O Sobrevivente
2 Fazer O Que Tinha Que Ser Feito
Notas iniciais
Eu estava correndo o máximo que podia, sem pensar em nada. Minhas pernas estavam à doer, minha cabeça não parava de pipocar e as minhas mãos começaram a doer, eu segurava o grito de adrenalina, o grito de morte. O homem do meu lado não parava mais de correr, os bichos de trás, também. Eles não são rápidos, o problema é que eles te seguem a qualquer custo, não te deixam em paz.
O homem começou a cansar, ele soltou um suspiro, olhou os joelhos e o braço, que estava ensanguentado, olhou pra mim e deu sua arma. Ele disse que não podia mais correr, porque já tinha sido mordido, ele me disse que iria morrer de qualquer jeito, e eu tinha que sobreviver. Eu não podia aceitar aquilo.
Não tinha mais tempo para pensar, logo tirei o facão, ele me olhou, e em menos de 1 segundo, ele gritou, não porque aqueles bichos o pegaram e sim porque eu cortei o braço dele, para ele não se transformar. Eu estava tentando salvar ele. O problema é que o homem começou a desmaiar, não sentia mais o corpo, quando ele desabou eu tive que segurá-lo, com o seu corpo jorrando sangue mais do que um porco depois de ser abatido, eu corria o máximo possível no meio das trilhas, mas entrava na floresta, saia e entrava, tentava despistar aqueles bichos, eu apenas gritava pedindo ajuda, mas ninguém aparecia, até porque nessa porra desse mundo ninguém ia aparecer para um adolescente de bosta correndo de um bando.
Eu já estava cansado, não conseguia mais carregar o homem, fiquei pensando durante 2 segundos, soltei o homem, não sabia o que estava fazendo, aqueles bichos estavam aparecendo, gritavam e a minha cabeça palpitava, não coseguia PENSAR não conseguia mais AGIR. Eu estava pontro para fazer aquilo, ele estava desacordado, não iria sentir... Soltei a mão dele, peguei a mochila e a arma, e simplesmente deixei ele lá. Olhei para trás e aqueles bichos quase se matavam para pegar um pedaço dele, era horrível, mas eu não podia ficar chorando no meio do mato...
Continuava o caminho, pensando no que eu fiz. Às vezes eu ficava com vontade de me matar por ter feito aquilo, mas as vezes achava que tinha feito o certo, era o único jeito de escapar. Eu fiz merda, mas pensava que não fiz merda, estava ficando louco.
Comecei a acelerar o passo, sempre mexia os pés sem parar, pegava garrafa de água e
até a cidade, já tinha passado mais um dia, e já estava começando à escurecer.
Depois que escureceu, eu apenas escutava grunidos, apenas escutava na minha cabeça os gritos daquele homem enquanto estava sendo comido, fiquei imaginando o que poderia ter acontecido comigo se eu tivesse ainda com aquele homem. Eu apenas pensava nisso e, acabei por me perder, acabei por não olhar pra frente e um daqueles bichos pulou em mim, sua boca estava aberta, pronta para me comer, ele não tinha a metade da face, seu cabelo estava preto de tanta sujeira, a sua boca estava mais suja do que um mendigo. Empurrei ele pro lado, e o facão cortou a metade da sua cabeça, nem dei bola e segui o caminho.
Depois de 1 ano inteiro, ainda não sabia se iria conseguir sobreviver, não sabia se iria enlouquecer ou morrer, não sabia se poderia mais respirar, não sei se eu acabei por matar o último homem da Terra, não sei se eu estava louco, com sanidade ou sem sanidade.
No meio da noite, não conseguia mais andar, minas pernas estavam quase à sangrar de dor, minha respiração estava forte, minha cabeça não parava mais de doer, estava doente. Eu estava doente e isso iria me fazer morrer, tinha que achar logo um lugar, uma cidade, deveria seguir o caminho, não conseguia mais lutar, do nada, apaguei...
Eu acordei no susto, eu acordei muito assustado dando um berro, eu estava do lado de uma árvore, não tinha ninguém, nem bichos e muito menos pessoas. Eu ficava a pensar se eu tinha morrido e eu estava no céu, ou então eu estava drogado, não estava bem, eu via gramas e um rio no meio do nada, construções e pessoas à andar sem sofrer nada, eram pessoas à andar e... Só que, acabei acordando à realidade, não eram pessoas e sim o mesmo bando que comeu aquele homem, eles estavam vindo pra cima de mim, quando levantei acabei por me ralar em uma das árvores, saia sangue como se foi a água no mundo em menos de 2 meses, eu corria, gritava, não aguentava mais correr e toda hora tropeçava, sentia um enjoo na boca, salivando quase vomitando, não por nojo, mas por quase estar morrendo. A corrida se seguiu, aqueles bichos viam em mim, entrei as vários cantos. Eles saíram, eu despitei-os, vomitei e acabei por me sentir pior do que qualquer outra pessoa.
Eu me sentia bem, não estava com ância de vômito, apenas estava com fome e dei uma parada, parecia que eu não comia à mil anos, parecia que eu fiquei desacordado durante muito tempo. Mas eu estava com problemas, não achava mais os trilhos, não conseguia mais achar os trilhos do trem, não sabia mais onde estava, eu estava perdido no mundo.
Eu tentava sair da floresta, batia em folhas e corria o máximo possível, mesmo quase morrendo de cansaço, eu precisava me achar, se eu me perdesse, eu iria perder a cidade e se eu perdesse a cidade, eu iria perder a minha chance de sobreviver. Não conseguia sair, apenas via folhas e mais folhas, troncos altos e não conseguia sair, apenas sentia que estava andando em círculos e se continuasse assim, nunca iria achar uma saída.
Comecei á pensar o que poderia acontecer se eu não achasse os trilhos, poderia perder a cidade e, consequentemente, iria perder todos os recuros, desde comidas a água e talvez até mesmo uma cama pra poder dormir. Não tinha mais o que pensar, também pensei no que poderia acontecer seu eu chegasse na cidade, eu iria ter uma casa, poderia sobreviver, pegar recuros e até mesmo dar uma limpada na mini-cidade inteira. Mas mais uma merda aconteceu, acabei por perder a cabeça e acabei por bater em uma árvore, ao meu lado via um daqueles bichos, ele vinha na minha direção, eu via tudo balançando, parecia que estava bebado, não conseguia focar naquele maldito bicho. Resolvi correr, sai o máximo possível, mas ainda estava cambaleando e acabei por sair da floresta, mas acabei por tropeçar e sair ladeira abaixo, ralei o joelho, ombro, até a cabeça, parecia que tinha quebrado à metade do corpo.
Não sentia mais meus ossos, fiquei atirado no meio do chão, parecia que iria morrer, não conseguia me mexer. Meus olhos piscavam, não conseguia mais abri-los, aos poucos via alguém chegando, parecia ser uma pessoa fortemente armada, ela vinha rapidamente para me pegar, puxando meu braço, parecendo me levar para algum lugar. Era uma pessoa, ela devia ser boa, estava me ajudando, mas ela poderia estar me levando para me matar, poderia me comer, me roubar. Não sabia o que estava prestes à acontecer e pra piorar, fechei os olhos, e eles não abriam, de jeito nenhum.
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