O Sultão
43 Mais Problemas...
Notas iniciais
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Capítulo 42
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Bella
A beleza do pôr do sol não combina os problemas. Voltei para a capital sumanesa, mas o assessor que escolhi para levar comigo continuou no estado da Talha.
O helicóptero pouso. Caminhei para o interior do palácio, encontrando Edward na sacada do nosso quarto.
─ O acordo está quebrado.
Ele não me respondeu, continuando de costas para mim.
─ Edward.
─ Continuo achando que a guerra nunca é o melhor caminho, mas tem guerras que começam por muito menos e se eu não defender meu irmão vai ser o enfraquecimento moral de Suma. Todos vão achar que que o governo está fraco e vão tentar invadir meu país. ─ meditou, com as mãos no balcão da sacada. ─ O acordo está quebrado. O ditador vai guerrear, mas não vai ser contra Rajar. Vou quebrar a paz de Suma.
Não consegui senti alivio. Na minha cabeça vi Edward à frente do seu exército ── Odiei a ideia.
─ Você vai lutar.
Meu marido me olhou. Ele sabe que não foi uma pergunta.
─ Vou, mas a minha maior luta vai ser falar com o meu povo.
O abracei.
─ Não vai estar sozinho.
Se afastou.
─ Eu vou. ─ respondeu. ─ Temos muitos problemas, a gente não precisa de mais.
Não gostei da sua escolha. Não vou aceitar. Eu não posso.
Abri a boca, mas não consegui falar.
─ Falei com seu pai, contei tudo. Ele está com muita raiva das minhas escolhas, mas compreende que nosso casamento não tira a independência de Suma e Rajar e jurei te proteger das consequências delas.
Minha respiração pesou. Apertei minha mão para não gritar.
─ Sou a Sultana de Suma. ─ grunhi.
─ E tenho orgulho do que você faz pelo meu povo, mas também é a Princesa de Rajar e não é hora de estar do meu lado.
─ Edward...
─ Shiii... ─ colocou o dedo nos meus lábios. ─ Suma está no meio de uma tragédia natural. A maioria dos sumaneses não vai compreender minhas escolhas e para continuar a estabilidade do governo da gente eles vão precisar poder confiar em você.
Tive vontade de chorar. Acho que ele não está errado, mas me sinto muito mal o abandonando.
Me abraçou.
─ Eu... ─ o nó na garganta tragou minha voz.
Edward me abraçou mais.
─ Minha flor, governar não é fácil. Nossa vida privada está sempre abaixo dos problemas políticos, mas a gente vai conseguir e minhas escolhas...
─ Não estão erradas. É o comportamento de pessoas ruins, como o ditador da Maniza, que não é correto e no seu coração você reconhece que estou falando a verdade ou nunca ia ter aceitado arriscar o acordo de paz para mandar ajuda a pessoas maltratadas.
─ Você me pediu para estar longe dessa confusão, mas persisti nela.
─ E não ia ser você se não persistisse. Meu pedido foi feito por medo, nunca por duvidar da sua capacidade de escolher. ─ respondi.
Ele beijou minha testa.
─ Mas se Jasper morrer...
Me afastei, colocando a mão nos seus ombros para olhar seu rosto.
─ Não vai. Ele é forte como você. Vai ajudar a gente a encontrar as respostas dos nossos problemas.
Edward beijou o canto dos meus lábios.
O abracei de novo, aspirando seu cheiro e ele me colocou na cama, ajustando seu corpo no meu, mas não dormimos ── Só, falamos da tempestade na Talha e no meu coração continuei não aceitando o abandonar.
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─ Edward.
Ele olhou para Alice ── na madrugada a gente estava ala dela.
─ Se você puder trás o coração desse ditador doente para mim.
Husam estava dormindo nas pernas dele.
Resfoleguei.
Às vezes acho que ela é a árabe, não eu ── Meu coração é mais suave que o seu.
Meu marido moveu a cabeça.
Levantei do sofá do quarto dela, caminhando para a sala de estar ── Não consegui estar nela, porque olhando para o sofá branco lembrei como meu cunhado estava pior.
Caminhei para o escritório privado deles. Olhei para o celular na minha mão e tive vontade de telefonar para Emmett, mas falei com meu pai primeiro.
Sua voz estava pesada, mas ele não falou nada contra Edward, nem tentou colocar ideias na minha cabeça ── Também não falei dos meus problemas privados, mas acho que papai sente que estou sobrecarregada com eles.
─ Vá devagar minha joia preciosa.
─ Eu vou. ─ respondi.
A gente falou por mais de vinte minutos, com Edward entrando no escritório no final da nossa chamada telefônica.
─ Não se chateie com Alice. Ela nem sabe o que está falando.
─ Não estou chateada, só preocupada com todos. ─ respondi. ─ E Husam?
─ Nur o levou para o berço.
Movi a mão o chamando.
Edward caminhou para mim.
Levantei da cadeira e movi a cabeça pedindo para ele sentar.
Não falou nada, mas sentou.
Beijei seu cangote e massageei seus ombros ── os músculos estavam cheios de nos.
Mandar outra pessoa para Maniza ia dar problemas políticos menores, mas pela ajuda humanitária ser uma missão extraoficial ia ser moralmente muito errado e os irmãos Cullen nunca iam estar em paz por não respeitarem o que seus pais ensinaram para eles.
Continuei a massagem. Edward me colocou nas suas pernas. Beijei seu rosto e nosso novo dia não começou melhor:
─ Sultana. ─ Eleazar estava mais atrás do ponto que eu estava de pé, mas o vi pelo canto do olho.
─ O que você ver? ─ perguntei.
─ Não compreendo.
─ O que você pela janela?
─ Um lindo nascer do sol. ─ sorriu leve.
─ Eu vejo mais problemas chegando e eles não combinam com beleza, só com o sofrimento.
Moveu a cabeça.
─ Vossa Majestade tem duas opções: abandonar nosso Sultão quando ele mais precisa da senhora ou ir para a sacada principal, mostrando a todos que ele não está sozinho nesse momento difícil. ─ Eleazar falou.
Tremi indecisa.
─ Vossa Excelência sabe o que está me pedindo? Se eu for para ele estarei virando as costas para o meu povo e para minha família. ─ me agitei, porque essa situação delicada me colocou numa corda bamba que não posso mais me equilibrar.
─ E desde que Vossa Majestade se casou com o nosso Sultão os cidadãos de Suma também não somos seu povo? E se diante de Alá e dos homens Sua Majestade é seu marido ele também não é parte da sua família? ─ me desafiou.
Traguei a saliva.
É muito difícil ver as pessoas que a gente ama sofrerem, mas é como se os problemas nunca chegassem sozinhos e Edward me pediu para não estar do seu lado. Só, que se eu pudesse estar...
Caminhei para o jardim privado, desejando organizar minha cabeça, meus sentimentos.
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─ Sultana. ─ Soraya se curvou ── Ela estava no salão perto da sacada principal.
Movi minha mão.
Minha assistente reajustou a postura, continuando de pé atrás do sofá que sentei.
Olhei para a tevê.
─ O discurso do ditador da Maniza não foi completamente mentiroso: o Príncipe Jasper está muito machucado e a maioria de vocês não vai compreender minhas escolhas.
Ouvindo o começo do discurso do Edward coloquei meus cotovelos nas pernas, com as mãos juntas debaixo do queixo.
─ Rajar também não teve participação nelas. A Sultana Isabella não as apoiou. Só, me lembrou do acordo de paz e as respeitou, mas não vou estar parado vendo meu irmão ser machucado e ofendido por um sujo ditador ou nos olhos de governantes ambiciosos nosso país vai estar fraco e desejando mais poder vão tentar atacar a gente.
As pessoas murmuraram entre elas. Ele levantou a mão pedindo silêncio.
Calaram.
─ Jasper está sendo cuidado pelo médico do palácio, mas está desacordado e fraco.
Todas resfolegaram.
Massageei minha cabeça.
Edward continuou a falar quando elas se acalmaram:
─ Também continuo achando que a guerra nunca é o melhor caminho, só que não vai ser Rajar a quebrar o acordo de paz assinado pela aliança do meu casamento com Isabella: tropas sumanesas estão a caminho dos rebeldes da Maniza.
Os sumaneses se agitaram.
Levantei.
─ Sultana.
Não respondi Soraya.
─ Sultana!
Também não parei e pelos autofalantes da praça continuei ouvindo o discurso do meu marido:
─ Jasper é nosso Príncipe Herdeiro, se eu não reagir todos vão acreditar que aceitamos ofensas, mas defender a honra de Suma é minha obrigação e reconheço que mandar outra pessoa levar a ajuda humanitária ia dar problemas políticos menores, só que por ser uma missão extraoficial também ia ser moralmente errado.
Entrei na sacada. Edward olhou para trás. Caminhei para ele e meu marido não mostrou nada, mas sei que não gostou do meu comportamento.
Mantive a calma. Ele virou para os sumaneses falando mais forte, mas sem gritar:
─ Sei que estão chateados comigo, eu estou mais, só que também é minha obrigação proteger vocês e vou estar à frente das tropas em Maniza.
Choque. Os sumaneses estavam entre o medo e a crítica.
─ Juro que vou libertar os inocentes que vivem no peso da ditadura e recuperar a paz que minhas escolhas quebraram.
Pisquei para não chorar.
─ A guerra nunca é bonita, mas nosso país é membro permanente do conselho de segurança da ONU e virar as costas para o pedido de ajuda humanitária ia ser desonroso para ele.
Aplausos.
─ Rajar também não está apoiando a guerra. Não pode e Jasper não tinha permissão para entrar na Maniza, por egoísmo o ditador a negou, só que suas outras acusações contra o meu irmão não são válidas. Jasper não é covarde e sua vida honrada falar por ele.
Mais aplausos.
─ Sei que estão com medo, mas todos vão estar bem e Isabella e eu vamos estar para vocês.
Edward me deu sua mão e eu caminhei para o púlpito, com ele ajustando o microfone para mim.
─ Não apoiei a ajuda humanitária dada por Suma para os cidadãos maltratados da Maniza, mas eu estava errada. ─ coloquei as mãos no peito. ─ É desumano deixar pessoas inocentes morrerem na miséria da ditadura e Suma está no meio de uma tragédia natural, mas a gente está se movendo para ajudar as vitimas da tempestade e minha terra natal continua não apoiando a guerra. Só, que vocês também são o meu povo e Edward é um bom líder. ─ o olhei.
Edward também me olhou e seu rosto estava mais leve.
─ Ele erra, mas assume seus erros e vamos levar vocês pelo melhor caminho que conseguimos.
Os sumaneses aplaudiram com mais força e assobiaram, mas a gente sabe que a instabilidade emocional da guerra vai criar mais dúvidas neles.
Entramos no palácio. Nossa equipe caminhou para o corredor lateral.
Estávamos sozinhos. Ele me abraçou.
─ Pedi para você não estar do meu lado. ─ falou baixo.
O abracei também.
─ E eu ouvi, mas não aceitei te abandonar. ─ respondi.
─ Suma...
─ Está com medo e a maioria vai falar palavras que machucam. Em Rajar também não vai ser muito diferente. ─ o cheirei. ─ A maioria vai achar que os abandonei e trai minha família, mas vamos estar um para o outro e vamos vencer nossos problemas.
Me abraçou mais.
Sorri devagar.
A gente se afastou e caminhou de novo, não se vendo mais por toda a manhã, mas ouvi muitas reportagens o condenando como se ele fosse um louco irresponsável.
Parei de escrever.
Suma cresceu muito nas mãos do Sultão Carlisle e Edward, só que um erro é suficiente para as pessoas esquecerem tudo de bom que meu marido tem feito pelo seu país ou do seu coração generoso e forte. Também ouvi as reportagens de Rajar e elas não são muito diferentes.
Para a maioria do meu povo os abandonei por “influência” de Edward ou o poder está “subindo” à minha cabeça e estou esquecendo minha origem.
Recomecei a escrever, mas, nada para por aí: a crítica internacional também está dividida o apoiando ou achando que vai ser mais violento que compensador quebrar a paz histórica de Suma. Só, que também estão criticando ou apoiando Rajar por não estar colocando na guerra sua força militar para ajudar os sumaneses e por vídeo chamada meu pai não escondeu sua indignação e preocupação com os problemas que eu trouxe para nosso país pela minha nova escolha:
─ Rajar mal está se levantado da guerra contra Alzan, mas seu comportamento irresponsável colocou a gente noutra! ─ ele bateu na sua mesa.
Tremi.
─ Edward abandonou muito por mim, não ia ser justo eu não estar do lado dele. Ele muito forte, mas não foi fácil para o meu marido falar com os sumaneses e se recuperando das marcas da guerra contra Alzan, Rajar não tem obrigação de estar com a gente contra Maniza. ─ levantei, caminhando na frente da câmera.
─ Não estou falando da vida privada de vocês. ─ grunhiu.
Parei.
─ Adoraria que não estivesse, mas meu casamento com Edward e problemas de governo sempre se misturam.
Papai expeliu o ar. Ele sabe que não estou errada.
Caminhei de novo.
─ Suma também tem outros aliados. Edward e eu vamos encontrar o melhor caminho para vencer e os rebeldes da Maniza são mais fracos que a força militar sumanesa.
Meu pai se acalmou mais, mas continua chateado.
Ele sentou. Sentei também.
─ Você é membro do nosso exército e ser Sultana de Suma não te coloca fora dele.
─ Eu sei, mas não estou reagindo no nome de Rajar e enquanto a gente não falar que estou os que assinaram o acordo de paz não vão ter motivos atacarem nosso país.
Levantou, colocando as duas mãos na mesa, com o rosto mais perto do computador.
─ A teoria é adorável, mas se entrei numa guerra contra Alzan para defender seu irmão acha que não vou entrar noutra para defender você?! ─ se agitou de novo.
Bateram uma porta na sua ala privada. Ele olhou para o lado.
Ouvi passos e Emmett apareceu na câmera também ── Mais um problema que eu não preciso.
Minhas mãos perderam o calor.
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