O Tempo e a Esperança
37 Capítulo XXXII – Tudo sobre nós (Parte I)
Notas iniciais
Capítulo XXXII – Tudo sobre nós
Hiashi contemplou o pequeno lago que ficava ao lado de seu quarto. A manhã estava fria e úmida, o que prenunciava que o outono seria um pouco desconfortável. Estava na hora de procurar um marido para Hinata, pensava ele. Alguém que pudesse arrancar-lhe todo aquele amor tolo que a menina possuía por Naruto. Mas, desconfiava ele, aquilo seria uma missão um pouco difícil. Já pensara em toda Souke, e era difícil ver alguém rapaz que realmente pudesse ter a força necessária para lutar pelo amor de Hinata. Havia muitos que dariam tudo para ficar com ela, é verdade. Mas estes estavam mais interessados no cargo que ela exercia que em sua pessoa. E, apesar de tudo, não desejava para ela o mesmo casamento arranjado providenciado pelos seus pais, mesmo que ele tivesse sido extremamente feliz nesse matrimônio. Era nessas horas que invejava seu irmão. Ele pode escolher com quem casar, enquanto o outro se resignou a seguir o que a família queria.
“Se ao menos Neji fosse da Souke...” pensou Hiashi “Poderia casar com Hinata e se tornar o par perfeito para guiar os Hyuuga... Hizashi... Você odiou a Souke mais que tudo, e no final, quem gostaria que você pertencesse a ela sou eu...”.
Quando terminou seu chá e já pensava em se levantar para ir ao escritório, alguém bateu na porta.
— Entre. – ordenou ele.
Umi abriu a porta de correr ajoelhada. Tinha a cabeça baixa e parecia nervosa.
— Hiashi-sama... – pronunciou ela com a voz trêmula.
— Estou ouvindo. – disse ele com uma leve irritação insinuando em seu interior.
— Hinata-sama não está em seu quarto...
Mesmo apertando fortemente a xícara de chá, ele perguntou com a voz indiferente:
— Já a procurou pela casa?
— Em toda propriedade senhor. Mas não a encontramos... E... – ela se calou rapidamente.
— E? – inquiriu Hiashi.
— Sua cama estava arrumada... Como se não houvesse passado a noite lá...
Colocando a xícara no chão, Hiashi se levantou e passou rapidamente por Umi. Sem dizer nenhuma palavra, a garota o acompanhou. Pensava que se dirigiam ao quarto de Hinata e se surpreendeu quando passaram direto por ele e foram até o quarto de Neji. Hiashi abriu a porta sem bater. Também estava vazio.
— Neji-sama esteve em casa essa noite. – esclareceu Umi surpresa – Não acho que ele tenha algo...
— Então você não passa de uma idiota, Umi. – decretou ele – Minha filha não sairia de casa dessa forma se não tivesse quem a encobrisse. Seja sincera, Neji não agiu de forma estranha? Não impediu alguém de ir ate o quarto de Hinata?
Constrangida, ela abaixou a cabeça.
— Hinata-sama me pediu um chá logo que anoiteceu. – admitiu ela – E Neji-sama fez questão de leva-lo.
— E depois? Você viu Hinata depois disso?
— Não senhor. Neji-sama disse que ela não estava bem, e que pedira pra não ser incomodada.
“Menino esperto... Aproveitou que ninguém contesta suas decisões e encobriu a fuga de Hinata... Para quê... Espere... Mas é lógico!”
Hiashi fechou a porta do quarto e se encaminhou para a saída da casa. Mas não precisou ir muito longe. Tão logo chegou à varanda, viu Neji caminhando de volta para casa tranquilamente. Seus olhos estavam tão fixos no rapaz que somente momentos depois viu quem vinha logo atrás dele. E sentiu seu sangue ferver. Esperava uma afronta a algum tempo vinda daquela pessoa, mas nunca daquela forma, pois, atrás de Neji, Naruto caminhava de cabeça erguida ao lado de Hinata e de mãos dadas com ela. E, para completar a cena inusitada, Tsunade também fazia parte do cortejo.
Umi observou tudo chocada e olhou rapidamente para Hiashi. Sua expressão estava inelegível. Não precisava ser um gênio para saber que em breve um duelo de vontades seria travado dentro do clã Hyuuga.
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Tsunade ficou muito preocupada com a decisão de Naruto em procurar Hinata. Com certeza no estado que ele ainda se encontrava, seria muito fácil fazer uma grande besteira e acabar atraindo mais ainda a antipatia do clã Hyuuga para cima dele. E para completar seus planos de torná-lo seu sucessor, Naruto não podia possuir nenhuma indisposição de nenhum clã, principalmente de um tradicional como era o de Hinata. Afinal, mesmo que a garota fosse a líder, ainda havia um conselho por trás dela e, o mais perigoso de todos, Hiashi. E conhecendo o passado dele como ela conhecia, Hiashi iria procurar uma forma de prejudicar Naruto e evitar que aqueles dois ficassem juntos.
E foi pensando nisso que, tão logo Naruto deu as costas, ela se voltou para Sasuke e ordenou:
— Volte agora mesmo para a sede da anbu e providencie alguém para ficar de olho em Neji. E quando estiver claro que Naruto entrará no clã Hyuuga, eu serei avisada imediatamente.
E assim foi. Um anbu foi colocado para seguir Neji, e Tsunade soube que o rapaz providenciara o encontro entre Hinata e Naruto. E quando Neji saiu do clã logo cedo para buscar os dois, a Hokage imediatamente soube da notícia e pode chegar à porta do clã antes deles.
Quando Naruto viu Tsunade esperando por eles na entrada da propriedade Hyuuga, olhou surpreso para Neji.
— Não sabia que você tinha avisado à vovó Tsunade, Neji. – comentou surpreso.
— Eu não avisei... – foi a resposta contrariada do rapaz.
— Tsunade-sama – falou Hinata num tom confuso – Por que a senhora está aqui?
— Não é obvio? Vim impedir o Naruto de fazer qualquer besteira. – sentenciou ela.
— Se a senhora acha que me impedirá de falar com o pai de Hinata, eu... – Naruto começou, mas foi logo interrompido.
— E quem disse que eu irei impedir? – indagou ela calmamente – Eu estou aqui para acompanhar você. Vim dar meu apoio Naruto. A menos que você não queira que eu me meta em sua vida...
Naruto não sabia se ficava surpreso ou agradecido. Claro que ele iria querer um braço amigo naquela hora. E sentia que Hiashi com certeza o levaria mais a sério na presença de Tsunade.
— Então vamos, Vovó Tsunade! – chamou Naruto empolgado.
E foi assim que os quatro entraram decididos pelos portões do clã Hyuuga.
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Hanabi se encontrava sentada na varanda da casa principal, encostada em uma coluna de madeira, com seu olhar perdido fixado no nada. Sentia-se uma idiota. Uma grande idiota. Como não pudera ter percebido antes! Era obvio que Neji sempre tratara Hinata de forma especial! E agora, o ciúme que sentia se misturava à raiva e à frustração. Se ele realmente amasse sua irmã, o que poderia ela fazer? Não podia odiá-los. Mas também pensar em Neji com outra pessoa era doloroso demais. Tão doloroso que ela sabia que seria capaz de fazer uma grande bobagem se isso acontecesse. Como a que fizera na noite passada.
Instintivamente suas mãos tocaram os lábios, num gesto desesperado. Hanabi falara tão friamente com Neji, o acusara de traição e por fim o beijara. Podia ainda sentir as palpitações de seu coração. Tocara nele e sentira seu perfume. E se dera conta de que seu sentimento era muito maior do que ela mesma suspeitava. Então como iria encarar ele novamente? Como faria para conviver com toda aquela frustração que circulava em suas veias?
Enquanto lutava contra as lágrimas, sua cabeça repousava na pilastra de madeira da varanda. Não queria ver sua irmã também. A evitara durante todo o dia anterior e sabia que seria difícil de segurar toda sua raiva contra ela, mesmo que soubesse que Hinata jamais retribuiria Neji. Sua mente estava voltada para Naruto e, pela primeira vez, a menina se sentia satisfeita com a existência dele na vida de sua irmã. Seu egoísmo infantil se misturava ao seu amor de adolescente enquanto sua mente racional se encolhia diante da força das outras.
Burburinhos vindos do portão tiraram sua mente dessas inquietações. No primeiro momento não se importou com o que quer que fosse que causava aqueles murmúrios surpresos nos Hyuuga que por ali estavam.
— O que significa isso?
— O que pensaria Hiashi-sama?
— Qual a pretensão de Neji-sama?
Todavia, ouvir o nome de Neji falado entre as palavras de desdém a fez levantar a cabeça rapidamente. E qual não foi sua surpresa ao vê-lo escoltar decididamente ninguém menos que sua irmã, acompanhada de Naruto. Por último, mas não menos surpreendente, vinha Tsunade caminhando como se protegesse a retaguarda do casal.
Como se tivesse levado um choque, Hanabi se pôs em pé de um pulo. E quando a inusitada comitiva passou por onde ela estava, começou a acompanhá-los, contudo, o fazia pela varanda, enquanto os outros avançavam pelo jardim. Em nenhum momento conseguia acreditar no que via. Os passos serenos e devagar com os quais o grupo caminhava, dava a sensação de sobriedade e coragem.
Com os olhos fixos em Neji, Hanabi procurava uma resposta para aquele ato. E começou a perceber que aquilo não condizia com os sentimentos que, em sua opinião, habitava Neji. Ela sabia que ele nunca seria o tipo de pessoa que abriria mão da própria felicidade pela de outra pessoa. Conhecia bem o suficiente dele para saber que, se ele amasse Hinata, não a entregaria a Naruto mesmo que ela não o amasse.
“Você se engana Hanabi” as palavras dele voltaram à sua mente “Eu não amo Hinata mais que amaria uma irmã...”.
Então, seria verdade? Todas as atitudes deles não passaram de um profundo respeito e carinho que ele sentia por sua irmã? Por isso ele agora os levava calmamente em direção à entrada da casa principal? Queria uma resposta, um alívio para aquela sensação amarga que a incomodava desde o dia anterior. Mas eles nem pareciam reparar que ela os acompanhava timidamente da varanda.
Quando já se aproximavam de onde Hiashi estava, Hanabi se viu surpreendida pelos olhos de Neji que, mesmo sem mover a cabeça, fixou-se nela. Foi como se uma onda de choque percorresse seu corpo. Eles estavam distantes demais para falar qualquer coisa sem serem ouvidos, mas aquele olhar que ele lhe dirigiu abriu novamente as portas do coração de Hanabi. Não, ele nunca amara Hinata. Ele não mentira. Ali estava a prova, dentro da alma dele. E também havia algo mais. Existia algo por trás dos gelados sentimentos que habitavam nele, algum mistério que parecia que somente Hanabi poderia decifrar, se apossar e tomar para si. Porém, antes que ela pudesse fazê-lo, os olhos de Neji se desviaram novamente, na direção de Hiashi que os aguardava com uma expressão indefinida na face.
Um pesado silêncio se abateu quando a comitiva parou diante do ex-líder do clã. Em nenhum momento Hiashi dirigiu seu olhar à filha ou a Naruto. Encarou Neji durante alguns segundos e depois voltou sua atenção para Tsunade.
— Não sabia que a Hokage-sama se metia em assuntos amorosos como uma velha alcoviteira. – sibilou sarcasticamente.
— Não acho que esse seja o melhor lugar para tratarmos disso, Hiashi-kun. – devolveu Tsunade no mesmo tom.
Muitas pessoas do clã observavam estáticos à cena. Alguns inclusive já se posicionavam para um eventual combate, e somente esperavam uma ordem. Mas ela não veio. Hiashi observou Tsunade, que sustentou o olhar decidido. Depois deu as costas a eles, se dirigindo ao interior da casa sem falar uma única palavra.
Diante do ato, Naruto fez menção de falar alguma coisa, mas foi detido por Hinata, que apertou sua mão. Ela balançou timidamente a cabeça em negativa. Naruto só entendeu o porquê quando Neji acenou para os outros para que todos entrassem na casa.
- Hiashi-sama não pretende lidar com esse problema na frente de todo clã. – explicou ele numa voz baixa para apenas Naruto ouvir — Por isso, entrou na casa sem fazer nenhum estardalhaço.
Naruto entendeu imediatamente a situação. Iriam resolver suas diferenças dentro das paredes da casa principal da Souke. Sentindo que aquilo era um bom sinal, Naruto se encheu de coragem. Entrou de cabeça erguida e mãos dadas com Hinata, acompanhando Neji. Antes de entrarem na sala onde Hiashi os esperava, sentiu Tsunade tocar em seu ombro delicadamente e sussurrar:
— Lembre-se do que está em jogo aqui Naruto. – ela parecia temer por ele.
Mesmo satisfeito com a preocupação que ela lhe dedicara, Naruto sabia que aquelas palavras eram desnecessárias. Sua decisão já fora tomada e nada faria com que voltasse atrás em sua palavra. Afinal, aquele era seu jeito ninja de ser.
A sala onde todos se acomodaram era grande e espaçosa. Não havia um único móvel e Naruto sabia que devia se tratar de um lugar de extrema importância para a família. Parecia ser o tipo de local reservado somente para as reuniões do clã, e possuía um ar de sobriedade que só podiam existir naqueles ambientes tradicionais cujo piso de madeira maciça podia refletir todas as emoções de quem o observava. Sentaram-se sobre as pernas, numa posição ideal para a situação tão delicada, onde toda descortesia poderia irromper porta adentro como um furacão. Hanabi também estava na sala, mas diferente dos demais, se acomodara bem próxima ao pai. E não tirava os olhos sérios de Neji em nenhum momento. Mas o rapaz continuava encarando o tio em uma atitude ousada. Quem quebrou a tensão do local foi o próprio Hiashi. Dirigindo-se ao sobrinho, indagou com a voz fria e dura.
— Neji, explique o que está acontecendo. – Hiashi nem ao menos parecia ciente da presença dos demais na sala.
— Hiashi-sama – começou ele – eu...
— Papai – Hinata interrompeu Neji, deixando-o surpreso – Quero deixar bem claro que o Neji-nii-san apenas obedeceu a minha vontade de ver o Naruto-kun, e que ele nada mais fez que cumprir minhas ordens. Toda culpa é minha. – a voz dela soou firme ao proferir aquelas palavras.
— Isso não é verdade Hinata. – afirmou o Hiashi olhando fixamente para Hinata – Neji jamais faria algo contra sua própria vontade, por mais que se ordene o contrário. E ele mesmo confirmará isso. Ou estou enganado, Neji? – agora seu olhar pousou no rapaz.
Neji olhou primeiramente para Hanabi e depois para Hiashi e confirmou com a cabeça antes de responder:
— Sim, tudo que fiz foi por livre e espontânea vontade. – e sabia que aquelas palavras não eram dirigidas somente para Hiashi, mas para si próprio.
O coração de Hanabi saltou dentro do peito. Estaria ele se referindo ao que aconteceu entre eles também? Mas suas conjecturas ficaram perdidas sob a tensão do momento.
— Não! – exclamou Hinata parecendo assustada – Eu fui a culpada por tudo!
Hinata sabia que, caso seu pai entendesse Neji como culpado, poderia lhe fazer algum mal. Afinal, apesar de tudo Neji era um membro da Bouke.
Neji reparou nas intenções de sua prima, mas não ia permitir que ela se sacrificasse por ele. Ia novamente recomeçar a falar, mas foi interrompido por Naruto que sentindo que não poderia esperar um convite para participar da conversa, e com todas suas palavras presas na garganta, mas almejando serem libertadas, se dirigiu a Hiashi corajosamente:
— Desculpe-me pela visita inesperada, Hyuuga-sama. – o tom que ele usou foi polido e calmo, bem diferente do que normalmente se ouvia dele, o que espantou todos os presentes, inclusive Hiashi – Mas, eu quero conversar com o senhor seriamente sobre...
— Fique quieto! – vociferou Hiashi irritado interrompendo aquelas palavras – Isso é um problema dos Hyuuga, você não tem o direto de intromete-se!
Naruto sentiu a irritação borbulhar dentro dele, mas se controlou. Não podia estragar aquela oportunidade. Teria que vencer a resistência de Hiashi e a violência não era o caminho aceitável se ainda pretendia ser um Hokage. Mas naquele momento, quem intercedeu por ele foi a pessoa que ele mais queria poupar:
— Não papai. Por favor, ouça o Naruto-kun! – com os olhos fixos no pai, Hinata pediu – Isso também é sobre como eu me sinto com tudo isso!
— Como você se sente? – perguntou Hiashi como se zombasse daquelas palavras.
— Por favor, ouça! – insistiu ela mais uma vez.
— Eu não preciso escutar nada vindo dele! – argumentou.
— Por favor! – ela estava desesperada e não escondia aquilo.
Pai e filha se encaram durante alguns instantes. Mesmo impaciente com a discussão travada pelos dois e que o deixava de fora, Naruto soube que era melhor não interferir naquele momento. Sabia o quanto era difícil para Hinata enfrentar o pai e ela estava fazendo aquilo na tentativa de preservar o amor dos dois. Devia a deixar falar por enquanto.
— Por favor, Hiashi-sama – falou Neji calmamente aproveitando a pausa na conversa – Eu lhe peço que ouça o que o Naruto tem a dizer.
— Ponha-se em seu lugar Neji! — ordenou Hiashi irritado – Você não tem permissão para falar.
— O senhor mesmo me encarregou da proteção de Hinata-sama há seis anos atrás. – a voz de Neji soou fria, mas impaciente — Disse-me que eu devia me preocupar com ela e zelar por sua felicidade. E é isso que estou fazendo. E continuarei fazendo, mesmo que o senhor não se agrade disso!
Mal terminou de proferir essas palavras, Neji foi invadido pelo medo. No instante que seu tio moveu a mão, ele sabia o que iria acontecer. Levando dois dedos à altura do rosto, Hiashi pronunciou:
— Saki. – e não havia nenhum sentimento em sua voz.
Uma dor dilacerante se apossou da cabeça de Neji. Ele teve a sensação de que todo seu cérebro estava sendo pressionado por uma força muito maior, que esmagava sua mente e que aprecia querer parti-lo em dois. Soltando um grito agudo de puro desespero, Neji levou as mãos à cabeça, numa tentativa alucinada de fazer aquilo parar.
“Mate-me! Mate-me logo! Mas faça parar!”. Era o que sua mente queria gritar, mas seu corpo estava tomado demais com a própria dor que nenhuma palavra podia sequer ser formulada.
Horrorizados, os que estavam presentes viram Hiashi ativar o selo da testa de Neji, e ficaram tão abismados com o ato que mal conseguiram falar. Passado alguns instantes, Naruto recuperou-se do choque e estava pronto para pular em cima daquele homem que tinha coragem de fazer aquilo com o próprio sangue, obrigando-o a parar. Mas sua interferência não foi necessária. Hanabi, como um gato enfurecido, avançou sobre o próprio pai, colocando as mãos em seus ombros, fazendo com que ele fosse obrigado a olhá-la.
— Se o senhor não parar com isso agora – gritou ela descontrolada – irei odiá-lo para o resto de minha vida! – e tomando fôlego continuou no mesmo tom, de forma de mais apaixonada. – Você não tem direito de fazer isso com o homem que eu amo!
As palavras foram ditas com violência e sinceridade. Hiashi encarou sua caçula, surpreso. Hanabi sempre fora menos emotiva que a irmã, mais centrada e mais decidida também. Sempre apoiara o pai em todas suas decisões e eram muito mais próximos do que ele jamais conseguira ser de Hinata. E ali estava ela, com um ódio palpável refletido em seus olhos jovens, e com a consciência de que seria capaz de cumprir as palavras que acabara de gritar. E ali estava uma desconhecida proclamando seu amor por outro desconhecido, ele não acreditara que aquilo passara totalmente despercebido aos seus olhos.
Hiashi baixou a mão, desativando o selo. Neji caiu para frente, coberto de suor e arfando com os cabelos se espalhando pelo chão de carvalho.
Rapidamente Hanabi foi para onde ele estava e, colocando a cabeça dele em seu colo, passou a mão na testa molhada. Seus olhos agora brilhavam de lágrimas.
— Tsunade-sama... – começou ela numa voz quase inaudível, bem diferente do tom que usara pouco tempo atrás.
Tsunade se aproximou e examinou o rapaz rapidamente enquanto o silêncio imperava novamente na sala.
— Eu estou bem... – disse Neji afastando as mãos da Hokage – Estou bem...
Ele se levantou e tirou os cabelos que caiam no rosto. Olhou por um momento para Hanabi antes de voltar à sua posição ao lado de Hinata, tentando transparecer a mesma disposição de antes, mesmo que sua face denunciasse o contrário adquirindo agora um tom pálido e cansado. Hanabi se pôs ao seu lado. Parecia que queria protegê-lo de outra investida de seu pai.
— Hiashi, entendo seus sentimentos, mas não seus atos. – disse Tsunade com um tom nada satisfeito – Mas peço que deixe o Naruto falar.
Pela primeira vez desde que tudo começara, Hiashi olhou para Naruto. Passou um momento enquanto os dois se encaravam. Um ar gélido pairava entre os dois. Pareciam estar se analisando, procurando os pontos fracos um do outro, tentando descobrir a motivação um do outro. Por fim, Hiashi concordou com a cabeça. Naruto tinha permissão falar.
Mesmo satisfeito com a afirmativa de Hiashi, Naruto se sentiu frustrado diante da cena. Não podia mais deixar ninguém tomar suas dores ou resolver seus problemas. Estava grato a Neji e Tsunade por tudo que fizeram, mas chegara à hora de tomar seu destino com suas próprias mãos. E, se possível, as de Hinata também. Olhou para a garota antes de começar a falar. Ela sorriu encorajando-o.
— Obrigado por me ouvir, Hyuuga-sama. – agradeceu Naruto primeiramente.
Hiashi limitou-se a lhe sustentar um olhar gélido. Mas o rapaz não se intimidou.
— Eu... – começou Naruto – Sei que o senhor não gosta de mim. E até entendo os motivos. Não sou membro de nenhum clã importante. Realmente deve ser uma situação inusitada. Sou somente um jounin comum. Não sei o que me espera o futuro, enquanto Hinata é agora a líder do clã. Mas eu...
— Imaginava que você fosse falar algo assim – interrompeu novamente Hiashi – Você pensou que eu permitiria que você se relacionasse com minha filha apenas por que você teve coragem de vir até aqui? Você é mais burro do que eu imaginava. – e olhando para Tsunade, disse com desdém – Essa conversa é apenas uma perda de tempo. Eu não tenho a menor intenção de deixar minha filha com ele. — e se voltando para Naruto, acrescentou – Se você entendeu isso, saia desta casa imediatamente!
— Papai! – exclamou Hinata desesperada fazendo menção de se levantar.
— Espere Hinata. – pediu Naruto. Quando ela olhou para ele sentiu que não havia nenhuma intenção de sua parte em se dar por vencido, por isso sentou-se novamente, e Naruto continuou como se não houvesse ouvido a ordem de Hiashi – É verdade que não sou grande coisa, Hyuuga-sama. Também não posso dizer que sou o par ideal para uma líder de clã, mas eu... – baixando os olhos, e como inspirasse coragem, ele levantou a visto e o brilho determinado em seus olhos era palpável. — Por Hinata, me esforçarei para me tornar melhor!
Hiashi apertou um pouco os olhos.
— Por Hinata? – repetiu ele desconfiado.
— Sim. – confirmou Naruto.
Como Hiashi não disse mais nada, Naruto se viu disposto a continuar com seus argumentos:
– Eu não tive família. Nunca conheci meus pais. Fui impedido de ter uma infância tranqüila como a maioria das crianças, fosse por ser órfão, fosse pela Kyuubi que carrego dentro de mim... – a tristeza transparecia pelas palavras de Naruto que, enquanto falava, levou a mão ao umbigo – Eu sempre estive sozinho. Sem ninguém com quem contar, sem um lar. Estive sozinho. Até Hinata aparecer na minha vida.
Como se também sentisse toda aquela dor que transparecia nele, Hinata se aproximou mais dele e colocou suas mãos em cima das dele. Naruto ficou surpreso com aquele gesto, mas sentiu um alívio ao encarar aqueles olhos doces e tranqüilos. Hinata confiava nele. Sentiu-se encorajado a continuar.
- Essa solidão... Esse desespero... É algo que não quero para ninguém. E quando eu já nem cultivava a esperança que alguém pudesse suprir toda essa carência que eu sentia, a Hinata entrou na vida. – e olhando pra Hinata, sorriu meigo e continuou. — Ou melhor, ela sempre esteve. Apenas eu demorei a perceber... Mas quando me vi totalmente envolvido por aqueles sentimentos que ela despertou em mim... Compreendi que nunca haverá outra pessoa em minha vida. E sei que é recíproco. – ele voltou os olhos para Hiashi mais uma vez antes de falar – Não quero que ela sofra a mesma solidão que eu sofri. Por isso vim aqui falar com o senhor. Quero ficar junto dela. E sei que ela também quer ficar comigo.
Hiashi olhou para Naruto e depois para Hinata. E aquela demonstração explicita de amor entre ambos ao se olharem o incomodou, mas mesmo assim, deu de ombros.
- Isso é tudo? – perguntou friamente – Você acha que eu permitiria que você ficasse com minha filha apenas por causa de algumas palavras vazias? – e arqueou as sobrancelhas de modo irônico.
Diante do olhar estarrecido de todos, Hiashi sorriu zombando de tudo que dissera Naruto. Ele sentiu toda sua felicidade escorrer por suas mãos. Hinata tremia e seus olhos ameaçavam derramar lágrimas de dor. Mas Hiashi não parecia se importar com isso.
- Você não é digno dela, Uzumaki Naruto. – disse ele friamente — Não perca seu tempo aqui. Você mesmo admitiu que não é ninguém, então...
- Ele é alguém sim! – vociferou Tsunade surpreendendo todos – Não o trate como um qualquer, Hiashi!
- Luta pela comodidade de seu “preferido” Tsunade-sama? – indagou ele olhando friamente para ela.
- Não. Luto primeiramente por alguém que eu considero meu filho! – a palavra “filho” foi dita com ênfase, enquanto ela levava a mão ao coração – E ele não é somente isso. – ela deu uma pequena pausa, olhando bem para Naruto. E quando seus olhos se encontraram o rapaz soube exatamente o que ela iria fazer. Dirigindo-se ao pai de Hinata, ela pronunciou satisfeita — Sinta-se honrado de ser o primeiro à saber Hiashi, que Naruto é oficialmente meu sucessor! Ele será O Sexto!
A revelação caiu como uma bomba para toda a placidez que Hiashi demonstrara desde o começo da conversa. Os únicos que não estavam surpresos era Naruto e a própria Tsunade. Mas apesar de lembrar-se das palavras ditas por Tsunade naquela situação em que ele se encontrara no dia anterior, Naruto ainda não tinha parado para analisar as implicações que aquilo poderia lhe trazer naquele momento, por isso não mencionara nada a Hinata quando estava juntos. Temeu que ela ficasse magoada com a omissão daquele fato tão importante, mas a garota não parecia aborrecida com isso, muito pelo contrário. O que Tsunade acabara de dizer lhe soara como uma ótima força para ajudá-los. Hanabi, ao contrário, olhava para Naruto com a boca aberta e Neji exibia uma discreta incredulidade. Hiashi permanecia lívido, mas logo recuperou a voz:
- Isso... É alguma forma de blefe, Tsunade-sama? – sibilou ele enfurecido.
- Esse não faz o meu estilo, e você sabe disso, Hiashi. Prezo por você e todo seu clã, e não seria capaz de uma atitude tão baixa quanto mentir apenas para formar um casal. – ela estava muito segura apesar da nítida dúvida de Hiashi — Naruto realmente é meu sucessor, basta apenas tratarmos de algumas pendências burocráticas que foram deixadas de lado até esse problema ser resolvido. Se ainda duvida, mande alguém de sua confiança ao meu escritório e apanhe todos os papéis com Shizune. – e ela deu um pequeno sorriso satisfeito e ao mesmo tempo nitidamente sarcástico.
Com um olhar de pura descrença, Hiashi analisou o rapaz à sua frente. Parecia estar verificando sua capacidade diante do cargo que futuramente, se Tsunade estivesse certa, ele ocuparia. Imaginou o que a Hokage havia feito para convencer os anciões da vila à aceita-lo.
- Quem diria que você chegasse tão longe, moleque-raposa... – murmurou deixando bem aparente sua oposição àquilo. E também o seu desprezo.
- Eu gostaria que Hyuuga-sama me chamasse pelo meu próprio nome. – pediu Naruto educadamente, mas deixando entrever sua irritação pela alcunha imposta.
- Você realmente se sente especial, não é? – zombou Hiashi – Pensa que, estar por trás da saia da Hokage-sama lhe fará o digno de desposar minha filha.
Tsunade apertou os olhos. Hiashi estava mais irredutível que ela imaginara. Voltou sua atenção para Naruto. Ele também não parecia disposto a desistir.
- Eu sou digno de Hinata! – argumentou ele veementemente.
- Não, não é. – vociferou Hiashi — Ela é a líder do clã Hyuuga! Sua obrigação é prezar pelo bem estar de nossa família. Hinata deve se casar com alguém dos nossos e gerar filhos fortes, que possam herdar a magnitude dos Hyuuga. Não há lugar no ventre dela para filhos seus!
- Eu não me casarei com outro homem que não seja o Naruto-kun! — Hinata assumiu uma postura destemida diante do pai. Em nenhum momento pareceu hesitar diante dele e continuou bravamente sabendo que era hora de dizer aquilo – E quanto aos seus herdeiros... O senhor não precisa se preocupar. – levando a mão ao ventre ela continuou – Eu já espero o herdeiro dos Hyuuga, papai. E esse herdeiro é filho do homem que será o Sexto Hokage de Konoha! Sinta-se feliz, pai. Seu neto que eu espero será filho de Uzumaki Naruto!
Hiashi encarou a filha, perplexo, sem saber o que dizer diante da revelação. O mundo dele pareceu de repente virar de ponta cabeça. Naruto apertou a mão de Hinata e sorriu para ela. Sabia que era difícil para ela assumir isso para o pai diante de todos. Tsunade e Hanabi se entreolharam sem saber o que dizer. Nenhuma delas esperava esse desenrolar da história. Neji apenas abaixou a cabeça.
- Neji... – chamou Hanabi surpresa – Você já sabia?aq
- Sim. – disse ele simplesmente.
Naruto viu uma emoção diferente brotar nos olhos de Hiashi. O fato que seria avô parecia mexer com ele. E decidiu aproveitar aquele momento para dar o que, ele sabia, ser sua ultima cartada para quebrar a frieza do homem à sua frente. Se não fosse assim, talvez nunca mais pudesse encarar Hinata com orgulho de ter lutado por ela.
- Hyuuga-sama, eu amo sua filha. Amo com toda força que um homem pode amar uma mulher. E quero ficar com ela. Entendo sua preocupação, mas, eu lhe imploro, permita que eu possa fazer Hinata ser feliz, como minha esposa. – e dando uma pausa acrescentou. — Por favor!
E para surpresa de Hiashi, Naruto se inclinou até encostar sua testa no chão, em sinal de respeito, submissão e, principalmente, desespero. Não havia mais o que ser dito.
Ver Naruto se humilhar daquela forma apenas para poder ficar com ela, fez Hinata se sentir mal. Não queria tanto desprendimento da parte dele. Tudo que fizera já bastara. Mas diante de toda inflexibilidade de seu pai e de seu estado, sabia que ele faria isso e muito mais. Por isso, decidiu que Naruto não se humilharia sozinho.
- Pai... – falou ela segurando as lágrimas – Eu também te imploro. Amo o Naruto, e preciso ficar com ele.
E Hinata repetiu o gesto de Naruto, encostando a testa no chão. Tudo agora dependia de como seu pai encarava aquele gesto.
Neji viu que não podia ficar alheio àquela cena. Já chegara tão longe, que ultrapassar a linha de novo não seria impróprio.
- Hiashi-sama, não arranque a felicidade dos braços de Hinata-sama. É a sua filha. – falou como se Hiashi tivesse toda a obrigação de deixar Hinata seguir o próprio coração.
E tal como o casal, Neji se inclinou para seu tio.
Hanabi queria ver sua irmã feliz, mesmo que fosse com alguém que ela não considerava ideal para sua irmã. Mas ela estava grávida e lutava desesperadamente por sua felicidade. E até mesmo Neji parecia querer unir o casal, lutando como um verdadeiro protetor de sua irmã. Igualmente a ele, ela também devia se posicionar.
- Papai... Será que o senhor não viu durante todo esse tempo o quanto a nee-san sofreu? Desde que ela se separou de Naruto ela não deu mais um sorriso feliz... Por quanto tempo o senhor quer que isso continue? – E encarando fixamente o pai, baixou lentamente a cabeça até o chão, torcendo intimamente para que aquele gesto não fosse inútil.
Vendo toda aquela humilhação para trazer a razão àquele velho tolo, Tsunade deixou a raiva tomar conta de si.
- Hiashi, você sempre foi um homem sensato. – começou ela olhando-o fixamente – Mas o que tenho a minha frente agora não é mais do que um tolo. Agrada-o ver toda essa humilhação a sua frente? Agrada-o ver suas filhas e seu sobrinho se humilharem diante de você? Por que a mim não agrada nada ver o meu filho se rebaixar pra você como fosse um qualquer... E ele não é. – e encarando-o raivosamente indagou — O que mais é necessário pra que você aplaque essa fúria inútil? Quer me ver aos seus pés também? – finalizou num tom irônico.
Hiashi olhou para as quatro pessoas ajoelhadas à sua frente, com suas cabeças baixas e esperando sua decisão. Depois olhou para a Hokage, que o encarava ferozmente. Deteve seus olhos por mais tempo sobre Hinata. A situação em que ela se encontrava deixava as coisas mais difíceis de resolver. Depois, seus olhos se voltaram para Naruto. O rapaz parecia mesmo disposto a tudo por Hinata. Pela primeira vez, sentiu realmente que ele dizia a verdade e amava incondicionalmente sua filha.
Hiashi mais uma vez em sua vida estava dividido entre a felicidade de quem era importante em sua vida e o clã. Nenhum dos que abaixaram a cabeça para ele viu a indecisão que perdurou alguns momentos naquele pai. Todos esperavam seu pronunciamento. Depois de alguns momentos ele tomou uma decisão.
— Levantem a cabeça. – pediu ele.
Todos levantaram. Depois, começaram a esperar ansiosamente o pronunciamento de Hiashi. Ele suspirou. Tinha algo em mente e seria mediante aquilo que saberia de Naruto estava mesmo disposto a ficar com Hinata, ou não.
— Esse filho que a Hinata carrega em seu ventre, receberá o sobrenome Hyuuga e será o próximo líder de nossa família. — ele parou um pouco de falar enquanto encarava Naruto — Essa é a minha condição, Uzumaki Naruto. Se você aceitá-la, terá meu consentimento e poderá casar com Hinata. Não importa o que tenha acontecido aqui, a família Hyuuga vem em primeiro lugar.
Naruto se viu surpreendido pela exigência. No primeiro momento, pensou em recusar. Afinal, era seu filho, devia ter o seu sobrenome e não o dos Hyuuga. Mas, ao olhar a expressão de pânico de Hinata, soube que aquele seria um preço pequeno a se pagar diante da felicidade dos dois. Olhou para Tsunade. A Hokage afirmou discretamente com a cabeça.
“E, no final das contas, qual a importância de um mero sobrenome? Ele será meu filho e de Hinata, e isso é o que importa.” pensou ele decidido.
— Aceito. – disse por fim, para alívio da garota.
Hiashi se levantou sem dizer mais nada. Dirigiu-se até a porta e abriu ela lentamente. Antes de sair, contudo, falou friamente sem olhar para trás:
— Ouse fazer minha filha sofrer, Uzumaki Naruto, e eu irei tirá-la de você da mesma forma que agora a estou confiando.
— Nunca farei Hinata sofrer. – afirmou ele com convicção.
— O casamento será realizado o mais breve possível. – continuou ele – Neji cuide de tudo.
— Sim Hiashi-sama. – respondeu Neji.
Mas Hiashi já tinha saído.
Naruto e Hinata se olharam, quase sem poder acreditar no que acabara de acontecer. Estavam, enfim, juntos e com a permissão do pai dela. O consentimento de Hiashi era fundamental, pois iria aplacar qualquer reação por parte do próprio clã, e garantiriam que nenhum conflito se estabelecesse em Konoha. Naruto tinha certeza que, caso o pai de Hinata se mostrasse inflexível, ele iria acabar desistindo realmente do cargo de Hokage, pois decidira que não sairia daquela casa sem a certeza que Hinata seria sua esposa. Descobrir que seria pai só aumentou aquela vontade. Em seus olhos, Hinata demonstrava que sentia o mesmo. Sim, ela seria capaz de negar o clã por ele, depois que ouvira de seus lábios que ele a amava. Mas sempre soubera que Naruto conseguiria convencer seu pai. Acreditava nele acima de tudo.
As lágrimas foram inevitáveis. De ambas as partes. Eles começaram a chorar, mas o sorriso nos lábios mostrava que eram lágrimas de alívio e felicidade. Sem se conter, eles se abraçaram, sentindo que jamais poderiam renegar um ao outro.
Tsunade observou os dois com um aperto no coração. Lembrava de Dan e de toda felicidade que foi negada a eles. Sabia que fora impróprio de sua parte, como Hokage, interferir naquela situação delicada. Todavia, se sentia mais que satisfeita por tê-lo feito.
— Bem, está tudo terminado. – disse ela sorrindo – Vocês dois vão finalmente poder ficar juntos, depois de todas as atribulações. Vocês me deram muito trabalho...
Naruto e Hinata relutantemente se separaram do abraço. Limpando as lágrimas, eles sorriram de volta para Tsunade.
— Desculpe por tudo, Vovó Tsunade! – pediu Naruto meio encabulado coçando a cabeça. – Mas sei que a senhora me entende, né?
— Entendo até demais... – murmurou um pouco chateada.
Todos riram diante do comentário.
— Mas muito me surpreendeu – continuou ela – que você esteja grávida, Hinata. Vocês se descuidaram demais.
Envergonhados, eles baixaram a cabeça, mas não deixaram de se olhar de relance com um pequeno sorriso nos rostos.
— Neji quase me matou do coração quando me disse isso... – reclamou Naruto.
— Foi? – estranhou Neji.
— É claro! – disse ele veementemente – Você chega pra mim todo sério e me diz: “Hinata-sama não tem mais muito tempo...”, o que você acha que eu pensei?! Que ela tinha uma doença terminal e ia morrer! – concluindo gesticulando energicamente.
Tsunade riu diante da ênfase dada por Naruto a essas palavras.
— Eu me referia ao fato de logo a barriga começar a crescer – disse Neji – Por que então todos saberiam que a Hinata-sama estava grávida e seria muito ruim pra ela.
— E por quê? – perguntou Hanabi a Neji.
— Eu sou líder do clã Hanabi – explicou Hinata tristemente – Uma mulher na minha posição ficar grávida fora do casamento é inconcebível.
— Mas tudo se resolveu bem. – falou a Hokage aliviada.
-Então eu vou ser tia! – exclamou Hanabi feliz. – Serei uma ótima tia!
Naruto olhou um pouco surpreso para a animação de Hanabi. Sempre suspeitara que a menina nutria uma antipatia por ele, mas a atitude dela diante do pai, se ajoelhando e pedindo pelos dois o deixara espantado, e extremamente satisfeito. Querendo deixar aquilo bem claro, olhou com carinho para a menina e disse sorrindo:
— Obrigado por ter ficado ao nosso lado, Hanabi-chan.
Hanabi encarou Naruto, espantada com a forma íntima com que ele se dirigiu a ela. Ainda não entendia por que a irmã se apaixonara por alguém tão sem graça quanto ele. Mas até que os dois formavam um par interessante, concluiu. Ele parecia ter toda a energia e disposição que sua irmã precisava.
“E ela tem a inteligência que falta a ele...” pensou se controlando para não cair na risada. E sabendo que precisava retribuir a gentileza, disse na forma mais séria que podia naquele momento:
— Eu sempre fico do lado da minha irmã. E se ela acha que pode ser feliz ao seu lado, eu a apoiarei. – e apertando um pouco os olhos, completou mudando o tom de voz — Mas se em algum momento você a fizer sofrer, vai ter que se ver comigo! Vou te encher de porrada até você ficar tão quebrado que só comerá ramen por canudinho! — e para da ênfase às suas palavras, mostrou um punho bem fechado.
— Hanabi! – repreendeu Hinata diante das palavras de sua irmã.
Mas Naruto pareceu não se importar, muito pelo contrário. Começou a rir abertamente, deixando Hanabi um pouco irritada.
— O que foi? – perguntou ela aborrecida – Ta achando que não sou capaz disso?! Ou tá rindo de mim, é?!
— Claro que não, Hanabi-chan! – negou Naruto tentando segurar a risada – É que falando assim, você me lembrou a Suzumi. Impressionante como vocês se parecem nesse aspecto. Ela com certeza diria algo assim!
Esse comentário fez com que a irritação de Hanabi desse lugar à surpresa. Ela, parecida com Suzumi?
— Agora que você mencionou... – começou Hinata analisando a irmã – Elas duas têm realmente uma personalidade parecida.
— Ei! – protestou a menina – Não me comparem àquela louca!
— Mas Hanabi-chan – falou Naruto sorrindo, mas com cautela – Agora que vou me casar com a Hinata, você vai se encontrar constantemente com a Suzumi. Afinal, ela é minha aluna e você é irmã da Hinata. – e dando uma pequena pausa, ele acrescentou – Gostaria que vocês se dessem bem... Esquecerem o que houve... Não guardassem mágoa uma da outra. Podiam se tornar grandes amigas, tenho certeza disso.
Hanabi olhou para a irmã e depois para Naruto. Eles pareciam esperar uma resposta dela.
— Não tenho nada contra a Kimura – admitiu suspirando – Nunca tive, não tenho e jamais nada daquilo teria acontecido se dependesse de mim. Apenas ela me pegou num mau dia, e me provocou até eu perder minha paciência. Sei que peguei pesado – acrescentou rapidamente ao ver Tsunade olhando-a com repreensão – mas nunca tive realmente vontade de matá-la.
Uma atitude madura, reparou Naruto. Apesar das ações infantis em alguns momentos, ele pôde ver que a personalidade de Hanabi era bem mais profunda que ele suspeitara a principio. E ficou satisfeito com aquilo. Se Suzumi pudesse entender aquilo também, elas fariam uma dupla interessante.
Neji também reparou que a atitude de Hanabi com relação à Suzumi havia sido inesperada. Quando a menina o olhou, ele lhe deu um pequeno e discreto sorriso de aprovação.
— Bem, agora eu gostaria de examiná-la Hinata. – pediu Tsunade – Afinal, você foi seqüestrada, lutou, passou por um estresse muito grande e mesmo assim não perdeu a criança. Temo por sua saúde.
— Meu bebê jamais morreria – afirmou ela com convicção – Afinal, ele será tão forte quanto o pai.
Naruto ficou vermelho ao ouvir essas palavras. Ainda era difícil acreditar que em breve existiria uma criança que ia chamá-lo de “papai”.
— Venha, se aproxime. – falou a Hokage.
— Tsunade-sama, — falou Hinata pausadamente — eu gostaria de falar com meu pai antes da senhora me examinar.
— Falar com seu pai? – estranhou Naruto – Para que?
Hinata ficou vermelha.
— A-Apenas falar... N-Nada de-demais... – gaguejou ela encostando um dedo no outro.
Enquanto Naruto a olhava, meio desconfiado com o que Hiashi pudesse dizer à garota sem a presença de outras pessoas, Neji falou suavemente:
— Tenho certeza que ele ficará satisfeito em falar a sós com você, Hinata-sama. – ele a encorajou – Enquanto isso, prepararei um chá para todos.
E se levantou calmamente.
— Eu vou junto Neji! – disse Hanabi seguindo-o.
— Volto já, Naruto-kun. – disse Hinata se levantando também – Por favor, Tsunade-sama, fique a vontade.
Quando Hinata saiu fechando a porta, Tsunade surpreendeu Naruto ao passar a mão carinhosamente na cabeça dele.
— Estou orgulhosa de você. – disse ela sorrindo – Não perdeu o controle uma só vez.
— Quase perdi. – admitiu ele – No momento em que o pai da Hinata usou o selo em Neji, eu senti um desgosto tão profundo que se Hanabi não tivesse intervindo, eu faria, mesmo que significasse iniciar uma luta contra ele ou todo o clã. – e dando uma pausa, ele suspirou e continuou – Depois de tudo que ele fez por mim, de tudo pelo que ele se arriscou, vê-lo naquela situação e não agir seria incabível.
— Então devemos agradecer à impetuosidade juvenil de Hanabi! – exclamou ela rindo.
Naruto acompanhou Tsunade na risada, mas seu coração estava apreensivo. O que será que Hinata queria conversar a sós com o pai?
************
Havia um lugar dentro dos domínios do clã Hyuuga, onde poucas pessoas tinham a autorização de entrar. Era uma pequenina casa que funcionava de refúgio para seu pai quando ele queria descansar sem ser incomodado. Era também para onde ele se retirava quando precisava tomar uma importante decisão. Ao lado daquele local, existia um pequeno jardim. Como estavam no outono, pequenos brotos lutavam para continuar abertos apesar do frio que aos poucos se instalava.
Tirando as sandálias, Hinata avançou pela varanda e se pôs em pé em frente à porta.
— Papai. – chamou timidamente.
Após um breve silêncio, Hiashi respondeu:
— Entre Hinata.
Ela abriu lentamente a porta de correr. Seu pai estava diante de uma pequena mesa, segurando uma xícara de chá. Entrando na sala, ela esperou o convite para se sentar. Mas ele não veio.
Percebendo que ela o encarava, ansiosa, Hiashi falou em um tom um pouco aborrecido:
— Você é a líder do clã Hinata, e precisa de uma permissão minha para sentar em sua própria propriedade?
— Posso ser líder do clã, mas o senhor ainda é meu pai. Devo respeitá-lo. – murmurou respeitosamente, mas sem baixar a cabeça.
Hiashi deu de ombros.
— Sente-se. – disse por fim.
Se acomodando de frente a ele, Hinata sentiu um frio tomando de conta de seu estômago. Ainda não sabia muito bem por que viera, mas precisa desesperadamente falar sozinha com o pai.
— Você falou em me respeitar, Hinata. Mas o que acabou de fazer não foi uma falta de respeito? – indagou Hiashi olhando para o líquido da xícara.
— Não. – respondeu ela sem pestanejar – Quando eu engravidei do Naruto-kun ainda vigorava nosso acordo papai. E nenhum momento eu lhe desobedeci. Não fui eu a procurar o Naruto-kun... Mesmo que essa fosse minha vontade... – admitiu ela.
— Não me refiro a sua gravidez. Refiro-me ao fato de você querer ficar com ele.
— Não posso mais desprezar meu coração papai. Morreria se o fizesse... – ela o olhou como se quisesse mostrar todo o sentimento que habitava seu interior.
Um pesado silêncio se instalou durante alguns momentos, até que Hiashi o quebrou:
— Por que veio até aqui, Hinata? – perguntou ele analisando suas feições.
Apertando as mãos sobre o colo, Hinata desviou sua vista até o chão. Sem querer, lágrimas começaram a cair.
— E-Eu q-queria t-ter a certeza que o s-senhor n-n-não me odiaria... Papai...
Aquelas palavras o surpreenderam. Diante de toda determinação que ele vira em sua filha naquele dia e depois da revelação que uma criança estaria a caminho, não podia deixar de admirar que mesmo assim ela pensava em seus sentimentos.
Hiashi suspirou. Hinata sempre fora assim. Pensava nos outros antes de pensar em si mesma. Uma criança extremamente frágil com relação aos seus sentimentos e que se magoava com facilidade. Nunca a compreendera. Sempre estivera muito mais próximo a Hanabi, talvez por que a impetuosidade da caçula deixasse sempre claro quais pensamentos passava em sua cabeça. Com Hinata não. Por sua timidez excessiva e dificuldade para se expressar, tornava as coisas mais complicadas para o pai. Como ele saberia o que ela queria? Como saberia se estava feliz, triste, insatisfeita? Nunca parara para pensar naquilo. Mas agora, que alguém brigava tanto para tê-la ao seu lado e que Hinata finalmente dizia o que realmente pensava, passou querer conhecer um pouco mais a filha que tinha.
Hinata esperava ansiosamente o pronunciamento do seu pai. Sempre fora tão difícil corresponder às expectativas dele, tão difícil ser a pessoa que ele queria que ela fosse que agora lutar por seus sentimentos parecia uma grande ingratidão. Esperou palavras duras, frias ou simplesmente a indiferença. Talvez nunca mais tivesse lugar no coração de seu pai depois daquilo. Mas Hiashi se inclinou para ela e tomou suas mãos delicadamente. Atônita, Hinata olhou para seu pai. Ele não sorria, mas sua expressão se suavizara.
— Eu não a odeio Hinata. Jamais seria capaz disso. Você é minha filha.
Fez uma pausa ao ver a incredulidade nos olhos dela.
“Que tipo de atitude eu tenho mostrado, já que agora ela me olha como se eu nunca tivesse sido um pai para ela?!” pensava ele lendo a confusão dentro de Hinata.
— Tudo que eu fiz – continuou ele – Foi na tentativa de fazer o melhor para sua vida. Proteger você e ao clã. Mas acho que só a fiz sofrer mais não é?
— Não papai! – protestou ela – O senhor...
— Deixe-me continuar Hinata. – pediu ele e Hinata se calou – A única razão para que eu permita esse casamento, é por que eu vi naquele rapaz um amor muito maior que qualquer pessoa terá por você. – disse ele em tom resignado — Ele se arriscou a vir aqui e provocar toda ira dos Hyuuga, o que comprometeria sua sucessão, e tudo por você. Ele teve a coragem de lutar pelo seu amor. Uma coragem que eu não tive...
Mais uma vez aquela sensação que Hinata sentiu quando seu pai falava de amor, como acontecera no hospital, voltou. Hiashi parecia ter sofrido muito no passado. Por quem teria sido?
— Pai... Quem foi que o senhor amou tanto? – perguntou ela curiosa.
Hiashi olhou para o céu azul que se insinuava da janela. O dia estava claro e começava a esquentar. Um pássaro voou ali perto, fazendo com que o quarto se enchesse com seu canto.
— Eu amei alguém que já se foi, Hinata. Alguém que eu nunca tive a oportunidade de fazer feliz. Foi antes de sua mãe. – e olhando para a garota acrescentou – E foi sua mãe me ajudou a superar tudo aquilo. Mas isso não importa agora. Já passou.
Então fora isso. Ele foi abandonado. Foi a única coisa que ela pode pensar. Mas não iria insistir. Falar daquilo parecia doloroso para ele, apesar do tempo que transcorrera desde então.
— Espero que você seja feliz com o homem que escolheu Hinata. E que ele a faça muito feliz. Tenha muitos filhos. Mas não esqueça de que, mesmo assim, continuará como líder dos Hyuuga. É sua obrigação.
— E eu não pretendo fugir dela, papai. – falou ela decidida – Não pretendo fugir de mais nada. – e sorrindo, continuou – Com Naruto-kun do meu lado, sinto que sou capaz de tudo!
A mão dele acariciou levemente seus cabelos. No final das contas, pensava ele, ali estava alguém para se admirar.
— Volte para junto de seu noivo Hinata. Sei que ele está ansioso para ficar com você. E feche a porta quando sair. Quero ficar um pouco só.
Hinata sorriu para o pai da forma mais doce, como jamais fizera antes. Queria abraçá-lo forte e dizer o quanto o amava. Mas Hiashi nunca lhe dera abertura para isso. Por isso, ela apenas se levantou devagar e, lançando um ultimo olhar agradecido para ele, se foi fechando a porta atrás de si.
Encostando-se um pouco na parede, Hiashi sentiu o peso dos anos como se eles tivessem rapidamente aumentado. Estava cansado e deprimido.
*************
Hanabi seguia Neji pela varanda com alguns passos de distância. Enquanto encarava as costas dele, pensava em tudo que ele dissera na presença de seu pai e em todas as coisas que ele fizera por sua irmã. Ainda era difícil de compreender que tudo não passara de uma preocupação de caráter fraternal e que ele não via Hinata como mulher, mas como irmã. Antes que chegassem à cozinha, Neji parou de repente de andar. Involuntariamente, Hanabi fizera o mesmo.
Com a cabeça voltada para o jardim, ele parecia observar as árvores que balançavam conforme a vontade do vento. As folhas caiam pelo chão, voando até eles e muitas enfeitavam o chão de carvalho por onde andavam.
— Será um outono frio. – comentou ele olhando para as folhas que dançavam pelo ar.
— Será... – concordou Hanabi.
“Que coisa mais idiota de dizer Hanabi!” pensou a garota consigo mesma. “Você está sozinha com ele, diga alguma coisa!”
Inspirando fundo, Hanabi falou:
— Neji, sobre o que aconteceu naquela noite... – mas parou instantaneamente quando viu o olhar dele em sua direção.
Ele não pronunciou nenhuma palavra, mas seu olhar a incentivou a continuar.
As palavras, todavia se perderam quando Hanabi mais uma vez encarou profundamente Neji, e sentiu todas as suas sensações entrarem em ebulição de novo. Mas precisava falar. Juntando suas forças, ela disse olhando para o chão:
— Eu queria me desculpar por todas as coisas horríveis que eu te disse. – e dando uma pausa, acrescentou – E pelo que fiz também.
O vento frio soprou novamente, levantando as folhas que estavam no chão. Neji se aproximou um pouco da menina, deixando o coração dela ainda mais apertado.
— Você se arrepende do que fez Hanabi? – inquiriu ele olhando-a intensamente arqueando levemente uma das sobrancelhas.
Hanabi levantou a cabeça e o encarou. Por um momento, pensou em afirmar sem pestanejar que se arrependia. Até perceber a real intenção daquela pergunta. E decidiu falar o que se passava de verdade em seu coração.
— Me arrependo das palavras rudes que utilizei e das acusações infantis. – falou decidida e respirando fundo o olhou dentro dos olhos e disse – Mas não do que fiz.
Naquele instante, ela podia jurar que via uma ponta de satisfação no olhar dele, mas foi somente por um instante. Tão rápido quanto aparecera, aquele sentimento desaparecera. Mas ainda assim eles ficaram se olhando, por mais alguns momentos, até que Neji levantou sua mão direita e a levou até os cabelos da menina.
O coração de Hanabi se agitou diante da ação. Será que ele iria acariciá-la? Toca-la? Mas ele apenas puxou gentilmente algo que se prendera entre os fios castanhos de seus cabelos.
— Uma folha. – disse ele simplesmente mostrando a folha avermelhada entre os dedos.
Involuntariamente, Hanabi esticou a mão e apanhou a folha dentre os dedos de Neji. Era uma bela folha tingida de vermelho, e que lembrava uma estrela.
Mesmo sem ser um carinho físico, aquele gesto do rapaz pareceu roçar delicadamente seus sentimentos como o mais carinhoso dos afagos. Sabia que cada gesto de Neji significava algo mais profundo e ele nunca os desperdiçava com bobagens como uma simples folha. Afinal, o acompanhava de um lado para o outro desde os sete anos, quando o viu lutar com Naruto. Achava que ficando sempre com ele, poderia se tornar forte da mesma forma. Mas o que acontecera foi que toda aquela admiração se transformara em algo muito maior. E agora, ele parecia lhe retribuir toda sua insistência apenas tirando uma folha de seus cabelos. Fora a coisa mais carinhosa que ele fez por qualquer pessoa, disso tinha certeza.
- Vamos fazer o chá? – convidou ele se virando pra retomar o caminho da cozinha.
Segurou a folha delicadamente entre os dedos e lhe sorriu muito feliz.
— Sim! – exclamou Hanabi acompanhando-o.
**************
Naruto observava o exame de Hinata apreensivo. Desde que soubera da gravidez de Hinata, temia pela saúde dela. Afinal, para quem passou tanto estresse como ela, não culpava Tsunade por ficar tão surpresa e preocupada.
— Você está magra pra quem está com dois meses de gravidez... – comentou a Hokage com as mãos sobre a cabeça da garota.
— Eu não tinha vontade de comer... – falou Hinata tristemente como se pedisse desculpa – E passava mal constantemente.
Tsunade deu um sorriso para a garota.
— Não precisa ficar assim Hinata. Tem mulheres que passam mal toda a gravidez e os bebês nascem mais saudáveis que muitos outros.
— Tomara que seja esse o caso... – disse Naruto preocupado.
Hinata sorriu para ele que retribui o sorriso. Agora que tudo estava calmo, ficava pensando como seria a criança. Menino? Menina? Isso não importava. Tudo que queria era estar ao lado de Hinata no momento em que ele ou ela chegassem às suas vidas.
“Tomara que pareça com a mãe...” pensou ele querendo que aquele sorriso de Hinata fosse herdado pela criança.
Quando Tsunade colocou as mãos sobre a barriga de Hinata, sua expressão ficou repentinamente séria, e ela parecia surpresa com alguma coisa. O coração de Naruto deu um pulo, e ele se aproximou rapidamente delas.
— O que foi? – perguntou preocupado.
Hinata lançou um olhar de medo para Naruto e depois segurou forte a mão da Hokage.
— Tsunade-sama, o que houve?
A Hokage tirou as mãos da barriga de Hinata, fechou os olhos e suspirou. Enquanto o casal assumia uma expressão apreensiva, Tsunade deu um largo sorriso e falou alegremente:
— Meus parabéns a vocês dois! – e bateu as mãos.
— Hã?! – exclamou Hinata e Naruto em uníssono.
— Isso não é de se espantar visto a tendência possuída pelo clã Hyuuga em ter casos assim, mas...
— Do que você ta falando vovó Tsunade? – inquiriu Naruto nervoso.
— Bem, quero parabenizá-los. Vocês serão pais de gêmeos!
Naquele exato momento, Neji entrou com Hanabi na sala novamente e ficou surpreso ao ver Naruto praticamente em choque, e Hinata com lágrimas nos olhos, abraçada com ele.
— O que aconteceu? – perguntou preocupado.
— Neji-nii-san! – exclamou Hinata olhando para ele – Eu vou ter gêmeos!!! Meus bebês serão gêmeos, como nossos pais.
Hanabi arregalou os olhos, abismada:
— Gêmeos?! – exclamou a menina – Que coisa né? Primeira gravidez e dois de uma vez!
Tsunade e Neji começaram a rir diante do comentário da menina.
— Duas crianças... – falou Naruto baixinho – Duas...
— Não está feliz, Naruto-kun? – perguntou Hinata tristemente.
— Claro que sim! – disse ele veementemente – Só que... Vovó Tsunade! A senhora precisa me dar muitas, muitas missões! Tenho duas crianças pra sustentar!
Foi impossível não cair na gargalhada diante do desespero com que falava Naruto. E ele estava realmente falando sério.
— Calma Naruto. – disse a Hokage sorrindo – Como meu sucessor, você terá missões mais perigosas... E mais bem pagas também. Poderá sustentar seus filhos sim, e muito bem.
— E os Hyuuga têm dinheiro também, viu? – comentou Hanabi como se sentisse ofendida pelo que Naruto falara.
— O papai ficará feliz! – exclamou Hinata satisfeita – Dois netos.
— Ou duas netas. – completou Neji.
— Isso só saberemos daqui a um tempo. – esclareceu Tsunade – No momento, se ocupem no casamento e na saúde de Hinata. – e olhando para Naruto, acrescentou – Sei que você está louco para ficar com ela, mas eu gostaria que fosse comigo agora no escritório. Temos coisas a resolver.
Naruto olhou instintivamente para Hinata, que afirmou com a cabeça, sorrindo.
— Vá Naruto-kun. E volte na hora que quiser. Ninguém no clã Hyuuga impedirá sua entrada.
Ele queria tomá-la nos braços e beija-la, mas a presença de mais pessoas na sala o intimidava. Por isso, limitou-se a abraçá-la e sussurrou em seu ouvido:
— Não demorarei.
— Estarei esperando. – sussurrou ela de volta.
***********
No dia seguinte, a notícia da reconciliação de Naruto e Hinata já era de conhecimento das pessoas da vila, juntamente com a notícia que ele seria o sucessor da Hokage. Para total surpresa do próprio Naruto, as pessoas estavam mais satisfeitas e alegres que ele. Por onde passou no dia seguinte ao anúncio de sua sucessão, as pessoas falavam animadamente, perguntando como estava Hinata e como andavam as coisas com a Hokage. Até Tanaka, o dono da livraria disse sorrindo:
— Eu sempre soube que vocês ficariam juntos! E você será um ótimo Hokage!
Mas ele ainda estava um pouco encabulado com toda aquela súbita atenção. E enquanto andava para o campo de treinamento, pensava em como seus alunos estavam lidando com aquilo.
Logo pode avistá-los, esperando por eles perto do memorial dos mártires da vila. Todos deram um grande sorriso quando o viram vir em sua direção.
— Bom dia Naruto-sensei. – cumprimentou alegremente Yumi.
— Bom dia Yumi. E Makoto e Suzumi também! – exclamou ele alegremente.
— Como está o sensei? – perguntou Makoto preocupado.
— Agora está tudo bem, Makoto.
— Nosso sensei será Hokage, que honra! – disse Suzumi sorrindo.
Naruto soltou uma risadinha e coçou a cabeça encabulado.
— Mas não será agora. Eu ainda tenho muito que aprender com a Vovó Tsunade.
Uma sombra de preocupação passou pelos olhos de Yumi.
— Mas o senhor não vai nos deixar né? – indagou aflita.
— Claro que não! – negou ele diante dos olhares preocupados – Vocês terão que me agüentar até todos virarem chunnis! Ou jounins, depende da circunstância.
Eles riram felizes. Não queriam perder um sensei de novo. Principalmente o sensei que havia se tornado Naruto.
— Ah, sensei. Parabéns pelo casamento. – falou Makoto.
A data já tinha sido marcada para o fim daquele mês e Naruto deixou bem claro que a presença de seu time era fundamental naquele momento.
— Obrigado Makoto. – agradeceu sorrindo – Vamos começar o treinamento então?
O treinamento daquele dia foi bem diferente. Naruto pediu para eles narrarem a luta que tiveram contra o jounin da Nuvem, lembrar os erros, e verem onde tinham que melhorar. Depois, Naruto entregou um pedaço de papel de chakra para cada um, explicando que poderiam saber qual tipo de elemento cada um possuía o que facilitaria o treinamento. O resultado não fora surpresa nenhuma para Naruto. O papel de Yumi ficara instantaneamente molhado, indicando que a menina possuía o elemento Água. O de Makoto ficou todo chamuscado, elemento Fogo. E o de Suzumi se tornou pó, elemento Terra.
— Qual seu elemento sensei? – perguntou Makoto encantado com aquele papel tão peculiar.
Naruto segurou um pedaço do papel, que se partiu em dois imediatamente.
— Vento. – disse simplesmente.
Ao entardecer, Naruto se despediu dos garotos e rumou para o clã Hyuuga. O Time decidiu comer alguma coisa juntos antes de voltar cada um para sua casa.
— Que tal takoyaki? – sugeriu Yumi.
— Beleza! – concordou Suzumi.
— Não poderia ser ramen? – pediu Makoto esperançoso.
— Não. – exclamou as duas meninas em uníssono.
-Não sei por que eu ainda pergunto... – disse o garoto tristemente.
Quando chegavam ao restaurante, o estômago de Suzumi se apertou imediatamente. Saindo do dojo de Lee, Hanabi vinha acompanhada dos garotos de seu time. Era a primeira vez que elas se viam desde o fatídico episódio em frente ao escritório da Hokage. Imediatamente a garota parou de andar. Hanabi, percebendo a presença de Suzumi, parou também.
— Suzumi, calma. – pediu Yumi.
Mas ela não precisava dizer nada. Há muito tempo Suzumi já havia tomado uma decisão. Sabia exatamente o que iria fazer no momento em que encontrasse Hanabi novamente. Por isso, se aproximou sem medo da menina que a encarava.
— Hyuuga. – disse Suzumi – Preciso conversar com você.
Hanabi analisou a garota à sua frente.
— Claro Kimura. – concordou.
Suzumi fez sinal para Hanabi e as duas se afastaram. Os demais garotos se entreolharam preocupados.
— Devemos impedir? – perguntou Tasuki ao seu colega.
— Não. – falou Kasuma cruzando os braços – Creio que não devemos interferir.
— Mas não vai ser perigoso? – cogitou Makoto.
— Suzumi não está disposta a brigar. – esclareceu Yumi.
Elas foram até um canto mais afastado, fora da vista de seus respectivos colegas e ficaram frente a frente, se encarando.
A decisão de Suzumi viera no momento que soubera que seu sensei iria se casar com Hinata. Ela sempre soubera que sua paixão adolescente era simplesmente impossível e ficava feliz de saber que Naruto finalmente ia ficar com quem ele amava. E sabia o que acarretaria esse contado maior com os Hyuuga. Então, o mais sensato era resolver aquela pendência o mais rápido possível.
— Estou ouvindo. – disse Hanabi de braços cruzados e com expressão séria.
Suzumi suspirou.
— Foi mal. – disse ela.
Hanabi pareceu confusa.
-Como? – perguntou.
— Eu disse, foi mal! – repetiu Suzumi de cabeça baixa.
— Isso eu ouvi, mas realmente não estou entendendo sua linguagem Kimura. – disse Hanabi com um ar confuso e sarcástico.
— Foi mal é foi mal! Simples! – se aborreceu a garota.
E como Hanabi continuava a olhá-la sem entender, Suzumi explodiu.
— Porra! To tentando te pedir desculpa merda! – gritou a garota surpreendendo Hanabi — Pronto, falei! Foi mal ter dito aquelas coisas da Hinata-sensei e ter provocado a briga! Entendeu agora, o quer que eu desenhe?!
Quando Suzumi já se preparava para virar as costas e ir embora, Hanabi falou:
— Foi mal também.
Suzumi estancou no caminho e se voltou rapidamente para a garota. Hanabi olhava para o chão e tinha uma expressão indefinida no rosto. Depois, levantou a cabeça e murmurou:
— Eu não devia ter pegado tão pesado com você. Sei que exagerei.
As duas se olharam durante alguns momentos, constrangidas, sem saber o que dizer a outra.
— Acho que nós duas fomos muito otárias. – disse Suzumi por fim.
— É, realmente. – concordou Hanabi — Nos metemos em assuntos que não eram nossos e acabamos nos desentendendo. No final, eles se resolveram sem nossa ajuda.
— Tudo foi um grande mal entendido, não é? Nenhuma de nós estava certa. – murmurou Suzumi com a cabeça baixa.
— Acho que nós duas estávamos certa Kimura. Do nosso ponto de vista. Eu não conhecia o lado do Naruto e você não conhecia o da minha irmã. Lutamos pelo que acreditávamos. – finalizou convicta.
Um silêncio repentino sobreveio entre elas. Não queriam admitir, mas realmente tinham muito em comum. Suzumi olhou para Hanabi novamente, que sustentou o olhar. E no final, ambas sorriram.
— Amigas? – perguntou Suzumi estendendo a mão para Hanabi.
Hanabi hesitou um pouco, mas apertou a mão de Suzumi.
— Aliadas. – corrigiu Hanabi.
E sorriram uma para a outra.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Mas ainda irei me vingar. Teremos uma revanche e vou te derrotar Hyuuga. – avisou Suzumi.
— Esperarei ansiosamente Kimura. – concordou Hanabi
Perto dali, sem conseguir conter a curiosidade, os dois times observaram a cena se camuflando detrás de uma parede. Quando tudo pareceu ter se resolvido, Yumi comentou contente:
— Que bom! A Suzumi agiu corretamente!
— E a Hanabi não explodiu! – comemorou Kasuma.
— Surpreendente... – murmurou Makoto.
Tasuki olhou para os três garotos como se não entendesse aquela alegria contida em suas palavras.
— O que vocês estão comemorando? Isso é terrível! – exclamou ele assustado.
Os outros olharam confusos para Tasuki, não entendendo por que ele se mostrava tão averso àquela cena. Como todos ainda esperavam uma resposta, Tasuki falou irritado:
— Será que vocês não compreendem? Estamos falando de uma amizade entre Hyuuga Hanabi e Kimura Suzumi! Imaginam o que essas duas são capazes de fazerem juntas?! È o fim da vila de Konoha!
Ele falou aquilo num tom tão sério e urgente, que foi impossível não rir diante de suas palavras. E enquanto os outros riam de suas palavras, Tasuki tentava faze-los levar suas palavras a sério, sem perceber que Hanabi e Suzumi se aproximavam.
— É sério! Elas são capazes de juntas destruírem Konoha!
— E como elas fariam isso? – perguntou Kasuma contendo o riso.
— Utilizando técnicas proibidas, maldições esquecidas e uma girafa! – exclamou ele meio alucinado.
— Uma girafa? – perguntou Makoto confuso.
— É, uma girafa! – afirmou ele com as mãos na cabeça.
Antes que pudesse explicar a razão de uma girafa poder levar Konoha à ruína, Hanabi e Suzumi deram ao mesmo tempo um grande chute na bunda de Tasuki que, pego de surpresa, caiu de cara no chão. As meninas se entreolharam surpresas. Não haviam combinado nada, apenas agiram iguais por impulso.
— É parece que vocês formam uma boa dupla. – comentou Kasuma sorrindo.
— Acho que vou ficar com ciúmes! – brincou Yumi.
— Ei, ei! – protestou Suzumi – Não foi porque selamos um pacto de não-agressão, que somos necessariamente amigas!
— Sou obrigada a concordar – falou Hanabi cruzando os braços – Afinal, o que será de minha boa fama se me virem na companhia de alguém que anda tão mal vestida quanto ela.
— Eu não ando mal vestida! – reclamou Suzumi.
— Imagina! – exclamou a outra irônica – Só se veste como uma delinqüente e fura a cara toda...
— Melhor que ser uma patricinha esnobe quanto você! Além do mais, eu tenho estilo próprio, ta? – Suzumi passou a mão nos cabelos ruivos – E meus piercings são charmosos!
— Só se forem charmosos pra um sadomasoquista! – rebateu Hanabi.
— Ora sua!
Enquanto elas discutiam, Tasuki finalmente se levantara e passou a assistir o embate delas com a mesma cara bestificada dos outros.
— Espero que você tenha a decência de se vestir melhor no casamento da minha irmã! – exigiu Hanabi.
— Claro que sim! Comprei até uma bermuda nova! – falou animada.
— Bermuda?! – exclamou Hanabi horrorizada – Vestido é a roupa ideal para um casamento!
— Eu não vou pôr um vestido! – Suzumi pareceu horrorizada diante da idéia.
— Isso vai longe... – murmurou Yumi.
Makoto concordou com a cabeça. Era impressionante a capacidade de Suzumi em arranjar briga rapidamente.
— Vamos apostar! – propôs Hanabi – Uma luta! Se eu vencer, você veste um vestido no casamento!
— E se eu vencer, você vai de bermuda! – contrapôs Suzumi.
— Isso não vai dar certo... – comentou Kasuma.
— Eu avisei... – lembrou Tasuki.
Foi uma luta rápida. Com um movimento preciso, Hanabi dominou Suzumi, derrubando-a no chão e sentando sobre suas costas, enquanto puxava o braço dela pra trás.
— Me larga sua imbecil! – gritou Suzumi.
Mas Hanabi não se importou com o insulto, muito pelo contrário. Começou a rir vitoriosamente.
— A Suzumi vai de vestido! A Suzumi vai de vestido! – comemorou a garota.
Os colegas se entreolharam. Parecia que o casamento de Naruto iria render muitos frutos ainda.
**********
— Sasuke-kun, vamos chegar atrasados!
— Pronto! Podemos ir.
Sasuke colocou a jaqueta e rapidamente fechou o portão. De mãos dadas, caminharam em direção ao restaurante de Konoha. Já se passara três dias desde o anuncio que Naruto seria oficialmente o sucessor de Tsunade e o alvoroço que causou na vila fez com que Sakura e Sasuke se tornassem alvos preferidos de perguntas. Afinal, fizeram parte do mesmo time de Naruto e eram reconhecidamente grandes amigos. Naruto também passara os últimos dias ocupados, na maioria das vezes dentro do escritório da Hokage, de onde só saia para visitar Hinata no clã Hyuuga. Aquela seria primeira vez que o veriam já como futuro Hokage.
Aparentemente eles foram os últimos a chegar. Sentados à mesa já estavam Naruto, Hinata, Tsunade, Jiraya, Kakashi. Sasuke estranhou a ausência de Shizune, mas nada comentou.
— Ah, finalmente chegaram o senhor e a senhora Uchiha! – falou Naruto alegremente.
Os dois sorriram sem jeito enquanto sentavam.
— Ainda não. – falou Sakura – Oficialmente não somos marido e mulher.
— Mas já moram juntos e para mim isso é suficiente. – falou ele sorrindo – E até já encomendaram o herdeiro!
— Naruto, olha como fala. Você também já encomendou o seu. Ou melhor, os seus. – falou Tsunade sorrindo.
— “Os seus”? – perguntou Jiraya aparentemente ainda alheio aos acontecimentos – É mais de um?
— Naruto decidiu que um era pouco para ele. – revelou Kakashi sorrindo – E pediu dois à cegonha...
Todos começaram a rir enquanto Hinata e Naruto enrubesciam ao mesmo tempo.
— Pelos meus cálculos eles vão nascer em torno de setembro. – falou Sakura contando nos dedos – Na primavera. Que lindo!
— E o nosso nascerá em novembro. – disse Sasuke – Isso não é interessante? Eles crescerão juntos.
— Talvez façam parte do mesmo time! – falou Hinata animada.
— Difícil. – disse Tsunade pensativa – Os filhos de Naruto possivelmente herdaram o Byakugan. Os de Sasuke, o Sharingan. Um time com duas linhagens dessas seria muito forte e ficaria desequilibrado.
— Não exatamente, Tsunade. – falou Jiraya – Se os bebês forem tão burros quanto o Naruto, não há linhagem que dê jeito.
— O que você quer dizer com isso, seu ero-baka? – gritou Naruto olhando irritadamente para Jiraya, enquanto todos riam.
— Jiraya-sama, ele podem herdar a inteligência da Hinata-chan! – falou Sakura, satisfeita por ver a cara de Naruto ficar mais irritada também.
Sasuke também estava achando engraçada a cara de Naruto enquanto ele tentava fazer com que os outros o levassem à sério.
— Jiraya-sama – falou Sasuke atraindo a atenção de todos — O Naruto não é tão burro assim. Veja bem, eu esperava sinceramente quando ele disse que estava indo buscar a Hinata, que o clã Hyuuga seria devastado e deixaria a anbu sobrecarregada. Mas ele não fez isso. Foi lá e conversou civilizadamente. Não foi fascinante? – disse Sasuke dando uma ênfase irônica ao fascinante.
Naruto se espantou. Jamais esperava um elogio daquele da parte de Sasuke mesmo que ele contivesse um ar de deboche. Mas ele o interpretara mal. E foi por isso que ele falou:
— Sasuke, eu realmente não sou tão burro. Eu queria a Hinata sim, mas não era louco de tomar a ira de todo clã Hyuuga para mim. Afinal, eu serei o próximo Hokage. Devo respeitar todas as pessoas da vila e não sair explodindo-as por ai. Mesmo que tenha vontade de fazer isso. – completou piscando o olho.
Tsunade não foi a única a sorrir diante do comentário de Naruto, mas foi a que mais colocou sentimentos em seu rosto, sem dúvida. Naruto já pensava como um Hokage, mesmo sem ser um. Quando comunicara sua decisão ao conselho da vila, alguns haviam se mostrado relutantes em apoiar a sucessão de Naruto. Diziam que ele talvez não tivesse as condições necessárias para se tornar o sexto. Mas estavam enganados.
“Ele tem o principal, amor pelo cargo. Talvez bem mais que eu... E sabe das coisas instintivamente, o que é um grande trunfo para ele” pensou ela. Claro que a ligação vantajosa que ele iria firmar no final daquele mês com o clã Hyuuga era um peso a mais ao seu favor.
— Se calou de repente, Vovó Tsunade. – falou Naruto apertando os olhos – Já bebeu muito?
— Ainda nem comecei... – disse ela enchendo o copo de sakê.
Eles fizeram os pedidos quando a atendente trouxe o cardápio e Naruto fez questão que Hinata pedisse um prato mais reforçado.
— Você precisa comer! Afinal tem que se sustentar e mais os dois pestinhas que estão ao dentro!
— N-Naruto-kun... Não chame as crianças de pestinhas... – pediu Hinata ruborizando com a forma carinhosa que ele falou.
— Até quando vai ficar vermelha falando com esse idiota, Hinata? – perguntou Sakura sorrindo – Você vão casar!
— E quando vocês vão casar? – perguntou Naruto para ela e Sasuke.
— Bem... Quando a Sakura quiser... – disse Sasuke desconversando um pouco.
— Ah... Quando o Sasuke-kun achar mais apropriado... – Sakura assumiu uma cor escarlate que contrastou enormemente com sua roupa.
— Por que vocês não casam no mesmo dia que nós? – perguntou Hinata animada.
— É mesmo! – concordou Naruto – E então Sasuke? O que acha?
— Mas ai a festa teria que ser maior! – exclamou Jiraya – Afinal, é um casamento duplo.
— Seria interessante... – murmurou Kakashi – Seria a primeira vez que um time se casaria no mesmo dia...
— E quando você casa Kakashi-sensei? – perguntou Naruto.
— Casar com quem? – perguntou ele com um ar estranho, mas que ninguém prestou realmente atenção.
— Bem, não sei... Não queremos apagar a brilho do seu casamento Naruto... – falou Sakura passando a mão nervosamente pelos cabelos.
— Não apagariam de forma alguma! – disse Hinata juntando as mãos – E seria muito romântico também!
— E seria um trabalho a menos pra fazer. – disse Tsunade – A burocracia do casamento seria enfrentada de uma vez só por mim...
Todos riram do comentário de Tsunade, até Sakura que parecia preocupada. Mas quando Sasuke olhou para ela com um sorriso sincero no rosto, ela ficou sem ação.
— Então Sakura, quer se casar comigo no dia trinta desse mês, no templo de Konoha e ao lado de Naruto e Hinata? – pediu de uma forma que ao ver de Sakura era tão charmoso e envolvente que por um momento ela ficou sem ação.
O rosto dela adquiriu uma cor escarlate e Naruto começou a rir, possivelmente de sua expressão bestificada.
— A-A-Aceito! A-Aceito s-sim!
As palmas acompanharam o beijo carinhoso que Sasuke deu em seus lábios e a atendente ficou totalmente sem graça em ter que avisar que trouxera a comida naquele momento tão romântico.
O resto do jantar foi dedicado à discussão de planos tanto do casamento quanto da sucessão de Naruto. Tsunade avisara que ele ficaria muito ocupado a partir dali, pois teria que tomar lições com ela e aprender seu serviço e ao mesmo tempo cuidar de missões com seu time.
— Depois do desempenho deles no resgate de Hinata, acho que vou designar muitas missões para vocês agora... – disse ela sorrindo.
— Espera ao menos acabar a lua-de-mel, né? – disse Naruto apreensivo.
— Que lua-de-mel? Sucessores não têm isso! – falou Tsunade maldosamente.
Diante do olhar desolado de Naruto, todos começaram a rir, mesmo sabendo que Tsunade não falava aquilo a sério.
Jiraya observou toda a cena e suspirou. A paz estava alcançada. Quando soubera que Hinata fora seqüestrada, ele voltara rapidamente para a vila. Sabia que Naruto acabaria fazendo algo, de um jeito ou de outro. Todo o desespero que ele sentira no dia que achava que tinha perdido-a só prenunciava a intensidade de seus sentimentos. E agora, aquele menino bobo que ele havia ensinado era um homem feito, ia casar, ter filhos e se tornar Hokage. Começara a sentir o peso da idade em seus ombros.
— Que cara é essa ero-senin? – perguntou Naruto preocupado com a expressão que surgira na face de seu mestre.
— Nada demais... Só pensamentos incomuns...
— Jiraya-sama ficará para o casamento? – perguntou Hinata ansiosa. Sabia que Naruto ficaria muito feliz se isso acontecesse.
— Acho que sim... – e diante do sorriso dos noivos, ele completou – Na verdade, estou pensando em ficar uns tempos por aqui... Dar um tempo nas minhas andanças...
— Sério Jiraya? – se surpreendeu Tsunade – Que inusitado.
— Não sou mais bem vindo na vila, Tsunade? – provocou ele.
— Você sabe que não é isso. Só acho que Konoha não tem as coisas que você mais gosta: farra e muita mulher fácil! – provocou ela de volta.
— Também não tem cassino e mesmo assim você sobreviveu. – revidou ele.
— Ah, então você está insinuando que eu não sobreviveria sem jogar é?
— Não Tsunade. – falou com em tom de deboche — Estou afirmando isso!
E a discussão deles começou para a perplexidade de todos na mesa.
Naruto não pode deixar de sorrir satisfeito. Nada melhor que ter as pessoas mais importantes para ele naquela hora. Porém... Alguém faltava...
— Ei, cadê Iruka-sensei que não chega? – perguntou ele chateado.
— Ele deve ta corrigindo provas dos alunos – falou Kakashi pensativo – Ele me falou que estava sobrecarregado de trabalho...
— Mas ele devia estar aqui!!! – disse Naruto – Eu vou buscá-lo!
E quando ele se levantou Sasuke o puxou para baixo, o forçando a se sentar.
— Calma Naruto. – disse ele — O jantar mal começou. Ele só está atrasado.
— Isso é inédito, levando em consideração que Kakashi-sensei está presente... – falou Sakura.
— Não gostei da observação... – falou Kakashi.
Iruka chegou na metade do jantar, acompanhado por Ayame, a filha do Ichiraku, que parecia muito encabulada na presença de Tsunade e Jiraya.
— Tsunade-sama! Jiraya-sama! – exclamou ela se curvando.
— Olá Ayame. – cumprimentou a Hokage – Não precisa de tanta cerimônia. Sente-se.
— Iruka-sensei se atrasou... – falou Naruto meio chateado.
— Desculpe Naruto... Trabalho de professor é fogo!
O jantar ficou ainda mais animado com a presença de Iruka e Ayame. A garota ficara muito encabulada à principio, mas depois se soltou mais. Ficou extremamente constrangida quando Iruka revelou que eles estavam juntos e quando brincou dizendo que teria que casar logo, já que seu aluno ia fazê-lo. Naruto ficou extremamente entusiasmado com a idéia.
— Isso, você tem que casar Iruka-sensei! Não é Hinata? – perguntou ele empolgado deixando a pobre Ayame enrubescida.
— É-É N-Naruto-kun... – confirmou Hinata um pouco encabulada pelo casal.
— Eu proponho que brindemos todos à paz e o amor que ronda a Vila de Konoha! – propôs Jiraya levantando o copo.
Todos aderiram satisfeitos e Naruto sabia ser aquele o inicio de uma nova etapa para ele e todos ali presente.
**********
— Gaara, chegou essa mensagem de Konoha para você.
O Kazekage pegou o pergaminho que foi oferecido por seu irmão e encarou o documento um pouco temeroso. Reconhecia o selo oficial da Hokage e temia que algo tivesse acontecido a Naruto ou à vila. E quando abriu e leu o que estava escrito, um discreto sorriso apareceu e seu rosto.
— Kankurou, prepare uma comitiva para irmos a Konoha em uma semana. – ordenou ele imediatamente enrolando o pergaminho.
— Aconteceu algo? – perguntou o rapaz preocupado.
— Ainda não. Mas irá acontecer. – disse ele com uma expressão satisfeita. – Iremos à um casamento. Avise a todos para prepararem presentes à altura de um Hokage.
Levantou-se da cadeira e saiu da sala em direção à sua casa. Kotori ficaria muito satisfeita com a notícia. Ela compartilhara com Gaara os temores de Naruto e o fato de ter certeza que o rapaz amava a menina chamada Hinata. A notícia do casamento anunciava que ele finalmente percebera o que sua esposa notara assim que ele pronunciara o nome dela.
E também havia Temari. A garota poderia visitar o namorado e ficar mais calma. Desde que voltara de sua última visita, ela andava ora estressada ora triste, o que era preocupante. Parara até mesmo de brigar com Kankuro. Uma visita a Konoha iria fazer bem a ela.
Quando cruzou a porta de casa, algo passou em sua mente. Ele se sentia bem pensando naquilo. A felicidade das pessoas o deixava feliz. Era bom poder sentir-se bem sabendo que as pessoas que eram importantes para ele ficariam felizes. E isso era algo que ele devia a Naruto.
— Parece que já estarei em dívida com o próximo Hokage antes mesmo de ele assumir... – murmurou sorrindo para si mesmo enquanto caminhava para encontrar sua esposa.
***********
— Entre. – ordenou Takeshi.
Masami entrou na sala, fechando a porta atrás de si. Perguntava-se que assunto urgente teria o líder do clã para falar com ele. A mensagem chegara enquanto ele encaminhava uma missão da anbu, que foi imediatamente deixada de lado para atender o chamado do clã. Agora, Takeshi o olhava seriamente, mas com suavidade.
— Como vão as coisas na anbu, Masami? – perguntou descontraído.
— Bem, Otori-sama. – respondeu serio – Apesar de tudo, o garoto Uchiha tem feito um bom trabalho.
— Ótimo... Ele me parece competente para alguém que não é um Otori.
Concordando com a cabeça do comentário do líder do clã, Masami sabia que Takeshi apenas tentava deixa-lo a vontade para falar alguma coisa mais importante. Afinal, não imaginava que ele o tiraria as sede da anbu apenas para comentar o desempenho de Uchiha Sasuke. Por isso, ficou esperando o seu real pronunciamento.
— Eu soube – começou Takeshi – Que sua esposa está grávida de novo depois de tanto tempo... Meus parabéns.
— Obrigado, Otori-sama.
— Como Makoto-kun tem reagido a noticia? Bem? – perguntou displicentemente.
Masami analisou bem seu líder, pensando que tipo de resposta poderia dar a ele, sem parecer desrespeitoso. Por fim, baixou a cabeça e murmurou submisso:
— Tenho certeza que o senhor sabe isso bem mais que eu...
Takeshi sorriu.
— Claro que sei. – disse ele – Makoto-kun me conta tudo. Ele confia em mim. Por isso tomei uma decisão hoje que Naomi concordou plenamente. E você será o primeiro a saber.
— Que decisão seria essa Otori-sama? – perguntou ele, mas já desconfiando do que seria.
Cruzando as mãos sobre a mesa, a expressão do líder dos Otori tornou-se séria.
— Não fiz isso antes por que respeitava a sua posição como pai do Makoto. E ele era seu único filho. Todavia, você terá outro agora. – seus olhos eram puro aço moldado por sua determinação — Por isso, estou lhe comunicando que a partir de hoje, Makoto irá morar na minha casa, junto com minha esposa e eu. Ele será meu filho Masami. – a palavra filho saia facilmente dos lábios de Takeshi, e ao continuar sua voz estava cheia de reprovação — E terá de mim todo amor que você não deu.
As palavras foram ditas sem compaixão, sem hesitação. E Masami apenas pôde baixar sua cabeça perante elas. Não era mentira. Sua esposa sofreria por perder o filho, mas ela também concordaria com ele que aquela era a melhor coisa que, como pais, podiam fazer por Makoto.
— Não vai me dizer nada, Masami? – perguntou Takeshi sério – Nenhuma resistência?
— O senhor sempre foi mais pai dele que eu. – falou sem inflexão na voz — Não há o que me opor.
O líder do clã Otori descruzou as mãos e as baixou.
— Como eu esperava... – disse um totalmente desgostoso – Saia agora. E peça para o Makoto entrar.
— Sim Otori-sama. – e se curvando ligeiramente, saiu silenciosamente.
Do outro lado da porta, Makoto esperava sentindo-se mau. Da ultima vez que esperara por seu pai do lado de fora da sala de Takeshi fora quando acabara de saber sua condição de experimento. É claro que sabia que daquela vez era diferente, mas estava ansioso mesmo assim. Olhou para porta, querendo saber o que acontecia lá dentro. Mas os Otori tinham um código de honra entre si, em nunca ouvir sobre coisas uns dos outros sem permissão. E quando seu pai saiu da sala, seu coração pulou um pouco. Ele parecia estranho. O que não atentava Makoto era que aquela expressão tinha um quê de remorso.
— Otori-sama pediu para você entrar. – disse com a voz falhando um pouco.
— Certo. – respondeu entrando em seguida.
Tão logo que entrou, viu vários doces esperando por ele na mesa de Takeshi e sorriu quando olhou para o líder do clã.
— Sirva-se Makoto-kun. – disse ele sorrindo.
— Obrigado, Takeshi-sama. – e pegou um pirulito.
— Como vão os treinos com Uzumaki Naruto? – perguntou curioso.
— Bem. – respondeu o menino animado – Agora que o sensei será o Sexto Hokage, tem exigido bem mais da gente. Diz que temos capacidade de sermos os melhores da vila! E tudo faz no sentido de nos fazer acreditar que temos.
“Rapaz interessante...” pensou Takeshi “Sua convivência com Makoto fez com que ele se desenvolvesse surpreendentemente... Acho que em breve estará na hora de conhecê-lo”.
— E os preparativos para o Exame Chunin? – mesmo sabendo qual seria a resposta, Takeshi aguardou o menino falar.
Makoto enrubesceu.
— A-Acho que terei que pedir para o meu pai me treinar... – disse parecendo encabulado — Eu e a Yumi fizemos um acordo com o sensei sabe... Ele só poderá treinar um de nós e como a Yumi tem a mãe dela pra treinar e eu tenho meu pai, pelo menos teoricamente, pedimos pra ele treinar a Suzumi que não tem ninguém...
— Ah, sei... – murmurou Takeshi levantando a sobrancelha – Bem, acho que tenho a solução pra você, Makoto-kun. Não vai precisar pedir para o Masami treinar você.
— Não? – se surpreendeu o menino.
— Não. – e sorrindo falou – Eu vou treinar você.
Makoto se engasgou diante do que Takeshi dissera, e quase engoliu o pirulito inteiro.
— T-Takeshi-sama v-vai m-me treinar? – balbuciou ele sem acreditar.
— Vou. – disse simplesmente – E a partir de hoje, você vai morar na minha casa, junto de Naomi e eu. Já falei com o Masami. Ele logo terá outro filho... – falou gesticulando displicentemente — Então não me sinto mal por estar tomando você dele.
As lágrimas começaram a rolar pela face de Makoto. Não acreditava no que estava ouvindo. Morar na casa de Takeshi era o mesmo que dizer para todo clã que o líder do clã o adotava como filho. E, distraído como estavam tentando conter as lágrimas, sentiu os braços de alguém o envolver.
— Makoto-kun... – era Naomi que entrara na sala – Vamos ver seu quarto?
— Naomi-sama... – murmurou ele.
— Não! – repreendeu ela delicadamente – Me chame de mamãe, ok?
Seria difícil chamar uma jovem de vinte e cinco anos de mamãe, pensou Makoto, principalmente por causa de todo respeito que ele tinha por ela. Deveria ser tão intimo assim?
— Querida – falou Takeshi carinhosamente – Leve Makoto-kun pra casa e providencie tudo. Ele parece está um pouco em choque! – brincou animado – Mandarei alguém buscar as coisas dele.
— M-Mas... Takeshi-sama... – o menino ainda parecia um pouco incrédulo – Por que...
— Eu já não te disse? Você é um filho pra mim e para Naomi, Makoto-kun... – e nesse momento os dois se olharam sorrindo e voltaram esse sorriso para Makoto – Você é nosso primeiro filho. E nós o amamos por isso. – e dando um sorriso alegre, continuou — E não prive sua pobre mãe de alimentar você! Veja como ela está animada.
Makoto sabia que ele se referia a Naomi e não a sua mãe. Queria perguntar a Takeshi como ficariam seus pais, o que eles pensariam, mas ao se deparar com os olhos do líder, soube que aquilo já estava resolvido. E sorrindo, saiu abraçado com Naomi, que já fazia planos para o jantar em família daquela noite.
***********
Sasuke e Naruto se olharam e sorriram. Naruto estava no escritório de Tsunade aguardando ela para a aula daquele dia e ficara contente quando o amigo atendera seu chamado e, entrando na sala, se dirigiu a ele como o Sexto.
— Você não perde a oportunidade de debochar de mim, não é? – perguntou Naruto tentando parecer aborrecido, mas com um sorriso canto de boca ao ouvir a forma como Sasuke pronunciara “Sexto”.
— E por que o faria? Agora que você é tão importante, é mais interessante zombar de você. – respondeu Sasuke – Mas você mandou me chamar... Pra quê? Já vai começar a abusar da sua autoridade?
Naruto caiu na risada. Estava em pé em frente à janela do escritório da Hokage e observou o céu antes de olhar novamente o amigo. Desde que toda sua angustia acabara era a primeira vez que conversava a sós com o amigo. Tinha algo a dizer e começar a falar:
— Obrigada por tudo Sasuke.
— Como? – perguntou o outro confuso.
— Por aquele dia...
“Aquele dia” estava se referindo ao dia em que tanto ele quanto Sakura e Tsunade tentaram tira-lo de seu abismo. Sasuke olhou de lado fazendo um barulho com a boca, e comentou um pouco irritado:
— Eu não fiz nada. Quem fez foi o Neji. – falou secamente.
— Não, você fez. – repreendeu Naruto – Eu queria te agradecer por tudo que você tem sido por esse três anos. Por ter me ensinado que são os laços e por ter sido meu primeiro laço, mas acima de tudo por agora me considerar o que eu sempre lhe considerei – e dando um passo a frente, colocou a mão no ombro de Sasuke — Um irmão...
Nada mais precisou ser dito. Os dois se encararam relembrando tudo o que haviam vivido como time e pessoa, e o quanto um deviam ao outro a sua vida. E sorrindo, apertaram as mãos.
— Obrigado irmão. – agradeceu Naruto.
— Não há de quê... Irmão... – respondeu Sasuke ainda hesitante.
— Quem diria não? – gracejou Naruto se lembrando de como eles se detestavam no começo.
— Pois é... Vamos até no casar no mesmo dia...
— E será em breve! Não vejo a hora de ficar sério com Hinata!
— Você está bem animado – comentou sorrindo – Então tudo pronto? Festa, roupa, a casa?
— Está tudo pron... – Naruto parou no meio da frase e olhou para Sasuke cauteloso – Você disse “casa”?
— Sim, casa. – respondeu ele sem entender – Você já deve ter procurado uma casa pra morar com a Hinata, não é? Ou você acha que cabem vocês dois e duas crianças em seu apartamento?
Diante da expressão do amigo, Sasuke o fitou incrédulo.
— Naruto... Não me diga que...
— Sasuke, nos falamos depois! – disse ele apressado se dirigindo à porta – Preciso ver a Hinata!
E quando ele saiu Sasuke não pode deixar de sorrir. Naruto podia ser sucessor, Hokage, o que fosse. Ele continuaria sendo o mesmo Naruto de sempre.
(Continua...)
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