O Soldado e a Sentinela - Guerra Infinita
12 Garotas só querem salvar o Mundo
Notas iniciais

Bex estava encarnando o modo cientista louca naquele momento. Após tirarem a van de Scott de um depósito abandonado, os Vingadores a transportaram até a sede, onde os mais inteligentes estavam trabalhando em um modo para abrir o portal quântico. Bem, os mais inteligentes, com a exceção de Tony. Ele ainda estava abalado demais para tentar alguma coisa.
Bex estava seguindo as instruções que Cassie dera a ela no futuro. E estava contando com a ajuda de Bruce, que, apesar de ser um dos cientistas mais inteligentes do mundo, ainda não entendia muito sobre o reino quântico.
— Certo. De acordo com as coordenadas que a Cassie me deu, é possível que achemos o tio Scott exatamente nesse ponto... — Bex explicava, teclando alguns dígitos no controle do túnel.
— E tem certeza de que ele vai voltar sem ferimentos e sem nenhuma sequela? — Bruce perguntou, preocupado com o procedimento.
— Isso eu já não posso prometer, tio Bruce... — Bex respondeu, com um sorriso de lábios destorcido. – Eu tô me sentindo o Dr. Brown testando o DeLorean aqui...
É claro que ela tinha que fazer uma referência em uma hora dessas. Ou não seria filha de Aria Barnes...
Bruce a ajudou a ajustar o timer no tempo certo, e a alertou a se afastar do túnel, pois ele podia emitir algum elemento perigoso. Após muitas tentativas, Bex e Bruce conseguiram trazer Scott Lang de volta. E é claro que o Homem Formiga saltou do túnel quântico completamente desnorteado e em pânico.
— Mas que viagem foi essa? Hope, você devia me tirar do reino quântico em dois minutos! — Scott reclamou, olhando em volta, percebendo que sua companheira Vespa não estava ali. — Hope? Hank? Janet? Onde é que eu estou?
— Eles não estão aqui, tio Scott. — Bex respondeu, com a maior naturalidade do mundo.
Scott tirou o capacete, olhando para a garota com uma expressão de quem estava tendo um mind blowing daqueles.
— Quem é você, menina? — Scott perguntou. — É amiga da Hope?
— Na verdade, sou amiga da Cassie, mas isso é uma longa história. — Bex respondeu. — Só me diga uma coisa, tio Scott... há quanto tempo você estava no reino quântico?
— Não sei, pareceram uns vinte minutos... mas por que está me perguntando isso, sei lá quem você seja? — Scott perguntou.
— Vinte minutos... na verdade foram vinte e três dias, tio Scott. — Bex respondeu, o ajudando a ficar de pé. — Rebecca Barnes, mas eu prefiro Bex. Sua filha meio que é minha chefe... mas é bom sentar antes de eu contar o resto, é uma longa história e eu prefiro evitar um desmaio aqui...
Scott sentiu que estava prestes a ter uma epifania. De onde havia saído aquela garota? E de onde ela conhecia Cassie, que até onde ele sabia, era só uma menina de onze anos? Bex, no entanto, estava começando a se aborrecer ao ter que explicar a mesma coisa várias vezes, para diferentes pessoas. Scott não parou de se indagar de onde uma adolescente de dezesseis anos conhecia sua filha de onze...
Até ela conseguir convencê-lo de que veio do futuro, levou um tempo. Para explicar sobre o reino quântico, mais tempo ainda...
— Espere um pouco, quer dizer que ficar subatômico é um meio de viajar no tempo? — Scott perguntou.
— É mais ou menos por aí, tio Scott. — Bex respondeu, quase soltando um suspiro de alívio. — Tio Bruce, pode explicar o resto da situação para ele enquanto eu chamo o resto da galera para a gente planejar o próximo passo?
A garota o deixou nas competentes mãos do Dr. Banner, indo procurar os outros. Na verdade, ela apenas saiu para não ser obrigada a explicar a situação toda de novo. Ela ainda era uma adolescente, se aborrecia facilmente com certas coisas...
Ironicamente, a primeira pessoa com quem ela esbarrou foi Tony. Esbarrou, literalmente. A garota tombou com o Homem de Ferro em um corredor, caindo no chão igual a uma jaca madura.
— Foi mal, tio Tony... quer dizer, Sr. Stark. — Bex se desculpou, se lembrando de como o temperamento daquele homem era difícil.
Ela se levantou, notando o quanto ele ainda estava abalado. E com razão. Nesse momento, ela havia acabado de atingi-lo em um ponto sensível. Quando Tony a ouviu chamá-lo de Sr. Stark, ele automaticamente se lembrou de que Peter Parker o chamava assim o tempo todo...
— Tio Tony está bom... — Ele respondeu, deixando-a chamá-lo pelo apelido afetuoso.
Entretanto, a situação era muito embaraçosa. Essa menina era filha dos Barnes. Tony havia jogado a mãe dela na cadeia e tentado assassinar seu pai. Era muito desconfortável ficar perto dela.
— Eu sei que você está mal, tio... mas podia fazer um esforço para nos ajudar a trazer todo mundo de volta. Poxa, você é tão inteligente... seria um desperdício não tê-lo na equipe. — Bex respondeu, tristemente.
— Desculpe, garota... eu não tenho mais estruturas para lidar com isso. — Tony respondeu, se afastando alguns passos dela. — Essa batalha me custou muito caro.
Por mais que a garota tenha vindo do futuro, e já soubesse de muitas coisas que aconteceram, ou que iriam acontecer, ela não tinha a habilidade de ler o pensamento das pessoas. E o que ela estava tendo que lidar, era um homem completamente quebrado após ter perdido muitos entes queridos. Ela o deixou ir, sem falar mais nada.
Mais tarde, naquela noite, após uma longa conversa, Tony e Pepper decidiram deixar a sede dos Vingadores. Ninguém gostou muito dessa ideia, mas não podiam força-los a ficarem ali e ajudar. No quarto, Steve estava conversando com Nat sobre o assunto.
— Sem o Tony, essa luta vai ficar mais difícil... — Steve comentou. — Seja lá qual for o plano da Bex, não sei se Bruce e Scott conseguirão dar conta.
— Também não podemos contar com a Shuri. As melhores mentes disponíveis já estão aqui, Steve... isso precisa funcionar. — Natasha respondeu. — Aquela menina é tão jovem e já está lidando com responsabilidades como viajar no tempo... ela me lembra de mim mesma naquela idade. Você tem conversando com Bucky? Como ele está lidando com essa situação?
— É bem óbvio, ele sente falta da Aria. Mas ele gosta de ficar perto da menina... é como se ela fosse um remédio para as dores dele. — Steve respondeu, em um tom aéreo. — Fico pensando... se isso tivesse acontecido com nós dois... Nat, se eu te perdesse...
Ela não o deixou terminar, pois já sabia o que ele iria dizer. Eles não tinham filhos. Se Nat tivesse sido uma das dizimadas pelo estalo de dedos, o que seria de Steve? Se mais uma pessoa que ele amasse fosse tirada dele?
— Não, Steve. É melhor nem pensar nisso. — Nat respondeu, de maneira firme, abraçando o Capitão. — Vamos focar no que realmente importa. Sam, Wanda, T’Challa, Aria... e metade da população do universo merecem justiça.
Steve assentiu, silenciosamente. No fundo, ele sabia que sua vida seria transformada em uma grande tragédia caso perdesse Nat também. E ele estaria se culpando mais do que estava nesse momento...
*~*
Após todos se reunirem para planejar o próximo passo, ir atrás de Thanos, e da localização das joias do infinito, Bex havia voltado ao laboratório, e estava andando de um lado para o outro, frustrada por não ter conseguido convencer Tony a ajudar.
Não tô acreditando que o tio Tony vai arregar! Poxa, logo agora que eu estava tão perto de salvar minha mãe! O que eu vou contar para a Cassie?! Bex pensava, perambulando de um lado para o outro. E então, ela retira uma fotografia de seu bolso, olhando-a com cuidado.
Bex carregava aquela fotografia consigo o tempo todo, e nunca a mostrou para ninguém. Nem mesmo para seu pai. A foto era dela mesma ao lado de outra menina, talvez uns dois ou três anos mais nova. A menina tinha olhos e cabelos castanhos, e pele amendoada. Atrás, tinha uma legenda que dizia: Bex Barnes e Morgan Stark – amigas para sempre.
— Se você estivesse aqui, talvez as coisas fossem mais fáceis... — Bex disse sozinha, enquanto olhava para o retrato de sua melhor amiga.
Por mais inacreditável que pareça, pelo histórico envolvendo seus pais, Bex e Morgan eram melhores amigas desde que se lembravam. Muito aconteceu por intermédio de Pepper, que incentivou Tony a deixar o passado para trás. O motivo de ela não ter voltado no tempo com Bex, foi principalmente por causa de sua idade. Na realidade de onde Bex veio, Morgan ainda tinha quatorze anos. Muito nova para esse tipo de coisa. Mesmo que ela já tivesse interesse em fazer parte do projeto como a Coração de Ferro.
Foi então que Bex se deu conta... ela havia prometido para si mesma que não iria mencionar Morgan para ninguém. Mas se Tony ficasse sabendo que tinha uma filha no futuro, e que essa filha iria querer que ele ajudasse a trazer os dizimados, incluindo a mãe de sua melhor amiga de volta, era possível que ele se convencesse. Bex precisava alcançá-lo antes que ele e Pepper deixassem a sede.
Apressada, ela correu para fora do laboratório. Contudo, um barulho peculiar chamou sua atenção. Um choro de bebê. Mas o que tá acontecendo? A mini-eu tá abrindo um berreiro e cadê o pai para acalmar a coitada?! Ela pensou, franzindo a testa e indo atrás do barulho.
Após muito andar, ela finalmente chegou no quarto onde Bucky estava instalado. Ao contrário do que ela havia pensado, a bebê não estava sozinha. Bucky a ninava em seus braços, tentando acalmar o choro. Entretanto, não parecia estar dando muito certo...
— Pai... precisa de ajuda? — Bex perguntou, quando o viu naquela situação complicada.
— Ei, garotinha... pode ir, eu cuido disso aqui. Você já tem coisas demais para se preocupar, não precisa cuidar de você mesma. — Bucky a tranquilizou, sem muito sucesso, pois a garota não saiu do quarto.
Ela caminhou em sua direção e pegou a menina em seus braços. Enquanto balançava a si mesma em seus braços, ela começou a cantar uma música. Uma das preferidas de Aria, obviamente. A menininha, aos poucos foi se acalmando, e logo voltou a dormir. Bex a deixou delicadamente em cima da cama.
— Sua mãe costumava fazer isso antes de você dormir... ainda na nossa casa. — Bucky disse, se sentindo um trouxa por não ter lembrado disso quando sua filha começou a chorar.
— Pois é... a mãe era famosa pelo gosto musical... — Bex respondeu, ainda olhando para sua versão infantil. — Sabe... eu me lembro dela cantando para mim... pouco, mas lembro.
Outro silêncio pairou entre os dois. A imagem dele não mudara tanto, afinal. Bex via o quanto ele estava abatido e cansado. Contudo, ela também estava. Principalmente frustrada, por seus planos não estarem dando certo.
— Sem a ajuda do tio Tony isso vai acabar demorando muito mais... — Bex reclamou, quase de maneira inaudível. — A menos que a gente roube a manopla do cara de escroto roxo...
— Sabe que se seu tio Steve te pegar falando desse jeito, ele vai te passar uma bronca, não sabe? — Bucky perguntou, repreendendo a filha por ter dito um palavrão. — Não que uma boca suja importe muito... levando em conta o que está acontecendo.
— É porque ele não escuta as coisas que a tia Nat fala quando ele não está perto... — Bex respondeu, em um tom de brincadeira. Porém, ela logo voltou para o estado sério. — Bem, pelo menos eu consegui trazer o pai da Cassie de volta...
— Pode parar por aí, garotinha. Isso ainda não acabou, você me ouviu? Não acaba antes que possamos trazer sua mãe e os outros de volta. — Bucky respondeu, pondo uma mão no ombro dela.
— Acho bom que vocês Vingadores tenham habilidades furtivas muito boas, porque vamos precisar roubar muita coisa para o meu plano dar certo. — Bex respondeu.
*~*
No outro dia, a equipe restante saiu na missão para recuperar a Manopla do Infinito, juntamente com as seis joias, no planeta onde Thanos estava exilado, de acordo com Nebulosa. Bex estava torcendo para a missão ser bem sucedida, ela não estava querendo contar com mais viagens no tempo, bagunçando toda a realidade do universo.
Ela estava se perguntando, o que diabos ele havia feito com as joias? Em sua realidade, ele nunca as usou outra vez... não podia ser coisa boa. Até que, quando o confronto finalmente aconteceu, Thanos revelou que havia usado as joias justamente para destruí-las.
Naquele momento, as esperanças de todo mundo foram jogadas pela janela. E Thor fez o que todo mundo ali estava com vontade de fazer. Decapitou Thanos sem dó nem piedade. Contudo, o titã realizou uma última desgraça antes de morrer.
Ele agarrou o braço de Bex. E no momento que fez isso, o dispositivo o qual a garota usou para viajar no tempo foi ativado, fazendo-a desaparecer em pleno ar. E então, ela apareceu em sua realidade, quinze anos na frente, exatamente de onde tinha saído. Do laboratório da sede dos Novos Vingadores. E Cassie Lang estava lá, como se somente um segundo tivesse passado.
— Bex, o que houve? Você conseguiu? — Cassie perguntou, nervosa, se aproximando da mais nova.
— Não, Cassie. Deu tudo errado! — Bex respondeu, em um tom infantil frustrado, de quem estava prestes a chorar.
Cassie suspirou, decepcionada, enquanto Bex contava o que havia acontecido. Ela contou sobre o contato com os Vingadores, e sobre ao menos ter conseguido trazer Scott de volta.
— Então, o meu pai... está de volta? — Cassie perguntou, emocionada.
— Ele foi o único que eu consegui salvar antes que aquele Thanos cara de escroto quebrasse meu equipamento quântico. — Bex reclamou.
Cassie abraçou-a, como forma de agradecimento por saber que Scott estava vivo. Após soltá-la, a Lang parecia determinada.
— Não vamos desistir, ok? Vamos trazer sua mãe e todo mundo de volta. — Cassie respondeu, dando meia volta. — Vou mandar chamar a Morgan, vocês duas tem muito trabalho para fazer, consertando o equipamento quântico.
*~*
Após Cassie pedir para Morgan ir até o laboratório, ela e Bex começaram a trabalhar na recuperação do equipamento quântico. Aparentemente, Thanos havia feito um estrago dos feios ali, pois até Morgan estava um tanto impressionada.
— Caramba, Bex... isso aqui tá uma caca! — Morgan reclamou. — O que você fez com meu protótipo de transporte temporal? Foi esmagada por um elefante?
As duas estavam bastante ocupadas consertando a pulseira que possibilitava viajar no tempo. Os compartimentos das Partículas Pym estavam danificados, assim como os botões de ida e volta.
— É, quase isso... se você visse o tamanho daquele Barney de esteroides, saberia do que eu estou falando... — Bex respondeu, mexendo nas nanopartículas da pulseira. — Eu não sei como foi que ele não me quebrou, isso sim.
— Acho que é a primeira vez que eu te vejo com medo. — Morgan comentou, observando o quanto a melhor amiga estava com o semblante tenso. — Você sempre foi a mais corajosa. O que aconteceu no passado para te deixar assim, Becca?
Morgan era a única pessoa que chamava Bex de Becca. Ao menos, a única pessoa que tinha permissão para chamá-la assim. Bex não se importava de ser chamada de Rebecca, que era seu nome verdadeiro, mas não suportava que a chamassem de Becky. Ela sempre pensou que ficaria como uma espécie de “dupla sertaneja cafona” se a chamassem assim... afinal, o nome de seu pai era Bucky.
Porém, entre todos os apelidos, preferia mesmo ser chamada de Bex, por esse ter sido o apelido que sua mãe lhe deu desde recém-nascida. Era o contato mais próximo que ela podia ter com Aria agora...
Ainda sim, deixava Morgan a chamar de Becca, por ser uma memória afetiva da infância das duas. Quando se conheceram, ainda pequenas, Morgan tinha o hábito de chamá-la de Becca, pois sempre que tentava pronunciar seu nome, saía mais parecido com “bezz”, que outra coisa. Então, acabou pegando até os dias atuais.
— Eu vi muita coisa, Morgs. Ver a versão mais jovem do meu pai, e me ver como um bebê foi bizarro. — Bex respondeu. — Mas ver o monstro que matou a minha mãe foi mais bizarro ainda...
— Que chato... se pelo menos eu estivesse lá, poderia ter sido diferente. — Morgan tentou argumentar, porém foi interrompida pela outra garota.
— Não, já falamos sobre isso. Você ainda é muito nova, não pode correr esse tipo de risco. — Bex a cortou, sem deixar que ela se estendesse muito no assunto. — Já foi decidido que apenas eu iria usar essa coisa...
— Não fale como se fosse uma anciã, você é só dois anos e meio mais velha que eu. — Morgan a repreendeu. — Mas eu entendo... é muito mindblow para eles se nós duas aparecermos dizendo que somos do futuro. Por mais que você não sobreviva muito tempo sem minha mente brilhante.
— Sua palhaça... — Bex respondeu, a empurrando de brincadeira. — Vou sentir sua falta quando eu voltar para lá.
— Eu te amo mil milhões, sua punk... — Morgan respondeu, segurando o ombro da amiga de maneira afetiva. — Certo, precisamos terminar isso antes que outro desastre aconteça.
E as duas trabalharam a noite toda para conseguir consertar a pulseira quântica. Quando conseguiram, após muito trabalho duro, e após acoplarem outro par de Partículas Pym para que Bex pudesse ir e voltar, Morgan ainda lhe deu o manual de instruções de como fabricar outras daquelas pulseiras.
— Eu inventei esse equipamento, mas meu pai vai saber o que fazer com isso aqui... — Morgan disse, colocando o manual dentro do traje da mais velha. — E vocês têm o tio Scott agora, vai dar tudo certo. Ele pode ajudar a fazer mais partículas.
— Não é por nada não, mas não é muito mais fácil eu levar as partículas daqui do futuro? — Bex perguntou. — Vai ser muito menos dor de cabeça para todo mundo.
— Não ouse tocar nas minhas partículas! Cassie vai ficar irritada se ver que você sumiu com o equipamento da base, eu não vou me responsabilizar pela bronca que ela vai dar em você! — Morgan protestou, cruzando os braços.
— Então basicamente eu vou voltar no tempo para ajudar os Vingadores a voltarem ainda mais no tempo para recuperar as Joias do Infinito antes do cara de escroto roxo, esse é o plano B... — Bex indagou, ironicamente. — Vai ser fácil...
— Ainda bem que as regras não funcionam igual em “De Volta Para o Futuro”, se não, você estaria lascada. — Morgan respondeu, com uma rolada irônica de olhos. Antes da amiga partir, ela a encarou uma última vez. — Traz a tia Aria de volta, tá bem?
Bex estava com os olhos marejados. Estava prestes a embarcar novamente em uma missão perigosíssima, e iria sozinha. Basicamente, aquela era a última vez que via sua melhor amiga, do jeito que se lembrava.
— Tudo certo, vamos enviar a Bex para 2018 em 5, 4, 3, 2... — Morgan estava instruindo seus assistentes para calibrarem o portal em sincronização com a pulseira quântica de Bex.
— 2018? Mas você disse 2023! — Um dos assistentes protestou, desesperadamente.
Morgan ofegou, arregalando os olhos, literalmente correndo para impedir que Bex viajasse no tempo para a data errada. Contudo, foi tarde demais. Com o timer já programado, a garota foi transportada, sem que ninguém pudesse fazer nada para impedir.
— Ela foi para a época errada... agora ferrou tudo! — Morgan exclamou, extremamente preocupada.
*~*
De acordo com as coordenadas inseridas em sua pulseira, Bex deveria voltar para a base dos Vingadores, apenas alguns anos atrás. Entretanto, o que ela encontrou quando chegou lá, foi um local basicamente mórbido. Estava tudo vazio e escuro, como se não houvessem pessoas vivendo ali.
— Tio Steve? Tia Nat? — Bex os chamou, esperando que alguém viesse ao seu encontro. — Tem alguém aqui? Pai?
Ela continuou chamando por eles, enquanto caminhava alguns metros pela escura e silenciosa sede dos Vingadores. E, após alguns passos, ela encontrou uma figura muito familiar na escadaria no piso acima de onde estava.
— Steve, ela voltou! — A inconfundível voz de Natasha disse, ao pé da escadaria.
— Tia Nat... o que aconteceu por aqui? — Bex perguntou, subindo para o piso superior.
Ao se aproximar mais de sua madrinha, ela viu que suas madeixas ruivas haviam crescido. Porém, Natasha havia mantido o tom loiro nas pontas de seu cabelo. Segundos depois, Steve também apareceu. Ele havia voltado ao seu visual original, com cabelo e barba bem feitos. Fazia sentido, agora eles não precisavam mais se esconder.
— Bex... onde esteve nos últimos cinco anos? — Steve perguntou, preocupado.
— Cinco anos? – Bex perguntou, assustada. — Tio Steve... cadê o meu pai?
Steve e Natasha se entreolharam, como se estivessem a contar uma longa história para a afilhada. E Bex estava cheia de coisas em sua cabeça. Por que estava na época errada? O que havia acontecido no tempo em que ficou fora? E onde estava Bucky?
Continua
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