O Tempo
3 Lembranças
Alô?
Tia Liv? É você?
Sim, quem é?
Aquela voz não me era estranha, mas não consegui identificar quem era.
Sou eu Tia Liv, a Kethellen.
Kethellen Stabler?
Ed olhou pra mim sem entender.
Sim tia, sou eu.
Minha querida, como você está?
Eu estou bem. Mas...
A voz de Kethellen embargou do outro lado da linha.
Kethellen, o que houve? O que aconteceu?
Tia Liv, papai morreu! Mamãe pediu pra te avisar.
Senti um vazio estranho em meu peito, meu corpo gelou.
Kethellen, como foi isso?
Não sabemos ainda. O encontramos assim, estamos aguardando o resultado dos exames, o enterro será amanhã na Califórnia. Um abraço, tia Liv.
Meus sentimentos Kethellen, um abraço.
Fiquei parada, sem reação.
Liv, o que houve? Liv?
Ahhhh, oi?
Quem era? O que aconteceu? Liv, você está pálida! Tremendo!
Ed...para o ...carro, por...favor?
O que houve meu amor?
Eu estava gelada, sem cor, meu estômago revirou e minha cabeça rodou. Ed parou no acostamento a pick-up e eu imediatamente abri a porta e comecei a vomitar.
Depois de um tempo fui melhorando, Ed me deu água e o abracei emocionada.
Consegue falar agora?
Stabler!
O que tem ele?
Stabler morreu, Ed.
Como foi isso?
Eles não sabem ainda, o encontraram morto em casa.
Está melhor, minha querida? Podemos seguir viagem?
Podemos. Me desculpe, Ed. Me senti muito mal.
Eu percebi, se acalme, eu sei o quanto ele foi importante pra você.
Seguimos viagem, eu pouco acreditava na notícia que tinha recebido. Chegamos em casa, a felicidade dos cães ao ouvirem o barulho do carro e nossa chegada era incrível. Larguei as malas num canto do quarto e fui tomar banho. Chorei sozinha no banheiro, relembrando nossa parceria. Coloquei meu pijama e roupão por cima, a noite caiu e estava esfriando um pouco. Ed cuidou dos cães e também foi tomar banho. Preparei um chá e fomos pra cama, Ed me abraçou e me confortou, não fez perguntas nem esboçou ciúmes, me surpreendi. Dormi em seus braços, um sono pesado até o amanhecer de domingo.
Ed acordou às 6h como de costume. Fez um carinho em meu rosto...
Bom dia, meu amor. Vamos correr?
Hummmm, bom dia. Hoje não meu querido, quero dormir mais um pouco.
Ok. Eu vou e quando voltar faço nosso café.
Ele me deu um beijo suave nos lábios e foi. Dormi de novo, sono pesado. Acordei com o cheirinho do cappuccino que Ed preparou pra mim e desci pro café. Até flores ele colheu no nosso jardim e pôs na mesa. O abracei por trás e beijei sua nuca.
Bom dia, bom dia, bom dia.
Acordou preguiçosa? Bom dia! Um abraço apertado e um longo e suave beijo...
Tomamos café juntinhos, um do lado do outro. O sol esquentou bem o dia , mas resolvemos ir a praia só à tarde. Colocamos a casa em ordem e desfiz as bolsas de viagem. Já eram 3h da tarde quando pus meu biquíni.
Vamos?
Vai na frente, Liv. Já vou. Levarei os cães pra passear primeiro.
Desci pelo deck, nossa casa era no alto, numa curva. Tínhamos uma praia particular, praticamente. Sentei na areia sobre a canga e comecei a lembrar de Elliot, nossos 12 anos juntos, alguns casos que ficaram marcados em minha memória. Abri a canga, deitei e deixei meus pensamentos vagarem pelo passado. Ed chegou ao meu lado e não percebi, estava realmente envolvida em meus pensamentos.
Liv?
Liv?
Oi?
Estava aonde?
Shiiiiii, longe, muito longe.
Percebi, pode dividir comigo seus pensamentos?
Claro! Mergulhei no passado, a morte de Eliot me trouxe muitas recordações.
Recordações?
Sim. Tivemos um caso em que ele foi atrás do suspeito, fora da cidade, eu fiquei com a Kathy, ela estava no nono mês de gravidez e a levei pra fazer um exame. Na volta, sofremos um acidente, ela teve o bebê na ambulância e eu ajudei no parto. Segurei Eliot Jr nos braços para que o paramédico pudesse atender a Kathy.
Nossa, foi grave o acidente!
Sim, muito parecido com o nosso.
Mais alguma recordação?
Sim, em outro caso, ele estava infiltrado, perdemos contato e fui no local onde eu sabia que ele estava. Quase tive que transar com meu parceiro para não morrer! Do nada os caras apareceram, foi a única saída que tivemos, passei por prostituta.
Será que nao transou mesmo? Sempre tive minhas dúvidas... os comentários na Central eram muitos de que vocês tinham um caso!
ED?
Meu coração se partiu nesse momento. Um misto de raiva, tristeza e decepção tomou conta de mim. Minhas lágrimas correram solto.
QUER SABER! CANSEI! PRA MIM CHEGA!
Levantei, me enrolei na canga e corri pra casa pela areia fofa. Ed veio atrás de mim, me segurou com força e me virou pra ele, caímos ajoelhados na areia.
ME SOLTA!
Não! Eu não quis te magoar, falei sem pensar!
Você sempre faz isso! Nunca pensa! ME SOLTA!
Olha pra mim!
Seus braços me envolviam, suas mãos me apertavam, eu estava chorando e não o encarava. Ed segurou meu queixo e me fez olhar em seus olhos. Ele me beijou com força e pediu perdão várias vezes.
Não, Ed! Eu cansei.
Cansou de mim?
A voz dele embargou quando fez a pergunta. O olhei nos olhos e o abracei ainda correndo lágrimas.
Nunca, eu te amo!
Liv!
Mais uma vez ele me fez olhar em seus olhos, agora também molhados de lágrimas.
Eu amo você! Ed me beijou com força, aos poucos cedi aos beijos fortes e apertos. Deitamos na areia, ele me tocou os seios sob o biquíni.
Ed, aqui não! Eu ainda soluçava um pouco.
Eu te amo, eu te quero. Ed pôs a mão sob a minha calcinha do biquíni e a puxou pra baixo.
Ed, não devemos....hummmmmm
A praia está deserta. Não tem ninguém aqui. Ele desamarrou a sunga e também a desceu.
Não deve....
Você não quer?
Beijos e mais beijos nos dávamos, parecia que estávamos lutando. Ele sugava meu pescoço, apertava meus seios e voltava a minha boca, tirando meu fôlego.
Eu quero! Ahhhhhhhh ahhhhhhhhh
Senti seu pênis entrar em mim de uma só vez. Meu corpo tremeu. Cada gemido que eu dava fazia Ed me penetrar com mais vontade. Ele sorria de prazer e não demorou muito pra chegarmos ao ápice. Comecei a tremer e apertar suas costas, ele extravazou seu esperma em mim, me inundando com seu orgasmo. Os beijos continuaram intensos até nossos hormônios voltarem ao normal. Ed se retirou de mim, me provocou arrepios ainda. Ajeitou meu biquíni de volta e subiu sua sunga. Deitou ao meu lado e nos olhamos. Palavras não eram necessárias naquele momento.
Entramos no mar e continuamos os carinhos. A água morna e azul nos trazia paz. Ficamos abraçados um ao outro, Ed por trás de mim me envolvendo em seus braços no balanço do mar, curtindo o por do sol. Palavras precisavam ser ditas, ele começou...
Liv, por favor. Eu realmente falei sem pensar. Não quis te magoar. Eu sei o quanto seu parceiro foi importante em sua vida.
Seus beijos em meu ombro eram super carinhosos.
Ed, ele sempre foi um grande amigo. Eu sei que os doze anos de parceria não me deixaram crescer, ele me sufocava, mas eu aprendi muito com ele, inclusive o que eu não deveria fazer. Depois que Eliot foi embora, sem se despedir, levei um baque, mas eu percebi o quanto cresci com a parceria de Amaro, eu não troco os quatro anos com Nick pelos doze com Eliot.
Olha pra mim!
Ed me virou pra ele, me encaixei em sua cintura.
Me perdoa? De verdade?
Já te perdoei, fiquei chateada e com raiva. Você se deixa levar por comentários alheios! Você tem alguma dúvida, ainda?
Eu te amo Olívia! Não tenho dúvida nenhuma!
Eu te amo Edward!
Nos beijamos com amor.
Ed, você encheu meus cabelos de areia!
Eu lavo! Não se preocupe.
Lava? Os beijos se intensificaram de novo.
Lavo você todinha!
Hummmmmm, vamos pra casa?
Só se for pro chuveiro!
Me afastei de seu corpo.
Você vai ter que me pegar!
Liv, minha Pimenta. Não me provoca!
Sai nadando e corri pela areia, ele veio atrás de mim, me alcançou ainda no deck de subida pra nossa casa. Parecíamos dois adolescentes. Nos amamos no chuveiro e na cama novamente. Dormimos enroscados um no outro.
As semanas passaram rapidamente, as " crianças" virão passar o fim de semana conosco.
Na quarta-feira, caiu um temporal, colocamos os cães pra dentro, eles adoram ficar em nossos pés no sofá. A chuva foi tão forte que quebrou algumas telhas.
Nossa, amanhã eu subo e vejo isso, se parar de chover.
Ed, você vai subir no telhado?
Vou consertar.
Ed! Não! Chame alguém pra fazer isso.
Não precisa, Liv. Eu sei como fazer.
Fiquei muito incomodada com isso. A noite foi chuvosa, os cães dormiram em nosso quarto, mas o dia amanheceu ensolarado. Depois do café Ed pegou a escada, eu tentei tirar essa ideia de sua cabeça, mas não consegui.
Ed, não sobe. É perigoso!
Que nada, Liv. São poucas telhas.
Ele subiu no telhado e eu fui arrumar a cozinha.
Ouvi o barulho da escada caindo no chão. E um grito abafado.
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