! E QUAL DE VOCÊS PROCURA ME ENTENDER?! HEIN?! É FACIL FALAR QUANDO TEM SUA VIDINHA MÉDIOCRE EM PAZ! VOCÊ NÃO SABE O QUE É ESTAR SOZINHA E COM UMA GRANDE RESPONSABILIDADE NAS MÃOS!!! – gritou Suzumi ferozmente.
Sem alterar seu tom de voz, e olhando profundamente dentro dos olhos dela, ele respondeu.
— Sim eu sei.
Eles se olharam por um tempo. E nesse momento, finalmente Suzumi percebeu toda a tristeza e toda a determinação de aço de Makoto. Percebeu enfim que ele tinha algo muito mais profundo dentro de si do que ela imaginava.
Mesmo que estivesse com vontade, Makoto não se atreveu a tentar escutar o coração dela. Temia o que pudesse ouvir.
— Se você pensa tudo isso, se desaprova tudo... Por que me salvou? – perguntou Suzumi baixinho.
Ele se aproximou da cama e entregou-lhe a sacola. Depois, virou as costas e se encaminhou para a porta. Antes de sair, porém, ele falou sem olhar para trás:
- Se eu não me preocupasse com você. – começou num tom sério — Eu a teria deixado morrer. – e saiu de cabeça erguida.
Suzumi ainda não acreditava que aquele fosse o mesmo Makoto que conhecia. Abriu a sacola curiosa. E voltou a chorar quando viu seus doces favoritos dentro dela. Sabendo que ele a ouvia, sussurrou:
— Makoto, seu grande idiota...
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