O Significado da Liberdade

5 Capítulo 5: As Lembranças de Cristine - Parte 3


Notas iniciais
Deu, finalmente. Este é o último capítulo das lembranças de Cristine.

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(Cidade de Fortuna, casa de Dante, dia 20 de dezembro de 2003)



-- Dante!!! – Cristine escancarou a porta da frente do “escritório” de Dante.

-- Cristine! – Dante se levantou do sofá e um correu até o outro, no que se abraçaram. – Cris, como você está???

-- Bem, Dan... Eu estou bem, e você?

-- Não, Cris, você é o que importa! Agora vamos, acabe logo com isso, diga, o que houve enfim?

-- Oh, Dan... – Cristine desatou a chorar. – Meus pais vão me mandar para fora da cidade!

-- Eu já estava esperando ouvir isso...

-- Eles querem nos separar, Dan, não permitem que eu te ame...!

-- Cris... – ele secou algumas lágrimas do rosto dela com o polegar -...Não chore, minha amada, o sorriso fica melhor em teus lábios...

-- Mas... a gente nunca mais vai se ver...

-- Vamos sim. Um dia, quando tu ganhares liberdade pra escolher sozinha o que vai ser da tua vida eu vou estar aqui, sempre, neste mesmo lugar, te esperando. Tá bom? Eu prometo que nunca vou te deixar.

-- Tá. Dante...

-- Sim?

-- Eu te amo...

-- Eu também te amo, gatinha... – ele deu um beijinho na testa dela e depois a abraçou fortemente.

-- Mas eu vou passar o natal contigo, moranguinho, não me importa o que meus pais vão fazer.

-- Não, Cristine. É melhor você ficar com seus pais, para evitar confusão.

Cristine fez que não com a cabeça, se esfregando de leve no peito dele.

-- Vou ficar contigo. Dan... Eu queria poder fugir contigo pra algum lugar bem longe daqui... Pra que meus pais nem soubessem onde eu estou!

-- Talvez fosse mesmo bom, mas daria um pouco de trabalho...

-- É mesmo... Mas, pelo menos, eu tenho certeza, ainda nos veremos novamente! – ela deu selinho nele. – Mesmo que nosso amor seja um amor proibido!

-- Sim, Cris... Nada vai nos derrubar. – Os dois foram até o sofá e se sentaram.

Sim, o amor deles era proibido. Uma moça de família rica e nobre, apaixonada por um pobre (muito pobre) coitado órfão que não fazia quase nada da vida. Dante e Cristine Belmont. Os Belmont eram admirados por todos, família de classe alta. Os pais de Cristine, Gabriel e Helena Belmont, não queriam que ela ficasse com Dante, ela precisava de alguém digno de pedir sua mão, um “bom partido”. Ou seja, outro “nobre”. Não um pobretão. Mesmo assim, a moça não desanimava.

-- Dante! – Lucia desceu as escadas correndo. – Sinto a presença de demônios. Vai comigo? Só dar uma “checada na área” para ver se está tudo limpo ou “bichado”. Oi, Cris.

-- Oi, Lú. – Cristine secou as lágrimas. – Vai, Dan. Pode ir.

-- Tá... Vamos, então... – Dante se levantou. – Cris, fique aqui, eu volto rapidão, ok?

-- Sim...

Dante e Lucia saíram e Cristine ficou ali sentada.

Lucia era irmã de Dante. Ou pelo menos fora apresentada a Cristine como tal. Os dois trabalhavam juntos nessa coisa de “purificação da cidade” e “salvamento de vítimas de ataques demoníacos”, por aí. Dante certa vez lhe explicara que o tal que matou todos lá na segurança de Fortuna era seu irmão gêmeo Vergil, que trabalhava com ele e Lucia. Mas há alguns meses Vergil tinha simplesmente sumido e nunca mais dera sinal de vida, algo muito repentino — — e muito estranho.

Cristine se levantou do sofá e foi até a janela, olhar para fora, tentar espairecer um pouco. Tudo andava muito louco em sua vida. Ela se considerava... “Proibida de amar”. Afinal, seria mandada para fora da cidade justamente porque estava apaixonada por alguém, que os pais dela consideravam, indecente e não conseguiam afasta-la dele.

Os pais de Cristine achavam Dante um louco, sanguinário, bem no estilo daqueles “serial-killer”, porque, assim como Cristine da primeira vez que o viu, os pais dela achavam que ele tinha matado todos lá da comissão de segurança e, mesmo com todas as explicações que lhes foram dadas, não mudavam de opinião sobre ele. Sem falar, como já mencionei antes, que Dante era pobre.

-- Eu já estou cheia da minha vida! – disse Cristine, para si mesma. – Quando eu finalmente encontrei o homem que eu amo, serei proibida de amá-lo! Eu odeio minha vida! Ser rica é ser presa... Não posso fazer minhas próprias escolhas. – Cristine saiu e se se encostou à parede do lado de fora. Ficou ali chorando.

Passados alguns minutos, alguém se aproximou de Cristine e pôs a mão sobre seu ombro.

-- Não se rebaixe, Belmont. Nós dois sabemos que tu és forte, e que na verdade nem precisas dele. Pare de chorar, Cristine Belmont, tua vida será muito melhor longe dele. Levanta a cabeça a vai-te para tua casa.

Cristine reconheceu a voz. Ergueu a cabeça e encarou-o mais uma vez, mas dessa vez como se já o conhecesse há muito tempo.

-- ...Vergil...

-- Vejo que ele te disse meu nome, então.

-- O que quer comigo?!

-- Quero tudo, Cristine.

-- Não me chame de Cristine! É Srta. Belmont! E tenha mais respeito! Como assim, “quero tudo”?!

-- Haha... Não se preocupe, Vossa Alteza, não quero te machucar. – ele se aproximou ainda mais dela com o corpo. – Bem... Eu só quero tudo de ti. Não sabes o quanto tu vales...

-- ...Vergil, não... Eu nem sei do que estás falando... Por favor, não me envolva nisso, seja o que for...!

-- Heh... Como se fosse assim tão fácil, O nome que tu carregas te condena. Belmont... Vale muito...

-- E por que eu?

-- Porque és a mais nova descendente. Não há outra. E eu preciso de ti... – Vergil encostou todo seu corpo no de Cristine dessa vez, fazendo-a estremecer e acelerar a respiração.

-- Pare, Vergil... Nós... Nem nos conhecemos... – ela pôs a mão no peito dele e fez menção de empurra-lo, mas não o fez. Estava entre ele e a parede, sendo levemente pressionada, sentindo um cheiro bom de... O que era afinal? Não conseguia identificar, só sabia que era bom e que vinha de Vergil.

-- Não nos conhecemos? Então que tal vir me conhecer, Cristine?

-- Não, só vá embora, por favor...

-- Que foi? Por que essa rejeição toda? – a voz dele saiu quase sussurrada, leve e atraente.

-- Por favor, só vá embora!

-- Heh. Tudo bem. Eu vou esperar até que você esteja bem longe do Dante... para lhe explicar tudo. Aí você vai entender. E eu terei tudo que quero de você. – Vergil quase a beijou, mas por uma questão de milímetros isso não aconteceu. Então ele se afastou de Cristine, lançou-lhe um último olhar convidativo, deu as costas e se foi.

Ela fechou os olhos e deu de leve com a cabeça na parede.

-- O que é isso...? Que diabos está havendo???


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Dante deu um beijinho no rosto de Cristine.

-- Boa noite, gatinha. Durma bem.

-- Você também, moranguinho. Sonhe com os anjos.

-- Sonharei contigo, princesa.

Cristine sorriu enquanto Dante saía dali e ia para o próprio quarto.

Ao entrar e fechar a porta Dante soltou um suspiro.

-- Será que é mesmo verdade? – disse para si mesmo, jogando a capa sobre o sofá e se encostando na parede. – Não pode ser... Eu nunca imaginei que a encontraria novamente... Cristine... Tão linda, tão carinhosa, tão minha! Mas me fez sofrer tanto. Quando as feridas que ela deixou já estão se indo, ela volta! Para fazer mais...? Não. Eu não me deixarei sofrer nos braços dela, não mais! Quando eu for embora deste hotel terei coisas piores para me preocupar, voltarei à rotina normal... Mas... Será que só agora percebi? Ah, pára, mulher, e me diz!: Isso que é amor?


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Notas finais
Nhaii, tá bom... Esse final do Dante ficou meio exagerado... xD

Anyways, aí está.
Reviews? ^o^b