O Significado da Liberdade

2 Capítulo 2: A "Eternidade" é Maior que o "Sempre"


Notas iniciais
Yay! Demorou mas aqui está! O segundo capítulo!

(Cidade de Fortuna, 1991)

Dante e Vergil estavam no pátio de casa jogando bola. A bola ia de um lado a outro do pátio, enquanto Sparda assistia o joguinho dos dois sentado em uma cadeira, ao mesmo tempo que fazia as palavras cruzadas do jornal.

— Sinônimo de “vitória”, nove letras. – Disse Sparda.

— Hum... “Conquista”! – Disse Dante, jogando a bola de volta para Vergil.

— Boa, Dante. Agora: numa batalha seu inimigo é seu... 10 letras.

— Ah, essa é fácil! – Disse Vergil, chutando a bola para Dante. – “Adversário”!

— Certo, Vergil! É isso mesmo! – Sparda disse, enquanto escrevia a palavra no quadro do jornal. – E agora: contrário de...

— MENINOS! – Eva gritou da cozinha.

Eles largaram a brincadeira e entraram em casa correndo. Sparda largou o jornal em cima da cadeira e também foi, calmamente.

— Aqui estamos! – disse Vergil.

— É, mas por que nos chamou, mãe? – Disse Dante.

— Porque temos uma coisinha pra vocês. – Eva puxou Sparda pela mão para ele ficar do seu lado. – Vergil, Dante. Feliz aniversário. – Ela entregou aos dois uma caixa.

Vergil pegou a caixa e Dante abriu-a . Os dois exclamaram um “wow” ao ver o que tinha na caixa: dois amuletos vermelhos, presos em correntes, uma dourada e outra prateada.

— Eu quero o dourado. – Disse Vergil.

— Não, EU quero o dourado! – Disse Dante.

— Não, você fica com o prateado, e EU com o dourado. Eu nasci 5 minutos antes! Eu escolho primeiro. – Vergil mostrou a língua para Dante.

— Ah, não é justo! Mãe!

— Calma, meninos! – Disse Eva – Vergil, guarda essa língua! Que feio. O presente não era pra vocês brigarem. E Dante, o Vergil escolheu primeiro. Deixe que ele fique com o dourado.

— Não é justo! Só porque o Vergil nasceu primeiro! – Dante já ficou emburrado e cruzou os braços.

— Não ouviu, Dante? – Sparda vez um cafuné na cabeça dele. – Não tem nada a ver com o Vergil ter nascido primeiro. Se você tivesse dito primeiro que queria o dourado você estaria sendo defendido.

— Isso mesmo, Dantezinho. – Eva fez um carinho no rosto dele. – Não se preocupe, o próximo presente você escolhe primeiro. – Eva pegou o dourado de dentro da caixa e colocou-o no pescoço de Vergil, que novamente colocou a língua pra fora. – Mas se você, Vergil, não guardar essa lingüinha eu pego ela pra mim e dou seu amuleto dourado pro Dante e você fica com o prateado! – Disse, sorrindo.

Vergil colocou a língua pra dentro e deu um sorrisinho. Depois ele e Eva saíram da cozinha e forma pra sala.

Dante pegou seu amuleto, colocou a caixa em cima da mesa e sentou-se em uma cadeira e ficou admirando o amuleto.

— Ah, Dante. Não fique triste. Eu realmente acho que o prateado é mais bonito.

— Acha mesmo? – Dante ergueu a cabeça e olhou para Sparda.

— Claro que acho. – Sparda colocou a mão no ombro do filho. – Você também não acha? – ele pegou a corrente da mão se Dante e colocou no pescoço dele. – Vai dizer. Combina com o cabelo. – Sparda sorriu também e saiu da cozinha.

Dante segurou o amuleto e ficou olhando-o por um tempinho. Era tão lindo... Talvez não fosse tão ruim ter perdido o dourado para Vergil. O prateado era bonito...

Um homem de cabelos prateados, óculos escuros e vestes vermelhas parou com seu conversível vermelho na frente do melhor bar-restaurante daquela estrada desértica. Na verdade, o único daquela estrada desértica. Saiu do carro, pegou seu sobre-quase-tudo preto e entrou no estabelecimento. Abaixou os óculos para olhar em volta com seus belos olhos azuis celestes e viu uma moça sozinha em uma mesa. Ela tinha cabelos ondulados marrons quase ruivos, muito bonitos, olhos azuis e cílios bem grandes, seus lábios grossos estavam com um batom vermelho cintilante. Ele chegou perto dela e sentou-se à mesa, foi quando ela baixou o capuz e disse:

— Como vai, Dante?

— Bem, Cristine. Muito bem. – Dante colocou os óculos na cabeça. – Principalmente porque tenho tido descanso ultimamente. Há um longo e maravilhoso ano não tenho tocado em minhas armas e nem tenho visto pessoas de meus passados. Agora, apenas você.

— Pois é, Dante. Eu também. – Cristine sentiu falta de firmeza na própria voz ao olhar nos olhos de Dante, mas ele não percebeu isso, ou apenas quis mudar de assunto:

— E como vai a vida social, Cristine?

Ela soltou um “humpf” e desviou o olhar para a janela.

— Srta. Belmont, não se desvie do assunto, não há nada para se ver lá fora, você sabe. É tudo desértico por aqui.

— Sim, eu sei, filho de Sparda. – Cristine falou baixinho quando a garçonete chegou perto deles e disse, sem entusiasmo:

— O que desejam, pombinhos?

— Hã... Bem, eu quero apenas um café descafeinado. – Disse Cristine.

— E você, beldade? – a garçonete direcionou o olhar para Dante.

— O mesmo que ela.

— O de sempre, né, querido. – a garçonete, que era jovem e bonita, de cabelos ruivos, saiu resmungando “odeio esse trabalho”.

— Vai responder minha pergunta ou não, Cristine?

— Claro, “beldade”.

— Não me culpe! É que ela já me conhece, mas não sabe meu nome.

— Por que não se apresenta formalmente? Ela é bonitinha.

— Humpf. – Dante abaixou a cabeça e depois olhou para Cristine com um olhar de desprezo a si mesmo. – Eu sempre peço a coisa mais barata que eles têm. Claro que ela tem raiva de mim.

— Então um dia peça uma coisa diferente, mais cara e chame ela pra sair.

— Tá. Mas enfim, minha pergunta. Cris. Vai responder?

— Vai bem. Minha vida social vai bem.

— Quero detalhes, Cris. – Dante tirou do bolso de seu sobre-quase-tudo duas correntinhas prateadas, uma com um pingente de coração e a outra de chave, e entregou-as a Cristine. – Achei isso... dentro de uma caixinha de papelão, no meio das minhas coisas, quando fiz as malas.

— Está de mudança, Dante?

— Não. Só quero passar umas férias adiantadas em algum hotel... Enfim.

Cristine deixou as correntinhas carinhosamente sobre a mesa, abriu sua bolsa e tirou dali uma caixinha de jóias. Quase chorando, ela entregou a caixinha a Dante, que abriu a caixinha que começou a tocar uma musiquinha meiga e doce.

— Cris... você guardou até hoje...?

— Oh, “Dan”, claro que sim... – Cristine pegou de sua bolsa outra corrente com um pingente de coração e pegou a chavezinha de Dante. – Você tem a chave do meu coração... – Ela abriu o pingente e leu: — “Eu amo você, Cris. Eternamente, Dan”. Há anos eu queria abrir isso e não conseguia...

— Bem, aí está. Não há nada de muito impressionante.

— Claro que há, Dan. É uma mensagem linda. – Cristine pegou a mão dele e uma lágrima correu pelo rosto dela. – Você ainda me ama? Dan...?

Dante ergueu o rosto, um pouco envergonhado por estar como os olhos cheios d’água, e disse, quase chorando:

— Eu disse “eternamente”. A eternidade é maior que o “sempre”. Cris... – Dante fechou a caixinha de música para não chorar. – É claro que eu ainda te amo... E vou amar eternamente.

— Bem, Dante, eu preciso ir. – disse Cristine. Ela e Dante estavam agora na frente do restaurante. – Quanto antes eu for melhor. Tenho que encontrar um hotel onde ficar.

— Por que não vai pra casa dos seus pais?

— humpf. Dante. Há 5 anos meus pais não gostavam que eu andasse contigo. E eles continuam não aprovando isso. Além do mais, eles nem sabem que eu voltei para Fortuna. E eles pensavam ter conseguido me afastar de ti me deixando em outra cidade. Eu também, na verdade, achava que você tinha me esquecido, e que agora só me restava te esquecer também. Afinal, se passaram 5 anos. Ficamos todos esses anos sem nos ver. E há dois anos você tinha parado de responder minhas cartas...

— Eu não tinha mais dinheiro pra mandar a cartas, Cris, me perdoe...

— Tudo bem. – Cristine riu um pouco — Depois meus pais descobriram que eu estava mandando cartas escondidas pra você e então tive que parar, de um jeito ou de outro. Bem, é por isso. Agora que te encontrei de novo vou querer ficar contigo, Dan. – ela pegou a mão de Dante que se voltou para ela e fitou-a. – Meus pais não aprovariam isso. Eles iam me proibir de novo, embora agora eu já seja “adulta” o suficiente pra tomar minhas próprias decisões sozinha. Seja como for minha vida, eu só não quero me separar de ti, Dante, nunca mais quero me afastar de ti assim.

Dante sorriu. Segurou a mão dela firmemente e concordou com a cabeça.

— Bem... Eu sei de um hotel bom... É pra onde eu vou. Que tal uma carona? – ele tirou as chaves do carro de dentro do bolso.

— Ah... por mim tudo bem!

Notas finais
Nota: Bem, eu sei que o Dante não tem dinheiro pra pagar o hotel chique pra onde eles vão... Mas a Cristine é rica e paga tudo pra ele também! ^.^"