O Sol e A Lua

29 Quem tem a Majestade


Notas iniciais
Olá pessoal, como estão? Espero que todos bem! Aqui, depois de muito tempo, mais um capítulo pra vocês, e como sempre, muito obrigada!

Konoha amanhecera ensolarada e quente, um calor escaldante como nunca, e mesmo assim, várias pessoas deixaram o conforto de suas casas, para aglomerar-se nas ruas abarrotadas e sufocantes, para acompanhar as atualizações das batalhas da terceira etapa do Exame Chunnin; crianças eufóricas corriam pelas ruas, sem ater-se a nada e nem ninguém, muitas vezes chocando-se com os adultos pelo caminho, causando alvoroço.

No prédio onde ocorreriam as batalhas, a pequena arena passava por uma inspeção rotineira, para garantir as condições adequadas para um torneio amistoso, e as primeiras equipes já se encontravam no local; assim que os Genins começam a chegar sendo direcionados por seus senseis, os inspetores também vistoriam seus equipamentos ninja e suas identidades, algo incomum que nunca fora feito antes, mas em vista dos acontecimentos secretos dos últimos dias, necessário.

Quando o momento do início das cerimônias aproxima-se, as equipes mais aguardadas fazem sua aparição, e como se tivessem combinado tudo, vão chegando na ordem decrescente de sua classificação; os primeiros, o time de Suna, silenciosos e discretos, logo em seguida Sai, Madoka e Shino acompanhados de Kurenai, depois o novo Ino-Shika-Cho com Asuma. Então, quando todos estavam ficando impacientes e preocupados, a dupla que aguardavam ansiosamente fez sua aparição, caminhando tranquilos e sem pressa alguma, deixando todas as senhorinhas do mercado dar-lhes uma boa olhadela; os desejos de boa sorte e força encheram seus ouvidos, e foram recebidos com um enorme e brilhante sorriso da Hyuuga e do Uzumaki, que apesar de não querer demonstrar, alegraram-se e envaideceram-se com o apoio recebido.

Logo atrás deles, Kakashi trazia seu time recém reunido para o exame, Kiba aparentava indiferença diante do que via, mas no fundo, estava preocupado; Sakura, por sua vez, estava alheia a tudo, quase em um estado de transe, sem reagir a nada ou sequer prestar atenção aos seus arredores. Porém, Sasuke que acabara de acordar em uma cama de hospital, que nem recordava de como fora parar, estava em completa confusão, sem entender a ovação da população em cima da dupla, e ainda buscando compreender os fatos que seu sensei relatara-lhe mais cedo; além da estranha, para não dizer bizarra, atitude de Sakura com ele, ignorando-o e não dirigindo-lhe a palavra em todo o tempo, a não ser quando Kakashi pedira-lhe que contasse como terminaram a missão.

— Sakura?! — O Uchiha chama-a exasperado — Estou falando com você!

— Desculpe, o que disse? — Finalmente Sakura responde, mas seu tom e expressões demonstravam certa aversão.

— O que há com as pessoas? Por que estão tão agitadas por esses dois? — Sasuke questiona sem meias palavras, ansioso por uma resposta completa.

— Ah, isso! — A Haruno rebate incomoda — Hinata e Naruto terminaram a segunda etapa em primeiro lugar, mais especificamente, em meia hora!

— Como?! — Impaciente, Sasuke grita e nem percebe que assusta horrivelmente a garota.

— Ei, Sakura? — Kakashi, atento a tudo que acontecia com o Uchiha e tudo que ele causava, chama-a inesperadamente — Pode me ajudar com esses equipamentos? Precisamos classificá-los bem, para não correr riscos de eliminação.

— S-sim, vamos separá-los agora! — Agradecida e consternada, a Haruno abandona Sasuke sem uma resposta, apegando-se a chance de distanciar-se que Kakashi dera-lhe.

Naquela manhã, quando Sasuke fora transferido para o hospital de Konoha para ser despertado, e para que pudessem contar-lhe a história inventada para condizer com a alteração de memória feita pelo Genjutsu de Shikamaru e Sai, Kakashi fora o único a descobrir o incomodo de Sakura; e mais tarde, quando foram obrigados a reunir-se e caminhar como equipe, o Hatake dera-se conta de que não era apenas incomodo, era o mais puro e instintivo medo. Sakura temia estar próxima a Sasuke, e inconscientemente agia de acordo aos seus instintos, afastando-se o mais que podia e ignorando-o veementemente, falando-lhe apenas quando era absolutamente necessário; ela parecia não estar ciente, mas seus olhos arregalavam-se como pratos, sua respiração tornava-se audível e irregular, e bruscamente apertava-se as mãos, cada vez que o Uchiha tentava estar perto ou falava algo com ela. Kiba atribuía a atitude da colega a uma mágoa passageira, mas estava contente por agora ter mais atenção que o outro, pensando se assim poderia finalmente ter alguma chance; somente Kakashi com seus olhos bem treinados e seus anos a mais de experiências, dera-se conta da verdade que a garota a muito custo escondia, para manter Sasuke no escuro e não despertar nele suas verdadeiras memórias.

— Sabe, não é necessário permanecer aqui todo tempo. — Kakashi baixa a voz, para que somente ela possa escutar — É obrigatório estar em equipe apenas durante a abertura!

— Oh, neste caso eu… — Sakura pretendia dizer que iria falar com Hinata, mas detém-se antes de completar seu pensamento.

Hinata encontrava-se do outro lado da arena, longe da entrada, conversando com seus amigos e a Haruno não sabia como portar-se diante de sua nova relação, também desconhecia os limites que possuía, não sabia se os outros estariam cientes e como reagiriam; todas essas questões, paralisaram-na por instantes, afinal, ela era uma pessoa que costumeiramente causava discórdia e intrigas, e certamente qualquer um estaria alerta e descontente com sua proximidade. Percebendo o impasse dela, Kakashi alcança-lhe um pergaminho vazio, e diz para entregar a Kurenai do outro lado, isto não passa despercebido da garota duvidosa a sua frente, que sente os olhos enchendo-se de lágrimas, comovida; Sakura sentia-se ansiosa, insegura e até mesmo, com um pouco de raiva, não queria estar perto de Sasuke, e doía-lhe ter de falar-lhe quando necessário, porém não lhe restavam opções de onde fugir por uns momentos, e seu sensei dera-lhe um motivo para afastar-se.

Sabia que seria assim e estivera preparando-se durante todos os dias em que o Uchiha esteve desacordado, mas entre imaginar e viver, existia um abismo de emoções que ainda não podia controlar, principalmente o medo, agora tão presente em suas conversas; Sakura estava magoada consigo mesma e com Sasuke, que não pensara duas vezes em vender-se ao inimigo, sem importar-se de acabar ferindo alguém no processo, tudo em prol de obter poder sem esforço. Durante parte de sua infância, admirava-o por esforçar-se e tentar fortalecer-se sozinho, sempre buscando melhorar, isso atraíra-a e fora uma das qualidades que fizeram-na apaixonar-se pelo garoto; contudo, Sasuke havia mudado drasticamente, tornara-se egoísta e arrogante e queria a todo custo obter formas de ganhar poder por atalhos, nos últimos anos estava obcecado com isto, pulando etapas do seu desenvolvimento pessoal, ao invés de escalar degrau a degrau. No início, a Haruno fingira não ver, não queria admitir que ele estava errado, mas fora impossível não dar-se conta de suas intenções, logo após deixarem a Academia; Sasuke queria vingança contra o irmão mais velho, e a garota suspeitava que mais alguém estava em sua mira de ódio, e estava determinado a pagar qualquer preço por isso, não importando a quem ou o que sacrificaria no caminho.

— Kurenai-sensei? — A garota chama-a num fiapo de voz — Kakashi-sensei pediu que te entregasse.

Estendendo o pergaminho, Sakura entrega-lhe e volteia-se para ir embora, mordendo os lábios e recriminando-se mentalmente, por ainda não ser corajosa o suficiente, para enfrentar algumas situações de frente; queria acenar para Hinata, cumprimentá-la ao menos, queria falar com ela do mesmo modo que faziam na clareira, mas estava tão nervosa com a presença dos outros, e temerosa de agir contra a vontade da Hyuuga, que acabara acovardando-se.

— Sakura? — Contrariamente aos seus turbulentos pensamentos, Hinata chama-a em alto e bom som — Está tudo bem? Você parece nervosa.

Nada, absolutamente nada passava desapercebido dos agudos olhos de Hinata, que para muitos parecia alheia a tudo que ocorria fora do seu círculo de amigos e suas animadas conversas, mas que, na verdade estava atenta a tudo e todos que rodeava-os; a Hyuuga vira tudo que acontecera desde o momento em que Kakashi chegara com seu time, as expressões de pânico da Haruno fora o que mais chamara-lhe a atenção, principalmente quando ouviram Sasuke gritar-lhe por algo, fazendo-a encolher-se inteira instantaneamente. Hinata tencionava ir buscar Sakura, quando Kakashi interviera, e agradecera mentalmente por isso, ou poderia trucidar o Uchiha ali mesmo; mas agora, queria e devia focar-se em Sakura, a beira das lágrimas diante dela.

— Es-estou bem. — Sakura mente sem muita convicção.

— O que o Uchiha fez? — Naruto, quem estava pendente de todas as mudanças de humor de Hinata, captava tudo que lhe chamasse a atenção, por menor que fosse.

— Nada. — Sakura afirma, e logo decide dizer a verdade — Acho que está irritado um pouco, não sei dizer…

— Irritado? Com o quê? — Hinata pede, ficando alerta, talvez o selo não estivesse funcionando como deveria.

— Estive ignorando…, pelo menos penso que é isto. — A Haruno conta, encolhendo-se de ombros, não entendia Sasuke.

Quando estava pendente dele, dedicando-lhe atenção e afeto, irritava-se com ela e tratava-a mal, não importava quão cuidadosa fosse, sempre encontrava algo para criticá-la e desmerecê-la; agora que já não agia como antes, irritava-se igualmente, e inclusive passara a falar-lhe primeiro, coisa que nunca ocorrera.

— Por que não fica aqui com a gente? — Hinata sugere, intuindo como devia estar sendo difícil para ela.

— Eu posso…? — Surpresa, aliviada e agradecida, Sakura praticamente esmorece ali, diante de todos — Não quero atrapalhar, sabe…

— Está tudo bem, Sakura, pode vir. — Hinata acalma-a e passando as mãos por seus ombros, puxa-a para perto dos demais — Todos aqui sabem o que você fez para ajudar a missão, e sabem o que aconteceu, não há problemas.

— Obrigada. — Ela agradece, e ainda que não conseguindo expressar-se bem, a causa da angústia, explica-se — Não consigo estar perto…, acho que vou precisar de mais tempo… para me acostumar…

— Quando isso tudo acabar, vou te recomendar um trabalho diferente, então vocês ficarão separados por um longo período. — Hinata conta parte dos seus planos futuros, compreendia muito bem aquele desespero de ter de conviver com seu agressor — É o tempo ideal para ganhar experiencia, e vai ajudar a superar, acredite, o tempo cura tudo.

Contrariamente as expectativas de Sakura, que temia causar problemas e desconforto aos outros com sua presença, o grupo a recebera como se sempre fizesse parte daquele lugar, incluindo-a e aceitando-a sem reservas ou ressentimentos; entre eles, quem mais a entendia e solidarizava-se, fora Sai, quem entendia perfeitamente como era ser o único estranho, perdido entre vínculos já existentes, tentando encaixar e pertencer àquele maravilhoso e acolhedor ambiente.

Um pouco mais afastado, o time de Suna observava-os discretamente, prontos para agir como fora solicitado dias antes, e encantados com o desprendimento e alegria que envolvia aquele grupo tão inusitado de pessoas; dos três irmãos, Gaara era quem mais ansiava poder desfazer-se de seu disfarce, ansiava estar ali também, conversando e rindo junto a todos, fazendo parte de alguma coisa.

Na outra ponta da arena, Kakashi e seu time esperavam impacientemente que a cerimônia iniciasse, o sensei entediado sequer tentava iniciar qualquer conversa com os garotos, e tampouco preocupava-se com a crescente irritação de um deles; apesar disso, mantinha um olho atento em Sasuke e sua enorme carranca.

O Uchiha sentia-se desconfortável, tudo naquele dia estava sendo insuportável e estranho, a começar por quando acordara naquela manhã no hospital de Konoha, a história um tanto improvável ao seu ver, de como foram atacados por lesmas carnívoras durante a prova, razão pela qual ele estivera inconsciente; Sasuke não acreditara que apenas isto conseguisse deixá-lo naquele estado, mas diante de suas dúvidas, Kakashi dissera que as lesmas foram alteradas por um experimento de Mitarashi Anko, e por isso seus ferimentos foram tão danosos e profundos.

Depois, havia o estranho comportamento de Kiba e Sakura, que por algum motivo, estavam mais calados naquele dia, diferente do habitual, mas principalmente Sakura, era quem mais chamara-lhe a atenção; Sasuke dera-se conta assim que despertara, e não fora atordoado com suas constantes e irritantes perguntas sobre como ele sentia-se, desta vez a garota não perguntara nenhuma vez por seu estado, e mantivera-se mais afastada perto da porta do quarto, como se fosse sair correndo dali a qualquer momento. Sakura não falara nada, não perguntara nada, e inclusive, ignorava-o a todo instante, até mesmo quando lhe perguntava alguma coisa, levava uma eternidade para responder, e nunca dava uma resposta completa; agora o Uchiha via como a colega conversava e unia-se ao grupo do bastardo Uzumaki, naturalmente e como se ali fosse seu lugar, e por alguma razão desconhecida, isso enfurecera-o imensamente.

— O que aquela idiota está fazendo?! Vai nos prejudicar! — Sasuke sibila irracional, tentando conter sua raiva — Ela não tem de estar aqui? Vou buscar aquela…

— Parado! — Kakashi por fim fala com seu aluno, e não confiando que fosse ouvi-lo, segura seu braço empregando mais força que o necessário — Sakura não está atada a você ou a este time, e enquanto a cerimônia não começar, ela tem total liberdade de ir aonde quiser! E controle essa boca, a única pessoa que trouxe problemas ao time até agora, foi você!

Confundido com a agressividade na voz e no rosto do Hatake, além da força absurda que segurava seu braço, Sasuke atordoa-se por um momento, tentando entender o que estava acontecendo; apesar de ser seu sensei, Kakashi nunca se intrometera nos seus assuntos, desde que não estivesse relacionado com suas missões, tinham a liberdade de interagir como queriam entre si, ele não os obrigava a ser uma equipe unida e amigável, e não interferia em suas brigas e desacordos. No entanto, hoje o sensei saíra do seu papel tedioso, para o espanto do Uchiha, que nunca o vira tão sério e nem tão ameaçador, e como se não bastasse isso, Kiba parecia ter entrado em acordo com o Hatake e estava pronto para detê-lo também; o Inuzuka não compreendia totalmente a situação geral de seu time, mas sabia que deveriam ocultar o que ocorrera de Sasuke, como Kakashi instruíra. Também estava a questão de como Sakura vinha comportando-se, inusitadamente contrário a tudo que fora antes, e neste ponto Kiba compreendia bem o porquê, e estava disposto a ajudá-la como fosse preciso; por isso, quando o Uchiha fizera menção de buscá-la contra sua vontade, sua primeira reação fora a de interpor-se em seu caminho, e impedi-lo de chegar a ela. Antes que esta pequena contenda se transformasse em algo maior, o início da cerimônia de abertura é anunciado, fazendo todos os presentes voltarem suas atenções para a entrada da pequena arena, onde representantes das delegações e a comissão de Konoha entravam junto ao Sandaime; neste momento, todos os Genins reúnem-se de acordo com suas equipes e vilas, aguardando os pronunciamentos iniciais antes das lutas.

Sakura, que voltara a contragosto até seu time, parara-se entre Kakashi e Kiba, impondo a maior distância possível entre ela e o Uchiha, estava nervosa e não parava de apertar as mãos, quase estalando-as mediante a força imposta; em sua mente turbulenta de emoções negativas, competia por espaço o desejo de mostrar sua melhor versão, naquele dia seria sua chance de deixar para trás o estigma de tola e inútil. Estava tão concentrada em montar vários planos de ações, cada um para os diferentes oponentes que poderia ter, que nem vira quando o examinar principal entrara na arena; ela ouviu os cochichos das garotas, os risos indiscretos, e ergue os olhos curiosa, para encontrar um par de olhos tão igual e tão diferentes aos seus encarando-a.

— Nii-chan?! — Quase gritara, com os olhos muito arregalados, surpresa.

— Ele disse que não perderia por nada, a chance de ver os resultados do trabalho duro de sua irmãzinha. — Kakashi conta, rindo da reação da garota.

Agora, sim, ela parecia uma adolescente comum, que deveria estar preocupada apenas com passar mais uma prova de sua formação, sorrindo largo e descontraída, por receber o incentivo de alguém especial; toda tensão esvaiu-se, quando viu Sakumo apresentar-se, era como se o mundo devolvesse sua paz.

— Agora, daremos início a terceira etapa do Exame Chunnin, seus nomes serão sorteados junto ao de seus oponentes naquele telão ali, as batalhas continuam até que haja um vencedor, ou enquanto possam continuar lutando. — Sakumo inicia uma pequena explicação, sério e atento ao que deveria fazer — Uma equipe médica está a postos para atendê-los, e temos uma comissão de juízes e examinadores para o caso de haver empates, e lembrem-se, tratem estes simulados como uma batalha real.

Quando o Haruno encerra a explicação, o telão que citara antes acende, e vários caracteres aparecem, embaralhados e confusos, até que formem dois nomes, “sorteados” para a primeira luta; Kakashi, que o fitava diretamente, discretamente anui, ninguém parecia ter notado e poderiam seguir seguros por mais algum tempo.

— Para a primeira batalha teremos Hachibe Komitsu contra Uchiha Sasuke, o restante de vocês, dirijam-se para o segundo piso para iniciarmos. — Sakumo faz sinal para os dois rapazes aproximarem-se, e aguarda a arena ficar vazia.

Espalhando-se como bem queriam, os Genins e seus senseis ocupam o nível superior da arena, e como havia feito antes e agora com mais confiança, Sakura permanece ao lado de Hinata; não queria estar perto quando Sasuke retornasse, e não estava animada a seguir a conversa de Kiba no momento, em partes por que o rapaz dava sinais de querer fazer muitas perguntas.

— Hachibe não é aquele clã que controla abelhas? — Shikamaru pergunta, recordando tudo que havia estudado sobre os clãs dispersos das Cinco Grandes Nações.

— Me pergunto por ande andam, é raro que apareçam em qualquer coisa relacionada ao mundo Shinobi, o último relato foi há quase quinze anos. — Sai comenta, pensando em investigar aquilo mais tarde, não queria mais surpresas.

— Atualmente, estão estabelecidos em Uso no Tani, mas pode ser que tenham mudado. — Naruto revela, observando mais atentamente — Em qual delegação ele veio?

— Kirigakure. — Hinata fala, tornando a necessidade de investigação mais urgente.

— Agora, podem começar. — Sakumo anuncia, afastando-se dos dois.

Sasuke se afasta do outro jovem, não sabia que Jutsus ele usaria e optara por ser cauteloso, depois de todas às vezes que fora derrotado pelo Uzumaki, aprendera por fim a não subestimar nenhum oponente; pensara em atacá-lo com Taijutsu, para testá-lo, mas essa ideia logo teve que ser abandonada, quando o outro tem seu corpo todo coberto por milhares de abelhas, apenas seu rosto era visível naquela nuvem desforme.

A plateia fica impressionada, não esperavam por aquilo e certamente seria interessante assistir, Shino principalmente, deixara sua costumeira indiferença, para debruçar-se nas muretas de proteção, e assim poder ver melhor a luta; estudando outra rota, Sasuke pensa no que fazer, poderia usar o Katon, mais ainda não estava perfeito, assim que consumiria muito chakra. Decidido a dar um passo por vez, o Uchiha lança kunais e shurikens contra o oponente, e estuda seus movimentos já usando seu Sharingan; como suspeitara, seus ataques atingiram apenas as abelhas, que imediatamente começaram a fazer muito barulho. Quando pensara nisso, Sasuke deu-se conta que o atacar assim, era o mesmo que cutucar uma colmeia, as operarias sempre saiam a proteger a rainha, e ele somente as motivara; sentindo uma pontada de dor em seu pescoço, o Uchiha termina de fazer os selos de mãos, e cerca-se com um pequeno círculo de fogo.

— Você pode se sentir um pouco tonto em seguida, mas não passará a maiores problemas. — O rapaz se pronuncia pela primeira vez, tranquilamente.

Analisando o que ouvira, Sasuke decide que tanto pode ser um blefe, como também havia a possibilidade de ter sido ferroado com veneno, e considerando que deveria terminar sua luta antes de ficar impossibilitado, decide agir; no momento seguinte, Sasuke lançou contra o Hachibe cinco bolas de fogo maiores que ambos, e conseguira que o enxame se dispersara por instantes. Calculando que seria atingido de qualquer maneira, parado ou atacando, opta por atacar e assim, aproveitando-se dessa dispersão, precipita-se para o oponente e usa o melhor de seu Taijutsu; sua intenção era fazer com que o usuário e os insetos estivessem separados, nem que tivesse que levantá-lo no ar.

Imediatamente o enxame o perseguira e tentava atingi-lo tomando a forma de uma grande lança, tentando ser mais rápido, Sasuke ataca Komitsu obrigando-o a usar as mãos para bloqueá-lo; seu Ninjutsu era bom, mas o Taijutsu deixava a desejar, e assim o Uchiha ganhara vantagem e certo do que fazia, golpeou seu oponente seguidamente, sempre fugindo do enxame, que o atacava e tentava defender o Hachibe, e quando por fim conseguira acertar um golpe decisivo, os insetos dispersaram-se no momento em que o jovem caíra no chão da arena.

— O vencedor é Uchiha Sasuke. — Sakumo anuncia, depois de verificar as condições do outro jovem.

Uma equipe médica retira o jovem Hachibe da arena, mas tiveram que deter-se assim que deram os primeiros passos, pois Sasuke caia de joelhos, ofegante e com a visão turva.

— O que há, Sasuke? — Atento ao seu papel de examinador, Sakumo se obriga a perguntar.

— Eram venenosas. — Sasuke fala, sentindo uma imensa dor se espalhar por todo seu corpo.

— O veneno delas somente imobiliza, não causará nenhum dano sério. — Sakumo conta, sentindo grande prazer em poder dizer aquilo — Poderia deixar a arena? Precisamos continuar.

Sabia que o Uchiha era orgulhoso e jamais admitiria que estava sentindo uma dor absurda, e aproveitara-se disso para fazê-lo pagar cada ferimento e cada lágrima de sua irmã; assistira contendo o riso, enquanto Sasuke cambaleava sofridamente para juntar-se ao seu time.

Novamente, o telão pisca e novas letras aparecem, formando nomes para a seguinte batalha, e esse nome chama a atenção de toda comissão de juízes, e de todas as delegações presentes; deixando seus lugares com atitudes completamente opostas, os dois Genins baixam ao desgastado piso de pedra da arena. Os cochichos logo começam a aumentar e em questão de instantes, uma pequena aposta surgira, uns cogitavam que seria outro duelo desigual, enquanto uns poucos acreditavam que poderia ser uma revanche surpreendente; já um seleto grupo de pessoas, pensava se haveria tempo de ver algo.

— Não quer deixar o Akamaru de fora, Kiba? Sabe, eu gosto do cachorrinho. — Naruto questiona, vendo os dois aproximando-se.

— Não haja como se já tivesse vencido! — Kiba grita enfurecido.

— Você quem sabe. — Naruto dá de ombros.

— A segunda batalha, Uzumaki Naruto contra Inuzuka Kiba. — Sakumo anuncia, e logo afasta-se para dar a ordem — Comecem!

Diferente da luta anterior, o Inuzuka rapidamente faz sua transformação usando o Jutsu do homem besta, e então, assume a posição para um ataque usando o Gatsuga; a sincronia de Kiba e Akamaru é perfeita, eles rotacionam a uma velocidade impressionante, e nesta situação, já não se sabia mais quem era o garoto, quem era o cão. Mas mais impressionante que tudo naquele momento, era a calma e imobilidade do Uzumaki, desde que Kiba iniciara seu ataque, Naruto não se movera uma única vez sequer; sabia que o Gatsuga era um Jutsu muito poderoso, mas também sabia que Kiba ainda não o dominava completamente.

Esse era um Jutsu em que o usuário deveria ter completo controle da força e da velocidade empregada, além de aperfeiçoar sua pontaria, para não ter de repetir o ataque várias vezes como o Inuzuka estava fazendo agora; uma vez iniciada a rotação, seria muito difícil mudar a direção do ataque, somente em sua forma evoluída ou se o jovem Inuzuka tivesse treinado mais seu controle de chakra. Portanto, Naruto não movera um dedo ainda, aguardando que Kiba cansasse ou esgotasse seu chakra, o que não deveria demorar visto que a velocidade de seus ataques diminuía a cada segundo; ser um Shinobi não significava usar apenas Jutsus assombrosos e derrubar seus oponentes com uma força maior e melhor, era principalmente ser estratégico e inteligente, saber a hora certa de atacar e como atacar, além de conhecer suas próprias limitações.

— Não vai fazer nada?! Fique aí parado então, enquanto te estraçalho! — Indignado, Kiba joga uma pílula a Akamaru, e engole uma também.

Estava cansado, seus ataques não chegaram nem perto do Uzumaki, e para piorar o limite de duração de seu Jutsu estava próximo; Kiba queria vencer, nem que para isso tivesse que usar um método arriscado.

— Você vai danificar o crescimento dele, com isso. — Naruto avisa, agora assumindo que não poderia esperar mais.

Kiba havia dado a Akamaru uma pílula para repor o chakra e acelerar o crescimento, mas acontece que em condições como aquela, quando o animal ainda está em crescimento e o usuário não domina o Jutsu, a explosão de energia que o corpo não comporta, causa danos quase irreversíveis a rede de chakra, além da dor horrível que o pobre filhote sentiria; vendo isso, o Uzumaki decide terminar a luta, antes que algo pior aconteça aos dois, e depois, queria acabar logo com aquela fachada de Genin inexperiente, estava na hora de mostrar sua verdadeira personalidade, uma pequena amostra do que ele era.

Antes que a transformação fosse concluída, Akamaru foi preso em uma barreira oval simples, e imediatamente sua forma começa a retroceder a de um pequeno filhote, e logo adormece ali dentro; Naruto extraíra o chakra excessivo de seu corpo, e agora cuidaria de seu dono inconsequente.

— O que fez com ele?! Akamaru?! — Kiba se assusta, tudo ocorrera em menos de um minuto.

— Preveni que ele não pudesse mais andar. — Naruto conta, indiferente a se ele acreditaria ou não — Agora é a sua vez!

Um borrão alaranjado foi tudo que os demais puderam ver, e então, no instante seguinte, Kiba também estava inconsciente no chão, e ninguém entendia o que aconteceu ali; os Genins de outras vilas estavam aterrados, não havia ali uma gigantesca disparidade? Já um pequeno grupo de Konoha ria abertamente, e diziam entre eles que o companheiro demorou desta vez.

— O vencedor é Uzumaki Naruto. — Sakumo anuncia, e desta vez não consegue esconder o sorriso.

Os Shinobis de Konoha, principalmente os conhecedores do segredo, vibravam com aquele resultado, e então outra luta fora sorteada, e parecia que não ao mesmo tempo, graças ao timing; os dois que se cruzavam nas escadarias se olharam sorrindo, e com um carinho desinibido, rapidamente colaram seus lábios, para surpresa dos expectadores.

— Não se canse muito, Hina. — Naruto diz de brincadeira.

— Hyuuguinha, mostra pra eles! — Inesperadamente, Kurama assume o lugar de Naruto.

— Eu vou voltar logo. — Hinata ri bem alto, e termina de descer os degraus.

— A terceira luta, Hyuuga Hinata contra Fuuma Sasame. — Sakumo media entre as duas, antes de permitir que comecem.

Hinata assume imediatamente sua posição de batalha, os outros poderiam não ver ainda, mas seu Byakugan via perfeitamente as densas linhas de chakra saindo de suas mãos; agora restava descobrir como a garota usaria aquilo. A jovem Fuuma sabia que contra um Hyuuga, suas chances eram mínimas, mas esperava que ao menos pudesse fazer algo, e assim ela partira para o ataque, utilizando seus fios de chakra para controlar seu armamento ninja. Ela cercara Hinata com armas diferentes, atacando em pontos diferentes, enquanto se mantinha distante do alcance de suas mãos, tentava verdadeiramente achar uma brecha; no piso superior, os Genins de Konoha gritavam incentivos a Hyuuga.

Hinata encarava seriamente sua adversária, respeitava verdadeiramente o empenho dela em derrotá-la, e por isso mesmo, estava usando suas melhores defesas, e atacava-a com a mesma intensidade; aos poucos, a Hyuuga aproximara-se o suficiente da oponente, e pode utilizar o punho suave, e adicionando uma variação mais amena das sessenta e quatro palmas, encerra a luta, e como Naruto, não sofre um arranhão sequer.

— A vencedora é Hyuuga Hinata. — Sakumo diz, tão alegre, que deixa claro para quem era sua torcida.

Os participantes que assistiam às batalhas ainda aguardando sua vez, percebem então que existia uma vasta diferença entre o que sabiam a respeito dos Genins de Konoha, e o que estavam vendo em primeira mão; logo as lutas seguiram sendo sorteadas, deixando-os mais e mais nervosos. Madoka lutara contra Yumi e vencera com alguma folga, Shino enfrentara um adversário do som e também vencera sem muito esforço, mostrando que aqueles que levaram a sério os ensinamentos da dupla, melhoraram significativamente; Neji foi outro que nem precisou de muito esforço e logo venceu o garoto Shimura, que conseguira passar das eliminatórias para seu azar, e o Hyuuga também teve a sua própria vingança pessoal naquela luta. Logo Kankuro foi sorteado e lutou contra Misumi Tsurugi, um dos poucos Shinobis mais velhos de Konoha que ainda mantinham o nível de Genin, depois foi a vez de Ino e ela teve uma batalha rápida contra Shiin, também vencendo a ex companheira de Academia; Ryu teve o mesmo destino que os colegas contra o segundo membro da equipe do som, e por fim, o time inteiro de Aoba foi eliminado.

Shikamaru tivera sua vez em seguida, e na maior preguiça de sempre, pensando que poderia folgar bastante em seguida, terminou sua luta em minutos, após usar a possessão das sombras e fazer seu adversário bater a cabeça na parede; Sai não foi diferente, e seu humanoide trucidou as defesas de Masahiro, não houve tempo para o outro sequer pensar em como escapar, ele logo teve que desistir da luta, para não ser esmagado. Tenten tentou absurdamente e usou todo seu conhecimento contra Temari, e no fim, as duas terminaram empatadas, para a surpresa de todos, e por decisão dos juízes, elas passariam adiante, graças a perícia e habilidades que demonstraram ter, cada uma em suas respectivas áreas; Toshi enfrentou bravamente a Chouji, que pega a todos desprevenidos com sua desenvoltura, o próximo líder do clã Akimichi demonstra sua valia.

— A décima sexta batalha de hoje, Haruno Sakura contra Kin Tsuchi. — Sakumo anuncia, e desta vez, parecia preocupado.

Em seu lugar ao lado de Hinata, Sakura encolheu-se inteira, uma memória aterrorizante, um momento de pânico; até sentir os olhos preocupados de Sakumo recaindo sobre ela, a Haruno não queria fazer seu querido irmão fazer aquela expressão, não queria desperdiçar a confiança que conquistara, e não queria ser uma covarde nunca mais. Sakura desceu as escadas com o coração aos pulos, sentia suas pernas endurecidas, e respirar era difícil, talvez devesse ter tentado vomitar no banheiro quando teve tempo antes; ao parar a frente de sua adversária, Sakura sentiu um calafrio, a forma como aquela garota a estava olhando demonstrava o quanto estava irritada, e o quanto queria cobrar pelo ocorrido, a Haruno teve mede, até ouvir algo.

— Sakura, você consegue! — Inesperadamente, escuta o grito de Hinata a incentivando — Ponha-se firme Sakura!

Olhando para trás, Sakura viu Hinata e todo o seu grupo a incentivando, eles que sabiam de tudo, sabiam o que ela deveria estar sentindo, mas ainda assim, acreditaram nela; recebendo todo aquele apoio, a Haruno endireitou seus ombros, ela não era mais uma garota tola, podia fazer aquilo.

— Nem adianta se empolgar, vou acabar contigo e fazer pagar pela minha perna! — Tsuchi zomba enraivecida, queria vingar-se a todo custo.

— Pode tentar. — Sakura retruca, espantosamente mais calma.

Quando Sakumo deu início a batalha, surpreendentemente, Sakura partiu para o ataque primeiro, como Hinata fazia em seus treinamentos, obrigando sua adversária a recuar e se defender com senbons em uma mão, e kunais na outra; vendo o que a Haruno fazia, aqueles que permaneceram para assistir às lutas finais, não entendiam o que ela estava fazendo, atacando um adversário armado, com as mãos vazias. Eles somente não conseguiam ver também de onde estavam, a enorme quantidade de chakra em suas mãos fechadas, isso até Sakura encurralar Tsuchi e quando esta desvia no último segundo o punho da Haruno atinge uma parede, fazendo-a desmoronar em pedaços; é quando todos ficam boquiabertos, até mesmo seus companheiros de time não sabiam o que dizer.

— Isso! Continua Sakura! — Hinata seguia incentivando-a, e ficou tão empolgada quando a Haruno, ao ver esse primeiro golpe.

— Hinata é tão pequena, como pode gostar tanto de coisas violentas assim? — Shikamaru brinca, também impressionado com a destruição da arena.

— É o mesmo orgulho que tenho, quando você e Sai aprendem algo novo! — Hinata responde, sorrindo de orelha a orelha — Um sensei sempre está feliz pelo aprendizado dos alunos. Sakura, vamos lá, termina com isso!

Sasuke e Kiba, que despertara a pouco, ouviram tudo que o grupo dizia, e logo descobrem o que tudo aquilo significava, agora já não saberiam dizer o que era tão impressionante, o desenvolvimento de Sakura, ou o fato de ser Hinata quem a estava a treinar; já Kakashi assistia contente, a Haruno colher os frutos de sua sábia decisão, foi admirável de se ver, o quanto era outra pessoa.

Na arena, Sakura seguia atacando, não deixando tempo e nem espaço para a Tsuchi contra-atacar, e segue assim, até ter uma abertura melhor, e então ela desfere um poderoso soco, arremessando sua oponente longe; ninguém saberia dizer se Kin Tsuchi desmaiou pelo impacto da queda, ou pela potência do golpe, e leva algum tempo até que a própria Sakura perceba que venceu.

Quando Sakumo decreta sua vitória, cheio de orgulho e sem conseguir evitar, bagunçando os cabelos da irmã, Sakura derrama algumas lágrimas e sorri ao mesmo tempo; um sorriso tão grande, que seus olhos se fecham, e ela corre saltitando pela arena, sobe as escadarias pulando os degraus e então, comovedoramente, abraça Hinata e as duas são vistas rodopiando juntas, gargalhando alto. Eram somente duas garotas, todas aquelas garotas que lutaram ali naquela manhã, deveriam ser apenas garotas sorridentes, mas eram muito mais; elas eram como as flores, cheias de vida e beleza, mas com uma resiliência absurda, enfrentando as adversas crueldades do mundo Shinobi.

— Estou orgulhoso de você, Sakura. — Kakashi a elogia pela primeira vez, desde que se tornara sensei de sua equipe.

Neste momento, a garota arregala os olhos muitíssimo, não foi um elogio por seu trabalho, por seu desempenho, foi um elogio para ela como pessoa, e Sakura soube disso, pois o sensei tinha a mesma expressão que mostrava quando falava de Naruto e Hinata; seus olhos ficaram marejados e ela teve de conter-se muito, para não parecer uma chorona.

— Agora a décima sétima luta, a última de hoje, Rock Lee contra Sabaku no Gaara. — Sakumo anuncia.

Todos os olhos se voltam para a arena, Lee literalmente saltou do segundo piso, animado e ansioso, queria mostrar o seu trabalho de anos de dedicação, ele sorria calorosamente para o seu adversário, que sabia perfeitamente, era o Shinobi mais forte de Suna; Gaara estava nervoso, temia se descontrolar, mas também queria mostrar que não era somente um monstro Bijuu, que poderia usar sua própria força.

Quando a luta inicia, todos veem Lee atacando sem parar, numa velocidade estarrecedora, enquanto muros de areia defendiam seu oponente, não permitindo que nenhum de seus golpes o alcançassem; e no momento em que Lee percebe que seus ataques normais não funcionariam, olha para Gai, num silencioso pedido de permissão, que logo é atendido. É quando a situação começa a mudar, Lee retira de suas pernas duas tornozeleiras, e quando as joga no chão, deixa os demais impactados com o tanto de peso que esteve carregando todo aquele tempo; o estrondo só não impressiona mais, pois logo ninguém mais consegue ver Lee movendo-se, ele tornara-se um borrão verde correndo pela arena, e finalmente, seus golpes atingem Gaara.

Sua batalha agora iria a outro nível, Gaara tinha uma defesa perfeita, e Lee um poder de ataque extraordinário, e incansavelmente os dois se enfrentaram como iguais; um queria provar seu valor como ser humano, o outro queria ser reconhecido como Shinobi. Deste modo, aquela batalha que para os demais era uma simples escalada em suas carreiras, para os dois era uma batalha de conceitos, que determinaria suas vidas, e dariam tudo de si naquele momento; Lee recebe então outra permissão de Gai, e agora utiliza o seu Taijutsu secreto, elevando novamente o nível daquela luta. As horas passam, Lee não recebeu permissão depois que abrira o quarto portão, seria muito arriscado e imprudente, Gai nunca permitiria que ele fizesse aquele caminho sem uma razão irrefutável, mesmo que esse fosse o seu maior desejo; Gaara por sua vez, começava a ficar sem chakra, a areia mais densa que teve que usar para bloquear Lee, consumia demais e sua armadura de areia começava a desmoronar-se.

Os dois estavam cansados, exaustos e sem outro meio de vencer aquela luta, que não fosse recorrer a métodos arriscados e perigosos para eles, e para todos que assistiam sua impactante desenvoltura; os dois garotos sorriam encarando-se, reconhecendo a dificuldade de sua situação, mas sem querer dar-se por vencidos.

— Vou parar essa luta. — Sakumo interfere, depois de duas horas — Os juízes decidiram por declarar que foi um empate, e como os dois Genins demonstram grande valor como Shinobis, irão para a próxima etapa.

Uma enorme comoção toma conta da arena, era um resultado inesperado, mas muito bem-vindo, Naruto e Hinata, assim como seus amigos, que não sabiam a quem torcer, comemoraram emocionados; Lee merecia ser visto como alguém tão talentoso como os demais, e Gaara deixaria para trás o estigma de ser um monstruoso Jinchuuriki.

— Foi uma grande luta. — Gaara fala, aproximando-se de Lee e estendendo-lhe a mão.

— Realmente, obrigado por me encarar adequadamente. — Lee aceita o cumprimento feliz.

Nas últimas vezes que fizera aquele exame, os seus oponentes nunca o trataram como um adversário, sempre o menosprezaram por ser um simples usuário de Taijutsu, e riam-se dele quando viam que não usava Ninjutsu ou Genjutsu; foi a primeira vez que alguém, além de seus amigos, o tratava como alguém a altura e defendia-se verdadeiramente de seus ataques.

***

Pelas ruas de Konoha o resultado surpreendente chega aos ouvidos de todos, e a grande maioria de Genins da Vila que passara deixa os moradores alegres e festeiros; em uma churrascaria um pouco afastada do centro, um grupo grande comemora, barulhentamente alegres.

— Yoh pessoal! — Kakashi é o último a chegar — Quando estava vindo, recolhi esses três.

O grupo deixa de falar por um momento, vendo os três irmãos Sabaku’s ali, com dois deles parados desajeitadamente e tímidos, e Gaara que nunca fizera aquilo em sua vida, ergue uma mão acenando.

— Meu novo rival! — Lee, que a esta altura estava exultante, o puxa para sentar-se com ele.

— Vocês não vão querer ficar parados aí não é mesmo? — Naruto brinca, fazendo os outros abrirem espaço a mesa.

— Já passamos por uma prova juntos, não tem motivos para ficarem com um pé atrás conosco. — Shikamaru complementa, fazendo os dois relaxarem.

Quando Kankuro senta ao lado de Neji, Temari acaba ficando entre Shikamaru e Sai, e Kakashi ocupa um espaço entre Sakumo e Naruto, o primeiro abraçando a sua pequena irmã, e o segundo com um braço passado relaxadamente pelos ombros da namorada; Kurenai e Asuma também estavam ali, assim como Gai, Anko, Ebsu e até Ibiki, como nos velhos tempos, faltando apenas Itachi para complementar o quadro. Os garotos estavam animados, riam e conversavam alto, realmente apreciando aquele raro momento de descanso e alegria, Chouji comemorava comendo todo o churrasco que conseguia, Ino falava animada com Tenten, Sai e Shikamaru discutiam os muitos Jutsus vistos; e como Madoka e Shino ali no meio, os irmãos ficam um tanto perdidos, em meio aquelas pessoas tão barulhentas e sorridentes, mas aos poucos começam a interagir normalmente.

— Gaara, alguém viu vocês saindo? — Naruto pergunta, preocupado com seu disfarce.

— Não, fingi que estava irritado com os resultados e sai correndo, Temari e Kankuro fingiram que viram atrás de mim. — Gaara conta, para exasperação de sua irmã.

— A gente não fingiu, estávamos realmente preocupados! — Temari reclama, relembrando o pavor de pensar que Gaara estava em crise outra vez — Pelo menos poderia avisar a gente sabe?

— Eu achei que se falasse, vocês não iriam querer vir comigo. — Gaara confessa, surpreendendo os dois.

Kankuro e Temari se olham e suspiram alto, teriam que conversar mais com Gaara, para que ele entendesse que estariam ao seu lado, até nas coisas mais sem sentido que quisesse fazer; decidem que já que estão ali, iriam interagir com o grupo e provar que não seriam um problema, para o que quer que Konoha estivesse planejando para impedir o que viria a seguir.

— Vocês fazem sempre isso? — Temari pergunta, iniciando com o básico.

— Sempre que é possível. — Ino responde.

— Os teus colegas não vão vir? — Kankuro, sem saber, pisa numa pequena mina, quando pergunta isso a Sakura.

Tinha visto antes qual era seu time, e ficara confuso quando percebera que todos ali estavam com seus times, e somente ela estava sozinha, apesar de seu sensei estar presente.

— Kiba está emburrado por ter perdido, e Sasuke é “bom demais” para se juntar a nós. — Sakura responde revirando os olhos, para espanto geral.

— Por falar em Sasuke, você estava tentando dar uma lição nele? — Kakashi vira-se para Sakumo.

— Algum problema, Kakashi? — Sakumo responde com outra pergunta.

— Somente gostaria de saber antes, para estar atento as possíveis consequências. — O Hatake dá de ombros, pouco lhe importava, na verdade, mas tinha uma missão para cumprir.

— Que grupo de pessoas mais malucas. — Temari cochicha baixinho, vendo e ouvindo os muitos assuntos discutidos ao mesmo tempo.

— Ainda faltam pessoas aqui. — Shikamaru fala, atraindo sua atenção — Falta um sensei que está muito longe, faltam o padrinho de Naruto e o Hokage, e nossos pais.

— Como conseguiram juntar tanta gente diferente assim? — Atônita com a informação, olhando para os vários rostos alegres a sua volta.

— Foi graças àqueles dois ali. — O Nara responde, apontando para Naruto e Hinata, rindo e interagindo com todos igualmente — Eles são como um enorme sol, magnetizando e atraindo outros planetas, sempre foram assim, desde que me lembro.

Temari olha para os dois, tão tranquilos e relaxados, talvez alheios ao fato de serem pessoas tão queridas, e a inerente liderança que possuíam e exerciam, eram exatamente como sua mãe costumava dizer, pessoas que nascem com a Majestade, que não precisam tornar-se o que são por natureza; agora podia entender o fascínio e interesse de Gaara, e começava a prever um futuro diferente para Suna, se seu irmãozinho os seguisse como demonstrava querer fazer.