O Sultão
42 Tempestade
Notas iniciais
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Capítulo 41
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Bella
─ O que vocês acham que são? Os governantes do sultanato?! ─ Edward bateu no tampo da sua mesa. ─ Eu não permiti que transferissem dinheiro dos fundos de emergências para a secretária de cultura. ─ ele está muito irritado e tem motivo para estar.
A gente mal dormiu a noite pelos nossos problemas privados e a destruição que uma tempestade de areia deixou numa tribo beduína inteira e outras pequenas aldeias do estado da Talha em Suma. Mas, como nunca temos paz descobrimos uma grande retirada, não permitida, dos fundos emergências, que sempre são usados para ajudar as vitimas dos desastres naturais do país.
─ Vocês tem uma hora para recolocar o dinheiro no lugar dele. ─ seus olhos brilharam com raiva. ─ Ninguém brinca com a minha autoridade. ─ aspirou forte. ─ Vou para o centro da destruição que a tempestade de areia deixou na Talha, mas Isabella vai estar os vigiando e quando eu voltar vou cuidar pessoalmente da punição de todos. ─ ele arrodeou a mesa, saindo do seu escritório.
Levantei da cadeira que estava.
─ Estou tentando saber se foi idiotice ou muita inocência vocês acharem que ele não ia perceber a transferência de mais de cento e cinquenta milhões de dólares dos fundos de emergência.
─ A gente não desejava ser desonestos ou prejudicar as pessoas, só tentamos encontrar a solução mais ligeira para os problemas da secretaria.
A resposta do segundo secretário cultural não me convenceu.
Problemas que não iam ter se tivessem administrado direito à boa verba que o governo repassa a ela.
─ Boa sorte para convencer o meu marido quando ele voltar. ─ movi a mão pedindo para as cinco pessoas que estavam de pé na minha frente saírem.
Elas se curvaram e caminharam para fora.
Olhei para o papel no tampo da mesa.
“De grande atriz da Broadway a noiva do nosso Príncipe Herdeiro”.
É a matéria de capa do principal jornal de Rajar. Estou preocupada com meu irmão e Rosalie, nosso país é mais liberal que Suma, mas a descoberta da profissão da minha cunhada está sendo um escândalo para a maioria dos rajaneses e com todos os nossos problemas para solucionar Edward e eu não podemos ajudar muito os dois.
Arrodeei a mesa e no corredor principal da ala dos escritórios Soraya me acompanhou para a entrevista de hoje.
─ Alteza. ─ o jornalista da minha terra natal falou quando entrei na biblioteca e toda sua equipe se curvou com ele na minha frente. ─ Desculpe. Majestade.
Sorri, movendo a mão para eles reajustarem a postura.
─ Não importa como me chamem, continuo sendo a Princesa de vocês. ─ movi a mão, de novo, pedindo para o jornalista sentar ── os outros continuaram de pé organizando cabos, iluminação e mais.
Colocaram um microfone em mim.
─ Conhecemos a responsabilidade da sua família, respeitamos o bom governo de vocês e reconhecemos a importância do seu casamento com o Sultão Cullen para Rajar. Mas, poucos casamentos por amor duram. Temos medo do futuro do nosso Príncipe com a senhorita Hale, do futuro do nosso país. ─ o jornalista falou com calma. ─ Tem muitos exemplos na Europa que atrizes não se ajustam corretamente a realeza e é difícil para a maioria dos rajaneses aceitar que ela é mais velha que ele.
Mordi meus lábios tragando uma resposta muito grosseira.
Rosalie só é dois anos mais velha que Emmett, mas o “dois pesos e duas medidas” da nossa cultura sempre se mostra na maioria das pessoas.
─ Os exemplos que fala são de atrizes acostumadas com o escândalo e grande exposição. Rosalie não é, ela não tem nem redes sociais e é da nossa cultura achar que casamentos por amor não duram, mas conheço muitos casais que se apaixonaram, namoraram, casaram e estão juntos há décadas.
─ A senhorita Hale é sua amiga. Como a conheceu e a apresentou para seu irmão?
─ Não os apresentei. Emmett se apresentou para ela. A conheci... ─ ia falar nos jogos, mas não posso. Os problemas que tenho são suficientes para colocar mais em cima deles. ─ nos poucos eventos que estive com ele nos EUA. Não tem porque terem medo. Rosalie é uma grande pessoa ou não ia estar com meu irmão. ─ juntei as mãos em cima das minhas coxas. ─ Ela é filha de um tradicional empresário americano. Vai ser uma esposa adorável e uma boa Princesa para vocês.
O jornalista moveu a cabeça.
─ A idade dela não importa para nossa família. ─ coloquei no final, respondendo mais três ou quatro perguntas ligeiras ── Com todos os problemas não posso dar muito do meu tempo para as pessoas.
─ Com licença. ─ Soraya interrompeu a entrevista, se curvando perto do meu ouvido, no sofá que sentei. ─ O Príncipe Jasper voltou, ele está mal. ─ só eu a ouvi.
Levantei.
─ Desculpem, mas é hora do meu próximo compromisso oficial.
O jornalista também levantou e com sua equipe moveu a cabeça.
O técnico deles tirou o microfone de mim e todos se curvaram na minha frente.
Soraya e eu caminhamos para a ala do meu cunhado.
─ Chame o rádio do helicóptero que Edward está, fale que estou pedindo para ele voltar, mas não fale por que e não deixe outra pessoa falar.
─ Está bem, Majestade. ─ respondeu.
─ Organize outro helicóptero para mim, olhe como meu filho está e não deixe a mídia saber do Príncipe Jasper. Vou para o estado da Talha.
─ Não vou com a senhora?
─ Vou levar outra pessoa da equipe. Você vai continuar no palácio para me falar do meu marido e acalmar ele e Alice por mim.
─ O acordo de paz está quebrado, não? Rajar e Suma vão estar numa guerra com a Maniza.
─ Não sei. O médico do palácio está com Jasper?
─ A Princesa mandou o chefe de segurança dela o chamar.
Movi a cabeça.
─ Também apresse os secretários da cultura. Edward não precisa de mais para estar chateado.
Soraya e eu chegamos à ala dos dois.
Tive medo. Tinha sangue na entrada.
Ela voltou para organizar tudo que pedi.
Entrei na ala.
Jasper estava deitado no sofá branco da sala de estar. Seu corpo está muito suado e sua roupa cheia de sangue ── Ele também está muito sujo.
Coloquei a mão na sua testa. Seu calor a queimou.
A tirei.
Alice estava chorando de joelhos do lado do sofá.
Me abaixei atrás dela, colocando as mãos na lateral dos seus braços.
─ Ele vai estar bem. ─ falei baixo.
─ Não é verdade. Tenho que continuar. Eles não. ─ Jasper delirou.
O médico entrou com tolhas limpas, água, medicamentos, equipamentos e todo material que vai precisar para cuidar do meu cunhado.
─ Majestade. ─ se curvou.
Levantei.
─ Me esqueça. A paz de muita gente depende da vida dele.
O médico reagiu ligeiro.
Entrei numa outra sala para não ver o que não é para os meus olhos.
Se Jasper morrer... Guardei minhas ideias. Só sua vida importa.
Sentei num sofá, mas levantei, caminhando de uma ponta a outra.
Ele está muito machucado, nem sei como conseguiu voltar.
Não sou muito religiosa, mas calada falei com Deus, não pelo medo da guerra, mas pela dor que sua... Não tive coragem de continuar.
O tempo caminhou. Soraya entrou na sala que eu estava.
─ O médico acabou de examinar o Príncipe, limpou os machucados dele, o anestesiou, costurou o que tinha que costurar, fez curativos e o medicou. Mas...
A olhei.
─ Não é o suficiente. Ele tem que fazer exames para ver como está o interior do corpo do Príncipe, mas vai esperar um pouco, Sua Alteza está muito fraco e desidratado.
─ Vamos confiar que Jasper vai estar bem. ─ respondi, mas não estou calma como mostro.
─ Os seguranças levaram o Príncipe para a cama e o médico aplicou um soro para reidratá-lo.
Expeli o ar.
─ Edward?
─ Ouvi o helicóptero dele pousando no heliporto há pouco e não está feliz comigo por não explicar nada para ele.
─ E meu filho?
─ Alimentado e dormindo. Nur não vai deixar ele sozinho.
Movi a cabeça, caminhando para o quarto do meu cunhado.
─ Isabella. ─ Edward me chamou.
Parei na porta do quarto, virando para ele.
─ Fale que o sangue na porta não é do meu irmão.
Mordi meu lábio inferior.
─ Mas que... ─ parou de falar, aspirando forte.
Caminhei para ele, o abraçando.
─ Ele vai estar bem. ─ falei baixo.
─ Tem que estar ou muita gente vai conhecer o pior de mim. ─ respondeu.
Tremi.
Edward entrou no quarto de Jasper comigo, se abaixando do lado da cama.
─ Jazz você tem que aguentar. Por mim, por Hasam. ─ tragou a saliva. ─ Ele é nosso irmão.
Alice o olhou chocada ── Não falei muito dos problemas da gente para ela.
─ Preciso de você para descobrir o que aconteceu com nossos pais.
Me concentrei no meu marido. No seu coração ele não ver Husam como seu irmão, mas vai falar tudo o que tiver que falar para não ver Jasper morrer.
Soraya entrou no quarto.
─ Seu helicóptero está no heliporto. ─ falou baixo para mim.
Movi a cabeça, caminhando para Edward, coloquei a mão no seu ombro e me curvei para estar na altura do seu rosto.
Ele colocou sua mão na minha.
─ Vou para a Talha. Por favor, não escolha nada por impulso.
Alice me olhou.
Caminhei para ela.
─ Aguente forte pelo Jasper. ─ beijei seu cabelo também, arrodeando a cama para me aproximar do seu marido.
Me curvei perto do ouvido dele.
─ Volte para mim irmãozinho. Você é forte, não vão ser uns machucados que vão te derrubar.
Beijei sua testa. A febre continua alta e esquentou meus lábios, mas não os queimou como a minha mão.
Vi os olhos de Edward vermelhos, mas ele não chorou.
Caminhei para fora do quarto com Soraya me acompanhando.
─ Os secretários culturais? ─ perguntei.
─ Estão acabando de devolver o dinheiro que retiraram para a conta original.
Caminhei para fora do palácio.
Meu chefe de segurança abriu a porta do carro e o motorista me levou para o heliporto na área das terras do palácio.
─ Majestade. ─ o piloto me recebeu.
Movi a cabeça para ele e por falta de apoio melhor aceitei sua mão para entrar no helicóptero.
O assessor que escolhi levar para a Talha entrou comigo, mais meu chefe de segurança com o copiloto e outro segurança junto com o piloto.
Coloquei o cinto de segurança e grandes fones de ouvido para falar com todos e os ouvir, se precisar.
Viajamos por mais uma hora e meia, mas minha cabeça continua no palácio.
Aspirei.
O helicóptero pousou. Meu chefe de segurança me ajudou a descer.
Olhei para os escombros no caminho que a tempestade de areia esteve, vendo que tem muito para o governo reconstruir. Também falei com o chefe dos bombeiros. Têm mais de dez mil desabrigados, cinco mil machucados e mais de trezentos mortos.
Pedi para o meu assessor encomendar equipamentos, material de proteção hospitalar, medicamentos e mais profissionais para ajudar a equipe que está trabalhando na recuperação das vitimas desse desastre natural. Coloquei avental, máscara, touca e luvas descartáveis para ajudar as enfermeiras a cuidar delas com os primeiros socorros que conheço.
Também mandei os desabrigados para os cinco abrigos construídos pelo sultanato no estado. Liberei comida, produtos de higiene, roupas e calçados para as pessoas que perderam tudo ou muito do que tinham e estão precisando de ajuda básica ── Foi bom não ter tempo para lembrar dos meus problemas privados, mas eles sempre me encontram.
─ Sultana, o ditador da Maniza fez um discurso muito sujo pela internet. Temos que voltar para a capital. ─ só eu ouvi meu assessor.
Virei para ele.
─ Sujo como?
Baixou seu olhar.
─ Muitas acusações contra o Príncipe Jasper. Ele o chamou de invasor, fujão covarde e mais que prefiro não repetir. O Sultão não falou nada, mas acho que vamos ter guerra.
Vamos. Quando descobriu as mentiras da Jamilah, Edward jurou nunca mais estar parado vendo seu irmão ser machucado ou ofendido.
Traguei a saliva.
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