O Tempo e a Esperança
38 Capítulo XXXII – Tudo sobre nós (Parte II)
Notas iniciais
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Hinata olhou para o jardim lá fora. Faltavam apenas três dias para o seu casamento e era impressionante como estava calma. Com a correria para preparar tudo e a perspectiva da presença do Kazekage e do Daymio na cerimônia, ela simplesmente se impusera uma tranqüilidade que muitas vezes não possuía apenas para assegurar seu bem estar e dos seus bebês. Como se pressentissem isso, as pessoas do clã estavam mais solicitas e ela tinha muito pouco trabalho. Seu pai a ajudava, temendo por sua saúde. Mas havia duas coisas naquele dia que ela queria resolver.
Uma delas era uma audiência que fora solicitada oficialmente naquela tarde. E ela fizera questão de atendê-la, mesmo que estivesse um pouco indisposta. O pedido havia surpreendido-a pela pessoa que a solicitara. Por isso, quando ouviu o correr da porta, voltou toda sua atenção para a pessoa que entrou.
— Neji-nii-san. – falou ela carinhosamente.
— Hinata-sama. – disse ele respeitosamente se sentando em frente a ela.
— Fiquei muito surpresa com seu pedido. Se havia algo para falar comigo, por que solicitar uma audiência?
— O que eu tenho para pedir não diz respeito somente a mim, mas ao clã Hyuuga também. – falou ele seriamente.
— O que eu puder fazer, eu farei. – disse ela firmemente.
Neji suspirou um pouco e baixou a vista por um momento. E quando a encarou novamente, falou numa voz baixa.
— Hinata-sama, eu mais que ninguém conheço as leis do clã Hyuuga. Estou a par também da minha condição de subserviência como membro da Bouke...
— Não fale assim, Neji-nii-san! – protestou Hinata – Você não é apenas um servo dentro desse clã!
— Por favor, Hinata-sama, deixe-me terminar. – pediu ele.
Ela assentiu com a cabeça. Estava ficando preocupada com o rumo da conversa.
— Mesmo ciente dessa minha situação – continuou ele – Fiz varias coisas que foram contrárias à minha posição e estou para fazer outra, muito mais grave. Por isso, vim até você, não como minha prima, mas como líder de clã. Caberá a você decidir o que fazer depois que me ouvir. Tudo que Hinata-sama decidir, eu aceitarei.
— Neji-nii-san... – murmurou Hinata preocupada.
— Eu quero dizer que me envolvi emocionalmente com Hanabi-sama, mesmo ela sendo um membro da Souke e eu da Bouke. E gostaria de pedir permissão para continuar com esse relacionamento, já que hoje ela faz quatorze anos e saiu oficialmente de sua infância.
Hinata sorriu aliviada. Então era isso. Ela já havia percebido a mudança das atitudes de Neji para com Hanabi os últimos dias, mas nada comentara. E também estranhara a menina não protestar quando avisou que não poderiam comemorar seu aniversário já que faltavam apenas três dias para o casamento. Hinata sabia que ali à sua frente estava o maior presente que Hanabi poderia receber.
— Hanabi sabe que você está aqui Neji-nii-san? – perguntou ela pensando na possibilidade de Hanabi estar ouvindo atrás da porta.
— Não. Ela foi até a vila comprar um vestido.
— Outro? – estranhou Hinata.
— Esse será para uma aposta ou algo assim. – esclareceu ele.
Quando ele a encarou nos olhos, já sabia qual seria sua resposta.
— Claro que permitirei seu relacionamento com minha irmã, Neji-nii-san. Não há nada que me deixe mais satisfeita. Mas por favor, nunca mais fale com tanto menosprezo de si mesmo. Não importa se é Bouke ou Souke. Você é essencial para este clã, para mim e principalmente para Hanabi. – concluiu carinhosa.
— Obrigado, Hinata-sama. – agradeceu sinceramente – Mas e quanto ao conselho do clã?
— Com eles eu me entendo. – disse ela sorrindo.
Naquele caso, ninguém passaria por cima de sua autoridade, decidiu ela.
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“Burro! Burro! Burro!” era isso que pensava Naruto enquanto se dirigia ao clã Hyuuga. Como pudera ser tão burro? Se Sasuke não o tivesse alertado, ele ainda nem lembraria daquilo. Estava tão nervoso com o casamento, que acabara esquecendo-se de coisas essenciais como aquela. E por isso, estava chegando bem antes do que previra na casa de sua noiva, e quase apanhara de Tsunade ao avisar que iria sair mais cedo. Agora que era oficialmente o sucessor, ela fazia questão que ele passasse algumas horas do dia com ela em seu escritório. Mas não iria ficar sossegado enquanto não resolvesse aquilo.
“Espero que Hinata não esteja ocupada!” desejou ardentemente quando entrou correndo na propriedade do clã. Para seu imenso alívio, viu Neji sair da casa e Hinata logo depois.
— Hinata! – chamou ele alegremente assim que a viu.
— Naruto-kun! – mesmo estando noiva dele e saber que casariam em poucos dias, ela não pode evitar a vermelhidão que tomou conta de seu rosto quando ele sorriu para ela.
Naruto parou ofegante de frente para ela e acenou para Neji, que já se afastava para deixá-los a sós.
— Oi Neji! – disse antes de o rapaz sumir de vista. E olhando para sua noiva, falou meio encabulado – Hinata tem algo que precisamos conversar...
Hinata o encarou, preocupada.
— Algum problema Naruto-kun?
— Na verdade, há sim... Você ta ocupada agora?
Ela meneou a cabeça negando.
— Não há nada... Eu estava somente te esperando, mas achava que você viria somente ao pôr-do-sol...
— Precisamos conversar sobre algo importantíssimo! – disse ele com certa urgência.
— Naruto-kun, estou ficando assustada... – murmurou ela.
— Não! Não fique assustada! – ele se desesperou diante da expressão dela – Pense nos bebês! Eu prometo que vou resolver tudo!
— Resolver o que? – ela estava confusa.
— Onde nós iremos morar! Eu não tinha pensado nisso, meu apartamento é pequeno demais e se o Sasuke não tivesse me falado hoje, eu nem lembraria!
Ele parecia estar em pânico diante daquela questão. Mas o coração de Hinata ficou aliviado. Pensou que fosse algo mais sério. Na verdade, aquela era a outra questão que teria que resolver naquele dia. Pegando na mão dele, falou docemente:
— Calma Naruto-kun. Eu já pensei sobre isso.
— Já? – se surpreendeu ele.
— Já. Venha comigo. – e puxou delicadamente ele pela mão, na direção da saída do clã Hyuuga.
Naruto percebeu que ela estava calma e não chateada com seu desleixo. Como ela conseguia não se irritar diante de suas trapalhadas? Será que ela estava só dizendo aquilo para não machucar ele? Não, Hinata não era dessas coisas. Mas para onde ela o levava?
— Hã... Hinata? Para onde vamos?
— Eu andei conversando com o papai sobre isso. – disse ela ao cruzarem os portões – Sabíamos que você não se sentiria bem morando dentro do clã Hyuuga...
— Realmente... – admitiu ele pensando em como seria constrangedor acordar todo dia e dar de cara com Hiashi pela casa.
— Só que eu também não posso me afastar do clã, devido às minhas funções... Então o papai nos deu um presente. Na verdade, deu uma idéia.
Quando se aproximaram do grande portão com o símbolo Hyuuga, Naruto compreendeu o que Hiashi fizera. E sorriu.
Eles entraram no jardim que parecia estar mais bonito naquele dia. Como da outra vez que viera ali, a casa estava muito bem cuidada. O piso de carvalho fez aquele singular ruído que parecia de pássaros cantando quando pisaram nele. Tiraram as sandálias antes de entrarem na sala onde haviam feito às pazes. Hinata sentou bem em frente à porta e perguntou com um sorriso:
— Então, o que acha de nossa futura casa?
— Bem... Acho que seu pai me surpreendeu agora... – disse ele coçando a cabeça.
Hinata sorriu enquanto ele sentava junto com ela, de frente para a porta.
— Aqui eu não fico longe do clã, nem você fica dentro dele. A casa é grande e arejada, já está mobiliada e tem esse jardim enorme! – falou ela abrindo os braços – Muito espaço para as crianças!
— E tem o piso que canta! – falou Naruto.
— O nome é piso-rouxinol. Parece que foi um presente dos Otori se não me engano...
— Isso não me surpreende... – comentou ele sorrindo. Um piso que canta combinava com um clã que ouve demais.
— Então Naruto-kun... Algo contra? – perguntou ela ansiosa.
— Claro que não! Pelo contrário! Nada melhor para nós que morar no lugar onde decidimos ficar juntos! Além do mais, sempre quis morar numa casa dessas bem tradicionais, com sala de chá e jardim com lago! – disse Naruto parecendo muito animado.
O entusiasmo dele a deixou satisfeita. Seu pai parecia ter acertado bem daquela vez.
— Hããã... Hinata... – chamou ele baixinho.
— Oi?
— Onde vocês vão acomodar as visitas agora?
— Vou mandar construir outra casa do outro lado do clã. Aquelas terras são nossas também...
— Ah, ta... – murmurou ele.
Olhando para o jardim lá fora, ele pensou em como tudo estava dando certo para os dois. Parecia que finalmente o mundo conspirava a seu favor. E não devia negar nenhuma daquelas chances.
— Hinata... – chamou ele novamente.
— Estou ouvindo.
— Você não tem mais nada para fazer no clã hoje, não é? – perguntou tentando parecer displicente.
— Não. – respondeu ela sorrindo.
— Então... Você pode demorar um pouco para voltar para casa, não é? – continuou como se nada demais passasse em sua cabeça.
— Sim posso. – afirmou ela – Mas por que...
Hinata não conseguiu terminar a frase. Com o pé, Naruto fechou lentamente a porta de correr que dava para o jardim. Compreendeu imediatamente as intenções dele e ruborizou. Naruto a tomou nos braços e a beijou ardentemente, deitando-a lentamente no chão da sala. Naquela hora, pensou Hinata enquanto sentia as mãos dele percorrerem seu corpo, mesmo que houve se algo a ser feito, ela com certeza iria ficar ali pelo tempo que fosse.
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— Que inusitado você por aqui. Devia estar se preparando uma festa e não passeando tranqüilamente. – zombou Neji.
Sasuke deu um pequeno sorriso diante das palavras do rapaz. Sim era verdade. Seu casamento seria realizado no dia seguinte e havia muitas coisas a certar. Mas o principal em sua opinião fora o que seria feito ali, na área de treinamento de Konoha, a mesma que ele sabia ser onde mais provavelmente acharia Neji.
— Bem, não sou o único a não estar no lugar que deveria. Fui ao clã Hyuuga e quando perguntei por você, me responderam que também não sabiam onde você estava – disse Sasuke devolvendo a “gentileza”.
— Pode até ser. Mas eu não me casarei amanhã. – rebateu Neji.
Mesmo contra a vontade, os dois sorriram um para o outro. Se fosse continuar aquela conversa, ela duraria muito tempo e acabaria em uma luta corporal. Levantando-se do chão onde havia se sentado para descansar, Neji o encarou seriamente.
— Para dispor-se a vir até aqui me procurar Sasuke, receio que não é para uma batalha mortal.
— Infelizmente teremos que deixar isso para outra oportunidade. Tenho que estar descansado para meu casamento amanhã. Eu gostaria apenas de falar com você.
Eles se encararam durante um tempo e Neji comentou:
— Estou esperando. Diga o que você veio dizer.
Sasuke suspirou. Havia demorado muito para decidir fazer aquilo. Mas sabia que estava fazendo a coisa certa. E aquilo lhe dava um grande prazer. Se já podia ver seus erros e procurar conserta-los era mais um passo dado para longe das trevas que ainda insistiam em aparecer-lhe em sonhos.
— Eu gostaria de lhe agradecer Neji. – disse Sasuke suspirando.
— Agradecer? – estranhou o rapaz.
— Pelo que você fez por Naruto e Hinata. Conseguiu uni-los e acabar com a dor deles. Eu lhe sou muito grato.
— Não entendi a motivo do agradecimento – comentou ele sem esconder a surpresa – Não fiz mais que minha obrigação diante do estado de Hinata-sama. E por que você e não o Naruto veio ate aqui?
— Ele já lhe agradeceu. — e dando uma pequena pausa, acrescentou meio a contragosto — E eu também lhe devo um pedido de desculpas. Pelas coisas que eu disse e por não ter confiado em você naquele dia.
Neji não resistiu e deu um sarcástico sorriso para Sasuke.
— Sim deve. – respondeu satisfeito – Mas já está perdoado.
Respirando fundo para controlar sua raiva, Sasuke respondeu com a voz calma e fria:
— A partir de hoje acabaremos nos encontrando sempre. Achei que seria prudente assinar um tratado de paz, não acha?
Esperava alguma resistência e se surpreendeu quando viu a mão solicita de Neji bem à sua frente. Eles apertaram as mãos confiantemente, ambos desejando que aquele tratado durasse por muito tempo. Mas nenhum dos dois jamais diria isso em voz alta. Quando soltaram as mãos, Sasuke já estava pensando em se retirar quando se lembrou de algo. Desde que Naruto lhe narrara os fatos do dia em que se reconciliou com Hinata, inclusive a conversa com Neji, uma coisa passara em sua cabeça.
— Neji, eu tenho uma pergunta para lhe fazer. É apenas uma curiosidade, não precisa responder se não quiser. – esclareceu Sasuke.
— E o que seria? – perguntou o outro.
— Você falou em obrigação pelo fato de Hinata estar grávida. Mas o que você teria feito se eles não tivessem resolvido? Afinal, a líder do clã estaria grávida sem um marido...
Sem pestanejar Neji respondeu friamente:
— Primeiramente eu mataria Naruto. Depois me casaria com Hinata-sama para dar um pai aos seus filhos.
De todas as respostas que Sasuke esperava aquela era a mais absurda. Ambos sabiam que para matar Naruto no nível que estava seria muito difícil tanto para Neji quanto para o próprio Sasuke. Mas não foi isso que o surpreendeu, mas o que ele dissera depois. Por isso, contestou:
— Mas você mesmo não disse que a ama! – protestou o chefe da anbu.
— E é verdade. Eu não a amo. Não como mulher. – e naquele momento, mesmo contra sua vontade, Neji imaginou a dor de Hanabi se ele fosse obrigado a tomar aquela decisão.
— Então... – continuou Sasuke – Por quê?
- Pelo clã. E por Hinata-sama, que é como uma irmã para mim. – esclareceu como se fosse a coisa mais simples de se pensar, mas logo depois acrescentou — Isso seria apenas em ultimo caso. Não queria machucar ninguém propositalmente.
- Entendo... – falou Sasuke sabendo que ele se referia a Hanabi – Mas para nossa paz, Naruto não é tão burro assim...
- Não repita tanto isso — avisou Neji – Ou ele pode começar a pensar que é verdade.
Foi impossível não cair na risada. E quem passasse ali naquela hora certamente acreditaria que caíra em um genjutsu, pois jamais ninguém em Konoha, nem mesmo Naruto, poderia esperar que Neji e Sasuke estivessem rindo abertamente e juntos, como dois amigos, de uma piada contada pelo gênio da família Hyuuga.
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Gai levou mais um dango à boca e mastigou demoradamente enquanto encarava o amigo sentado à sua frente que sustentava uma expressão de nítida tristeza no rosto. Desde que seu relacionamento com Shizune havia acabado, Kakashi não era o mesmo. Tomando um pouco de chá, Gai finalmente falou:
- Se era pra ficar nessa tristeza toda por que você acabou com ela? – perguntou veementemente.
Kakashi suspirou e colocou a mão no queixo, apoiando o cotovelo na mesa. Analisou o homem à sua frente e calmamente, respondeu:
- Você não entende Gai. Eu gosto da Shizune, mas simplesmente não dava mais! Até me seguindo ela estava, você acredita?
- Sério? – perguntou Gai surpreso.
- E não era só isso. – continuou o outro sombrio – Ela estava se tornando histérica. Não podia me ver conversando com ninguém. Você acredita que até da Kurenai ela tinha ciúmes?
- Mas a Kurenai? Ela é casada e tem uma filha! – surpreendeu-se o outro.
- Pra você ver... Shizune estava me sufocando... – e parecendo extremamente decepcionado ele continuou – Mas eu não quero mais falar disso... Como você está com a Anko? Não ficou chateado de Sasuke ter chamado ela e a mim para ficarmos do lado dele na cerimônia de amanhã?
Gai começou a gargalhar e fez a pose de nice guy.
- Eu confio na minha namorada! Sei que o Sasuke-kun a chamou justamente por causa desse seu desentendimento com a Shizune-san.
- Não foi desentendimento Gai. Nós realmente acabamos... – e novamente adquiriu um ar triste, mas de certa forma aliviado. Não agüentava todo o ciúme excessivo de Shizune.
- Eu tenho a esperança que um dia vocês voltem... – falou o outro com um sorriso consolador – Afinal, vocês se gostam...
- Difícil... – murmurou o outro – Ela teria que mudar muito...
Quando Gai abriu a boca para falar algo, foi interrompido pela chegada de alguém. Iruka se aproximou com um sorriso tímido, mas extremamente satisfeito.
- E então? – perguntou Kakashi mudando subitamente de ares e ficando mais animado – Falou com ele?
- Falei... – murmurou Iruka ainda com a face enrubescida – E ele permitiu.
Gai bateu a mão em cima da mesa diante da noticia, assustando os dois amigos e gritou para o garçom:
- Traga sakê rapaz! Muito sakê! Vamos comemorar o noivado do meu amigo aqui! Por minha conta – e fez a pose de nice guy para Iruka.
- Calma Gai-san. – pediu o professor timidamente – Não precisa se preocupar comigo e...
- Deixe-o Iruka. – cortou Kakashi – Apesar de sabermos que o Ichiraku-san nunca se oporia ao seu noivado com a Ayame-chan, precisamos comemorar ao máximo essa noticia.
Iruka olhou para o amigo com um ar desapontado. Sabia o quanto ele gostava de Shizune e o quanto estava sendo difícil para ele àquela situação. Por isso, soube que Kakashi mais que ninguém ali precisava espairecer, por isso não se opôs a todo alvoroço que Gai começou a fazer. Afinal, eles precisavam já ir se animando para o casamento no dia seguinte. E para o seu, que ele não pretendia adiar muito.
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O dia do casamento finalmente chegara. Toda vila estava em polvorosa. Todos haviam sido convidados para o casamento de Naruto com Hinata e de Sasuke com Sakura. Era inusitado como se há apenas três semanas todos na vila rejeitavam sua irmã e agora iriam vê-la em seu maior momento de felicidade, pensava Hanabi. Mas dentro do clã não era diferente. Até seu pai, que em sua opinião ainda não aceitara Naruto completamente, parecia ansioso. Mas tinha certeza que nem Hinata estava tão satisfeita quanto ela naquele dia. Por isso, se prepara bem antecipadamente. Tinha algo a cumprir antes de ir para o templo onde se realizaria a cerimônia. Por isso, quando faltava pouco mais de uma hora, ela aprontou uma pequena sacola e deixou seu quarto.
— Não irá com sua irmã, Hanabi?
A voz de Neji sempre lhe trazia alegria e daquela vez não foi diferente. Voltou-se para ele e sorriu. Adorava que agora ele a chamasse somente de “Hanabi”.
— Eu adoraria ir com a nee-san, mas há algo que eu devo fazer antes de ir para o templo. – esclareceu ela.
— Isso envolve a sua “aposta”? – indagou ele olhando a sacola que ela levava na mão.
— Sim. Envolve. Mas não se preocupe. Eu não me atrasarei. Pode ir com a nee-san. Preciso assegurar a ida de alguém.
— Esse alguém seria Kimura Suzumi? – ele parecia estar a par de tudo, apesar do suspense que ela fazia.
— Sim, tem. Você verá! – acrescentou ela piscando o olho antes de dar um rápido beijo nele e sair.
Ela estava ansiosa para ver como ficaria Suzumi de vestido. A garota passara os últimos dias tentando convencê-la a desistir da aposta e até propusera outros embates, mas fora em vão. Hanabi não perderia nunca a oportunidade de presenciar aquela cena.
Ao chegar em frente à casa de Suzumi, não se espantou em ver Makoto e Yumi já lá. Seus colegas Kasuma e Tasuki estavam lá também, pois sabiam que ela passaria lá antes do casamento. E havia dois meninos cujos cabelos ruivos alertaram-na serem os irmãos de Suzumi.
— Boa tarde. – cumprimentou ela sorridente.
— Boa tarde. – respondera os outros olhando para a sacola que ela levava.
— Você está muito bonita Hanabi. – elogiou Yumi.
— Obrigada Yumi – agradeceu ela – Você também está ótima, mas devia mostrar mais o busto. Se cobrir muito não é legal. – comentou apontando para o vestido de Yumi que cobria toda a parte do busto.
Yumi sorriu sem jeito. Não queria explicar o motivo da ausência de um decote, mas também Hanabi não parecia estar interessada. Olhou para os dois irmãos de Suzumi e sorriu.
— Cadê a irmã de vocês? – perguntou gentilmente.
— Lá dentro. – respondeu Suichi.
— Mas ela já avisou que não vai ao casamento. – completou Shunsui.
— Como assim não vai? – o sorriso de Hanabi morreu instantaneamente.
— Algo a ver com um vestido... – comentou Suichi quase sem voz diante da expressão irritada no rosto de Hanabi.
— Ela não está nem louca de fazer isso! – exclamou a menina.
E dando as costas para todos, entrou na casa sem pedir licença e ainda bateu a porta irritada.
— O que faremos Yumi-nee-san? – perguntou Shunsui preocupado.
— Acho melhor as deixarmos resolverem isso... – falou a menina.
Hanabi não demorou a achar Suzumi. Ela estava no quarto, de robe e parecia triste. Mas quando viu a outra entrar em seu quarto, imediatamente assumiu uma expressão irritada.
— O que você tá fazendo aqui? – perguntou Suzumi.
— Garantindo que você vá ao casamento! – respondeu Hanabi.
— Eu não vou!
— Ah, vai sim! Nem que eu tenha que obriga-la!
— Olha aqui Hanabi, se eu digo que eu não vou, não vou e pronto! E além do mais, eu nem tenho um vestido para ir mesmo... – falou satisfeita.
— E foi já prevendo isso que eu trouxe o vestido e você vai!
— Você trouxe... Um vestido? – perguntou Suzumi horrorizada.
— Trouxe. – disse a outra triunfante tirando o vestido da sacola – E você vai vestir!
— Vou não!
— Vai sim!
Mesmo estando do lado de fora da casa, todos os garotos ouviram claramente a tentativa de Hanabi em por um vestido em Suzumi. Elas gritavam enquanto o barulho de coisas quebrando as acompanhava:
— VESTE LOGO ISSO!
— NÃO!
— VESTE!
— PARA DE PUXAR MEU CABELO SUA IDIOTA!
— VOCÊ VAI VESTIR NEM QUE EU TENHA QUE VESTI-LO EM VOCÊ! TIRA ISSO!
— NÃO PUXA MEU ROBE!
— AGORA VOCÊ VESTE! – um barulho de vaso quebrando acompanhou a frase.
— OLHA O QUE VOCÊ FEZ SUA IMBECIL!
— VOCÊ QUEM ME EMPURROU DELIQÜENTE!
— SAI DE CIMA DE MIM!
— SÓ QUANDO VOCÊ VESTIR ISSO!
— PARA DE PUXAR MEU SUTIÃ!
— TE DEIXO NUA, MAS VOCÊ VESTE ISSO!
Makoto olhou preocupado para Yumi, que olhou preocupada para Kasuma que olhou para Tasuki, que não olhou para ninguém. O menino mantinha a cabeça baixa, os olhos fechados e com um sorriso enigmático nos lábios.
— Tasuki? – chamou Kasuma.
— Não fale comigo. – pediu veementemente – Tenho que imaginar isso.
— Imaginar o que? – perguntou Makoto.
— Hanabi e Suzumi seminuas no chão se agarrando... – disse ele com uma expressão pervertida no rosto.
Kasuma deu uma cotovelada na barriga do amigo, que se curvou de dor.
— Você não tem vergonha? – perguntou o garoto – Estamos na frente de uma dama! – e apontou para Yumi.
— Você não consegue entender Kasuma, as coisas boas da vida... Ainda não tem idade para isso... – falou Tasuki como se entendesse do que falava.
— Esse papo ta estranho... – comentou Makoto.
— O Tasuki é estranho! – disse Kasuma irritado – Fica falando essas coisas sem sentido enquanto devia ta preocupado com outras coisas!
— Quando você ficar mais velho vai me entender... Agora não tem hormônios suficientes para isso...
Kasuma adquiriu uma cor avermelhada na face enquanto Tasuki sorria para ele. Os irmãos de Suzumi pareciam não acompanhar a conversa e estavam mais preocupados com o desenrolar do que acontecia na casa. Mas Yumi chegou perto de Kasuma e comentou:
— Você é o mais novo do time não é?
— Sim ele é. – quem respondeu foi Tasuki – O pequeno gênio da família Niwa, Kasuma! Com apenas nove anos de idade é chunin! Palmas para ele!
— Tasuki... Pare com isso... – pediu Kasuma encabulado.
Apesar da ironia do comentário, não havia maldade nas palavras de Tasuki, percebeu Makoto. Ele parecia admirar o colega, mas não perdia a oportunidade de envergonhá-lo. Por isso, continuou a falar:
— Ei vocês sabiam que o Kasuma é o primeiro ninja da família dele?
— Sério? – se surpreendeu Makoto.
— Sério! – afirmou Tasuki – O avô dele veio pra Konoha a pedido do falecido Terceiro para projetar prédios. Ele era arquiteto.
— Verdade Kasuma-kun? – perguntou Yumi.
— Sim. – confirmou ele sem olhar para a garota – Meu avô veio e o Terceiro gostou tanto do trabalho dele que pediu pra ele ficar. Então, o vovô trouxe toda família para a vila e estabeleceram o negócio de Arquitetura.
— Como você virou ninja então? – indagou Makoto pensando o quanto era inusitada aquela história – E tão jovem?
— O Iruka-sensei me descobriu. Quando ele me viu brincado de ninja, percebeu que eu já manifestava o chakra perfeitamente...
— E mandou três dos seus amiguinhos pro hospital nessa brincadeira... – falou Tasuki caindo na gargalhada.
Kasuma ficou mais encabulado, mas confirmou com a cabeça.
— Foi por que eu não sabia o que estava fazendo... – justificou — Depois disso o Iruka-sensei pediu para meus pais que permitissem que eu fosse para a academia. Eles não queriam a principio, já que toda família é arquiteta... Mas a Quinta os convenceu... E aqui estou eu... – soltando uma risadinha nervosa, o menino concluiu sua história.
— Então, você é muito inteligente, não é Kasuma-kun? E talentoso também... – comentou Yumi sorrindo gentilmente para Kasuma, que adquiriu uma cor vermelho berrante na face ao ver a garota olhando-o com carinho.
— O-Obri-gado Ka-Kaneshiro-s-senpai... – gaguejou o menino.
Tasuki observou a cena e comentou para Makoto:
— Parece que me enganei... Os hormônios já começaram a agir...
Makoto sorriu diante do comentário. Realmente parecia que a presença de Yumi mexia com o menino.
— E você Tasuki? Sua família é de ninja também? – perguntou Makoto interessado.
— Sim, meu pai é ninja, mas minha mãe não é. Na verdade, ela nem era de Konoha, o papai conheceu ela em uma missão e a trouxe pra morar aqui.
— Que história romântica! – exclamou Yumi.
— Que nada! – rebateu Tasuki – Minha mãe não agüentou essa vida de mulher de ninja por muito tempo. Quando eu tinha três anos ela foi embora e abandonou meu pai e eu. Agora, mora lá na capital e é casada com um dono de restaurante.
Não havia um pingo de tristeza ou mágoa na forma como Tasuki falara, notou Makoto. Na verdade, sua história fora contada de uma forma casual, como se tivesse acontecido com outra pessoa. E admirou o garoto por causa disso.
— E agora só vivem você e seu pai? – perguntou Yumi.
— Não. Ele casou de novo e eu já tenho dois irmãos. Minha madrasta é mais legal que minha mãe! – e levando a mão à cabeça, coçou os cabelos como se estivesse se desculpando por preferir a madrasta e não a mãe.
Era interessante como se descobria coisas tão interessadas em uma simples conversa de rua. Mas havia alguma coisa estranha na cena. E Makoto reparou que era o silêncio.
— Ta quieto lá dentro... – comentou Suichi.
E realmente era verdade. Os gritos haviam parado.
— Makoto, o que está acontecendo? – perguntou Yumi preocupada.
Ela nem precisava perguntar. O garoto já ouvia o que acontecia na casa. Primeiro ouviu um coração batendo mais rápido. Depois as palavras:
— Desculpa, caiu. – era a voz de Hanabi.
— Quebrou? – perguntou a voz de Suzumi. O coração que batia mais rápido era o dela.
— Não... Eu não sabia que era um altar... – havia um sincero arrependimento em suas palavras.
— Esqueça isso...
O silêncio durou um momento até que a voz de Hanabi falou de novo:
— É seu pai? O da fotografia?
— Sim... Foi a última foto que ele tirou antes de... – e a voz de Suzumi se perdeu antes que chegassem à sua boca, como se algo muito forte a impedisse de manifestar os seus sentimentos.
— Ele era muito bonito... – falou Hanabi percebendo o mal estar da garota e possivelmente observando o retrato, já que os passos de Suzumi se aproximaram dela e pararam a seu lado.
— Era sim. – falou a garota orgulhosa – A mamãe dizia que ele era o mais bonito na época da academia.
— Você... Parece com ele... – comentou Hanabi como se aquilo fosse uma forma de consolo.
— Ah, então você admite que sou bonita? – falou Suzumi vitoriosa.
— Nunca disse que você era feia. – rebateu Hanabi – Apenas mal vestida.
Elas fizeram mais um pouco de silêncio até Suzumi suspirar.
— Tá certo, eu ponho o maldito vestido! Mas só por que não quero e não vou magoar Naruto-sensei faltando o casamento dele...
— É assim que se fala! – comemorou Hanabi – Você põe o vestido e eu faço seu cabelo e maquiagem!
— Ai minha cabeça... – murmurou Suzumi desgostosa.
Makoto sorriu. Seria interessante ver no que isso ia dar.
— E então? – perguntou Yumi preocupada.
— Elas estão bem. Saem em breve.
E ele estava certo. Meia hora depois, Hanabi apareceu na porta, sorrindo alegremente. E anunciou como uma apresentadora de programa de televisão:
— E agora com vocês, a nova Kimura Suzumi! – e deu um passo para o lado.
Todos ficaram esperando, mas a garota não apareceu. Hanabi ficou irritada e abriu a porta.
— Vamos, não dificulte as coisas! – e puxou Suzumi para fora.
Mesmo que já estivesse preparado, Makoto levou um choque ao ver Suzumi. Hanabi fizera um excelente trabalho. A menina exibia um belo penteado, todos seus piercing haviam sido removidos, tendo apenas um discreto par de brincos nas orelhas, e vestia um belo vestido verde combinado com seus olhos e uma sandália de salto alto. Ela parecia extremamente constrangida e o garoto não parecia o único bestificado ali. Tasuki também não conseguia manter a boca fechada.
— Suzumi... – murmurou Makoto incredulamente – É você?
— Não, é sua avó! – explodiu a garota com o rosto vermelho.
— Eu queria ter uma avó gostosa assim... – murmurou Tasuki com um sorriso sacana.
— Tasuki! – exclamou Kasuma irritado.
Mas tanto ele quanto Makoto não prestavam atenção em outra coisa.
— Suzumi... – disse Makoto olhando para baixo – Eu estou vendo suas pernas...
— E que pernas... – comentou Tasuki acompanhando o olhar do outro. O vestido que Hanabi escolhera era propositadamente curto.
— E o que você queria? Tentáculos? – perguntou Suzumi mais vermelha ainda.
— Acho que é melhor irmos para a festa... – comentou Yumi sorrindo. Estava orgulhosa da amiga. Suzumi não botava um vestido desde que seu pai morrera.
— Vamos logo. – chamou Hanabi satisfeita e puxando Suzumi pela mão. Imagina quantas reações daquelas o vestido da menina ia provocar.
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Naruto estava nervoso. Muito nervoso. Não importava o que dissessem a ele. Não conseguia parar de tremer. Dentro do templo, cada minuto que passava apenas aumentava sua ansiedade.
— Calma Naruto. – falou Sasuke tentando parecer tranqüilo, mas com a voz falhando um pouco.
— To tentando ficar calmo, mas não consigo! – falou o outro – Será que ainda vai demorar?
— Talvez um pouco mais... – disse Iruka colocando a mão no ombro de Naruto. – As noivas ainda nem chegaram...
— Será que elas desistiram? – perguntou Naruto em pânico para Sasuke.
— Acho que não... — respondeu ele, mas sem muita confiança.
— Olhem, elas chegaram! – disse Kakashi.
O casamento seria realizado no templo de Konoha. O celebrante era um monge vindo da capital especialmente para o evento, a convite da Hokage. Além das pessoas da vila, diversos senhores feudais estavam presentes e até mesmo o daymio do País do Fogo. Antes de entrar no templo, Tsunade fizera questão que ele falasse com todos, mesmo que Naruto avisasse que se falasse muito, talvez acabasse vomitando de ansiedade. Gaara estava ali juntamente com os outros estadistas e acompanhado de Kotori, que parecia feliz como no dia de seu casamento e fora dar os parabéns a Naruto assim que ele chegara.
Naruto vestia um quimono cerimonial, e Iruka estava ao seu lado. Como não tinha pais, escolhera o professor para acompanhá-lo, juntamente com Tsunade. Sasuke fizera o mesmo, convidando Kakashi e Anko.
Tanto Hinata quanto Sakura vestiam quimonos cerimoniais, ambos vermelhos, típicos das noivas no País do Fogo. O templo estava lotado e Naruto sabia que lá fora havia mais gente. Ele não sabia se isso era bom ou ruim. O certo é que Hinata estava linda e sorria para ele.
— Bem vamos iniciar a cerimônia. – avisou o monge.
Foram duas horas de cerimônia bonita e simples. Mesmo sendo o futuro Hokage e estar casando com a líder do clã Hyuuga, Naruto deixara bem claro que não queria algo pomposo, no que foi seguido por Sasuke. Tudo que ele queria, já estava em suas mãos. E cada vez que olhava para Hinata naqueles trajes e ela sorria para ele, sabia que não precisava de nada mais para ser feliz. Estava rodeado de pessoas amigas, casando com a mulher que amava e seu sonho estava mais próximo que nunca. Sentia-se realmente feliz.
Quando o monge pronunciou suas últimas palavras e encerrou a cerimônia, os olhos de Naruto se encontraram com os de Hiashi. Ele parecia querer se certificar que Naruto realmente ia levar tudo adiante. O rapaz sorriu para o sogro, que não devolveu o cumprimento.
“Paciência.” pediu Naruto para si mesmo. Se ainda faltava ser reconhecido por Hiashi, não tinha problema. Ele já tinha chegado mais longe do que muita gente previra e lutar mais um pouco não faria mal.
Sasuke e Sakura também pareciam extremamente felizes. A garota estava à beira das lágrimas enquanto descia as escadas do templo apoiada no braço do marido. E todos cumprimentavam a nova senhora Uchiha. E isso fez Naruto se lembrar de algo.
— Hinata, você agora não é mais uma Hyuuga! Você é Uzumaki! – disse ele parecendo meio perplexo, meio satisfeito.
Hinata sorriu para ele.
— Acho que Uzumaki Hinata vai ficar bem em mim, não é? – respondeu ela com uma felicidade extrema brilhando em seus olhos.
E ficava mesmo. Na opinião dele era o nome mais bonito do mundo.
A festa de casamento mais parecia um festival. Todos na vila comemoravam juntamente com os noivos. Um grande salão fora providenciado para acomodar todos. E tão logo a festividade começou, Tsunade chamou os dois casais e falou:
— É importante que vocês falem com todos os convidados. Aproveitem que ainda não estão muito cansados e cumprimentem todos de mesa em mesa. Eu acompanharei vocês.
E assim foi feito. Para Naruto aquilo era meio maçante. Ter que falar com todas aquelas pessoas desconhecidas, que o mediam da cabeça aos pés, como se estivesse avaliando um objeto de leilão. Por isso, quando chegou à mesa do Kazekage, se sentiu mais satisfeito, não estava mais em território desconhecido.
— Obrigado por terem vindo. – falou ele pela milésima vez, mas dessa vez com a sinceridade estampada em seus olhos.
— Não perderia por nada. – falou Gaara satisfeito. – Esta é minha esposa Kotori. – apresentou ele.
— É um prazer conhece-los – falou ela se curvando delicadamente – Principalmente a esposa de Naruto-dono. Hinata estou certa?
Hinata pareceu um pouco surpresa. Era a primeira vez que via Kotori e ela já sabia seu nome.
— Sim, Hinata. É um prazer conhece-la, Kotori-hime. – e ela se curvou também.
— Você é tão bonita quanto imaginei. – falou Kotori juntando as mãos delicadamente e olhando bem para Hinata – Quando Naruto-dono falou sobre Hinata-dono eu realmente pensei que ela teria um sorriso tão meigo assim.
Naruto ficou vermelho diante das palavras da princesa, sentindo o olhar surpreso de Hinata. Ela não sabia que a princesa a defendera quando nem ao menos a conhecia. E talvez tenha sido essa ligação indireta que fez com que as duas de repente se sentissem ligadas por uma empatia logo na primeira vista, prenunciando o inicio de uma bela amizade.
Percorrer as demais mesas era mais fácil. Cumprimentar seus amigos era mais divertido e menos monótono. Não se surpreendeu com a presença de Temari na mesa dos Nara. Ela parecia estar bem à vontade com a família do seu namorado, mas notou a ausência de sua dama de companhia e que Kiba estava sozinho. Tenten e Lee pareciam estar muito bem juntos, sentados com Gai que estava inusitadamente na companhia de Anko. Eles pareciam muito animados, e Anko fez questão de dar um abraço bem apertado nos noivos. Hinata achou divertido e Sakura se sentiu um pouco incomodada. Mas a examinadora logo voltou sua atenção para Gai, que como Lee havia abandonado a roupa colante verde. Na mesa dos Akimichi, Naruto finalmente conheceu a namorada de Chouji, Miko, uma menina muito simpática, que os cumprimentou alegremente. Shino e sua família foram os mais polidos com ele e comentaram a bela decoração iluminada com vagalumes. Mas o que deixou Naruto realmente satisfeito foi conhecer a mais nova moradora da vila.
— O nome dela é Keiko – disse Asuma com a filha de apenas um mês no colo – Sarutobi Keiko.
— Que linda! – exclamou Hinata. Ainda não havia visto a menina de sua sensei.
— É uma bela menina Kurenai-sensei. – elogiou Sasuke.
- Ela vai puxar à mãe. – comentou Sakura olhando os olhos alaranjados do bebê. — Espero que sim. – disse Asuma contente.
— Quem está mais feliz é o Konohamaru. – disse Kurenai apontando o garoto – Não larga a menina um só instante. Não é, Konohamaru?
Ele não respondeu a pergunta. Sua atenção estava totalmente voltada para a mesa vizinha, onde o Time três sentava na companhia dos pais de Yumi. Desde que notara a presença de Suzumi na festa, Konohamaru simplesmente não conseguia prestar atenção em outra coisa, e nem se dava conta de que todos o observavam sorrindo.
— Parece que sua aluna está chamando bastante atenção... – comentou Asuma olhando para a cara totalmente idiota do rapaz.
— Suzumi sempre chama a atenção... – comentou Naruto sorrindo.
— Por que você não vai lá e fala com ela? – incentivou Kurenai batendo de leve nos ombros dele.
— Sei não... – murmurou Konohamaru – E se ela me der um fora? – ele parecia mais falar consigo mesmo que com Kurenai.
— Você nunca vai saber se não tentar... – falou Sasuke sorrindo.
— Bem, eu vou lá falar com a mãe e o pai da Yumi. – disse Naruto e piscando o olho, aconselhou ao rapaz – Não demore viu Konohamaru? Como você, há outros olhando para a Suzumi.
E era verdade. A menina parecia estar chamando muito a atenção dos garotos na festa, mesmo que aparentemente não se sentisse nem um pouco a vontade com isso.
— Naruto-sama. – cumprimentou Yura assim que Naruto chegou à mesa.
— Pode me chamar só de Naruto mesmo... – pediu o rapaz encabulado com a designação respeitosa vindo de alguém como Kaneshiro Yura.
— Não adianta pedir isso a ela. – falou Ryoma sorridente – Desde que soube que o sensei de nossa menina será o próximo Hokage, ela só se refere a você assim e até aumentou as horas de treino com Yumi.
— Mas eu nem reclamei pai! – Yumi defendeu a mãe imediatamente, fazendo Naruto rir.
— Ouviu isso Ryoma? Yumi concorda comigo. Ela sabe que tem que estar à altura de pertencer ao time do futuro Hokage. – esclareceu a mãe da garota.
— É um prazer revê-la, Kaneshiro-san. – falou Hinata sorrindo, observando a forma apaixonada como Ryoma olhou para a esposa e colocou a mão sobre a dela.
— O prazer é meu Hinata-sama. – agradeceu Yura enquanto segurava firmemente a mão do marido.
— Ligue pra Yura-san não sensei. – falou Suzumi sorrindo – Ela sempre é muito formal.
— E você deveria ser um pouco formal também, Su-chan. – falou Ryoma rindo para a menina – Esse seu jeito desinibido não combina com esse belo vestido!
Todos riram do comentário e Suzumi ficou escarlate como o cabelo. E para evitar mais comentário, ela se levantou puxando Makoto pela camisa.
— Olha, Makoto pediu para ir ao banheiro e não sabe o caminho. Eu vou mostrar.
E saiu puxando o pobre garoto pela festa.
— Por que eu sou o bode expiatório? – reclamou ele – Por que você não pode fugir sozinha?
— Por que não consigo me equilibrar em cima dessa sandália e preciso de uma muleta, projeto de feto. – disse ela enquanto andava mancando um pouco e segurando firmemente em Makoto.
— Somos da mesma altura cabeça de fósforo. E além do mais, não sei por que vocês mulheres calçam coisas tão desagradáveis. – e apontou para o salto agulha nos pés da menina.
— Sinceramente, nem eu. – murmurou ela desgostosa.
Quando passavam perto de onde algumas pessoas dançavam, Suzumi sentiu uma mão tocar seus ombros. Ficou surpresa ao ver Konohamaru olhá-la com o rosto meio vermelho.
— Hã... Kimura... Não gostaria de dançar? – perguntou meio encabulado.
Suzumi o olhou, meio confusa e meio encabulada com o convite. Makoto sentiu vontade de cuspir um katon em cima do rapaz, mas apenas ficou calado, esperando a resposta da colega.
— Foi mal Sarutobi, mas não dá. – falou ela como se realmente sentisse que estava chateada por recusar — O Makoto já tinha pedido primeiro.
— Já? – se surpreendeu Makoto.
— Já sim, não lembra? – perguntou Suzumi com um sorriso meio forçado dando um discreto beliscão no menino.
— Já sim! — confirmou ele tentando não gritar de dor.
— Ah que pena... – murmurou o garoto sem esconder a decepção e olhando-a mais um pouco, acrescentou – Fica pra próxima quem sabe...
E saiu com a cabeça meio baixa. Sem saber por que, Makoto sentiu uma imensa satisfação com o fora que a menina dera em Konohamaru. Afinal, não fazia o estilo de Suzumi dançar como Hanabi fazia naquele momento com Neji. Mas de repente, lembrou de uma coisa que o deixou intrigado:
— Ei Suzumi, por que o dispensou? — ele parecia muito interessado na resposta dela.
— Ele é um idiota... – falou a menina.
- Mas seu sonho não é achar um namorado legal? – perguntou ele um pouco temeroso.
— Não, não é. – respondeu ela suspirando.
— Mas você disse isso ao sensei no dia da apresentação! – revidou o garoto lembrando-se do comentário dela para Naruto.
— Eu menti! — disse parecendo meio encabulada.
— Sério? – se surpreendeu Makoto. E sem conseguir se conter, perguntou – Qual seu sonho então?
Suzumi baixou a cabeça e encarou o colega com um sorriso triste no rosto. Aquela expressão tão desamparada fez com que o coração de Makoto batesse mais rápido e suas mãos tremessem um pouco. Nunca vira aquele olhar em Suzumi antes.
— Meu maior sonho... – murmurou ela – É ouvir minha mãe pronunciar meu nome mais uma vez...
Foi quando Makoto percebeu que não conhecia Suzumi um terço do que ela realmente era. E aquilo o perturbou profundamente.
***********
No meio da festa, Sakura já estava muito cansada. Sasuke também não parecia estar no melhor de seus humores. Depois de percorrerem toda a extensão do local, estavam ambos exautos.
— Realmente ainda bem que casamos no mesmo dia que Naruto e Hinata. – falou Sasuke quando se sentaram. – Eu não agüentaria tanta atenção, sozinho. Não mesmo.
— Você está arrependido? – perguntou Sakura insegura.
Ele a olhou seriamente e depois sorriu levemente.
— Não de ter casado com você. Mas essas aglomerações me cansam...
Sakura segurou a mão dele com ternura e com um largo sorriso, falou:
— Mas é só por um dia não é? E vai valer a pena...
E realmente valia, pensava ele quando olhou o rosto dela sorrir. Nunca pensou que Sakura fosse se tornar tão especial para ele. Finalmente se sentia feliz de verdade.
Naruto e Hinata continuaram cumprimentando mais algumas pessoas, afinal, o rapaz seria o futuro Hokage, precisava conhecer todos aqueles que Tsunade achassem que seriam importantes para as ligações de Konoha. Sasuke e Sakura ficaram sozinhos na mesa, onde foram servidos por alguns garçons. A garota já estava faminta e comeu satisfeita o que lhe trouxeram. Sasuke preferiu não comer nada, mas aceitou a bebida que lhe foi oferecida prontamente. Aquilo não lhe trazia boas recordações, mas não resistiu à vontade de prová-la novamente.
— O que você está bebendo Sasuke-kun? – perguntou ela curiosa.
— Sakê! – disse ele sem conter o sorriso quando ela fez uma careta.
— Eu me lembro da ultima vez que você bebeu... – murmurou desgostosa — Você e o Naruto tomaram várias garrafas quando ele e Hinata terminaram... Deram muito trabalho sabiam?
— E você também tinha brigado comigo, lembra? – indagou ele divertido.
— Lembro! – disse a contragosto — Mas mesmo assim eu... – porém não pode concluir a frase. Suas palavras morreram enquanto seu rosto adquiria uma cor vermelho berrante.
Por baixo da mesa, Sasuke levantara lentamente sua saia, tocando seus joelhos de forma carinhosa, mas muito sugestiva. Quando olhou para o rosto dele, viu que Sasuke trazia aquele seu costumeiro sorriso de canto de boca com uma sobrancelha arqueada. Ele pareceu extremamente sedutor com aquela expressão. Se inclinando para ela, Sasuke sussurrou em seu ouvido:
— Mas o fim daquele dia não foi de todo mal, não é? — a voz dele estava rouca e soava maliciosa.
Lembrando da cena que protagonizaram em cima da mesa na cozinha e sentindo a mão dele avançar mais em direção às suas coxas, Sakura ficou ainda mais ruborizada.
— S-Sasuke-kun... – balbuciou ela – Aqui não...
Lentamente, como se saboreasse a expressão encabulada da face dela, ele tirou a mão debaixo de sua saia. E sorriu mais ainda.
— Então vamos embora para casa... – murmurou convidativo — Onde poderemos relembrar nossas experiências com mais privacidade...
E antes que ela percebesse, eles já haviam fugido sorrateiramente da própria festa de casamento. Sakura sorriu ao pensar a cara das pessoas quando procurassem por eles.
*****************
— Você está se sentindo bem, Hinata? – perguntou Naruto preocupado.
— Estou... – falou ela um pouco ofegante – Apenas meus pés doem...
A festa já estava no fim, para o alívio de Naruto e Hinata. Depois de percorrer toda extensão do salão e cumprimentar todas as pessoas presentes, eles ainda eram constantemente solicitados. No final, todo mundo aproveitou a comemoração, menos eles. Mas não era de todo ruim, mesmo que tivessem sido passados pra trás por Sakura e Sasuke que fugiram da festa na primeira oportunidade.
— Aqueles dois foram espertos... – comentou Naruto tirando as sandálias de Hinata e observando os pés dela – Estão inchados... Vou chamar a vovó Tsunade...
— Não precisa... – disse Hinata um pouco envergonhada – Ela está cansada...
— Bem, então acho que chegou a hora de irmos... – falou ele vendo o salão completamente esvaziado. Somente Tsunade, Jiraya e algumas poucas pessoas estavam lá.
— Se você quiser Naruto-kun... – falou ela.
Naruto a observou. Mesmo cansada e um pouco pálida, Hinata sorria. Pegando delicadamente em sua mão, ele sussurrou:
— Sim... Vamos para casa...
*********
O outono realmente fora frio, como todos previram. E logo dera lugar a um inverso mais frio ainda, mesmo que com o clima um pouco seco. Os dias se passavam tranquilamente, mas muito atarefados para Naruto. Seu time se desenvolvia mais que nunca e sempre era convidado para jantar na casa de Yumi, juntamente com Hinata.
O trabalho com Tsunade era muito mais estressantes que as missões, pensava ele. Principalmente depois dos primeiros meses. Sempre que Tsunade achava que tinha trabalhado o suficiente, dava um jeito de escapar e deixar as obrigações para ele e Shizune. Makoto ficara especialista em achar a localização da Hokage, sempre que Naruto achava que ela passava dos limites. E era muito divertido ver as brigas dos dois onde Naruto sempre acabava dando sermão em sua “vovó”.
Naquele dia, nada fora diferente. Parecia uma manhã como as outras, e talvez a única coisa que chamasse a atenção era que o vento frio parecia estar mais forte que o normal. Afinal, julho chegava ao fim, e a primavera ainda iria demorar um pouco. O Time três estava sentado todos na grama úmida, se encolhendo cada vez que o vento soprava um pouco mais forte enquanto Naruto falava preocupado:
— Haverá genins da Vila da Nuvem, então quero cuidado redobrado de vocês, entenderam? Eles podem tentar uma vingança contra nós e vocês acabarem sendo envolvidos no processo.
— Sim! – exclamou os três.
— Depois de derrotar um jounin da Nuvem, o que será enfrentar meros genins? – brincou Suzumi fazendo com que seus colegas e seu sensei caíssem na risada.
— O Exame Chunin não é brincadeira Suzumi, mas eu sei que vocês conseguem. – e sorrindo acrescentou – Pelo menos será na primavera e vocês não enfrentarão esse frio, e também terão tempo para se preparar mais...
— Quando começam as inscrições? – perguntou Yumi.
— No final de Agosto. – respondeu Naruto.
— Já to ficando nervoso... – comentou Makoto com as mãos na barriga.
Naruto caiu na risada.
— Não se preocupem! Nós... – mas ele foi interrompido pela chegada de um anbu, que todos sabiam se tratar de Sasuke, apesar da máscara. – Olhem! Um passarinho! – brincou ele apontando para o amigo, e fazendo seus alunos caírem na risada novamente.
— Naruto, é necessário você ir imediatamente para o hospital. – disse Sasuke sem se abalar com a brincadeira.
Imediatamente Naruto ficou sério.
— O que houve? – perguntou preocupado.
— Seus filhos decidiram nascer antes do previsto. – revelou o anbu.
*********
Hinata sentiu uma dor dilacerante no inicio daquela manhã, enquanto cumpria suas obrigações no clã. Estava sentada falando com Hanabi e Neji despreocupadamente quando sentiu a primeira pontada.
— Algum problema Hinata-sama? – perguntara Neji preocupado com a expressão de dor que ela fez.
— Não é nada. – disse ela sorrindo – Só um pequeno incômodo, nada demais...
— A nee-san tem que se cuidar. – falou Hanabi servindo um pouco de chá para a irmã – Se não se sente bem, vá descansar.
— Eu estou bem! – insistiu Hinata – Vamos continuar onde estávamos. – e olhando para a irmã falou seriamente – Não apresse as coisas Hanabi. Eu sei que você e o Neji-nii-san oficializaram ontem o noivado, mas falar em casamento agora é inapropriado. Espere mais um pouco.
A menina deu de ombros e sorriu.
— Eu só queria saber onde moraríamos depois do casamento. – se defendeu alegremente – Não tava marcando data ou nada assim.
— Sua irmã está certa, Hanabi. – disse Neji pacientemente — Acabamos de noivar e você ainda tem somente quatorze anos. Não há motivo para pressa.
— Ta, eu sei! – disse Hanabi acenando displicentemente com a mão – Realmente eu não preciso ter presa. Afinal, a idiota da Suzumi nem namorado têm! – ela parecia feliz com aquela situação.
Hinata não pode deixar de sorrir. Suzumi e Hanabi estavam bem próximas agora, o que era muito bom, já que sua irmã nunca tivera uma amiga de sua idade. Mas a amizade delas era um pouco estranha, pois aparentava se basear numa eterna disputa.
Mesmo se divertindo com as histórias que sua irmã começara a contar sobre ela e Suzumi, sentia que o incomodo estava ficando gradativamente maior e mais constante. E seu primo parecia notar claramente a dor que ela tentava esconder. Mas em um determinado momento, a dor veio tão forte e intensa que ela simplesmente gritou se curvando de dor.
— Hinata-nee-san! – exclamou Hanabi assustada.
Não podia ser. Faltavam dois meses ainda! Aquilo não podia estará acontecendo. Hinata olhou desesperada para seu primo.
Neji não perdera tempo falando. Rapidamente a levara para o hospital, onde a própria Tsunade a atendeu. Em pouco tempo, ela estava deitada em uma maca, com as dores aumentando, enquanto Sakura calmamente enxugava o suor de sua face.
— Calma Hinata... – dizia a médica constantemente – Vai dar tudo certo...
— Por que isso? – perguntou ela com lágrimas nos olhos.
— É normal em caso de gêmeos. – explicou Tsunade enquanto apalpava sua barriga – Mas partos prematuros são uma das especialidades da Shizune, não se preocupe.
— Onde esta o Naruto-kun? – Hinata estava muito nervosa e aquilo apenas aumentava suas dores.
— Sasuke-kun foi chamá-lo. – disse Shizune – Agora fique calma, senão só vai dificultar nosso trabalho.
— Terminará logo, Hinata. – confortou Sakura segurando sua mão – Logo, logo você terá seus bebês nos braços...
Assim ela esperava. Queria poder segurar os filhos e ver Naruto. Ele com certeza ficaria muito feliz. E foi com um sorriso no rosto que Hinata sentiu as dores aumentarem.
**********
Hiashi observou Naruto andar de um lado para outro. O rapaz estava visivelmente muito nervoso. Quando chegara ao hospital gritara tanto em busca de Hinata que Tsunade, como castigo, o deixara de fora da sala de parto. Sasuke o olhava de braços cruzados, imaginando quando ele ia parar um pouco de parece uma barata tonta. Daquela forma ele não somente ficava mais agoniado, como passava a inquietação para todos os presentes. Na verdade, o único que parecia manter totalmente a compostura era Neji, que sentado perto da janela, conseguia expressar a mais serena paz, mesmo com Hanabi apertando seu braço, tão ansiosa quanto Naruto.
— Ta demorando... – falou Naruto mais uma vez. Já fizera aquela observação várias vezes.
— Isso é comum. – falou Sasuke – Ou você espera que tudo já tenha acabado?
— Já era para ter acabado! – disse ele colocando as mãos na cabeça.
— Um parto é algo difícil. Se você perder a calma, só será pior para Hinata que terá um marido descontrolado. – Hiashi comentou aquilo casualmente, como se sua obrigação não fosse outra a não ser aborrecer mais ainda Naruto.
Antes que o rapaz pudesse achar palavras para responder, Yumi falou tentando ajudar seu professor.
— Calma sensei. Vai ficar tudo bem... A Hinata-sensei é forte. Logo vai acabar.
— E logo o senhor vai ter duas pestinhas correndo pela casa! – acrescentou Suzumi.
As meninas falaram com tanta convicção, que Naruto viu que estava só bancando um grande idiota para todos ali presentes, principalmente para Hiashi. Mesmo já fazendo quase cinco meses de casado com Hinata, ainda sentia uma antipatia vindo do pai dela, como se ele esperasse que a qualquer momento Naruto fosse abandonar Hinata ou algo assim.
Naruto se deixou cair em uma poltrona e deixou as mãos se cruzarem sobre o colo como se fizessem uma prece. Depois de um tempo, o silêncio na sala era total. Ninguém parecia disposto a falar. Constantemente Naruto olhava para Makoto, com medo de ver alguma apreensão no rosto do menino. Sabia que seu aluno era o único ali que sabia o que estava se passando. E enquanto o garoto continuava com a expressão séria, mas tranqüila, ele se acalmava. Mas cada minuto que se passava, cada hora sem noticia apenas servia para machucá-lo ainda mais.
Havia acabado de anoitecer quando Makoto levantou a cabeça e sorriu para Naruto. E o rapaz se encheu de alívio. Como se estivesse apenas esperando o sinal do garoto, Sakura apareceu na porta da sala. Sua barriga estava bem perceptível por baixo do uniforme e ela parecia cansada.
— Bem... Os meninos nasceram. – avisou ela sorridente.
Naruto e Hiashi se levantaram ao mesmo tempo e se encaminharam até onde estava a médica.
— Os três passam bem. – disse ela antes que alguém perguntasse.
— Quando posso vê-la? – pediu Naruto ansioso.
— Agora mesmo. Mas vou avisando, ela está dormindo. E só poderá receber as demais visitas amanhã.
Todos na sala, exceto Naruto, se entristeceram de não poder ver logo Hinata e os bebês. Mas o rapaz acenou para eles antes de acompanhar a amiga pelo hospital.
- Os meninos lembram você. – falou ela enquanto andavam.
- É mesmo? Queria que eles parecessem com a mãe... – disse Naruto coçando a cabeça.
- Bem, é só uma opinião minha. – e Sakura abriu lentamente a porta.
O quarto estava escuro, e a médica acendeu a luz quando eles entraram. Naruto sentiu um alivio muito grande quando viu que Hinata parecia bem, apenas um pouco pálida. Mas sentiu logo a falta dos bebês no quarto.
- Onde estão meus filhos? – perguntou ele baixinho para não acordar Hinata.
- Sendo examinados. – e diante do olhar assustado de Naruto, acrescentou – Nada demais, só exames de rotina. Afinal, eles são prematuros. Fique com ela que mais tarde mando os bebês.
Ela nem precisava mandar. Rapidamente puxou uma cadeira, se sentando ao lado de sua esposa. Como se fosse um reflexo involuntário, sua mão foi imediatamente em direção à sua testa e ele se lembrou de quando estava naquele mesmo hospital, quase um ano atrás, com a mão sobre a testa dela, se perguntando por que ela havia passado mal. Naquele dia, ele ainda não era jounin, nem sabia o amor secreto que Hinata nutria por ele, nem imaginava o quanto chegaria a amar a garota que repousava fragilizada na cama depois de sua crise de úlcera. Porém daquela vez, ele estava ciente de seus sentimentos e não ficou receoso em se inclinar sobre ela e beijar delicadamente seus lábios.
Como se respondesse ao ato, uma janela se abriu violentamente com a força do vento frio que agora entrava no quarto, levantando violentamente o lençol de Hinata. Naruto se levantou de um pulo e rapidamente fechou a janela. Enquanto verificava se ela estava firmemente fechada, ouviu uma voz que o chamou cansada:
- Naruto-kun...
Hinata havia acordado com o barulho produzido pelo vento e Naruto odiou profundamente o inverno com seu frio intempestivo. Caminhou lentamente até um armário que havia no quarto, tirou uma manta mais espessa e foi até a cama, estendendo-a sobre a garota, que tremia de frio.
- Acho que alguém se esqueceu de fechar bem a janela... – falou ele como se desculpasse.
Ela se encolheu sob a manta que ele estendeu sobre seu corpo e sorriu.
- Onde estão os bebês? – perguntou ao perceber que só havia eles dois no quarto.
- Sakura os trará em breve. Não se preocupe. – acalmou ele.
- Mas... Aconteceu alguma coisa? – mesmo diante da tranqüilidade de Naruto, ela não pode deixar de se sentir apreensiva.
- Não, nada demais. A pior coisa que ouvi da Sakura foi o fato de ela achar que os meninos parecem comigo...
Hinata o acompanhou na risada. Pelo menos ao ver da garota, aquilo não havia nada de ruim, muito pelo contrário. Tudo que queria era que os filhos se parecessem com o pai. Naruto aproveitou que ela parecia estar muito bem e segurou forte na sua mão.
- Eu tive medo por você. – disse ele e Hinata pode sentir todo sentimento contido naquela frase.
- Eu também senti medo... – revelou ela – Afinal, minha mãe morreu durante o parto... O que eu mais temia era deixar você e nossos filhos sozinhos...
- Nem pense numa coisa dessas! – falou ele sorrindo, mas sem esconder uma pontada de medo – Você ainda tem que fazer muitas coisas por nós...
E diante do sorriso satisfeito que ela lhe ofereceu Naruto a abraçou fortemente, como no dia que em que havia dito o quanto a amava. E ele não viu empecilhos para repetir:
- Eu te amo Hinata...
- Eu sei... – sussurrou ela em seu ouvido – E nada me deixa mais feliz que ter o meu amor correspondido...
Foi um beijo delicado, mas profundo. Eles se consolavam de todo medo e receio sentido naquele dia e só se separaram quando ouviram passos no corredor que se dirigia até onde eles estavam. Sakura entrou momentos depois, empurrando dois pequenos berços. Naruto se levantou rapidamente para ajudar a amiga.
- Se você se esforçar muito por minha causa, o Sasuke me mata! – exclamou ele.
- Não se preocupe, eles tem rodinhas. – sorriu ela apontando as rodinhas dos berços – Bem, estou saindo agora. Qualquer coisa, apertem aquele botão ali e a enfermeira vai vir imediatamente. – e como só se lembrasse daquilo agora, ela advertiu – Naruto, não vá dormir!
- Sim senhora! – brincou ele batendo continência.
- Obrigada por tudo, Sakura. – agradeceu Hinata sinceramente.
- Não precisa agradecer. Só vou torcer para que o Haien não me pregue uma peça dessas e queira chegar mais cedo... – e passou a mão na barriga carinhosamente antes de sair do quarto acenando para os dois.
Naruto observou, fascinado, os dois meninos que repousavam nos berços. Agora sabia por que Sakura fizera aquele comentário. Os tufos de cabelos loiros se misturavam nas cobertas como pequenos fios de ouro. Hinata também parecia encantada com as crianças.
- Como iremos chamá-los? – perguntou ela.
- Nem pensei nisso ainda... – admitiu Naruto – Afinal eles decidiram aparecer antes do esperado que nem deu tempo para que os pobres pais fizessem uma pesquisa...
Hinata sorriu diante do comentário e concordou com a cabeça.
- Alguma idéia? – quis saber Naruto.
Quando Hinata balançou negativamente a cabeça, ele se aproximou dos bebês e pegou cuidadosamente um deles. Olhou a pulseira que havia em seu braço direito onde estava escrito “primeiro a nascer”. Então, aquele se chamaria Hyuuga, pensou ele lembrando a promessa que havia feito a Hiashi. O menino dormia profundamente e parecia alheio ao pai que o segurava com um sorriso.
- Bem... Esse aqui nós podemos chamar de... – Naruto pensou um pouco e falou – Hatori. O que acha?
- Hatori... – repetiu Hinata sorrindo – Achei lindo.
- Então... Você se chamará Hatori. – disse Naruto olhando para o menino – Hyuuga Hatori.
Hinata se surpreendeu um pouco, mas depois se lembrou da promessa feita por Naruto a seu pai. Sentiu-se feliz ao notar o desprendimento de Naruto em relação a esse caso. Com cuidado, ele colocou o bebê que ainda dormia no berço e se voltou para o outro.
Diferente do irmão, o menino em cuja pulseira estava escrito “segundo a nascer” estava bem acordado e parecia saber o que se passava. Ele golpeava o ar com suas mãozinhas firmemente fechadas, chorando alto e bagunçava o lençol chutando-o como se quisesse se livrar dele. Quando Naruto o pegou no colo, ele imediatamente se calou e abriu os olhos. E qual não foi a imensa surpresa do rapaz ao ver dois pequeninos byakugans olhando-o intensamente com pequenas veias ao redor deles que apareciam e desapareciam a cada movimento do bebê.
“Esse será um Uzumaki...” pensou ele satisfeito “Como eu poderia chamar-lo?”.
E andando pelo quarto com o bebê nos braços, na tentativa de acalmá-lo um pouco, Naruto achou muito bonito quando ele colocou o pequeno punho na boca e passou a sugá-lo intensamente.
- Kyoshiro! – disse animado para Hinata – Uzumaki Kyoshiro!
- Lindo! – exclamou ela alegremente.
E quando Naruto levou o menino até a mãe, para que ele pudesse saciar a fome que demonstrava, percebeu que o menino também adormecera. Cuidadosamente o repôs no berço e olhou para Hinata. Silenciosas lágrimas rolavam por sua face, e ele a abraçou. Sabia que eram lágrimas de alegria, e que tudo que precisava fazer naquele momento era abraçá-la, e esperar o pranto passar.
Rapidamente Hinata adormeceu. O cansaço do parto, aliado à emoção de ver os filhos a deixara exausta. E Naruto a cobriu carinhosamente, e fez o mesmo com os meninos. Teve um cuidado especial com Kyoshiro, que parecia propenso a se mexer muito durante o sono.
Sentado de frente para os três, Naruto não sabia mais o que fazer a não ser sorrir. Sentia-se completo e realmente feliz pela primeira vez na vida. Quando pensava nos longos anos passados sozinho, se sentindo vazio e deprimido, notava o quanto aquilo parecia distante, como se houvesse acontecido em outra era, em outro mundo. Nada parecia capaz de abalar aquele momento.
“Não tenha tanta certeza assim...” dentro dele soou a voz rouca da Kyuubi “Ainda existe um mundo lá fora garoto. E esse mundo estará pronto para engoli-lo ao menor sinal de fraqueza. Há inimigos a se enfrentar e guerras a se vencer.”.
- Eu sei... – murmurou ele – Mas nunca me senti tão forte quando agora...
“O que você tem agora não é uma força, mas uma fraqueza. Três pontos fracos, que seus inimigos não hesitaram em usar...”.
- Isso eu nunca permitirei. Você verá. Ela é forte. Eles serão fortes. E eu não estou sozinho. Essa vila está cheia de pessoas que darão suas vidas para que nossa paz continue para sempre.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!“Você é apenas um sonhador...” desdenhou ela.
— Talvez seja... Mas concretizar meus sonhos nunca foi problema. E não fique chateada Kyuubi! – ele bateu carinhosamente no seu umbigo – Não vou esquecer você. A partir de hoje se considere oficialmente o bichinho de estimação da família Uzumaki!
“......................”
Naruto riu de seu gracejo e imaginou que cara estaria fazendo a raposa naquele momento. Mas ele não mentira. Confiava nas pessoas que o rodeavam. Confiava em sua família, e confiava em si mesmo.
Uma nova Era estava para começar na Vila Oculta de Konoha. Uma Era onde nenhuma criança seria desprezada. Uma Era onde todos que quisessem virariam ninjas independentes de suas limitações ou restrições. Uma Era onde ninguém seria usado de forma inescrupulosa como arma ou para fins de guerra. Uma Era onde um irmão não faria outro sofrer apenas por poder. Uma Era onde qualquer criança escreveria seu próprio destino, sem ser presa pelas amarras de um destino imposto.
E ele seria o precursor dessa Era.
Por que aquele era seu jeito ninja de ser.
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