O Sultão
18 Verdades Cruas
Notas iniciais
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Capítulo 17
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Bella
─ Vossa Alteza está bem? ─ o Príncipe Jasper me surpreendeu entrando na biblioteca por uma passagem secreta do palácio.
Me virei para ele.
─ Ninguém pode estar bem sabendo que vai ser a causa da morte de outra pessoa. ─ respondi com meus braços cruzados abaixo dos seios.
─ Não é por você que ele vai morrer, mas pela maldade dele.
─ Incompreensão. ─ corrigi.
─ Quê?
─ Esse homem só tentou me matar, porque meu povo é hostil com seu irmão e ele não compreende que sou diferente deles. ─ esclareci.
O Príncipe deu um passo para frente.
Estamos sozinhos.
─ Não se engane: o seu povo não gosta de Edward, mas nunca tentou matá-lo e se ele não o corrigir sua vida vai continuar correndo perigo e governo dele vai estar ameaçado.
Fechei meus olhos.
Eu nasci no Oriente e aqui a pena de morte é comum, mas meu contato com o Ocidente tornou meu coração mais suave e sensível a punições mais severas.
Aspirei.
─ Matar é a única escolha? ─ perguntei olhando para ele.
─ Não, Edward também pode escolher só cortar as mãos do criminoso, mas se nunca o viu com raiva é melhor falar com ele.
Meu estômago virou.
─ Eu...
─ Vossa Alteza é o que suaviza a severidade do meu irmão, a única chance que esse homem tem de sobreviver. ─ meu futuro cunhado cruzou seus braços atrás das costas. ─ Achei que ia gostar de saber, mas se quiser que o criminoso morra... ─ ergueu e baixou os ombros. ─ Nenhum sumanes de bem apoia criminosos. ─ ele virou de costas.
Fechei meus olhos de novo.
─ Não vou interferir. ─ decidi com meu coração pesado, mas na lei do deserto não existe lugar para fraquezas.
O Príncipe virou para mim novamente.
─ Se pode conviver com essa escolha.
Ele ergueu e baixou os ombros de novo.
Não respondi e da mesma maneira que chegou pela passagem secreta na parede para falar em privado comigo saiu.
Olhei para as estantes de livros.
Não quero conviver com essa escolha, mas se voltei para o Oriente preciso reaprender a aceitar as regras daqui.
Edward é um governante temido, mas também respeitado e vai fazer o que é melhor para todos.
Eu espero.
Peguei a constituição sumanesa numa das estantes, mas achar o que quero numa versão impressa dela vai levar muito tempo.
A devolvi para a estante e caminhei para a mesa com computador e acesso a internet.
Constituição sumanesa e suas penalidades para tentativas de assassinato contra a realeza. Digitei num site de pesquisa.
Li toda a informação que conseguir achar nos sites confiáveis:
Lei número..., Artigo número..., Parágrafo..., Inciso..., e alíneas... Eu estaria entediada se não estivesse acostumada às matérias de Direito dentro do curso de Economia, mas li tudo com calma e atenção para não fazer nenhum movimento errado.
Fechei a página limpando todo o histórico de pesquisas do computador e me levantei de trás da escrivaninha para voltar à ala de hóspedes.
Edward tinha estado muito preocupado pelo meu desmaio e só sai de lá, porque precisava caminhar um pouco para não reagir por impulso.
No quarto procurei uma maneira de ajudar Rosalie ser aceita pelo meu povo e na hora do jantar vi Alice e o Príncipe Jasper furtivos que me preocupam por ela.
─ Alice. ─ segurei o braço dela quando sairmos do jantar.
Ela parou no corredor olhando para mim.
─ Quê? ─ sorriu.
─ Vem comigo. ─ a puxei para uma sala no outro corredor.
─ Bella... ─ Alice reagiu confusa com o meu comportamento.
─ Não destrua sua vida. ─ joguei em cima dela fechando a porta atrás da gente.
─ Quê?
─ Vi sua troca de olhares com o Príncipe Jasper no jantar, vocês foram discretos, mas vi.
─ Não sei do que está falando.
Levantei as sobrancelhas e fiz biquinho.
─ Não mente para mim, nem para você.
─ Bella...
Levantei minha mão pedido para ela esperar.
─ Alice você tremeu quando eu disse que vou me casar com o Sultão Cullen, mas ele mudou muito por mim e, apesar de terem nascido e crescido em Suma, o irmão dele e ele nem podem ser considerados árabes-muçulmanos conservadores, mas o Príncipe é diferente de qualquer árabe que você conhece.
─ Você...
─ Meu irmão e eu não somos exemplos para nenhum ocidental. ─ a interrompi. ─ Alice, a gente é árabe, porém crescemos no Ocidente, fomos muito influenciados pela cultura de vocês e estar com um homem árabe é se submeter a costumes que para a maioria dos ocidentais são absurdos, é viver um estilo de vida que uma mulher sem um osso de submissão no corpo não pode aguentar ou ser feliz nele.
Ela me olhou.
─ Você não é submissa.
Aspirei.
─ Para os padrões árabes-muçulmanos não, mas para o ocidental é impressionante o número de sapos que vou ter que engolir com a minha voltar à Arábia.
─ Bella...
─ Alice até seu cabelo é problema. ─ respondi nervosa.
─ Quê?
─ Baby, não é só por vaidade que a maioria das mulheres árabes tem o cabelo longo, muitas vezes ele funciona como um véu e o véu é símbolo da feminidade, decoro e modéstia feminina.
Alice me olhou como se eu fosse uma alucinação.
─ É brincadeira? ─ na sua voz estava toda sua descrença.
─ Não e como também é visto como uma grande fonte de sensualidade e beleza nos países que exigem o hijab ele só pode ser mostrado para mulheres, parentes próximos ou maridos. ─ baixei e levantei meu olhar. ─ O seu é curto, muito curto e você está longe do ideal feminino que um árabe mais fechado considera digno dele. ─ coloquei a verdade sem contornos para o próprio bem dela.
Ela ergueu e baixou os ombros.
─ Não quero nada com o Príncipe Jasper, ele só é bonito para olhar. Não delira. ─ negou.
Aspirei.
Se não a conhecesse eu ai acreditar, mas a conheço...
─ Estou feliz, você não faz ideia do número de golpistas virtuais que seduzem as “vagabundas” ocidentais a procura de sexo fácil com elas para depois se casarem com as “virtuosas” árabes-muçulmanas ou da quantidade delas que as embaixadas precisam ajudar a voltarem para casa por não se adaptarem a cultura árabe-muçulmana dentro dos seus relacionamentos interculturais. ─ respondi seca colocando aspas nas palavras para que Alice compreenda a visão da maioria dos homens da minha cultura e aos olhos do Ocidente tudo é machismo, mas na Arábia é só parte do nosso estilo de vida.
Entrei no quarto e na madrugada levantei inquieta pela proximidade do julgamento do meu agressor.
─ Você descobriu meu esconderijo preferido. ─ a voz de Edward atrás de mim me assustou.
Estávamos no pátio do harém.
─ Eu...
─ Está pensando no seu agressor.
Não respondi.
Ele sentou do meu lado.
─ Não se preocupe minha flor. ─ Edward colocou sua mão no meu rosto. ─ Por você Jasper me convenceu a dar uma pena mais leve. ─ sorriu.
Eu tremi.
Na constituição sumanesa pena mais leve continua envolvendo muito sangue.
Meu estômago revirou de novo.
Ele se levantou entrando no harém e voltou com um pouco de água num pequeno pote de barro.
Edward sentou de novo do meu lado molhando sua mão para passar no meu rosto.
Respirei aliviada com a refrescância que o frio da água me deu.
─ Obrigada. ─ sussurrei com a cabeça abaixada e com seu dedo indicador no meu queixo a levantou.
─ Eu continuo com raiva e vou estar por muito tempo, porque mexeram com meu bem mais valioso e não sou uma pessoa que se acalma fácil, mas nunca vou colocar meus sentimentos a frente dos seus. ─ respondeu e me abraçou colocando meu rosto no seu peito.
O abracei de volta, mas uma moça mais tradicional veria como ofensa todos os avanços que ele faz comigo.
Senti seus lábios no meu cabelo e levantei minha cabeça para olhar nos seus olhos.
Edward também olhou nos meus mordendo seu lábio inferior e abaixou sua cabeça.
Abri meus lábios suavemente e pisquei duas vezes concordando com o desejo que vi nos olhos dele.
Seus lábios estavam muito próximos dos meus.
Minha respiração ficou pesada e com sua mão na lateral do meu rosto começou a beijar meus lábios devagar.
Deixei uma mão minha no seu pescoço, mas com sua língua dançando na minha nosso beijo foi estando mais urgente.
Aspirei contra os seus lábios. O braço livre dele apertou mais minha cintura e a gente se levantou sem quebrar o beijo.
Senti a mão que ele tinha colocado no meu rosto na minha nuca e os meus dedos estavam enfiados no seu cabelo perto da nuca, mas minha mão livre com o anel de noivado estava no peito dele.
Virei meu pescoço quando Edward beijou atrás da minha orelha e a mão que estava na nuca segurou a base anterior do meu pescoço. Ele mordeu suave a ponta inferior da minha orelha esquerda e eu me arrepiei, mas me afastei dele caminhando para o outro lado.
─ O que estamos fazendo é ilegal... não no meu país... mas no seu é. ─ resfoleguei olhando para meu noivo com minha mão no peito.
A respiração dele estava igual a minha e seus braços estavam na lateral do seu corpo.
─ É... mas olha o seu poder... é capaz de fazer um rei perder a cabeça.
Mordi meu lábio inferior e olhei para o céu.
─ Vem comigo. ─ ele segurou minha mão e me levou para um quarto do harém, porém não paramos nele e empurrou uma parede mostrando outra passagem secreta do palácio.
─ Para onde vamos? ─ perguntei.
─ Surpresa. ─ sorriu e depois de poucos minutos caminhando por um túnel iluminado por energia elétrica abriu uma nova parede chegando ao meu quarto. ─ Boa noite, habibti*.
─ Boa noite, habibi. ─ respondi.
Edward me olhou surpreso.
É a primeira vez que o chamo de querido.
Sorri.
Ainda não o amo, mas nesses vinte e seis dias que estamos nos conhecendo não tenho dúvidas de que ele já é querido por mim.
Edward também sorriu e voltando pela passagem a fechou atrás dele.
Não existem câmeras nelas ou nas áreas de uso privado.
Tirei minha abaya* e só de pijama deitei na cama para dormir, mas às sete da manhã levantei de novo e protegida por uma parede de arabescos de ouro vi e ouvi Edward relatar o caso criminal para a assembleia de nobres e plebeus que o assistia e falar da sentença que julgava justa para o meu agressor pelo crime que cometido.
─ O Sultão Swan concordou com uma pena mais suave? ─ o vice-presidente da assembleia questionou.
Não senti medo da resposta, antes de Edward falar com ele, eu mesma conversei com meu pai para ele compreender por que não fiz uma queixa formal contra o criminoso.
─ Ele é uma pessoa sábia e pela paz apoiou a escolheu não interferir na minha decisão do caso, como minha futura esposa não fez uma queixa formal do crime, porque ela tem um coração suave e se pudesse evitaria que ele fosse punido, mas a Princesa Isabella é minha honra e não posso fechar os olhos para uma ofensa desse padrão. ─ respondeu enfatizando o “não posso” para que percebam que é ele quem deseja punir o criminoso, não eu.
Todos se calaram, ninguém vai contra um rei ofendido e irritado, a não ser se também desejar ser punido e como líder deles ele nem precisava se explicar. Sua palavra é lei, porém falando Edward está tentando me proteger do aumento do ódio do seu povo.
Aspirei fundo fechando meus olhos.
─ Você não tem que ouvir mais nada. ─ Alice me abraçou me levando para longe da sala especial de julgamento.
Não por incompreensão, mas pela maldade dele. Minha consciência soprou me lembrando das palavras do Príncipe Jasper.
Aspirei para me acalmar.
─ Beba. ─ ela me deu um copo com água.
─ Não quero. Não é por minha causa que E... que o Sultão o sentenciou, é...
─ Pela maldade dele. Só você tinha que se convencer disso Bella. Nos EUA também tem pena de morte, apesar de ser usada com menos frequência que no Oriente, lembra? E se na América Latina também tivesse a criminalidade lá ia ser bem menor, porque só a privação de liberdade às vezes não é suficiente.
Concordei olhando para minha amiga com desconfiança, porque parece que ela e o Príncipe Jasper estiveram conversando a respeito do tema.
─ Alice, o que falei do Príncipe Jasper...
─ É completamente válido e se eu me envolvesse com ele ia adorar tudo por duas ou três semanas, mas depois ia querer matá-lo, como possivelmente vai acontecer com a sua cunhada.
Traguei a saliva.
Espero que não ou ela e meu irmão vão ser muito infelizes.
Alice cobriu sua boca com as mãos.
─ Desculpe, eu não tinha que ter falando nada.
Sorri.
─ Tudo bem, é a verdade, mas vou lutar para ajudá-los. ─ respondi e no fim do julgamento encontrei Edward no jardim privado do palácio.
─ Por que protegeu meu irmão em Rajar? ─ perguntei.
Soraya caminhava atrás da gente.
Ele sorriu do meu lado.
─ A felicidade do seu irmão é a sua felicidade e se você está feliz também estou. ─ respondeu com seus braços cruzados atrás das costas.
Parei na frente dele.
─ Obrigada. ─ murmurei e ignorando minha assistente estive na ponta dos pés para beijar a bochecha dele.
Edward sorriu novamente.
A gente voltou a caminhar lado a lado.
─ Minha flor a sentença do Esam Bin Fahd vai ser executada daqui uma hora. ─ me disse com suavidade.
Virei meu rosto para as plantas do jardim.
─ Não quero estar presente. ─ respondi.
─ Nem vai estar. Não é nada que seus olhos suaves merecem ver. ─ disse firme, mas sua voz continuou suave.
Concordei.
─ Edward. ─ ele olhou para mim. ─ Vou voltar para Rajar depois de amanhã.
─ Fique por mais dois dias, por favor. ─ virei minha cabeça de lado numa pergunta muda. ─ Meu povo precisa saber que você vai ser uma boa esposa e rainha para mim e achei que podemos fazer um evento informal aberto ao público para comemorar nosso noivado no meu país também.
Meditei a respeito da ideia.
─ Está bem.
Edward sorriu e mais tarde o Príncipe Jasper convidou a mim e Alice para conhecemos a capital.
─ É linda. ─ ela disse do meu lado.
Nós estávamos na principal praça da cidade.
─ Olhem, ao sul dela está o mercado de especiarias e no norte um shopping center com marcas do mundo todo, mas é para o leste dela que os turistas mais gostam de ir por causa do mercado do outro.
Alice reagiu impressionada.
─ Um mercado como o de Dubai?!
Ele sorriu.
─ Maior e com mais variedades de peças, mas nada comparado ao que era o mercado de Rajar antes da guerra. ─ respondeu.
Aspirei.
Eu muito pequena quando a guerra começou para lembrar com clareza do que vi no mercado de Rajar, mas fotos de alguns anos mostram como ele era fabuloso.
Alice nos convenceu a entrar no mercado de Suma.
─ Não vai comprar nada? ─ ela perguntou baixo para mim.
─ Vou. ─ respondi encontrando o que eu desejava.
─ Lindo. ─ olhou. ─ É para você?
─ É para Rosalie.
Alice balançou a cabeça.
─ Agora a discrição do designer faz sentido. Você é muito ousada para ter medo de usar algo mais chamativo.
É porque ela não sabe o significado das cores dos meus vestidos de noiva.
Alice também escolheu peças para comprar e enquanto ela estava indecisa com a beleza de alguns designers escolhi uma peça de origem rajanesa entre elas para levar.
Edward vai gostar.
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