O Senhor do Tempo
2 Capítulo 1
Matthew acordou ao som do despertador para mais um dia letivo, estava atrasado, como sempre, se levantou às pressas, era 08h45min, sua aula começava as nove em ponto e ainda tinha um longo percurso para fazer, tomou banho, escovou os dentes, colocou seu jeans e sua camiseta do Thirty Seconds to Mars, se olhou no espelho e encarou seu cabelo, como sempre desarrumado, as meninas adoravam, arrumou o material, desceu, tomou café e saiu. Quando olhou o relógio ainda marcavam 08h46min, parecia que sempre que estava com pressa o tempo passava mais devagar para ele, ou era ele que conseguia fazer tudo num tempo recorde.
Chegou à escola faltando 5 minutos para o começo das aulas, passou pelos corredores do colégio arrancando suspiros de muitas meninas (a estranha mecha de cabelo o ajudava muito). Assim que sentou em sua carteira ficou encarando o quadro esperando a aula começar, com muito tédio, ainda faltavam cerca de 3 minutos para a aula começar e não queria ter que encarar os valentões da escola praticando bullying com os nerds da sua sala, deu um suspiro e num segundo a senhorita Pranks entrou na sala, ele encarou o relógio, em 1 segundo haviam se passado 3 minutos, ele achou estranho, mas nem de longe ruim, assistiu a tediosa aula de filosofia sobre Nietzsche. Seriam uma hora e meia de sofrimento, suspirou e olhou para o teto e de súbito o sino bateu aula encerrada.
Era sexta feira, o dia em que todos, depois da escola, iam tomar sorvete e conversar em uma cafeteria próxima à escola, lá foi ele, sentou-se com alguns garotos da sua escola, nunca foi de se socializar muito, como todos compartilhavam o interesse mútuo por rock esse era o assunto do papo, ele não estava prestando atenção, seus olhos estavam voltados para uma atendente com piercing nos lábios e no nariz, tinha uma mecha de cabelo verde, olhos azuis muito penetrantes e as orelhas levemente pontudas, tinha uma tatuagem de folha em seu braço direito. Depois do que pareceu cinco minutos um de seus colegas –Zack- cutuca seu braço:
–Está tarde cara, acho que vou para casa.
Mas só haviam se passado cinco minutos, pensou Matthew.
Os outros amigos concordaram um deles que se chamava Peter cochichou em seu ouvido:
–Você ficou a noite toda encarando o nada cara, acho que deveria ir para casa também.
Assim que os colegas de Matt se retiram ele olhou para os lados e percebeu que não havia mais ninguém além deles na lanchonete como alguém consegue conversar durante quatro horas sobre rock? Pensou ele. Ele se levantou e encarou a menina nos olhos, se dirigiu até ela e disse:
–Qual o seu nome?
–Agatha e o seu?-Perguntou ela percorrendo os olhos por todo o corpo dele.
–Matthew, vem cá, as ruas de Nova York estão muito perigosas ultimamente, muitas pessoas desaparecendo e reaparecendo mortas, não acha que gostaria de uma boa companhia até sua casa?- Indagou dando um olhar convidativo a ela.
–E qual é a minha garantia que você não é o assassino? –Diz ela com um sorriso ambíguo.
–Porque eu não mordo, só se você pedir. –Disse ele bagunçando o cabelo, deixando mais a mostra sua mecha branca.
–Ok, espere um segundo.
Então a menina tira o avental e dirige aos fundos da lanchonete, conforme ela se aproxima de Matthew ela apaga as luzes até só sobrar a que está iluminando eles.
Eles saem da lanchonete e ela fecha a porta. Eles se dirigem a um beco ao lado da lanchonete, Matthew nem se aproximou e a menina já passou os braços dela envolta de seu tronco, assustado, ele acompanhou os movimentos dela e a pressionou contra a parede, os dois tinham um ritmo sincronizado, ela arranhava suas costas com as unhas afiadas pintadas de preto quando ele a pressionava mais forte contra a parede de tijolos velhos.
Muito tempo havia se passado, duas horas talvez? Por mais que sua mãe não se importasse que ele chegasse tarde não gostava de deixa-la esperando sem nenhum aviso, então Matthew desvencilhou-se das garras da menina que o envolviam com voracidade e disse:
–Já está muito tarde, tenho que ir.
–Mas já? Estamos aqui há apenas 10 minutos. –Disse ela, sua sobrancelha indicava repreensão.
–Desculpe, não gosto de deixar minha mã...
Ele nem terminou a frase e a menina já havia saído de perto dele e rumava para fora do beco, virou e saiu. Ele poderia ter ido atrás, mas era uma causa perdida, não valia a tentativa.
Começou a rumar para sua casa quando percebeu uma estranha movimentação atrás dele. Sabia que poderia ser um assaltante, não olhou para trás, pois sabia que era arriscado demais. Continuou andando, quando chegou a uma rua cheia de lojas em Nova Iorque olhou para uma vitrine e viu, rapidamente, o reflexo e um vulto preto. Sem dúvida, era uma ameaça, cerrou os punhos e continuou andando, apertando o passo.
Assim que chegou à próxima loja, ele olhou novamente para a sombra, parecia que não tinha rosto, mas notou outra coisa também, a coisa percebeu que ele tinha encarado. Ele se preparou para correr.
Quando ele havia começado a correr o vulto se materializou a sua frente, como essa coisa se mexeu tão depressa? A única coisa que ele podia fazer era se preparar para o ataque, já que a fuga estava descartada.
A coisa avançou para cima dele e caiu em cima dele, era um homem, mais ou menos vinte anos. Quando estava em cima de Matthew ele notou que esse homem possuía olhos de um tom alaranjado, quase vermelho, era magro, mas ao mesmo tempo muito forte, usava um moletom preto.
Matthew achou que não teria conseguido se defender, mas, sem explicações, conseguiu jogar o homem para o lado. Ele se levantou rapidamente e, analisou o garoto, seu capuz havia sido retirado da cabeça, tinha os cabelos castanhos, da cor de mogno, também era muito pálido e possuía presas. Espera aí, presas?
Sem conseguir absorver todas as informações o garoto avançou para cima dele, Matthew colocou os braços para se defender e não conseguiu absorver a próxima cena. O vampiro estava se debatendo contra o que parecia uma parede invisível, tentando avançar, uma voz feminina vibrou em seus ouvidos:
–Está tudo bem agora Matthew.
Como ela sabia seu nome?
–Criança da Noite, saia já daqui, ele é um dos meus, um dos Filhos de Lilith. –bradou a mulher.
Crianças da Noite? Filhos de Lilith? Que diabos essa mulher estava falando?
O vampiro chiou e sumiu em um beco próximo, Matthew se virou para agradecer a mulher, mas quando se virou ele viu que sua pele branca, levemente bronzeada estava se desbotando e virando uma cor mais escura — Azul.
Matthew queria correr, mas estava paralisado de medo. A mulher azul tinha cabelos alvos como calmas nuvens, ela falou com uma voz serena, a voz de uma enfermeira cuidando de uma criança assustada:
–Não tenha medo, você está em boas mãos agora.
–Quem é você? –Disse Matthew com olhos arregalados.
–Me chamo Catarina Loss. –A mulher falou com uma expressão séria.
–O que era aquela coisa, e o que é... Você? — Ele analisou a mulher por inteira.
–Aquilo, era um vampiro, desde que Maureen Brown matou Camille Belcourt e tomou conta do Hotel Dumort eles estão descontrolados e devorando qualquer um que passa pelas ruas, com sorte, eles não gostam de sangue de feiticeiro. –Ela olhou para o céu que não esboçava nenhuma estrela.
–Vampiro, Maureen, Hotel, Feiticeiro? Acho que devia ter algum alucinógeno na bebida daquela louca de cabelo verde. –Disse Matthew, completamente perdido.
–Olha Matthew, notou que coisas, estranhas acontecem com você, cadeiras que se mexem sozinhas, vozes? – Ela o encarou no fundo dos olhos.
–Nada-Disse ele pensando. — Só o tempo, passa muito rápido ou muito devagar.
–Interessante. –Ela colocou a mão no queixo e encarou um poste de iluminação próximo.
–Você disse o que mesmo, Criança da Noite, eu sou um dos seus, mas não sou bem... Azul. –Ele perguntou a Catarina.
–Filho de Lilith, tudo ao seu tempo, venha, temos muito que conversar, eu conheço um lugar ideal para isso. –Ela fez um sinal com o polegar e assim, juntos, rumaram pela noite, a noite mais estranha de Matthew.
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