O Tempo
4 Susto
ED! ED!
Sai correndo, desesperada...ele caiu do telhado! Pensei.
Ed estava sentado no chão, a escada caída ao seu lado.
Ed? Eu te avisei pra não subir!
Ai, ai, me ajuda aqui. Torci o pé.
O pé esquerdo de Ed estava inchado e roxo. O ajudei a levantar, o coloquei no carro e fomos pro hospital.
Você é muito teimoso! Não é mais um menino! Com quase 70 anos e se comporta como se tivesse 20! Eu avisei pra não subir, mas não, tem que mostrar que pode tudo! Olha o...
Ed me interrompeu com um beijo.
Se acalme! Eu não caí do telhado, escorreguei da escada, no último degrau.
Mas podia ter caído. Você me assustou com sua teimosia!
Eu não sou um menino mas vou te mostrar como ainda posso ser! Vem aqui!
Para , Ed! Você está imobilizado.
Meu pé está imobilizado. Eu não!
Para, vou fazer nosso almoço. Hummmm....
Não paro! Deixamos o almoço pra depois, pedimos alguma coisa.
Teimoso...
Teimoso igual a você!
Estávamos aos beijos quentes, intensos e mãos percorrendo nossos pontos mais delicados. Nus na sala. Me deitei no sofá e Ed veio por cima de mim. Num ritmo cadenciado, nossos quadris se uniam provocando imenso prazer.
Eu amo você! Meu desejo não tem limites. Uhhhhhh
Eu te amo, Ed. Você me completa. Ohhhhhhh
Ed, Ed...
Vem. Deixa vir...uhhhh
Explodi de prazer, Ed também não segurou mais.
Perfeita! Como sempre!
Você é perfeito!
Os carinhos continuaram. Nossos olhares eram profundos, de uma cumplicidade que não sei explicar. Fomos interrompidos pelo meu celular tocando. Era Noah...
Oi filho!
Oi mamãe, tudo bem? E o papai?
Sim filho, estamos bem. Porque?
Não sei, mãe. Tive um pressentimento, esperei meu intervalo pra ligar.
Seu pai aprontou hoje mais cedo.
O que foi mãe?
Vou deixar ele te explicar.
Ed, Noah quer saber o que você aprontou.
Oi filho!
Papai, o que houve?
Nada demais, Noah. Só torci o pé.
Fazendo o que pai?
Eu fui consertar umas telhas e quando desci escorreguei na escada.
PAPAI! Você subiu no telhado?!
Subi, a chuva da noite quebrou umas telhas.
Já estou imaginando mamãe brigando. Papai!
Não foi nada, filho estou imobilizado, não foi nada grave.
Deixa eu falar com a mamãe de novo. Bjs, pai. Te amo.
Te amo, filho.
Oi filho?
Mamãe, ele está bem mesmo?
Sim, Noah. Só torceu o pé. Pode ficar tranquilo.
Ok, mãe. Sexta iremos pegar a estrada. Te amo, mãe.
Te amo filho, beijos e abraços nos seus irmãos. Muitas saudades de vocês!
Tá com fome?
Não, ainda não.
Então fica aqui agarradinha comigo!
Agarradinhos no sofá?
Aham, vem deita aqui!
Ali ficamos deitados em conchinha, abraçados. Pegamos no sono até o meio da tarde.
Nosso almoço virou janta, Ed pediu uma pizza e eu fui caminhar com os cães.
Já estava quase na hora do jornal das 22h.
Ed, vamos subir. Eu te ajudo. Quero dormir.
Vamos sim.
Ed se apoiou em mim e subimos as escadas para o quarto, ele pulando num só pé.
Adormeci logo que começou o jornal.
Cuidado! Não sobe!
Por favor! Não... Ed, não faz isso!
NÃO!! Soluços e gemidos...
Ed acordou, eu estava chorando e falando algo que ele não compreendia.
Liv! Acorda meu amor!
Não, Ed...por favor...por favor! EEEEEDDDDD!!
Eu sentei na cama, continuava aos prantos e gritando por ele. Ed acendeu o abajur, me sacudiu de leve e me chamou segurando meus ombros.
— Olívia! Acorda! Eu estou aqui!
Abri meus olhos, estava tendo um pesadelo. Há anos eu não o tinha. O abracei com força, chorando muito.
Liv, se acalme, estou aqui na sua frente!
Não faz mais isso, promete pra mim, promete!
O que meu amor?
Eu tremia em seus braços.
Não quero ver, não quero ver.
Liv, olha pra mim.
Ed segurou meu rosto e me fez abrir os olhos.
Eu estou aqui meu amor. Eu estou aqui. Toma, bebe água, devagar.
Eu peguei o copo tremendo, Ed teve que me ajudar a segurar.
Respira, respira, olha pra mim! O que houve?
Ed....soluços...Ed, você caiu, estava...soluços...estava morto!
Calma, foi um pesadelo. Eu estou aqui do seu lado. Respira! Isso, respira.
Promete pra mim, promete que você nunca mais vai subir no telhado, promete!
Eu prometo! Vem aqui.
Ed recostou na cama e me trouxe pra seu peito. Fui relaxando, mas ainda soluçava muito. Adormeci com Ed fazendo carinho em minha cabeça. Mas a noite não foi tranquila. Muitos sobressaltos, acordava várias vezes assustada. E Ed ao meu lado segurando minha mão. Já era alta madrugada quando consegui dormir profundamente.
Amanheceu o dia, as "crianças" chegarão à noite. Ed acordou às 7:30h, queria fazer nosso café, mas não quis me deixar sozinha e ficou ao meu lado velando meu sono. Acordei às 8h, ele estava me olhando com ternura.
Bom dia, minha querida. Está mais calma?
Bom dia , meu amor. Tive uma noite péssima. Estou mais tranquila agora.
Nos abraçamos, nos beijamos e descemos pro café. Senti uma leve tontura ao descer a escada, mas não dei importância. Fomos ao mercado e deixamos tudo pronto pra chegada deles. Por duas vezes minha pressão baixou, tentei esconder de Ed meu mal estar. Não queria preocupa-lo, mas ele percebeu.
Eram 20h quando dois carros chegaram. Foi uma surpresa! Jesse, Amanda, Carisi e Carisi Jr também vieram. Me emocionei muito ao revê-los.
Mamãe, está tudo bem? Perguntou Don, percebendo que eu não estava bem.
Sim filho, tudo bem.
Nos abraçamos muito, a felicidade foi geral. Mas eu realmente não estava bem. Minha pressão baixou novamente e, dessa vez foi demais. Me aproximei da sacada na varanda e me apoiei.
MAMÃE? Noah, me ajuda, ela vai cair!
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