O Sorriso Do Palhaço

7 Capítulo 7 — O primeiro segredo


Notas iniciais
Depois de um ano sem postar, ESTOU DE VOLTA, BITCHES! *tira teias de aranha e é acertada por um tijolo*. Ah, desculpem pela ausência sem recados. O meu colégio é puxado, e entrei no Ensino Médio, já to indo pro Segundo Ano agora, o que significa que provável que fique mais ausente ainda. Mas quero que vocês saibam que não vou abandonar "O Sorriso do Palhaço" porque ela é minha obra prima. Minha fic favorita. Eu recebi duas mensagens neste meio tempo de leitores me procurando pelo meu hiatus inesperado e queria agradecer MUITO à Diwa (desculpe pelo 1 mês que não te respondi, as coisas ficaram feias aqui em casa) e à Pequena Flor. E à todos que continuaram lendo, comentando, recomendando mesmo comigo ausente. Obrigada mesmo. Sem vocês nada disso seria possível. Sem mais delongas, aproveitem, não revisei porque queria postar logo.

As assombrosas nuvens de tempestade ainda não haviam se dissipado do dia anterior. Continuavam pairando por sobre o circo servindo de empecilho para os raios de sol que custavam a iluminar o local, além de deixar os circenses temerosos e um tanto preocupados com a chuva, já que em caso de precipitação não poderiam treinar, e sem treino o show não seria o mesmo, e se o show não fosse o mesmo a possibilidade de desemprego em massa iria tornar-se realidade.

Enquanto muitos proletários faziam seus deveres diários ou treinos, a pobre escrava—de madeixas tão ardentes quanto o próprio fogo—lavava, passava e dobrava as vestes de praticamente todo o picadeiro. A tarefa tão repetitiva e entediante de arrumar aqueles trapos era executada sem qualquer ânimo, contudo podia-se ouvir a ruiva murmurando insultos referentes ao seu “mestre”, apesar de que algumas das frases as quais eram proferidas em baixo tom por ela, eram discussões consigo mesma em que ela divagava sobre como os olhos de Ulquiorra eram verdes ou sobre como o cabelo negro meia-noite dele combinava perfeitamente com sua pele tão branca. Em outras palavras, era o início de uma paixão sem qualquer possibilidade de recíproca.

— Aquele idiota, mimado, palhaço de casa mal assombrada, projeto de morcego, aquele, AQUELE… — com raiva a moça dobrava as peças de roupa as quais acabavam amassadas.

O barulho de passos na lama ainda molhada interrompeu os devaneios bipolares e agressivos de Inoue que, por sua vez, direcionou seu olhar para a origem do ruído que vinha em sua direção.

Os sapatos pretos e lustrados na medida do possível já revelavam quem era o dono dos passos moderados. A calça cáqui com a barra feita impecavelmente combinava como uma alma gêmea com os suspensórios pretos e a camisa social branca com os dois primeiros botões abertos.

Szayel.

Orihime olhou com surpresa para o rosto pálido e sério do estilista e logo abaixou seu olhar voltando a dobrar as pilhas de roupas à sua frente.

— O que você quer? — perguntou enquanto, agora, organizava as vestimentas com cuidado, não mais socando-as no cesto de qualquer jeito apenas para dizer que havia feito seu trabalho.

O rapaz cerrou os olhos dourados e ao invés de respondê-la, apenas jogou trapos cheios de lama na frente da garota que, com certeza, reconheceria os panos sujos.

A moça olhou de relance para a pilha de tecido imundo à sua frente que notou que “aquilo” no chão antes foram lindas peças de seda que uma vez estavam envoltas no corpo da ruiva tornando-a ainda mais bela do que já era. Obviamente isto fora antes da menina correr sem norte pela mata na chuva onde rasgou e sujou toda aquela seda que, muito provavelmente, era caríssima.

Envergonhada por ter destruído tão linda vestimenta, Inoue desviou seus olhos cinzentos receosos para as roupas que dobrava.

Szayel cerrou ainda mais o olhar com certa irritação. Virou os calcanhares e saiu deixando para trás um bilhete rasgado nas bordas e com garranjos os quais indicavam que o escrevera rapidamente. Após longos 7 segundos, os passos compassados e ritmícos do estilista não eram mais ouvidos, e tomada pela curiosidade que matou o gato, Inoue pegou o papel deixado com desespero para saber logo seu conteúdo.

Querida srta. Orihime,

Por meio deste indico minha mágoa no que diz respeito ao crime hediondo que cometeu com um de meus melhores vestidos o qual eu chamava de obra-prima. Estou irritadiço. Contudo, nosso trato ainda é válido. Acredito que esta minha inquietação passe no tempo de 2 dias, após este prazo peço para que venha me ver em meu vagão para discutirmos o que faremos em relação a seus novos machucados e seus trapos os quais chama de roupa. Não deixe o sr. Vosso Mestre tomar conhecimento sobre nós dois.

Com um pouco menos de amor e carinho, mas mesmo assim com saudações generosas,

Szayel.

Um pequeno sorriso singelo brotou nos lábios rosados da garota. Pelo menos ainda tinha um amigo no circo, apesar de ser a escrava desobediente segundo os melhores rumores—não citando os piores destes boatos os quais continham palavras de baixo calão e desrespeito quanto à imagem da pobre moça de cabelos brasas de fogo.

Um pingo d’água caiu sobre o bilhete borrando a assinatura de Szayel. Surpresa, Inoue olhou para o céu e percebeu que outra chuva já estava começando. Murmurou baixo um leve insulto quanto à sua falta de sorte quanto ao tempo, e pegou apressadamente as roupas dobradas e limpas do chão para logo correr meio atrapalhada para a cobertura mais próxima de si, a qual no caso era o vagão de Ulquiorra, seu—infelizmente—mestre.

Estremeceu com o trovão e raio que castigou a terra e derrubou as peças de roupa no chão de madeira com o susto. Respirou fundo contendo as batidas aceleradas de seu coração e fechou a porta do vagão para que a chuva não molhasse os aposentos do palhaço. Virou-se para pegar as peças de roupa as quais se espalharam pelo chão e ao catar uma camisa branca, algo tilintou ao cair no chão e saiu rolando pelas tábuas do trem; era uma moeda de ouro.

— Oh, droga! — sussurrou e passou a perseguir e procurar a dita peça de metal para que o dono da camisa não ficasse chateado com a perda de um objeto de tanto valor como aquele.

A peça rolava tilintando na madeira até dar de cara com um móvel e parar de se mover. Com alívio, Orihime pegou a moeda em sua mão e levantou-se satisfeita consigo mesma. Olhou atentamente o objeto em seus dedos e rodou-o, porém o mesmo caiu novamente, desta vez em cima da cômoda à sua frente. Deslizou pela superfície do móvel até ser parado por um porta retrato com bordas douradas e excesso de poeira o qual escondia a imagem capturada pela foto colocada ali.

Inoue pegou a moeda e guardou em seu bolso, contudo estava mais concentrada na fotografia encoberta por uma grossa camada de sujeira. Pegou o porta retrato e retirou a poeira que ali se fixara. À medida em que a imagem era revelada, os olhos da ruiva arregalavam-se.

A imagem ali capturada no papel lhe causava um susto um tanto que agradável. Nunca pensou que veria tal cena em sua vida. Era algo inacreditável para a garota—não somente para ela, na verdade, mas para todo e qualquer circense que conhecesse o pobre palhaço triste.

— O que você está fazendo aqui? — a voz rouca e grave fez com que Inoue se apavorasse tanto que deixasse o porta-retrato cair novamente no chão. Estava arrepiada pelo susto que Ulquiorra lhe pregara. — O era isto em sua mão? — disse, rígido.

— N-Nada. — gaguejou tentando esconder os cacos de vidro provenientes da foto no chão.

Ulquiorra cerrou seus olhos verdes esmeralda desconfiado da atitude da reles escrava a qual, pelo que pôde observar, estava mexendo no que não era de sua conta. Deu dois passos vagarosos na direção da moça a qual suava de nervosismo por ter sido descoberta em sua empreitada. Os orbes esmeralda passaram pelos cacos de vidro logo reconhecendo-os e olhando com certa raiva para Orihime.

— O que aquele retrato faz no chão? — aproximou-se ainda mais da garota. — Ele caiu sozinho? — conforme o rapaz chegava perto de si, Inoue conseguia cada vez mais perceber com detalhes cada feição do palhaço; a mandíbula rígida, os profundos olhos esverdeados, a pintura facial, o cabelo negro como a noite caindo perfeitamente sobre seus ombros, os lábios pintados de preto e branco, a camisa amassada, tudo nele lhe chamava a atenção, ainda mais depois de ver a foto. — Grimmjow veio aqui e resolveu quebrar minhas coisas? — o palhaço já estaça a um palmo de distância da pobre moça, agora assustada e não mais encantada. — Ou… foi outra pessoa? — a expressão séria e assustadora do rapaz agonizava Orihime para ela sair dali correndo, mesmo sabendo que não podia. — Hein? Mulher.

Por um breve instante que pareceu ser a eternidade e um pouco mais, os olhos cinzentos da moça encontraram os esmeralda do rapaz e eles ficaram se encarando. Os dele emitiam seriedade, indiferença e um tanto de raiva; os dela indicavam medo, terror, desesperança, contudo, por trás de ambos os olhares ainda havia a centelha de sentimentos gentis e afáveis que talvez crescessem para algo melhor.

Como se um interruptor se ligasse dentro de Inoue, esta por impulso tentou sair correndo em direção à porta do vagão. Se tivesse sorte, talvez pudesse correr longe o bastante para Aizen lhe notar e indicar outra pessoa para ser seu guardião. Alguém que não fosse Ulquiorra.

Bruto como uma pedra, o rapaz agarrou o pulso da ruiva fazendo com que a mesma, com o impacto gerado, caísse praticamente em cima do palhaço. Este segurou firme o braço de Orihime para que a mesma ficasse perto o suficiente dele para que sentisse sua respiração. As bochechas da escrava estavam rubras tanto pela aproximação quanto pelo esforço feito na hora de disparar em direção à saída. Seus olhos arregalados de pavor. Suor escorria por sua testa devido ao nervosismo. E seus lábios tremiam de medo. Uma vítima perfeita.

Os olhos do moreno estavam cerrados e sua mandíbula totalmente rígida, contudo antes que ele pudesse falar qualquer coisa, a jovem se pronunciou.

— Vamos. Me mate logo.

Ulquiorra não conseguiu esconder a surpresa e confusão em seu olhar, o que não passou despercebido pela garota ainda arrepiada e com medo do minuto seguinte.

— Você sempre quis isso, não é? Me matar. Se livrar de mim. Acabar com este fardo que Aizen te impôs quando cheguei. — indagava sem qualquer restrição ou qualquer hesitação em sua voz. — Então vamos logo com isso. Me mate. — ainda com seu pulso sendo segurado pelo rapaz, Orihime abaixou-se e pegou um caco de vidro que estava perto de si. Estendeu a mão livre com o caco para o moreno. — Garanto que ambos ficaremos felizes com isso. Você não terá mais de cuidar de mim e eu não terei mais de viver esse inferno. — apertou levemente o objeto cortante e um filete de sangue desceu de sua palma para seu braço. — Será muito melhor assim… Se quiser pode falar que eu me suicidei para não lhe causar problemas. — levantou seu olhar encontrando os orbes esmeralda do palhaço que continham confusão, surpresa e ainda um pouco de desesperança. — Vamos. — esboçou um pequeno sorriso de canto e ofereceu novamente a lâmina a Ulquiorra. — Pode fazer, só seja rápido, por favor. — o sorriso desapareceu e ela fechou os olhos esperando pelo fim.

E nada.

Apenas o som de algo caindo no chão.

O palhaço largou o pulso de Orihime—onde marcas de sua mão tinham sido deixadas—e cerrou os dentes com um pouco de frustração. Deu um passo para trás para dar espaço à própria moça que deveria estar chocada e ficou fitando-a com sua seriedade e nem tanta indiferença como antes.

Ao perceber que o fim não havia chegado para si, Inoue abriu seus olhos primeiro vasculhando seu redor para ver se encontrava Aizen ou Grimmjow; nada. E depois os orbes cinzentos pousaram em Ulquiorra, ali parado distante, com uma expressão fechada e sem caco algum em suas mãos. Sem sangue. Inocente.

Os olhos marejados da ruiva estavam tanto arregalados como assustados pelo rapaz ter poupado sua vida. Contudo, quando esperou um discurso sobre como viver é importante, recebeu nada além do duro silêncio vindo do moreno. Nada mais, nada menos.

Sem nenhuma palavra ser dita, Ulquiorra saiu do recinto com passos sem qualquer pressa e fazendo questão de pisar e quebrar o caco de vidro que antes fora uma arma a qual poderia tirar a vida da moça.

Deixada ali no silêncio e vazio do vagão, Orihime já sabia o que fazer. Prontamente abaixou-se e começou a pegar os pedaços de vidro quebrado do chão colocando-os em uma sacola de pano que havia ali perto. O corte feito em sua mão ardia um pouco, porém ignorou tal fardo para depois quando fosse ver Szayel, talvez ele pudesse tratar dela.

Após catar cada pedaço pequeno e significante de vidro, pegou o que restou do porta retrato e colocou novamente em cima da cômoda, porém agora estava sem a foto. Inoue pegou a imagem para si. O momento registrado ali era tão raro que queria guardar para que somente ela pudesse conhecer esse lado do palhaço triste. Poderia levar uma bronca do rapaz por ter roubado a fotografia, contudo ela tinha uma boa causa.

Ela queria ser a única pessoa no mundo a ver o sorriso de Ulquiorra na foto.

Estava sendo egoísta, sabia disto. Porém a tentação de ela e o moreno compartilharem um segredo só deles, o segredo de um dia ele já sorrira, era grande demais para ser ignorada.

Guardou o pedaço de papel em seu vestido e foi ver Szayel para falar sobre seu corte, agora tinha um sorriso no rosto, pequeno, porém alegre.

Porque ela e o palhaço agora tinham um pacto silencioso, um segredo para ninguém contar.

Algo deles.



Notas finais
Gostaram? Odiaram? Novamente, me desculpem por quaisquer erros de gramática e afins, acabei de terminar o capítulo e não revisei porque realmente queria trazê-lo logo para vocês. Me desculpem novamente pela ausência de um ano, espero conseguir fazer mais capítulos durante as férias. Obrigada por acreditarem em mim e me darem incentivo para continuar. Amo vocês, sério. Até a próxima.