O Sultão
2 Super Bowl
Notas iniciais
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Capítulo 1
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Bella
Nova Iorque, EUA, fevereiro de 2019...
Não sou uma mulher qualquer, sou uma princesa, mas onde moro poucas pessoas sabem disso e as que sabem guardam segredo absoluto. Eu nasci em tempos de paz. O meu verdadeiro lar é o deserto. Sou filha de um sultão, porém em tempos de guerra fui enviada para longe do meu sultanato e pelo bem do meu povo estou prestes a me casar com um homem que não conheço, mas que está destinado a mim há muito tempo.
Meu nome é Isabella Marie Higginbotham* Swan e sou a única mulher da minha família, além da minha própria mãe, a ficar noiva de um sultão, mas esse noivado não é motivo de alegria para mim. Eu tenho medo, medo de me tornar prisioneira de uma gaiola de ouro da mesma maneira que me tornei refém da violência humana quando a guerra estourou em Rajar, o meu país de origem.
─ Então é verdade, você vai mesmo se casar com um sultão. ─ Alice Brandon, minha melhor amiga, disse quando nós estávamos na piscina da minha casa em Nova Iorque.
─ Vou. ─ resmunguei.
─ Eu pensei que você tivesse dito que só começaria a pensar em casamento quando estivesse com uns vinte e cinco anos de idade e não com dezenove. ─ comentou irônica.
─ E eu disse, mas quando fiz isso eu não sabia que estava noiva de alguém. ─ respondi chateada.
─ E você não tem medo de se casar com alguém que não conhece? ─ perguntou.
─ Medo não. Preocupação. Casamentos arranjados são comuns no mundo árabe.
─ Se é assim o que especificamente te preocupa nesse casamento?
─ Que eu seja obrigada a viver como uma prisioneira numa gaiola de ouro. ─ respondi.
─ Desenvolva, por favor. ─ pediu.
─ O país do meu noivo é muito mais antiquado que o meu e me preocupa que ele seja igualmente conservador. Além disso, seria sufocante para mim viver em um lugar assim, porque apesar de ser uma princesa árabe eu fui criada como uma plebeia ocidental. ─ expliquei.
─ E por que você não se rebela? Quero dizer, mesmo levando uma vida comum você é uma princesa e não seria fácil eles te calarem. ─ declarou.
─ Porque esse casamento vai muito além da minha vontade, envolve o fim de uma guerra que já dura anos e eu não posso ser egoísta a esse ponto. ─ afirmei.
─ Se é assim por que eles esperaram tanto tempo para realizar esse casamento? Porque até onde eu sei a religião de vocês permite que o casamento aconteça a partir dos nove anos de idade. ─ comentou intrigada.
─ A religião sim, mas não as leis judicias do meu país e de acordo com ela uma mulher só se torna maior de idade aos dezoito anos. Além disso, nós só ficamos noivos quando eu tinha doze anos. ─ expliquei.
─ “Uma mulher”? ─ repetiu.
─ Sim. Os homens se tornam legalmente maiores de idade a partir dos dezesseis anos.
─ Entendi. Mas, você já tem dezenove anos, e se do casamento de vocês depende o fim de uma guerra, por que esse casamento não aconteceu há um ano? ─ indagou e essa é uma boa pergunta.
─ Eu não sei, porém quando o sultão de Suma e eu nos casamos em algumas semanas um tratado de paz entre Rajar e Alzan será assinado e a guerra contra o meu país cessará.
─ E quando você irá conhecê-lo? ─ perguntou curiosa.
─ O meu pai prometeu que será antes do casamento, mas eu não sei quando realmente será isso. ─ respondi.
─ E se ele for horroroso em todos os sentidos? E se você não gostar dele? ─ ela desatou a questionar.
─ Então eu terei que fechar os meus olhos e tragar minha repulsa quando estivemos na nossa lua de mel. ─ murmurei amarga.
─ O quê?! E você não pode recusá-lo? ─ perguntou alarmada.
─ Pelas leis do meu país sim, se ele me forçasse a fazer algo que sexualmente eu não queira isso seria considerado estupro, mas em Suma uma mulher não pode se negar ao marido e ele pode fazer o que quiser com ela. ─ eu disse e minha melhor amiga estremeceu ao ouvir isso.
─ Minha Nossa Senhora! E essa é a única lei barbará desse lugar ou você vai ter que suportar mais algum absurdo? ─ indagou indignada.
─ Ah, eu com certeza não poderei reclamar se algum dia meu futuro marido quiser me surrar por eu ter feito algo que ele considere “indevido”, nem poderei dirigir e, apesar de não ser obrigatório é recomendado que as mulheres usem uma burca* em locais públicos. ─ revelei e os olhos de Alice se arregalaram.
─ Que absurdo! Em seu próprio país esse tipo de comportamento já se tornou ultrapassado e agora você vai ter que suportar essas regras antiquadas em uma pátria que não é a sua de origem! ─ exclamou revoltada.
─ E isso nem é tudo, diferente de Rajar em Suma uma mulher só pode viajar para aonde quiser ir se obter uma autorização legal de algum guardião masculino, quando solteira, e quando casada se o seu marido autorizar. ─ contei e acabei rindo quando a vi boquiaberta, porque apesar do meu destino parecer trágico tudo isso é tão irônico que chega a ser cômico.
─ Amém por ser ocidental! ─ ela disse e eu ri da sua sinceridade exacerbada. ─ E quanto a sua carreira profissional? Você ainda vai poder continuar fazendo o que gosta? ─ indagou e eu gargalhei sem humor. ─ O que foi? ─ ela perguntou pasma com a minha reação.
─ Você não sabe, não é mesmo? ─ eu disse, no lugar de responder sua pergunta e minha amiga me olhou ainda mais confusa.
─ Não sei o quê? ─ ela decidiu questionar quando viu que eu não pretendia esclarecer mais nada.
─ Suma é conhecida por ser uma terra onde as mulheres não têm voz, nem voto. Pior, quando as pessoas desse país souberem que sou capitã do mais prestigiado grupo de lideres de torcida que existe e que me apresento com vocês na frente de milhares de fãs de futebol americano eu serei consideradas por elas como uma prostituta barata. ─ revelei e Alice me olhou assustada.
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─ Bella por tudo o que é mais sagrado não faça essa apresentação! ─ Emmett, meu irmão mais velho, me pediu quando três dias depois da minha conversa com Alice nós dois estávamos nos bastidores do Super Bowl e eu estava fazendo os últimos retoques da maquiagem que usarei hoje durante a minha última performance como capitã das lideres de torcida do Manhattan Dragons, o maior time de futebol americano do planeta.
─ Sinto muito, mas eu não posso. ─ respondi.
─ Bella você não está entendendo, ele está aqui e justamente hoje a sua equipe terá a participação especial dos rapazes da Liga dos Líderes de Torcida Americanos. ─ Emmett disse e eu não entendi a quem ele estava se referindo.
─ Ele quem? ─ perguntei confusa.
─ O seu noivo. ─ ele respondeu e eu senti como se meu irmão tivesse jogado uma bomba sobre mim, mas me fiz de forte e mantive uma falsa postura indiferente.
─ Sendo assim eu espero que ele aprecie o show. ─ murmurei e através do espelho posto na minha frente eu vi quando Emmett me olhou como se eu fosse louca.
─ Bella, por favor, seja razoável. ─ pediu.
─ Mas eu estou sendo, já que não será a presença dele que irá me impedir de fazer o que quero e o que eu quero é ter a chance de poder me apresentar uma última vez ao lado das minhas colegas de trabalho. ─ afirmei firme antes de sair do vestiário feminino.
─ Isabella! ─ meu irmão exclamou atrás de mim.
─ O quê? ─ eu indaguei quando me virei de frente para ele, mas antes que Emmett conseguisse pensar em algo mais que pudesse me dizer eu voltei a ficar de costas para ele e caminhei pelo túnel que me levaria até a entrada principal do estádio.
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Complexa e arriscada. Desse modo poderia ser descrita a coreografia que minha equipe e eu estávamos executando durante a nossa apresentação no Super Bowl e foi em dos momentos mais críticos dela quando os rapazes da Liga dos Líderes de Torcida Americanos se juntaram a nós que eu vi Edward Cullen, o sultão com quem devo me casar em breve.
No momento em que olhei na direção dos camarotes vips eu soube imediatamente que era ele quem estava lá acompanhado de secto de seguranças, e também porque seu corpo musculoso estava coberto por tradicionais roupas árabes compostas por uma thobe * preta. Além disso, sobre sua cabeça estava um ghtrah* dourado preso por uma agal* preta.
Mas, eu fiz de tudo para não perder minha concentração no próximo passo de dança que dei e por se tratar de um movimento bastante sensual ele poderia ser interpretado pelo sultão como uma provocação as regras comportamentais do seu país, apesar de não ter sido.
E ao fim dessa apresentação uma bile fechou minha garganta e lágrimas vieram aos meus olhos quando o público presente, inclusive o da torcida adversária, me aplaudiu de pé no momento em que minha saída das lideres de torcida foi anunciada e receber esse carinho de todos causou uma emoção indescritível dentro de mim.
Dessa maneira foi só no final daquela homenagem espontânea que eu passei a braçadeira de capitã para Alice e sai correndo do campo de futebol.
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─ Meus parabéns! A sua apresentação foi perfeita. ─ o sultão de Suma me disse em um inglês fluente quando eu cheguei ao final do túnel do estádio e ele estava sozinho me esperando lá, mas por eu estar perfeitamente familiarizada com a língua árabe, inclusive aquela que é falada em Suma, eu ainda captei algo do seu sotaque estrangeiro.
─ Obrigada, vossa majestade. ─ eu disse e por uma questão de respeito ao seu titulo real eu fiz uma pequena reverência para o monarca do país vizinho ao meu.
─ Edward. ─ ele pronunciou o primeiro nome dele, mas não entendi o porquê disso.
─ Como? ─ perguntei confusa com essa atitude dele.
─ Me chame apenas de Edward e não me faça reverências, afinal você é minha noiva e eu a considero uma igual. Além disso, nós estamos sozinhos, portanto não existe necessidade de nos prendemos a tantas formalidades nesse momento. ─ meu noivo me explicou tranquilamente e sua voz era suave como seda.
Uma voz que também poderia ser descrita como sensual e combinava perfeitamente com o homem forte e grandão que ele é.
─ É verdade e eu não entendo o porquê de estamos sós se vossa majestade sabe que em nossa cultura esse tipo de postura é completamente inadequada. ─ o repreendi.
─ Você está certa, mas nesse momento nós não estamos no Oriente e por estamos em um país neutro eu não vejo problema em querer estar um pouco a só com você, já que nós vamos nos casar em pouco tempo, porém não sabemos quase nada um do outro. ─ esclareceu.
─ Sabemos o que importa. ─ respondi na defensiva.
─ E será que você realmente é assim sempre tão intransigente com as pessoas? ─ ele me perguntou e essa pergunta me pegou de surpresa.
─ Na realidade eu quase nunca sou assim. ─ respondi sem jeito.
─ Então por que está sendo tão intransigente comigo? ─ questionou.
─ Porque eu ainda não sei o que pensar de você e eu não gosto de me abrir tanto para quem eu não conheço de verdade. ─ expliquei honestamente.
─ E será que eu não deveria ser uma exceção para você, já que como eu disse antes nós vamos nos casar em pouco tempo? ─ perguntou.
─ Talvez, mas eu não sei se devo agir assim. ─ respondi.
─ Por favor, deixe suas reservas contra mim de lado e tente me ver apenas como um pretendente a seu futuro namorado. ─ Edward me pediu e a última palavra usada por ele me deixou pasma.
─ Namorado? ─ eu repeti querendo ter certeza de que o ouvi direito.
─ Sim. Você foi criada aqui nos EUA, portanto eu acredito que por estar mais familiarizada a esse termo de relacionamento ele soe mais natural aos seus ouvidos do que casamento de conveniência ou casamento arranjado. ─ me explicou e sua explicação até que fez sentido para mim.
─ Ok. E como você pretende ser meu namorado se como você mesmo lembrou o tempo que nos resta antes do casamento é curto? ─ indaguei a ele.
─ Esqueça a questão do tempo e deixe tudo em minhas mãos. Eu garanto que serei um bom namorado e um namorado à moda ocidental. ─ revelou e sorriu para mim.
─ É difícil acredita nessa sua última afirmação quando você veio até mim completamente vestido à moda do oriente. ─ confessei e mais uma vez meu noivo sorriu.
Um sorriso lindo que somente valorizava a sua beleza escandalosa e quando combinado a força dos seus olhos verdes essa sua beleza se torna uma arma falta junto a sua pele clara.
─ Mas não completamente vestido à moda do oriente. ─ Edward disse e só ai eu percebi que ele estava usando nos pés um fabuloso sapato Armani negro, ao invés da tradicional Na – Aal.*
Aliás, quando esse homem tirou sua thobe eu notei que por debaixo dela ele estava totalmente vestido com roupas da aclamada marca italiana Armani e terno cinza-escuro pelo qual optou era de tirar o fôlego por moldar perfeitamente o seu corpo sexy.
Na realidade eu não consigo decidir se o sultão ficar mais sexy em roupas orientais ou ocidentais, pois nas duas ele fica um arraso! E é um alivio saber que meu futuro marido tem uma aparência física agradável, algo que torna a missão de me casar por obrigação, um pouquinho mais tolerável, mas não menos difícil.
E a questão dele certamente ter menos de trinta anos também ajuda, apesar de claramente ser bem mais velho que eu, porém não facilita nada para mim, já que de qualquer maneira ao me casar com ele, eu estarei indo para uma terra estranha, onde talvez, por nossas diferenças culturais, eu não seja bem-vinda. Mas, torço muito para que seu interior seja tão bonito quanto seu exterior ou ainda mais belo, afinal de nada vale um bom aspecto exterior se por dentro a pessoa que carrega essa beleza física for completamente oca.
─ Está bem, eu confesso: vossa majestade me surpreendeu. ─ falei admirada por sua versatilidade e Edward torceu os lábios descontente pelo pronome formal que usei para tratá-lo. ─ Desculpe. Edward. ─ eu me corrigi ao perceber sua reação contrária.
─ Tudo bem Isabella, você ainda vai se acostumar a isso. ─ ele afirmou tolerante.
─ Bella. ─ eu disse e o sultão me olhou questionador. ─ Me chame de Bella, é como a maioria das pessoas me chama e eu prefiro assim. ─ esclareci e meu noivo concordou.
─ Okay. ─ falou e foi a minha vez de sorrir para ele.
─ Acho que você sabe que um namorado acompanha sua namorada em alguns compromissos dela, não sabe? ─ perguntei e Edward riu por ter achado minha pergunta divertida.
─ Sei sim. Você quer que eu a acompanhe a algum lugar? ─ questionou.
─ Quero sim. Hoje à noite eu prometi jantar uma última vez com minhas companheiras de trabalho e também com os rapazes que se apresentaram conosco essa noite. Se você quiser vir comigo será bem-vindo lá, no entanto como poucos no ocidente sabem quem realmente sou e quase ninguém sabe do nosso noivado acho que seria aconselhável você tirar sua da cabeça essa ghtrah e exibir sobre ela apenas os seus cabelos. ─ eu sugeri.
Ele assentiu logo depois e a tirando quase que imediatamente revelou seu rebelde e sedoso cabelo ruivo ― Algo que me surpreendeu, pois esse sultão não tem a típica aparência árabe, ao inverso disso, eu diria que ele se parece muito mais com homens ingleses que com sumaneses*.
─ Algo mais vossa alteza? ─ Edward indagou brincalhão ao usar meu titulo real pela primeira vez para falar comigo e surpreendentemente agora eu tenho esperanças de ter uma convivência pacifica em meu casamento com esse homem.
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