Notas iniciais
Oi flores e queridos. Muitos obrigada pelos comentários de vocês e boa leitura. Semana que vem reapareço.

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Capítulo 18

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Bella

─ Aonde ele vai? ─ Alice perguntou quando o Príncipe Jasper pediu licença deixando a gente à mesa de um restaurante com alto padrão financeiro.

─ A sirene da mesquita tocou. ─ respondi.

─ E?

─ É hora da Salat.

─ Sala... quê? ─ parou com a colher no prato principal.

─ Salat é o nome das cinco orações diárias do islamismo, a sirene tocou avisando que está na hora da segunda.

─ E a última é...?

─ Uma hora e meia depois do pôr do sol ou antes da meia noite. ─ bebi um gole do meu suco.

Alice olhou para as laterais voltando a olhar para mim depois.

─ O Príncipe foi para a mesquita?

Sorri.

─ Não, a maioria dos estabelecimentos comerciais têm espaços próprios para os praticantes da Salat.

Alice sorriu.

─ Diferente. ─ murmurou.

Meus olhos brilharam alegres.

─ Você não viu nada, nos países com segregação sexual homens e mulheres solteiras entram por portas diferentes nos restaurantes com áreas próprias para o sexo deles e as famílias são recebidas num terceiro espaço.

─ Obrigada por eu ser Ocidental. ─ ela disse baixo olhando para o céu.

Ri baixo.

─ Você não vai? ─ perguntou.

Comi uma colherada da minha salada com arroz.

─ Não sou uma muçulmana praticante. ─ murmurei após tragar a colherada de comida e na sobremesa o Príncipe pediu café para a gente.

─ Não consigo me acostumar com essa borra toda. ─ Alice disse olhando para o pó dentro da sua xícara.

O café árabe não é coado.

─ É para praticar a cafeomancia. ─ respondi.

─ Cafeo...Quê? ─ vincou a testa.

─ Cafeomancia é a leitura da borra do café. ─ ele esclareceu para ela.

─ Ah. ─ Alice nem se empolgou, ela não acredita em previsões futuras.

─ É uma tradição árabe milenar. Quer que eu leia para você? ─ brinquei.

─ Não, obrigada. ─ minha amiga empurrou sua xícara.

Ri e na porta do restaurante ela pediu para conhecer a mesquita, mas nos lugares sagrados abayas e rijabs são obrigatórios para as mulheres e para não vestimos os horríveis tecidos pretos que os assistentes das mesquitas dão para os turistas se cobrirem no interior dela compramos abayas e rijabs num shopping próximo.

─ A arquitetura é maravilhosa! ─ Alice disse admirada.

Concordei, mas nem sei quando foi a última vez que entrei numa.

O Príncipe também levou a gente num grande resort da cidade e ela mal acreditou quando viu a grande pista de esqui climatizada numa das áreas dele.

Ri. Alice estava de boca aberta.

─ É surpreendente. Estamos no meio do deserto, mas tem tanto gelo aqui como se estivéssemos em Nova Iorque.

─ Projetos da arquitetura. ─ ele respondeu tolerante se encostando à lateral da pista de patinação.

─ Adorei. ─ ela sorriu e no palácio tomei uma chuveirada para limpar meu corpo da areia que o vento carrega no ar desértico.

─ Quando vai ser o evento para comemorar em Suma o seu noivado? ─ Emmett perguntou por vídeo chamada.

Eu estava passando creme hidratante nos meus braços.

─ Amanhã pela manhã.

─ Bella você está bem? ─ se preocupou.

Aspirei.

─ Só cansada do passeio de hoje. ─ menti achando melhor não falar da minha preocupação com Alice. ─ Alguma boa resposta de Alzan? ─ perguntei.

Ele sorriu.

─ Seu Sultão está com raiva e canalizou a fúria dele para os nossos adversários.

Vinquei minha testa.

─ Como?

─ Ele convenceu os EUA, Inglaterra, China, Turquia, Itália, Espanha e França a também subirem embargos contra Alzan e todos os aliados dele.

Abri minha boca num Ó.

A Península Arábica vai virar um caos. Milhares de pessoas vão estar sem água potável e alimentos suficientes para sobreviverem.

─ Emmett...

─ Acabou Bella. Não tem ambição no mundo que sobreviva a pressão de dezenas de povos. Nenhum soldado alzanes vai desejar continuar lutando quando souber que a família deles não tem mais para comer ou beber.

─ Suma...

─ Ganhou muita força no Ocidente pelo noivado com você continuando livre de ameaças de guerra. Nosso país não é o único que vai se beneficiar do seu casamento com o Sultão.

Aspirei aliviada e sentada no umbral da janela admirei a beleza do deserto sumanes coberto pela cor laranja avermelhada do sol.

─ Obrigada. ─ pela manhã dei um beijo estalado no rosto de Edward.

Ninguém viu.

Ele sorriu.

─ Por...?

Também sorri.

─ Sei o que você fez pelo tratado de paz. ─ respondi.

Soraya entrou no salão de café da manhã com um copo de água na mão.

─ Tudo para ver você sorrir. ─ o Sultão disse.

Baixei meu olhar com meu rosto corando e na festa para comemorar nosso noivado muita gente veio por ele ou por interesse para saber como sou.

Sheiks, conselheiros, assessores e as esposas desses homens nos desejaram bons sentimentos. Outros funcionários do governo e membros comuns do povo sumanes também, mas todos eram sorrisos para Edward e só uma expressão educada para mim.

Alice expeliu o ar.

─ Tenho sorte de não ser princesa, eu nunca ia me acostumar com a frieza das pessoas. ─ murmurou para mim.

Só sorri e muitos músicos com tambores estavam tocando para animar o povo com uma comitiva inteira equipada com espadas decorativas e lenços atrás deles.

Homens se juntaram num circulo a volta deles dançando de mãos dadas e dançarinas do ventre com castiçais na cabeça e homens soprando fogo também entraram na festa.

Edward e eu estávamos batendo palmas e um casal de dançarinos o convidou para dançar. Ele aceitou dançando com eles por menos de trinta segundos me chamando com um movimento da sua mão direita para dançar também.

Novamente não nos tocamos, mas dançamos juntos e todos os membros da festa abriram um circulo a nossa volta para nos animar a dançar mais.

Ele girou a minha volta e os homens batiam palmas com os olhos de Edward nunca deixando os meus.

Virei à cabeça e movi minha cintura acompanhando os movimentos dele.

─ Lililililili. ─ várias mulheres reproduziram o som do Zaghareet*e meu olhar parou no sorriso do meu mundo:

Mamãe entrou no circulo dançando e Edward se afastou para dançamos juntas. Ela me abraçou beijando meu rosto.

─ Minha joia preciosa você está linda. ─ mamãe falou.

Sorri.

A música ficou mais ligeira e nós duas dançamos mais um pouco, mas depois sairmos do circulo de mãos dadas.

─ Como...? ─ não acabei a frase.

─ Pela guerra seu pai não pôde vir e é muito perigoso para mim viajar, mas você é nossa filha e um de nós tinha que estar aqui representando nossa família com você. ─ me abraçou novamente.

─ Majestade. ─ meu noivo falou com ela a uma distância regular.

─ Sultão. ─ respondeu com um sorriso suave de lábios fechados.

─ Por favor. ─ a convidou para sentar e mais pessoas continuaram chegando à festa.

Alice também me convidou para dançar e um grande almoço foi servido a todos.

─ Ela é linda, mas vai sobreviver ou ter o mesmo destino que Jamilah? ─ duas parentas de Edward conversavam olhando para mim.

A que estava ouvindo tremeu.

─ Ela odiava as visitas dele no quarto dela.

Fechei meus olhos compreendendo que “visitas” é um código para o que era o sexo entre os dois e na metade da festa mamãe entrou no meu quarto atrás de mim mostrando preocupação no seu rosto.

─ Alice está atraída pelo Príncipe Jasper e ele por ela. ─ percebeu.

Aspirei.

─ Eu sei e estou me sentindo mal pelas verdades que joguei para cima dela.

─ E com a condenação do criminoso? ─ ela sentou de frente para mim na cama.

─ Não desejava que ele tivesse sido condenado e me senti mal com tudo, mas compreendi que Esam teve o que mereceu. Ele é um criminoso, não vou continuar sofrendo por ele.

─ E por Alice ou seu irmão?

─ Emmett nunca vai estar sem mim, mas por Alice só vou dar mais um passo e se ela desejar estar com o Príncipe não tem nada que eu possa fazer.

─ Bella...

─ Mãe, nem sei como vai ser meu casamento com o Sultão, não posso me esquecer da minha própria vida pela dos outros.

─ Ele machucou você ou tentou? ─ se agitou.

─ Não, mas a maioria das pessoas muda depois do casamento e nem sempre é para a melhor.

─ Filha...

─ Estou bem, só preocupada com o futuro.

─ Não esteja, seu pai e eu sempre vamos apoiar você.

Mas não vão poder me proteger para sempre. Só pensei, não quero preocupá-la mais.

A abracei me afastando logo.

─ Conheci Lady Tania Denali.

─ A mulher que desejava casar com seu noivo? ─ se surpreendeu.

─ Continua desejando. ─ respondi levantando da cama.

─ Bella...

─ Não estou criando nada, ela me falou.

Minha mãe abriu a boca num Ó.

─ Você é azarada, hum.

─ Mãe!

─ É a verdade, filha tentaram matar você e essa Lady continua desejando casar com ele.

Sorri sem humor.

─ Difícil, mas honesto. ─ murmurei.

─ E você, o que disse para ela?

Movi minha mão dispensando sua preocupação.

─ Mantive minha dignidade mostrando que ela parece um robô repetindo as frases de outra pessoa.

Mamãe sorriu orgulhosa.

─ Parabéns para mim. Eduquei você muito bem. ─ bateu palmas com as mãos viradas para o seu peito.

Ri.

Às vezes ela me choca.

─ Lady Denali está na festa?

─ Ela não vai se aproximar de mim com o Sultão perto.

─ Mas se si aproximar você...

─ Ela vai estar me dando a chance de entregá-la para ele.

Mamãe concordou e de volta à festa encontrei outro parente desagradável de Edward:

─ Vossa Alteza dança e é bonita como Shakira.

Um insulto preconceituoso disfarçado de elogio, mas continuei sorrindo.

─ Sei o que está por trás das suas palavras, mas sou muito educada para falar que o senhor me lembra o Maluma, só que mais velho.

Ele me olhou com ódio, não me importei. Comparar uma árabe-muçulmana as artistas ocidentais é como chamá-la de... e na outra ponta do salão vi Alice e o Príncipe trocando olhares de novo.

Aspirei.

Fogos de artifícios explodiram no jardim com um dos conselheiros do sultanato levantando um brinde em homenagem ao meu noivado com Edward e pegando uma taça de vinho sem álcool da bandeja de um garçom me juntei aos outros convidados. Mas, as intrigas não acabaram:

─ Ouvimos falar do que aconteceu no orfanato e da punição recebida pelo... infrator, mas... tudo é reflexo do comportamento rajanes. ─ a filha de um dos conselheiros do Sultão trouxe o assunto para superfície.

Baixei meu olhar.

Edward repousou sua taça de vinho numa mesinha.

─ Uma pessoa nunca tem culpa pela natureza criminosa de outra, todos são o que são pelo caráter que têm e o povo da Princesa nunca tentou me matar. ─ respondeu.

Minha mãe sorriu aprovando o comportamento dele e eu não vi mais Alice ou o Príncipe Jasper no salão.

A moça corou, mas não se desculpou e no final da festa procurei pelo meu futuro cunhado no escritório dele.

─ Alice é minha melhor amiga, ela é como uma irmã para mim, mas ela mal consegue aceitar os nossos costumes e não sabe ser submissa.

Ele vincou sua testa.

─ Do que está...?

─ Eu vejo como vocês se olham, mas ela não é para Vossa Alteza e você prometeu me proteger, mas se machucá-la também vai me machucar. ─ respondi.

Soraya estava do outro lado do comado para nos dar privacidade.

O Príncipe virou de costas.

─ Edward e eu somos árabes, nossos pais também eram, mas nossa trisavó paterna e a bisavó materna eram europeias. ─ virou de frente novamente.

O olhei.

─ A aparência exterior entrega muito da formação genética de vocês, mas seu irmão e você nem as conheceram e a maior parte da educação de vocês é produto da nossa Arábia, como eu, que fui criada no Ocidente, mas tenho muito da nossa cultura árabe na minha educação completa.

─ Alice é adulta.

─ E não é uma “virtuosa” moça virginal que nunca vai gritar com o marido. ─ adicionei azeda.

Ele não falou nada.

Abri a porta para sair e Soraya veio atrás de mim.

─ Alteza.

Olhei para trás.

─ Eu sei, é a última vez que me coloco entre os dois. ─ parei, mas voltei a caminhar logo. ─ E se eles desejarem continuar com a loucura que estão criando o coração é um campo que só dois podem jogar. Três é...

─ Demais. ─ Edward me surpreendeu no corredor.

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Notas finais
Zaghareet* é um signo linguístico.