Notas iniciais
O sobrevivente estava desolado do mundo, não conseguia falar com ninguém, nem sabia se existia alguém. Precisando de comida e água, ele segue até uma cidade, mas com perigos no caminho.

Eu estava sozinho a mais de 1 ano inteiro. Não conseguia mais pensar, estava sem água, comida e sanidade. Não aguentava mais ficar sozinho, desolado do mundo, não conseguia mais sentar no chão cheio de barro, deitado no meio do chão, tendo que comer carne fria, tendo que matar animais e aqueles BICHOS horríveis.

Eles nos atacam, se fizer barulho ou se aparecer na frente, eles vão até você, eles te comem, te rasgam, você não consegue fugir. Não são os mais inteligentes, mas nunca pare de correr, nunca mesmo. Eles escutam qualquer som, desde pisos na terra até um grito do outro lado da cidade, é, mais ou menos, também exagerei.

Estou sem água a mais de 1 semana inteira, quando acho um rio ou quando chove é praticamente um milagre, uma baita milagre. Já a comida, tentava achar em lugares, casas ou até mesmo nestes bichos malucos, mas não achava. Estava no meio de uma estrada, sem nenhum sinal de alguma pessoa ou daqueles bichos, estava calmo e isso era ruim, porque assim não achava nada, não achava nem mesmo um lugar para passar à noite.

Estava seguindo no meio da rua, no meio de um sol desgraçado batendo na minha cara, horrível, cambaleando por aí, sem saber onde estava, sem saber o que fazer. Resolvi entrar no meio da mata, procurar comida, água, tentar achar pelo menos um rio, e se eu achar um rio, eu iria ficar rico, eu acho.

Depois de muito tempo, passando por árvores, achei um corte no meio de um tronco, um corte de uma faca, era estranho, poderia ter pessoas aqui perto, a primeira pessoa em qual eu iria ver depois dessa merda toda acontecer. Segui reto, sem pensar duas vezes.

Olhei cada vez mais para todos os lados, quando escutei tiros, escutei barulhos vindo de frente, era aquela pessoa, era a pessoa que fez aquilo com a faca! Eu corri o máximo possível, não pensava mais, simplesmente corri, tiros e mais tiros, barulhos e vários gritos de ajudas estavam no ar, correr o máximo possível. Mas, quando cheguei, encontrei mais de 7 daqueles bichos com sangue na boca, devorando tripas e pedaços do braço, estavam loucos, comendo aquilo como se fosse um banquete, para eles era. Sai dali sem pensar duas vezes, não chamei atenção deles.

Logo depois de muita caminhada tinha que procurar um lugar para ficar, precisava de um lugar para passar esta noite fria, minhas roupas estavam sujas e molhadas, cheias de sangue. Precisava achar uma cabana, nem mesmo se fosse de madeira ou quase caíndo aos pedaços, não iria conseguir dormir sem ser comido por aqueles bichos. Logo achei muitas àrvores e no meio delas achei um cartaz, apontando uma seta para a trilha de um trem, parecendo ser ao fundo uma mini-cidade de um interior, com apenas algumas casas de madeira, com cavalos, galinhas e vacas. E continuei, coloquei isso na minha cabeça, tinha que achar essa cidade e então segui a trilha.

Já estava escuro, não conseguia enxergar mais nada, mas continuava à seguir o trilho, pensando na cidade, pensando no que eu iria fazer quando chegasse lá. Será que poderia ter pessoas lá? O mais importante é que, estava sozinho no meio da noite escura e fria, não podia ficar muito tempo parado apenas tentando achar um lugar quase que impossível. Parei e achei uma construção, tinha mais um cartaz mostrando a cidade, resolvi subir a construção que parecia ser um mini-prédio, quase nem cabia ninguém ali em cima, estava limpo, era de concreto e alto, nenhum daqueles bichos iriam me pegar, eu acho.

Depois de dormir e comer, tendo que fazer uma fogueira com galhos e um isqueiro, eu desci e segui as trilhas, continuando o meu rumo. Precisava ainda achar comida, mesmo depois de ter comido quase nada de uma lata de feijão e um pedaço de carne mal-passada, eu precisava, realmente precisava.

Cansei de seguir a trilha e fui atrás no meio do mato, fui atravessando árvores, apenas pensando em achar aquela cidade, mas estava precisando de recursos. Aproveitei e peguei alguns galhos, e quando olhei na frente, logo vi um rio, um gigantesco rio. Eu gritei de emoção, quando cheguei dei mais do que um pulo na água, parecia que eu estava finalmente tomando um banho.

Como tinha tempo, resolvi pegar um balde e encher de água, comecei a lavar a roupa, reenchi as garrafas de água que estavam praticamente vazias, apenas não escovei os dentes por não ter escova. Estava muito feliz e então fiquei pensando se eu iria ficar em volta do rio ou então seguiria a cidade.

Segui a trilha o máximo possível, agora estava mais disposto e alegre, sempre seguindo reto. Até que, me deparei com um daqueles bichos, ele estava me olhando, eu entrei no meio do pânico, não sabia o que poderia acontecer. Tirei o facão das costas, apontei para ele, ele veio, tinha um rosto descascado, com uma boca saltando sangue, uma orelha completamente rasgada. Ele veio e eu fui, peguei o facão e finquei na cabeça dele, os milos voaram, sangue e mais sangue ficaram no chão e continuei o caminho.

Mais um daqueles animais estavam soltos no meio da mata, ele começou a se aproximar grunindo, horrível, parecendo que estava com fome, ele voou pra cima de mim, começou a me segurar, levantando a boca, aumentando cada vez mais, parecendo que eu iria levar uma mordida no meio do olho. Mas não, empurrei o bicho e peguei o facão, ele levantou rapidamente mas a faca foi diretamente na cabeça, sangues voaram, inclusive na minha camiseta. Que merda hein!

Aqueles bichos eram chatos, eram dificeis de confrontar, eles são armas, eles nos atacam por tudo, sem pensar. Ninguem nunca quer morrer pra eles, nunca, você sente a dor, enquanto grita, sentindo a mordida, vendo seu sangue jorrar. Não sei como eles conseguiram se multiplicar, será um vírus? Estavam escondidos dentro da gente e começaram a pipocar e as células não conseguiram lutar contra? Eu sei lá, só sei que não queria morrer cara.

Quando segui reto, achei um trem caído, estava completamente sujo, cheio de poeira e enferrujado, o pior era que pessoas estavam dentro, estavam gritando, mas não eram pessoas, eram bichos, eles eram horríveis, gritando e grunindo, eu fiquei horrorizado. Resolvi seguir o caminho, com certeza alguma coisa aconteceu com o trem, ele tombou, quebrou, só sei que as pessoas que estavam dentro dele não tinham sorte nenhuma.

Ao meio do caminho, escutei um barulho ao meio do mato, olhei e peguei o facão, quando fui conferir era apenas um coelho e, como nesse mundo todo que você ve é comida, resolvi mata-lo e comê-lo logo depois. É triste, mas era necessário. Segui o caminho, tentando achar a cidade, o problema era que já estava a escurecer, não sabia mais onde estava, apenas seguia o trilho, nunca achava a cidade.

O sol estava a se por e eu estava me desesperando, pensando no que fazer, onde eu iria dormir. O problema é que meu desespero aumentou ainda mais, porque escutei tiros, escutei grunidos, e quando olhei para atrás, uma pessoa estava correndo e logo atrás, vinha a MERDA de um bando, eram mais de 100 daqueles bichos, eu corri o máximo que podi junto com o homem, estava cansado, não sabia mais o que fazer, eu ia morrer, EU IA MORRER. Mas, eu não quero morrer...