O Soldado e a Sentinela - Guerra Infinita
7 O Amor é Escarlate
Notas iniciais

Wanda encarava os campos de batalha pela janela do laboratório. Estava lotado de guerreiros, de ambos os lados. Ela observava aflita, enquanto o confronto prosseguia. Por outro lado, ainda se mantinha firme e forte ao lado de Visão. Shuri estava quase terminando de religar os neurônios dele, ela só precisava trabalhar sem interrupções por mais algumas horas.
Ao mesmo tempo em que achava que seu dever era ficar no laboratório e proteger Visão de qualquer ameaça externa, ela se sentia mal por rejeitar o chamado dos companheiros de equipe. Ela poderia ajudá-los com seus poderes, e muito. Porém, Wanda ainda era muito insegura sobre si mesma e suas habilidades.
Ela fazia parte dos Vingadores há apenas três anos, era da “nova geração”, como Steve costumava chamá-los, junto com Sam, Rhodey, e o próprio Visão. E mesmo que tenha saído em muitas missões, e participado de inúmeros treinamentos, ela sabia que não tinha descoberto nem a metade da capacidade de seu poder. Não havia mais ninguém que ela conhecesse que podia fazer as coisas que ela fazia.
Visão foi a primeira exceção para essa regra. Ela o havia visto no momento de sua criação, e sabia que ele era especial desde a primeira vez que pôs seus olhos no androide. Claro, estando na faixa dos vinte e poucos anos, era bastante plausível que ela fosse uma garota que acreditasse em amor à primeira vista. Mas nem todas cresciam como ela cresceu. Sem pais. Tendo apenas Pietro como porto seguro. Se entregando voluntariamente para uma corporação nazista fazer experimentos em seu corpo.
Ela sabia que aquele era o único jeito de conseguir justiça por seus pais. Mortos por Stark. O que poderia acontecer para ela mudar de ideia e perceber que estava lutando pelos ideais errados? Quem sabe, encontrar uma certa garota desmemoriada em uma situação muito parecida com a dela, com a única diferença de aquela garota não estar passando por aquilo por vontade própria. Ou, talvez, um novo porto seguro.
Após a morte de Pietro, Wanda pensou que sua vida também tinha acabado. Nada poderia ser pior do que perder a única pessoa que ela tinha como apoio durante toda a sua vida. E então, ela dizimou Ultron, fazendo ele pagar por cada atrocidade que havia cometido. Naquele momento, sob uma flutuante Sokovia, ela tinha certeza de que iria morrer. Porém, foi quando Visão a salvou, lhe dando uma nova perspectiva de um futuro. Um futuro com ele.
Agora, todos os seus medos estavam sendo trazidos à tona, vendo o androide vulnerável daquele jeito, naquela mesa, correndo o risco de ser atacado a cada minuto, caso Shuri não se apressasse. Ela só queria que ele pudesse estar acordado durante esse processo. Ele poderia acalmá-la, como sempre fazia quando ela tinha crises de pânico. Tudo bem, podia ser um pensamento egoísta, levando em conta que quem precisava ser protegido era ele. Mesmo assim, ela preferia que ele estivesse acordado.
Ela se lembrava de ter essas crises no meio da noite, durante os encontros secretos deles, em Edimburgo. Várias lembranças de momentos ruins costumavam invadir sua mente durante seus sonhos. E Visão sempre estava lá para mantê-la calma e segura.
~~
Wanda despertou subitamente após ter outro de seus frequentes pesadelos. Ela havia sonhado com Pietro outra vez. Já era a terceira vez aquele mês. Neste sonho, ela havia encontrado o irmão em um lugar escuro, onde somente ele era visível. Ele dizia que ela havia sido a causa da destruição do mundo. Em seguida, o lugar começava a se iluminar e mostrar um cenário de caos e devastação. Várias pessoas estavam gritando e morrendo, tudo pelos poderes dela.
A Feiticeira sempre acordava ofegante, como se tivesse levado um susto. Se sentando na cama, ela deu de cara com o quarto na penumbra. Menos de um minuto depois, Visão, que dormia ao lado dela, já havia despertado e estava pronto para ampará-la. Ela sentiu as mãos do androide a segurarem suavemente, a trazendo para mais perto.
— Aconteceu outra vez? — Visão perguntou, usando um tom de voz baixo, propositalmente para ajudá-la a se acalmar.
— Cada vez fica pior. — Wanda respondeu. Ela estava chorosa e chateada, como sempre ficava depois de acordar de um pesadelo desses. — Não sei por quanto tempo vou aguentar isso...
— Vai ficar tudo bem. Isso vai passar. Um dia, estas lembranças não irão perturbá-la mais. — Visão respondeu, a abraçando mais forte.
Visão ainda era muito novo, literalmente. Ele havia “nascido” há apenas três anos, e ainda estava se familiarizando com as maneiras de comportamento humano. Mesmo assim, a que mais o intrigava era o amor. Algo simples, mas ao mesmo tempo tão poderoso, que era capaz de fazer alguém cometer loucuras por outra pessoa. Como, por exemplo, violar um tratado internacional e se expor ao perigo, apenas para vê-la.
Ele havia descoberto o amor com Wanda. Ela o ensinou a amar, e se permitir ser amado. Mesmo como ela não conseguia fazer isso por si mesma. Ela era extremamente insegura, acreditando ser capaz de ferir um número incontável de pessoas, caso se descontrolasse. O dever dele era mostrar que isso não era verdade. Ela era mais que apenas uma catalisadora do caos.
— Viz... eu tenho muito medo. Já estamos vivendo escondidos, com medo das autoridades, agora esses pesadelos vem me atormentando... — Wanda começou a desabafar, mas Visão a interrompeu. Ele já sabia exatamente o que dizer. Não era a primeira vez que a ouvia se autodepreciar.
— Você não é um monstro, Wanda. E não devia pensar isso de si mesma. — Visão disse, segurando o rosto dela, de modo que o virasse para encará-lo. — Você é como uma luz. Só precisa parar de repreender seu brilho e se deixar iluminar ao máximo. Queria que pudesse se ver como eu a vejo...
— Talvez eu possa... — Wanda respondeu, encabulada pelas palavras dele. Lentamente, ela ergueu uma de suas mãos e começou a usar seus poderes na joia na testa do androide.
Ela não podia reproduzir os pensamentos dele. Mas podia sentir o que ele sentia ao tê-los. E o que ela viu sobre ela mesma na mente dele... a fez se apaixonar ainda mais. As coisas que ele pensava sobre ela, o que ele sentia quando estava com ela...
Wanda aproximou seus rostos e tomou os lábios dele de forma delicada. A cada momento que passavam juntos, ela o amava mais. O jeito que ele a protegia até de seus próprios pensamentos ruins... não era justo que algo tão importante pudesse ser posto a perder por causa de um tratado estúpido. Quando estava com ele, ela sentia que finalmente podia ser ela mesma e se abrir completamente. Ela apenas desejava que aqueles pequenos momentos doces pudessem durar para sempre.
~~
Wanda não tinha certeza se Visão aprovaria que ela estivesse no laboratório com ele, ao invés de ajudar os companheiros na batalha, lá fora. Ele provavelmente a incentivaria a lutar, a diria que ela é capaz. Porém, ao mesmo tempo, ela lutava contra o medo de perder seu maior porto seguro. Aquela dor insuportável... ela não queria sentir outra vez. Contudo, se as coisas dessem errado... era melhor nem pensar nisso.
— Tem alguém chegando! O laboratório vai ser invadido, eu não posso parar de trabalhar agora, falta tão pouco! — Shuri exclamou, desesperada, implorando por ajuda enquanto se mantinha em sua missão.
— Eu vou dar um jeito nisso. — Wanda respondeu, caminhando até a entrada do laboratório. As faíscas vermelhas já estavam emanando de suas mãos.
A Feiticeira começou a disparar rajadas de poderes em direção às criaturas que insistiam em tentar entrar. Ela precisava segurar as pontas até Shuri terminar de retirar a joia. Estava quase terminando, um trabalho de tantas horas não podia ser arruinado agora. Contudo, ela pensava que se a situação já estava ruim no laboratório, deveria estar infinitamente pior no campo, literalmente.
*~*
A barreira de Wakanda havia sido aberta há poucos minutos e já fora suficiente para causar um cenário de devastação e destruição, acompanhado de muita pancadaria gratuita. Era como se todos tivessem que enfrentar quinhentos alienígenas por minuto. Não havia um metro quadrado sequer que não houvesse alguma coisa explodindo.
Aria estava lutando ao lado de Natasha. As duas estavam usando armas similares. Enquanto Natasha lutava com seu bastão energizado e seus ferrões, Aria manejava suas espadas de vibranium, em chamas, as duas dilacerando os corpos de qualquer alienígena que cruzava seus caminhos.
— Fala sério! Essas coisas vão continuar entrando por muito tempo?! — Natasha perguntou, enquanto dava conta de mais dois inimigos. — Parece que já matamos uns mil deles!
— Atrás de você, Marilyn! — Aria avisou, utilizando um de seus movimentos acrobáticos para saltar por cima de Natasha e cortar a cabeça do alienígena fora. Aquilo espirrou um pouco de gosma no rosto e no uniforme dela. — Caramba! Não sabia que ainda conseguia fazer isso!
Ela se referia às suas acrobacias. Realmente, desde o nascimento de Bex, ela não tinha se envolvido em nenhuma missão, então havia parado de usar suas habilidades especiais, como a alta flexibilidade. Quer dizer, ao menos, não em uma luta. Porque ela era conhecida por fazer aqueles movimentos em outro lugar... Bucky que o diga.
— Você deveria ver o seu rosto agora, ninja. — Natasha respondeu, sarcasticamente, fazendo um sinal com as mãos para Aria limpar o rosto. — Tenho certeza que meleca de alienígena pode ser tudo, menos saudável para a pele.
— Quando se é acostumada com as bombas atômicas da Bex todo santo dia, isso aqui não é nada. — Aria respondeu, usando seu melhor tom de ironia.
Logo as duas voltaram a se concentrar na batalha e continuaram a enfrentar o interminável exército de Thanos. Enquanto isso, em outra parte do campo, Sam e Rhodey estavam sobrevoando as áreas próximas à entrada da barreira, explodindo o máximo de alienígenas possíveis. Foi quando Sam avistou uma cena um tanto quanto preocupante.
Okoye estava sozinha, tendo que dar conta de quatro alienígenas ao mesmo tempo. Os quatro a atacavam com fúria, e não pareciam dispostos a parar. Ela era uma guerreira habilidosa e experiente, porém, mesmo com todas as habilidades do mundo, lidar com quatro ao mesmo tempo ainda era uma tarefa extremamente difícil.
Mesmo sabendo que ela não iria dar o braço a torcer, Sam voou até perto de onde ela estava, atirando suas bombas nos alienígenas que a atacavam. Obviamente, a reação dela foi de ficar extremamente furiosa por ele ter roubado suas mortes.
— Eu estava me saindo bem, não precisava de ajuda! — Okoye exclamou, apontando sua lança para ele.
— Aqueles quatro estavam prestes a te devorar de uma vez só! É, dava para perceber o quanto você não precisava de ajuda. — Sam respondeu, em um tom sarcástico e preocupado, ao mesmo tempo, pousando na frente dela.
— Quando isso acabar, eu vou fazer picadinho de você! — Okoye exclamou, acertando sua lança em um alienígena que vinha por trás, sem ao menos virar para encará-lo.
Contudo, também havia um vindo por trás do Falcão. A guerreira não hesitou em empurrá-lo para o lado e dar conta do alienígena, perfurando seu peito com a lança. Sam observou a cena, extasiado com os movimentos dela outra vez. Ela recolheu sua lança e voltou seu olhar para ele.
— Estamos quites, Homem-Pássaro. — Okoye disse, de maneira firme. Porém, havia algo a mais nos olhos dela. Algo como... gratidão.
— Se você quisesse me liquidar, teria deixado esse filhote de belzebu me matar. — Sam respondeu, questionando as atitudes dela.
— Não... só queria salvá-lo para que fosse eu quem vai te liquidar. — Okoye respondeu, voltando a correr pelo campo, enfrentando outros alienígenas.
— Ela ainda vai me amar... — Sam disse, para si mesmo, voltando a sobrevoar pelos campos e bombardear mais inimigos.
Em um local mais próximo da barreira estavam Steve, T’Challa e Bucky. O traje de T’Challa era impressionantemente útil, ele quase não precisava bater nos outros, bastava esperar que os outros tentassem atingi-lo, para que o traje se enchesse de energia cinética e explodisse os inimigos.
Steve e Bucky tinham que se virar com suas próprias armas, que também não ficavam muito atrás. O novo escudo de Steve era muito hábil, com sua ponta rígida que perfurava os inimigos com facilidade. A nova metralhadora de Bucky também dava conta do recado, capaz de disparar quase vinte mil tiros por minuto. E tiros potentes. Basicamente, o maior dos problemas deles era a quantidade absurdamente grande de inimigos. E apareciam cada vez mais, a cada minuto...
— Quase dá saudade de enfrentar os nazistas na Guerra, não é mesmo? — Steve perguntou, após chutar um alienígena para longe.
— Você está brincando? Eu enfrento mil vezes isso aqui do que ser obrigado a descer por aquela tirolesa congelada outra vez! — Bucky respondeu, brincando sobre a vez em que tiveram que embarcar no trem que carregava o Dr. Zola por uma tirolesa. Considerando o que aconteceu mais tarde naquele dia, aquele era um assunto duvidoso para fazer piada.
— É, ou andar na montanha russa do parque de Rockaway Beach... — Steve respondeu, lembrando da vez em que Bucky o obrigou a ir na montanha russa, nos tempos de quando ainda era um adolescente franzino.
Quando estavam prestes a voltarem a lutar, um alienígena maior, com um rosto pálido acinzentado, que utilizava uma espécie de capuz, entrou pela barreira e fez se ouvir sua voz por todo o campo.
— Vocês, meros insetos! — A voz dele era alta e grossa, quase como se usasse um emulador para fazer esse efeito. – Se rendam ao seu novo rei!
Contudo, a voz era tão alta, que ao ecoar pelo campo, não se mantinha tão nítida quanto para quem estava mais próximo. Então, os mais afastados podiam escutar qualquer coisa. Especialmente uma certa fã de boybands dos anos 90.
— “I Want It That Way”? – Aria perguntou, franzindo a testa e encarando Natasha. — Acho que tenho uma ideia para derrotar os líderes do ataque!
Sem nem esperar pela resposta da Viúva, Aria segurou suas duas espadas, uma em cada mão, com as chamas acesas, e correu para perto da barreira. Contudo, ela estava correndo e... cantando ao mesmo tempo. Não cantando exatamente, o que ela estava fazendo estava mais para gritar a letra da música.
Com esse feito, ela distraiu tantas pessoas, incluindo os alienígenas, que deu tempo para que todas as atenções fossem atraídas para ela, e os companheiros de equipe tivessem mais chance contra os seres extraterrestres.
De alguma maneira, essa ideia maluca estava funcionando. Natasha aproveitou para matar mais alienígenas distraídos. Logo, ela começou a acompanhar Aria e entrou no jogo, também cantando a música.
Não demorou para mais membros da equipe se juntarem à estratégia mais estranha de todos os tempos. Bruce, na Hulkbuster, tinha um autofalante, então aproveitou para usá-lo e cobrir distâncias mais longas. Isso foi bom, pois mesmo muito bem armado, ele estava tomando uma surra. Já era de se imaginar. O Hulk era bom de briga, Bruce era um cientista. “Bruce” e “batalha” eram duas coisas que não deveriam se misturar.
— Mas que desgraça é essa?! — O monstro de capuz, que até agora era o mais apto a ser o líder do ataque, perguntou.
— Qual o problema? Não gosta dos Backstreet Boys? — Aria, que já havia percorrido uma distância considerável, perguntou. — Vocês de outro planeta precisam aprender a ter mais cultura!
— E você precisa aprender a dobrar essa língua para falar com seres superiores! — Uma alienígena fêmea respondeu, se aproximando do companheiro de capuz.
Ela, de longe, era a criatura menos feia do recinto. Contudo, não deixava de ter uma aparência tenebrosa. Seus cabelos eram compridos e azul-escuros, e ela possuía chifres pretos que formavam uma máscara em volta de seus olhos.
— Sabe, ouvi muito falar que, caso seres extraterrestres existissem, eles seriam muito mais evoluídos a nós. Mas pelo que você está falando, acho que é o contrário. — Aria respondeu, debochando da inimiga. — Fala sério, papo de supremacia racial em pleno século XXI? Vocês acham que isso aqui é o quê? Período da escravidão ou do nazismo? Vão ter que voltar alguns aninhos no tempo, vocês chegaram tarde.
— Já chega! Glaive, vá atrás da joia! Eu mesma vou dilacerar essa humana irritante antes de Thanos sequer pisar nesse planeta! — A alienígena respondeu, completamente irritada, pronta para partir para cima de Aria.
A Wanda ainda está lá, ele nem vai conseguir chegar perto da joia. Caramba, parece que estamos aqui há horas, será que a Shuri já terminou? Aria se perguntou, se preparando para enfrentar a exótica mulher de outro planeta. Todavia, antes que pudessem sequer começar o confronto, uma rajada vinda da Hulkbuster acertou a alienígena em cheio, a jogando para longe. Aria olhou para o lado, e viu Bruce a apenas alguns metros dela. Ela acenou com a cabeça, agradecendo.
A batalha não havia terminado. Pelo contrário, estava apenas começando. Logo, Aria já estava destruindo mais criaturas com suas espadas flamejantes. Aquela era a batalha mais longa que ela já lutara na vida. Uma verdadeira guerra infinita. Nem nos tempos da HIDRA ela enfrentou tantos inimigos ao mesmo tempo. Realmente, uma missão dessas seria mais fácil para quem tivesse poderes, como Wanda.
— Como é que você está? — Ela ouviu a voz de Bucky perguntar, atrás de si, em um dos raros momentos de trégua.
— Estaria melhor se não tivesse que ficar com os braços erguidos a cada segundo. — Aria respondeu, sarcasticamente. — Mas fora isso, estou bem. E você?
— Vou estar melhor depois que isso tudo terminar e eu levar você para jantar em um restaurante de comida wakandiana. — Bucky respondeu, usando sua arma para atirar em três criaturas que vinham para cima deles.
— Me parece um encontro, e dos bons. Só preciso que espere que eu encare as pequenas Hiroshimas da sua filha e tire essa gosma nojenta do meu rosto. — Aria respondeu, cortando as caudas de duas criaturas fora, ao mesmo tempo.
— Você fica linda até completamente coberta de lama. — Bucky respondeu. Aria sorriu de lábios, pensando na ironia daquele momento. Até no meio de uma batalha, os dois não se desgrudavam.
Sendo um casal de fugitivos procurados, Bucky e Aria não faziam exatamente o tipo de pessoas que costumavam sair para muitos encontros. Isso nem mesmo nos tempos das viagens pela Europa. Era muito perigoso sair de casa, seria um desastre se alguém os reconhecesse. Por isso, as únicas ocasiões em que saiam eram para buscar suprimentos básicos.
Na Escócia, isso não mudou. E era ainda mais difícil, com a chegada de Bex. Contudo, houve uma vez em que Bucky tentou simular um encontro em casa, nas terras deles. Aria guardava essa lembrança com muito carinho, pois aquele havia sido um dos melhores dias da vida dela.
~~
Estava perto de anoitecer, e o frio já chegava para se instalar no vale isolado onde a família Barnes residia. Contudo, o frio seria a única coisa a permanecer a mesma durante aquela noite. Algo um tanto inusitado havia acontecido. Pouco antes do fim da tarde, Bucky havia pedido para Aria não entrar na cozinha pelas próximas horas, pois ele queria fazer uma surpresa.
Ela riu, imaginando que ele tentaria preparar o jantar sozinho. Mas o deixou tentar, já que estava curiosa para ver o que aquilo iria resultar. Desde que passaram a viver juntos, ela nunca havia deixado ele sozinho na cozinha, tinha muito receio que um desastre acontecesse. Pois bem, ela aproveitou esse período para dar banho em Bex, que havia passado um período considerável de tempo brincando no quintal de casa e estava com lama em cada centímetro do corpo.
Depois de secá-la, Aria a colocou para dormir ao som de “Quit Playing Games With My Heart”. Ela defendia a ideia de que músicas infantis, estilo “nana nenê” eram retardatárias no desenvolvimento de personalidade da criança, e de que ela deveria conhecer o que era bom de verdade desde cedo. Se Bex era parecida com Bucky em quase tudo, ao menos, ela havia herdado o gosto musical de Aria, pois músicas assim a acalmavam e a faziam dormir rápido.
Após Bex dormir, Aria aproveitou para tomar um banho ela mesma, para tirar o cansaço do dia. Quando ela entrou no quarto de toalha, para se trocar, encontrou Bucky segurando algo, que ele rapidamente escondeu atrás de si.
— Achei que você tinha se trancado na cozinha, Sr. Chef. — Aria disse, sarcasticamente, se recostando na porta.
— E tranquei, só vim buscar uma coisa. E é melhor eu sair daqui antes que você tire a toalha e eu perca a concentração. — Bucky respondeu, indo até a porta, sem mostrar o que havia nas mãos.
Antes dele sair do quarto, Aria resolveu provocá-lo para não perder o costume.
— Ei, Masterchef! Não se concentre muito. — Aria disse, abrindo brevemente a toalha, com um sorriso malicioso.
Ela riu, enquanto ele tropeçou ao tentar voltar para a cozinha. Mesmo assim, não deu para ver o que ele estava segurando. Vários minutos mais tarde, ele reapareceu no quarto, quando ela já estava vestida, e a pediu para vendar os olhos. Ela já estava achando a situação divertida, agora havia ficado mais ainda.
Então, ele a guiou pela casa, até retirar a venda dos olhos dela, no meio da sala de estar. Os olhos dela brilharam com o que ele havia feito. Ele havia arrastado a mesa de jantar até o meio da sala, ao lado da lareira, com o jantar já posto. Ele até mesmo havia feito uma decoração com luz de velas e as luzes de natal penduradas pelo teto.
Para o jantar, ele havia preparado os pratos preferidos dela. E haviam ficado realmente bons, ela até chegou a arregalar os olhos quando os experimentou. As coisas estavam perfeitas. Era como se nada, nem ninguém, pudessem estragar aquele momento.
Por fim, ele a convidou para dançar uma música romântica e melodiosa dos anos 40. Nos braços dele, ela não conseguia parar de olhá-lo nos olhos e corar, imaginando o que teria feito para ganhar tudo isso.
— Você me impressiona mais a cada dia. Estou começando a achar que não te mereço... — Aria disse. O brilho no olhar dela naquele momento era de alguém que estava sentindo o maior amor do mundo.
— Você merece isso e muito mais, amor. Você se manteve firme e forte, cuidando da Bex enquanto eu me recuperava. É a melhor esposa que um homem poderia ter. Você conversa comigo, consegue me fazer rir, sabendo das minhas dificuldades. Eu te amo muito. — Bucky respondeu, tomando os lábios dela em um beijo apaixonado. Segundos depois, ele entregou um pequeno objeto nas mãos dela, que saíram de seus ombros para ver o que era. — Eu esculpi isto há uns dias, enquanto via você brincar com a Bex no lago. Era para o nosso aniversário de três anos, mas a ocasião parecia boa demais para deixar passar.
Era um pequeno coração de madeira, com as palavras “Bucky & Aria (2015 – eternamente)”. Algo simples, mas mesmo assim, carregado de sentimentos. Aria o encarou de volta com os olhos marejados, sem saber o que dizer. Ela voltou a abraçá-lo, enterrando seu rosto no peitoral dele.
— Droga, James! Você me fala uma coisa linda dessas e eu estou aqui, igual a uma pamonha derretida, sem saber responder! — Aria disse, com a voz abafada por ainda estar com o rosto enterrado nele. Ele, porém, segurou o rosto dela com uma mão e o ergueu, fazendo-a voltar a olhá-lo nos olhos.
— Diga que me ama. Diga que me quer, e já vai ser suficiente. — Bucky respondeu, encostando sua testa na dela. Ela sentiu as lágrimas finalmente escorrerem por seu rosto.
— Eu te amo tanto que é capaz do meu coração explodir. Eu te quero tanto que posso ter abstinência se você se afastar muito. — Aria respondeu, sentindo que poderia desabar a qualquer instante. — Nunca me abandone, meu Soldado.
Aquilo foi o suficiente para ele beijá-la com desejo e intensidade, caminhando com ela até o quarto, sem se desgrudarem nem por um segundo. Aquela foi a última noite em que fizeram amor com vontade, antes de voltarem a Wakanda.
~~
Na batalha, as coisas estavam começando a piorar. Mais inimigos estavam surgindo, Wanda estava sendo obrigada a enfrentar um adversário forte no laboratório e os guerreiros das tribos e as Dora Milaje estavam começando a cansar. Contudo, as coisas sempre davam reviravoltas no final. Bem quando a batalha estava prestes a virar para favorecer os alienígenas, a solução caiu direto do céu. Literalmente, direto do céu.
Um raio colorido brilhante surgiu no meio do campo. Após se dissipar, a imagem de Thor, deus do Trovão, foi revelada. Obviamente, ele chamou a atenção de quase todos que estavam ali. Ele estava acompanhado de duas criaturas estranhas, que se assimilavam a um guaxinim e uma árvore. E nenhum dos três parecia exatamente contente.
— Tragam-me o Thanos! — Thor exclamou, se juntando à batalha.
Continua
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