O Sol e A Lua
32 Impasse
Konoha estava agitada como nunca, músicas e comemorações alegres se viam e ouviam por todos os lados, e nenhum habitante parecia disposto a ir para casa tão cedo naquele final de tarde; não depois dos resultados impressionantes e inesperados dos exames Chunin. As pessoas se reuniam em grupos a falar entusiasmadas e eufóricas, sobre todas as batalhas vistas naquela manhã, em especial, as dos dois integrantes do time de operações especiais de Konoha; aqueles que até o momento tinham dúvidas, mesmo com os resultados assombrosos da etapa da Floresta da Morte, estavam abismados com o que viram.
Estavam tão absortos em suas análises e predições a respeito do futuro de Konohagakure, que sequer se detiveram a pensar, porque em algum momento daquele dia quente e ensolarado, os Shinobis que geralmente custodiavam as ruas da Vila, se ausentaram de seus postos, e em seus lugares, membros da temida ANBU encontravam-se agora; era um dia feliz que antecedia a prosperidade, não havia por que se exaltar por algumas mudanças, e para alguns mais atentos, que perceberam a alteração que ocorrera de forma sutil e silenciosa, isso era até bem-vindo, representava uma segurança maior para todos, afinal, Neko e Kitsune faziam parte da divisão, e tornaram-se sem querer, o maior símbolo representativo de sua força.
Longe dali, oculto pela densa floresta que circundava os muros de Konoha, vislumbrando aquele lugar iluminado e cheio de vida, os olhos ofídicos do homem brilhavam, repletos de cobiça e antecipação, conseguia sentir até mesmo o gosto do sangue que se derramaria, já ouvia os gritos desesperados e farejava o doce odor da morte; em breve, todas as suas forças estariam em seus lugares, então teria todos os tesouros que esteve buscando por anos, todos seriam dele eternamente.
Enquanto admirava as pequenas formigas que esmagaria, um clarão mais distante, no outro extremo da Vila, atrai sua atenção, então outro, e mais outro e mais outro, várias explosões ocorreram em sequência e as chamas já podiam ser avistadas desde ali, consumindo tudo; furioso, o homem sisea e volta seus olhos amarelados para o outro parado ao seu lado, tão confundido quanto ele.
— O que esses idiotas fizeram? Quem se atreveu a agir antes das minhas ordens? — Orochimaru exige, a fúria borbulhante a ponto de estalar.
— Não demos ordem alguma, Orochimaru-sama! — Kabuto afirma, temendo ser culpado.
— Vá e encontre quem foi, execute esse traidor! — Quem quer que fosse, certamente desejava conquistar seus espólios.
Sabia que suas “alianças” precárias e firmadas com benefícios incertos, em algum momento lhe renderiam problemas, já havia experimentado esse dessabor com Rasa, e agora mais alguém quisera arriscar-se; esperara por isso, seus objetivos eram valiosos em demasia, então, lhe restara somente contornar a situação e prosseguir para a seguinte etapa.
***
Subterrâneo de Konohagakure, sede secundária ANBU, duas horas antes.
— Comecem as medidas cinco e oito! — Naquele extenso salão, a voz suave da Tenente se escutou claramente.
— Sim, Tenente! — Imediatamente ao seu comando, um destacamento partiu.
Estavam há horas naquele lugar escuro e horripilante, ouvindo coisas que jamais imaginariam ouvir em suas vidas, tanto os mais velhos e experientes Shinobis, como os mais novos e recém integrados ninjas; o mais perturbador de tudo, o que viram ocorrer naquele local. E mais inquietante ainda, ver como os integrantes mais jovens da ANBU trabalhavam e descobrir quem eles eram; e depois que o espanto inicial diminuíra, todo o corpo Shinobi esteve abismado ao constatar que eles conheciam tudo sobre todos e cada um deles, e sabiam perfeitamente como os utilizar e utilizar suas habilidades.
— Quero uma equipe de usuários de Doton nesse desfiladeiro, façam contenções para prevenir desmoronamentos, e sejam discretos. — Marcando no mapa da parede, toda a extensão do desfiladeiro, o Tenente ordena.
— Sim, Tenente! — Mais um destacamento se prontifica.
Dessa vez, os membros ANBU’s do grupo, escolhem e selecionam alguns Chunins dentre o corpo Shinobi e os fazem segui-los, e sem demora, partem a cumprir as ordens recebidas; não havia quem os questionasse ou interpelasse, os temidos ANBU’s de Konoha os escutavam e seguiam imediatamente, e isso logo chama a atenção de alguns dos mais velhos e mais experientes, que sentiam seus egos sendo feridos diante daquela abismal diferença de tratamento. Para eles, com seus anos de serviços prestados, fora uma ofensa muito grande, presenciar como dois moleques que mal deixaram de molhar a cama, comandavam todo o poder militar e a força de uma Vila inteira; e isso tudo os enfurecera mais, porque eles os viam ser respeitados até mesmo pelo Hokage e alguns líderes de clãs, enquanto a maioria dos que estavam naquele salão, sequer poderia levantar a vista diante dessas pessoas.
— Não é insubordinação agora, não é? Que eles passem por cima da autoridade do Capitão da ANBU. — Expressando seu desgosto, Bekkou incita os demais.
Infelizmente, o número de indivíduos descontes com tal situação, era infinitamente menor do que havia suposto, e mais que isso, sua imprudente indisciplina, acabava de colocá-lo na mira dos membros daquela divisão, que diferente do corpo Shinobi da vila, tinham um senso de união e companheirismo muito arraigado; os ninjas mais próximos a Bekkou, sentiram um arrepio percorrer seus corpos, quando os ANBU’s olharam-no todos ao mesmo tempo. No silêncio que se fazia em seus lugares, fora possível escutá-lo nitidamente, e suas insinuações captaram a atenção, principalmente por que suas palavras venenosas, faziam menção ao julgamento que o Uzumaki havia solicitado contra o Uchiha, por insubordinação; então, quando Tenzou deixou seu lugar de observação e se aproximou de onde estavam a passos lentos, os demais ninjas se afastaram instintivamente de Bekkou, xingando-o mentalmente por atrair a atenção de alguém tão aterrador.
— Você não está satisfeito com o trabalho dos meus Tenentes? Por acaso, tem mais competência que eles? — Com olhos vidrados, Tenzou indaga, não queria uma resposta, queria somente ressaltar os fatos — Neko e Kitsune são a minha autoridade, que fique claro a todos!
O aviso não terminou em palavras, a hostilidade com que Bekkou passara a ser fitado, era palpável e sufocante, foi quando os demais Shinobis souberam que, diante das reformas bélicas em Konoha, o orgulhoso Chunin acabara de afundar sua carreira; aqueles que ainda pensavam ser possível burlar ou ignorar a nova hierarquia, descobriram que por seu próprio bem, o regramento deveria ser seguido à risca e sem imperfeições.
— Tenentes, estamos prontos. — Ajoelhando-se a sua frente, Mahi informa.
— E as gravações? — Fazendo uma anotação do horário no organograma da operação, Hinata questiona.
— Todas funcionais e prontas. — Mahi afirma de pronto.
— Então comecem as evacuações, em silêncio e sem causar pânico. — Naruto ordena e vira-se para os Shinobis presentes — Espero que todos tenham entendido suas funções, e se os moradores fizerem qualquer queixa sobre vocês mais tarde, o responsável preferirá estar morto, antes de eu o encontrar!
— Tenham respeito e paciência, são pessoas que estarão assustadas e sem compreender o que se passa. — Hinata complementa — A partir de agora, Konohagakure entra em estado de emergência!
Às suas ordens, os membros da ANBU se dispersam, e seguindo seu exemplo, o corpo Shinobi também, ainda que esses últimos, um tanto desorganizados e sem assimilar completamente tudo que ocorria; em seus postos designados, aqueles que estiveram patrulhando as ruas e os muros, assim como os vigilantes ocultos, cumprem a ordem de evacuação, gradativa e calmamente, os habitantes de Konoha vão sendo direcionados aos Bunkers subterrâneos de suas casas, e os Shinobis passam a circular pelas ruas em seus lugares. Dos alto-falantes, que deveriam soar o alarme de emergência, em lugar da longa e estridente buzina, soara somente o som da gravação de toda a algazarra de vozes, músicas e conversas que antes ressoavam por Konoha; com muito cuidado e em pequenas quantidades, ANBU’s iam abordando os moradores, explicando-lhes brevemente a situação de perigo iminente e fazendo-os abrigar-se pelas seguintes setenta e duas horas, e enquanto as grossas portas confeccionadas com inibidores de Chakra eram lacradas, os membros do corpo Shinobi iam se posicionando estrategicamente, como foram instruídos, para que seus inimigos não notassem a drástica queda de sinais, tanto vitais, quanto de Chakra.
— Já deve estar quase na hora. — Na sala do Hokage, Itachi observava a movimentação ir diminuindo pelas ruas.
— Sim, quase todos assumiram seus lugares. — Jiraya ia verificando a situação utilizando o Senjutsu.
— Você acha que as delegações darão problemas? — O Uchiha estava especialmente preocupado com Kirigakure.
— Creio que quando se derem conta do que acontece, vão abandonar o barco, não estão em condições de responder por isso no momento, pelo menos, não depois que os sete foram reduzidos a dois. — Jiraya analisa os fatos — E como Suna está cooperando, os únicos problemas serão os ninjas do Som e da Grama.
***
Sudoeste de Konoha, distrito residencial. Bunker 286, uma hora e meia antes.
Os cochichos e os suspiros eram audíveis, em todos os rostos, a tensão e a ansiedade se mostravam abertamente, e quanto mais os minutos passavam, mais a pressão crescia, tornando o ambiente já apreensivo, insuportável; uns poucos dentre os residentes abrigados ali, mais cedo, estiveram reclamando e fazendo questionamentos com certa impaciência, por conta da longa espera, o que causara uma pequena desordem e deixara aos demais exaltados. A situação voltara a tranquilidade, quando o próprio Sandaime revelara-se entre eles, e pedira que tivessem paciência e aguardassem que a vila estivesse em segurança outra vez, para que pudessem sair; o choque de descobrir que o Hokage estava abrigado também, conferira a seriedade e urgência que o momento pedia, fazendo que até mesmo os mais ranzinzas e impacientes moradores, estivessem quietos aguardando.
— O que você está segurando? — Sentado ao lado dos irmãos, Gaara pergunta ao pequeno menino.
Estivera a todo momento se entretendo com Temari e Kankuro, com alguns jogos que Naruto e Hinata lhes deram antes de enviá-los ali, para que Gaara não estivesse ansioso e não corresse o risco de entrar em crise justo naquele lugar; Naruto havia revisado seu selo, e até mesmo lhe fizeram tomar uma pequena dose de tranquilizante, para prevenir qualquer estresse que a atmosfera de incerteza pudesse causar. Portanto, enquanto as pessoas iam entrando e tomando seus lugares no Bunker, Gaara esteve concentrado em coisas tranquilas, ignorando o caos e a desordem do exterior, até o momento em que as enormes portas foram fechadas e lacradas; Kankuro e Temari haviam se oferecido para ajudar durante o ataque, mas receberam a missão de proteger e distrair seu irmão, tanto pela importância de mantê-lo em segurança, quanto por que eles certamente tornar-se-iam alvos, assim que fosse descoberto que estiveram trabalhando com Konoha; agora, quando o silêncio voltara a estabelecer-se, Gaara prestava atenção no local, com luzes de emergência espalhadas pelas paredes, uma área de provisões e inclusive, sanitários. Era incrível constatar o quanto Konohagakure esteve preparando-se para aquele momento, imaginar quão detalhadamente tiveram que antecipar-se e quantos milhares de coisas tiveram que considerar e supor, para alcançar aquele nível defensivo; claro, para os três Sabaku’s presentes, era fácil visualizar e encontrar a origem daquela preparação tão bem feita, principalmente, depois de conviver com eles todos aqueles dias, e ver em primeira mão, o tipo de pessoas que eram.
— São fotografias. — Imediatamente, Konohamaru abre o grosso álbum que trazia bem firme nos pequenos braços — Naruto-nii me disse para guardar enquanto ele e a Hinata-nee estão em missão, assim não fico com saudade deles.
— Você não parece muito com o Naruto, mas age igual a ele. — Após ver o menino todos aqueles dias, Gaara ainda não compreendia sua relação familiar — Ela parece com Hinata, em atitudes e aparência.
Quando o rapaz pontua isso, tanto Konohamaru quanto Hanabi gargalham, adoravam ser como seus irmãos, adoravam falar deles e do quão maravilhosos eram, e poderiam passar horas falando a qualquer um que lhes perguntasse sobre seus amados irmãos; e o Sabaku era uma das pessoas mais interessadas em ouvir tudo sobre eles, por isso, rapidamente tornara-se amigo dos dois pequenos.
— Hinata-nee explicou que somos diferentes por que tivemos mamães e papais diferentes, mas para ser família, o coração também importa. — Orgulhoso, Konohamaru responde, e mostra várias fotos a Gaara — Olha só, esses daqui são os papais do Naruto-nii.
— Naruto se parece muito com eles. — Impressionado, Gaara folheava o álbum do menino.
Em dado momento, Temari e Kankuro se uniram ao irmão, e passaram a olhar as preciosas fotografias do álbum que já estava quase todo completo, com adições da dupla e sua pequena família, seus senseis, seus amigos, em recordações tão inestimáveis quanto os sorrisos em seus rostos denunciava a cada fotografia batida; em uma das páginas do álbum, Gaara deixa de folhear, seus olhos esbugalham, um suor frio escorre por seu rosto e um medo horripilante volta a atormentá-lo.
— Esses… quem são esses…? — Sua pergunta quase não se ouve, de tão quebrada e ansiosa que sua voz soa.
— São meus papais, eles estão lá no céu, com os papais do Naruto-nii; minha mamãe também é linda, não, é? — Inocentemente, Konohamaru conta, olhando amorosamente os rostos de seus pais eternizados no papel.
Contrariamente ao que esperava ouvir, a concordância, as comparações que Gaara estivera fazendo antes ao Uzumaki e seus pais, o pequeno Sarutobi vira com espanto, o outro empalidecer e chorar fitando-o angustiado; quando Temari e Kankuro viram Gaara chorando, se assustaram de morte, não sabiam o que fazer ou como reagir, nunca presenciaram nada assim. De seu lugar, Hiruzen dá-se conta do que estava passando, e preocupado, aproxima-se deles para averiguar que tanto fora descoberto e o que fazer em seguida; surpreendentemente, Konohamaru age antes que seu avô, e com uma pureza genuína, abraça Gaara, consolando-o e curando de sua culpa.
— Vai ficar tudo bem agora. — O menino repete as palavras que Naruto lhe dissera ao revelar-lhe aquilo — Os malvados vão ser punidos e ninguém mais vai ser machucado, não foi sua culpa.
Enquanto Gaara soluçava baixinho, mantendo a cabeça baixa e deixava ir embora suas mágoas e ressentimentos, o pequeno Sarutobi tranquiliza-o dando-lhe suaves tapinhas nas costas, e seu gesto logo é seguido por Hanabi, que desejando fortemente que tudo acabasse bem, cantarola as melodias das canções de ninar que a irmã cantava ao colocá-los na cama todas as noites; aqueles dois pequenos inocentes, entenderam a dor e sofrimento de Gaara, e com toda pureza de seus corações e almas, queriam vê-lo bem. Naruto e Hinata já lhes explicaram que o Sabaku fora obrigado a fazer coisas terríveis por pessoas malvadas, que ele sofria sozinho e que não tivera ninguém ao seu lado durante muito tempo, para protegê-lo; simples e sinceramente, explicaram o que havia acontecido entre ele e os pais de Konohamaru, e graças a que a dupla conscientizava os pequenos dos perigos, das desigualdades e injustiças do mundo sempre que tinham oportunidade, e quando se fazia necessário, as crianças compreenderam que Gaara era somente uma criança como eles, e que não tivera a chance de escapar dos monstros que o aprisionavam.
Fitando-os enternecido, o Hokage conclui que tudo ficaria bem, sem que tivesse que intervir e que não existia ou surgiria nenhuma mágoa entre os dois. Quando Naruto lhe escrevera informando haver dito a verdade ao pequeno, o velho homem temera que o choque da descoberta pudesse prejudicar o frágil emocional de Konohamaru, e que o pequeno terminasse por odiá-los, ou que dirigisse seu ressentimento a Gaara e toda Sunagakure; no entanto, agora Hiruzen percebia que o amor incondicional de Naruto e Hinata, e a sinceridade com que sempre trataram o pequeno, foram o suporte que ele necessitava para ultrapassar com segurança, essa difícil e turbulenta etapa, além de ser a razão para que pudesse ter tanta empatia e altruísmo. Quando Gaara está mais tranquilo, Temari decide dar-lhe outro calmante, já que seu emocional fora abalado inesperadamente por aquela descoberta, e temendo que isso o afetasse negativamente, preferira precaver-se.
— Atenção, por favor, dentro dos próximos minutos, a operação será iniciada. — O ANBU que apresentara-se como Hayabusa fala a todos — Não se assustem e permaneçam sentados, mantendo a ordem; aqui dentro todos estarão seguros, então não se desesperem com os barulhos externos!
Apesar do aviso, muitos se sobressaltam e passam a fitar-se preocupados, ao menos, não tumultuam como antes, permanecendo sentados como solicitado, mesmo quando as primeiras explosões ressoam acima de suas cabeças; as luzes piscam algumas vezes, os tremores assustam, e um pouco de poeira e terra cai das marquises do abrigo, mas nas paredes fortemente revestidas, nenhuma rachadura ou fissura aparece.
***
Sede ANBU, meia hora antes.
A alguns quilômetros de distância, entre sons de equipamentos, clics apressados de todos os tipos, ordens sobressaindo-se de todas as direções, o grupo de inteligência da Vila, os membros de alto escalão da ANBU, os líderes de clãs e alguns seletos times estavam em outro tipo de reunião; os monitores instalados na grande sala, ilustravam nitidamente o andamento da evacuação e o andamento da operação.
— Inoichi, quero falar com a equipe de Tora e Karasu. — De olhos fixos no monitor, Hinata solicita ao Yamanaka.
— Um momento, Tenente. — Inoichi lhe responde e tenta contato.
Já estava ficando um pouco atordoado com todas as informações que estavam recebendo, conectar a tantas pessoas ao mesmo tempo, e direcioná-las e instruí-las corretamente, estava sendo um desafio maior do que o esperado; mesmo com os anos de experiência, o complicado estava sendo manter o fluxo de informações constante e instantâneo.
— … Hum… eu poderia tentar? — Um pouco incerta, Ino sugestiona — Tenho uma afinidade maior com eles…
Notara como aquele trabalho era importante e difícil de realizar, e mesmo que ninjas sensoriais estivessem habituados a usar suas habilidades para contactar outros, aquela era a primeira vez na história de Konoha que elevavam a escala da comunicação; logicamente haveria falhas e erros, já que não fora possível realizar os testes com a quantidade exata de indivíduos que teriam de trabalhar.
— A vontade. — Hinata concorda.
Quando a Tenente autoriza, um recruta se aproxima da jovem Yamanaka e põem em sua cabeça, um capacete igual ao que seu pai estava usando, e assim que fica pronta, Ino passa a trabalhar em busca das duas pessoas, tentando contactá-los e assim que os encontra, conecta a Hyuuga aos dois; Inoichi sorri orgulhosamente, ao perceber o sucesso da filha, e os demais membros da inteligência passam a vislumbrar maiores possibilidades.
— Sim, isso mesmo, quero que passem para o hospital agora. — Hinata dizia aos dois, acompanhando as informações dos monitores — Já estamos enviando o chamariz, façam com que permaneçam quietos!
A garota encerra aquela estranha conversa, e seus olhos perolados pousam em um dos recrutas que estava ali para serviços internos.
— Vá com Ibiki e Anko e ajude-os! — Completamente séria, Hinata ordena e lhe alcança uma prancheta com uma extensa lista — Aqui estão as celas que devem ser esvaziadas.
Nesse momento, Inoichi e Shikaku compreenderam o teor da conversa, nos últimos meses, Ibiki havia expressado um grande descontentamento com o crescente número de prisioneiros que devia manter, e a cada reunião na clareira, seu recorrente questionamento se fazia presente: já não seriam suficientes? E a cada vez, a dupla aumentava os números da prisão subterrânea, e agora sabiam para quê seriam utilizados os aborrecidos “hospedes” do Morino; quando os três deixam a sala, a compreensão já espalhou-se pelos demais, afinal, após ver o que seus pupilos e eles mesmos fizeram mais cedo, todos souberam o que significavam aquelas ordens. Shikaku sentiu um ligeiro mal-estar, aquela fora a primeira vez que vira o filho em missão propriamente, antes o via somente quando saia e retornava para casa, após suas longas caçadas ou vigílias, e ficara perplexo ao ver Shikamaru transformando-se em outra pessoa diante de seus olhos; seu filho, normalmente apático e desinteressado por tudo, mostrara-se tão implacável e sagaz, que assustava, principalmente a indiferença com que o vira cumprir as ordens que ele mesmo tivera dificuldades em sua juventude.
— Certo, aqui e aqui, nessas marcações vocês terão duas equipes em cada direção para suporte, e assim que ele o perceber, vai tentar contato com qualquer artifício. — Naruto ia explicando ao time de Kakashi, mostrando pontos no grande mapa da Vila — Você acha que dá conta de atraí-lo?
— Não deve ser um problema nessas condições. — Kakashi concorda, memorizando as posições das equipes de suporte e então fita seu time — Vocês entendem o que devem fazer? Estão prontos para isso?
— Por mim, tudo bem. — Sakura é a primeira a se manifestar e ao instante seguinte, calça suas luvas — Só devemos manter uma posição.
— Isso significa que vamos ser um dos centros de ataques? — Pela primeira vez em anos, Kiba estava agindo com a seriedade devida; as lembranças da Floresta voltando a sua mente — O que devemos fazer se algo der errado?
— Kakashi vai nos chamar assim que tiver contato, então o que farão é somente defender-se e manter suas posições. — Naruto explica — O lógico a se esperar, é que busquem por reféns e pelos outros alvos primeiro, Sasuke será o último a ser procurado, justamente por estar em combate, para eles é fácil alcançá-lo nessas condições, e é por isso que precisamos que vocês estejam lá.
— Então, sou um chamariz? — Foi a primeira pergunta direta que o Uchiha fez naquele dia.
O choque de descobrir que era um dos alvos de um criminoso que atacaria a Vila, e as inúmeras questões sem respostas que essa descoberta levantara, fez com que Sasuke estivesse quieto durante toda a reunião; também contribuíra para seu anormal comportamento, ter uma demonstração do que o Uzumaki poderia ter-lhe feito desde o princípio.
— Sim. — Naruto responde.
Abalado e temeroso, Sasuke pensa detidamente em tudo aquilo, pela manhã estava indo ao estádio cumprir mais uma etapa da sua jornada, e agora estava ouvindo que sua cabeça esteve a prêmio todo esse tempo e que existiam pessoas atrás do seu Doujutsu, o que ele ainda não conseguia compreender a razão, visto que qualquer Uchiha possui o Sharingan, até mesmo Kakashi possui.
— Por que eu? — Resolvendo estar ciente de todos os perigos que o rodeavam, Sasuke quis saber.
— Quando investigamos, notamos que a razão deve ser a sua linhagem genética, você é um dos últimos descendentes diretos de Uchiha Madara. — Com uma tranquilidade absurda, o Uzumaki conta — E sabe-se que em seus tempos, Madara conseguiu controlar a Kyuubi, então supomos que Orochimaru quer o poder ocular para controlar as Bijuus, e por isso, também está atrás de Jinchuuriki’s.
O espanto de ouvir tudo aquilo, deixa Sasuke meio zonzo, e principalmente, desconfiado de muitas coisas que acreditava serem verdades irrefutáveis.
— Por que me disse tudo isso? — Depois de tudo, aprendera a ver além.
— Porque quero que compreenda o que está acontecendo. — Com uma expressão horripilante, Naruto responde — Para que saiba qual é o teu destino, se trair a Vila; antes que possa sair por aqueles muros, eu te mato!
Indiferente ao que acabara de dizer, Naruto volta-se para os seguintes pontos que necessitavam sua atenção, na longa lista de prioridades, para que aquela operação fosse bem sucedida; estavam quase sem tempo, e se o Uchiha não o levasse a sério, que tentasse juntar-se ao inimigo, então ele saberia. Aquilo era muito maior e mais importante do que as provocações trocadas por sua inimizade, e quem estava ali, era o Naruto ANBU, que eliminava qualquer ameaça contra Konoha, como fora ensinado e doutrinado a fazer; ele, assim como Hinata, durante seus trabalhos, jamais deixaram que assuntos externos interferissem em suas missões, e aquela seria mais uma delas.
— Temos retorno de Kaminari? — O Uzumaki questiona e Sakura apura seus ouvidos.
— Sim, Tenente, eles acabam de verificar e ajustar o último detonante, todos estão em seus lugares aguardando. — Um recruta informa.
— Ótimo, diga-lhe para aguardar o contato pelo rádio um pouco mais tarde do que o combinado. — Naruto instrui e o recruta deixa o local.
Quando ele se aproxima de Hinata, que estivera ocupada coordenando a evacuação e as equipes dos primeiros sinais, ela já confirmava que o último abrigo fora selado e em seguida, contactava a equipe a postos na distribuidora elétrica; todas as peças estavam em seus devidos lugares, o tabuleiro pronto para o jogo, restava saber quem terminaria seus peões primeiro.
— Tenentes, todos os postos estão oficialmente ocupados e operantes. — Um membro da inteligência informa.
— Bem, comecem as explosões! — Eles ordenam juntos.
Ao instante seguinte, uma sequência de explosões ocorre em Konoha, o chão treme, as luzes piscam e uma sirene soa estridentemente alta, então a luz se apaga, em completa escuridão, os olhos cintilantes do gato e da raposa pareciam mais intensos, enquanto fitavam os monitores ainda ligados por geradores extras; a movimentação nas telas ocorre como deveria, então ambos passam o comando das operações aos membros da inteligência, colocam suas máscaras e somem das vistas, era o marco zero e sua nova caçada iniciara.
***
Nas ruas, os Shinobis em seus lugares, estavam completamente estupefatos, quando as explosões começaram, seu primeiro instinto fora o de fugir e buscar abrigo, o barulho ensurdecedor, o fogo que rapidamente consumia o que estava mais próximo, e o sufocamento desesperante quando o oxigênio é extinto; então a sirene de emergências soou finalmente com o barulho correto, e muitos dispersaram-se, atordoados com o que ocorrera. Na verdade, o corpo Shinobi não fora informado de como iniciariam a operação, tudo que lhes disseram é que haveria um sinal, por isso, quando aconteceram as detonações, as reações de todos foram tão verdadeiras, já que estavam tensos e amedrontados pela eminente invasão, acabaram por pensar que aquilo era de parte do inimigo; para esse ponto, a inteligência fizera contato e informara-os da situação, alertando-os que agora, os invasores agiriam com pressa e poderiam surgir de qualquer direção.
Nos pontos onde as explosões ocorreram, os grupos que deveriam invadir Konoha somente após as ordens, não entendiam porque suas armadilhas foram acionadas, estavam confusos e sequer tiveram reações aceitáveis, quando os infiltrados em suas equipes revelaram-se e atacaram; nenhum dos aliados de Orochimaru tinha como descobrir, que todos os seus planos e como seria sua invasão, havia sido relatada com detalhes por Gaara. O erro deles todos, fora subestimar o rapaz, que desde que Rasa informara estar ali somente como uma ferramenta, que não pensava e atuava à sua vontade, deixaram de tomá-lo em conta; discutiam seus planos, suas estratégias e as ordens que recebiam de Orochimaru por meio de Kabuto diante dele, que prontamente, desde que chegara a Konoha e fora salvo pela dupla, agira como seu informante. Gaara lhes fornecera nomes dos mais ativos e perigosos, indicara a ordem em que começariam sua invasão, e quais grupos eram responsáveis pelas invocações, buscas e manter os Shinobis de Konoha entretidos; mais tarde, quando Temari e Kankuro juntaram-se a eles, fora mais simples plantar os infiltrados em cada grupo e sabotar os planos internamente, e assim eles mudaram os detonantes inimigos, mas mantiveram essa parte do plano deles, crucial para obrigá-los a mover-se.
Por isso, nesse instante, quando Kabuto chega ao local onde as primeiras explosões deveriam ocorrer muito mais tarde, o que ele deduz da luta que era travada diante de seus olhos, é que aquele grupo provavelmente fora interceptado por alguma patrulha de Konoha, e que os explosivos foram detonados acidentalmente no meio do enfrentamento, logicamente, os demais grupos pensaram que deviam começar também e agiram; Kabuto não poderia adivinhar que foram desestruturados desde dentro, nem que aquela luta que via era uma encenação muito realista, que os verdadeiros aliados de Orochimaru já estavam mortos ou capturados, e que aqueles homens disfarçados como Shinobis de Kirigakure estavam atuando ainda, somente para que ele os visse e desse a ordem finalmente, para as forças ocultas saírem das sombras.
— Todos os demais, comecem o ataque! — Assim que Kabuto leva o seu rádio ao rosto, a luta para, mas ele não prestava atenção nisso; deveria voltar para junto do seu mestre — Busquem os objetivos e reportem ao senhor Orochimaru, rápido, antes que Konoha tenha tempo de reagir!
Kabuto dava os primeiros passos para retornar por de onde viera, quando seu corpo congela, simplesmente não obedece mais, como se seu cérebro e seu corpo não estivessem em sintonia, não como acontecia em presença de Orochimaru, que a paralisia submetia seus alvos e funcionava como uma hipnose; não, aquilo era diferente, Kabuto não movia-se e nem seu Chakra estava conseguindo invocar, como se estivesse bloqueado por algo, como se uma barreira o prendesse.
— Muito bem, pessoal, esse daqui temos ordens de levá-lo vivo, passem a seguinte etapa. — Tranquilamente, deixando as sombras, expeças de um choupo, um homem caminhava em sua direção — Como vai, Kabuto?
Kabuto não entendia, não conseguia encontrar onde falhara, como não notara sua presença antes? Ele era um especialista em ser evasivo, era muito bom nisso, Orochimaru o mantinha ao seu lado justamente por essa razão, suas habilidades eram essenciais para que ele obtivesse todas as informações que queriam; mas aquele homem diante dele, era extremamente silencioso, se não tivesse escutado sua voz, pensaria que nem estava vivo. Antes que Kabuto pense em escapar, um golpe feito inteiramente de Chakra atinge sua cabeça e ele é nocauteado sem qualquer resistência, então, Sakumo o prende com algemas especiais, feitas com inibidores de Chakra e como medida extra, aplica uma dose cavalar de um sedativo; a primeira peça importante estava em suas mãos agora, e assim que informa que concluíra sua parte, o Haruno parte para a sede carregando o Nukenin. O detalhe que Kabuto não sabia, é que Sakumo era quem melhor os conhecia, que os vigiara sem nunca ser descoberto por anos, ele entendia como agiam, conhecia suas habilidades e como reagiria se fosse atacado ou capturado; e por isso mesmo, Sakumo fora designado para a missão de capturá-lo, e o ponto mais importante, as habilidades secretas do Haruno, que o fizeram um dos ANBU’s mais letais e temidos, uma vez dentro do seu alcance, o Jutsu de Sakumo afeta os cinco sentidos, principalmente a audição, e corrompe as conexões entre as sinapses do sistema nervoso central como um vírus, interrompendo toda e qualquer reação, e logo, drena o Chakra inimigo, podendo utilizá-lo contra ele.
— Como está indo o time sete? — Depois de colocar seu prisioneiro em uma cela especial, somente dele, Sakumo entra na central de operações.
— Você quer é saber da pequena Haruno, que eu sei. — Zombeteiro, Tenzou replica e aponta um monitor ao outro — Acho que ela está se divertindo, veja como espanca quem chega perto demais; a Hyuuga é letal até para ensinar, todos os seus discípulos terminam iguais a ela, veja seu filho, Shikaku, e o garoto, Sai.
Em outro monitor, as imagens do hospital causavam arrepios, os Nukenins que foram até ali em busca de inocentes reféns, encontraram apenas outros Nukenins, que contra sua vontade, atacaram sem parar os invasores; claro, os que ainda permaneciam em condições, aqueles que não poderiam cumprir seu papel, foram descartados assim que a operação iniciara, já não haveria necessidade de manter tantos e durante a confusão, poderia alguma daquelas baratas tentar escapar. As mascaras ensanguentadas de Tora e Karasu eram vistas entre a confusão, os dois rapazes davam o golpe de misericórdia tanto nos invasores, quanto nos prisioneiros; suas ordens eram aniquilar os grupos de buscas e os desordeiros que planejavam causar focos de destruição pela vila.
Numa das ruas, entre a confusão de Shinobis, o time sete se mantinha em seu lugar, atacando para se defender apenas, atraindo a atenção dos grupos de invasores, tão ávidos por cumprir seus objetivos, que sem pensar muito, tentavam capturar um dos alvos, e acabavam assim, caindo na armadilha; enquanto tentavam alcançar Sasuke, o time de Kakashi defendia-se, e logo, as equipes dispostas ao redor deles, exterminavam suas forças com ataques coordenados e seguros. Sem as invocações de Orochimaru para causar destruição e desordem, e sem receber outras instruções de Kabuto, os aliados do Sannin acabaram perdidos, e quando iniciaram a invasão depois do contato pelo rádio, e tudo que encontraram em seu caminho foram os membros do corpo Shinobi de Konoha, já era muito tarde para recuar; não havia nenhum sinal dos moradores e dos alvos, a exceção do Uchiha e dos dois ANBU’s que aniquilavam suas forças aterradoramente rápido. Os invasores estavam dispersos e sem uma liderança adequada, e sem o apoio de Suna, de quem eles esperavam receber o suporte do Jinchuuriki que não viam por nenhum lado, muitos já estavam desistindo e pensando em como fugir dali; infelizmente para esses, no momento em que invadiram Konoha, foram cercados interna e externamente, sua única saída dali, seria a morte.
— Kakashi-sensei, pode fazer alguma coisa? — Sakura pergunta, indicando a direção onde Yumi e Shiin enfrentavam muitos adversários sozinhas.
As garotas estavam em desvantagem e pareciam muito assustadas, mal conseguiam manter suas posições e quando Masahiro e Kenta saíram de seus lugares por poucos segundos, as duas foram cercadas pelos desertores, que desesperados por abandonar a ofensiva, fariam qualquer coisa, até mesmo fazer Kunoichis inexperientes de reféns; analisando a cena, Kakashi busca por uma maneira de chegar até as duas sem deixar Sasuke desprotegido, infelizmente, também estavam com as mãos cheias ali, não conseguiriam chegar a tempo.
— Eu posso ir, só preciso de um impulso, sou pequena e leve. — Chegando a mesma conclusão que seu sensei, a Haruno pensa em uma saída absurdamente rápido.
— Você tem certeza? — Compreendendo o que Sakura planejava, Kakashi certifica-se.
Ela realmente era pequena e leve, e poderia ajudar as companheiras e assim ainda lhes daria a vantagem de trazer reforços para eles, poderiam cercar aqueles que se dirigiam para o seu time; os outros dois levam um pouco mais de tempo para dar-se conta do que Sakura estava dizendo, e o primeiro a entender é Kiba, que arregala os olhos, quando a vê assentir e reunir muito Chakra nas mãos, e então Kakashi ergue a garota nos braços.
— Com licença, e não conte ao seu irmão sobre isso, por favor. — Querendo prevenir problemas, Kakashi pede.
A distância era moderada, mas ela nunca chegaria a tempo, não com todos os Nukenins em seu caminho, então o mais seguro e rápido seria ir por cima, como ela sugerira ao sensei; no momento seguinte, Sakura estava empoleirada no braço direito de Kakashi, que ajustava sua pontaria e aplicava toda sua força, ele inclina o corpo para trás e então lança Sakura no ar, como se ela fosse uma Fuuma Shuriken. O estrago que ela causa ao atingir o alvo é impressionante, os Nukenins desprevenidos vão ao chão e os que conseguem desviar são atingidos por socos violentos; os dois rapazes que permaneceram junto ao sensei, estavam atônitos, quando pensaram em sugerir alguma coisa, a garota já estava sendo utilizada como uma arma e o mais chocante de tudo, por ideia e iniciativa dela mesma, que não parecia nenhum pouco aterrorizada. Ao retornar a sua posição, Sakura trazia junto ambas as garotas e seus companheiros, eles foram separados dos seus senseis no meio da confusão e estavam sem nenhum direcionamento; quando a Haruno para ao lado de Kakashi, ela revelava um enorme sorriso, como se tivesse ganho o maior prêmio do mundo.
***
Na floresta, Orochimaru aguardava com impaciência o retorno de alguma de suas forças, mas ninguém lhe trazia as notícias que aguardava com ansiosa expectativa, e desde que não obtivera uma resposta de Kabuto, ele desconfiava que algo não estava indo bem; resolvendo utilizar seu último trunfo, ele mesmo invade Konoha com seus quatro experimentos mais bem sucedidos, estava na hora de buscar o que era seu.
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