O Senhor do Tempo
3 Capitulo 2
Já estava quase amanhecendo quando eles chegaram a um café, Catarina pediu um café simples, Matthew pediu com leite e creme, ela veio todo o percurso falando sobre algumas de suas experiências no passado, algo sobre perseguir um louco voando em um tapete pelo Peru.
Quando se sentaram, ela disse, sua voz era serena, mas possuía um tom de urgência:
–Leia, eu não esbarrei em um feiticeiro à toa. –E entregou a carta do Labirinto a ele.
Assim que ele leu, não se impressionou com o fato de saberem seu nome e uma característica muito particular sua, a pergunta foi automática:
–Quem é Theresa Gray?
–Uma velha amiga, vocês terão tempo de sobra para conversaram no Labirinto, temos que ir o quanto antes, Tessa não manda essas cartas urgentes à toa. –Disse ela.
–Tá tá, entendi que é urgente mas e se eu não quiser ir para esse lugar, o Labirinto Espiral? –Matthew perguntou lançando um olhar desafiador para Catarina.
Ela já havia percebido o tipo de Matthew, então simplesmente sorriu e disse:
–Acho que você não iria conseguir fazer isso. –Ela olhou para o café dele que sentiu levemente mais quente, em uma fração de segundo estava fumegando, quando Matthew olhou não havia mais café, mas sim uma substância que se parecia ouro derretido. Ele largou a xícara e ela se partiu no chão, dessa vez, derramando café ao invés de ouro.
Catarina sorriu e piscou o olho esquerdo, todos os fragmentos da xícara se juntaram e juntamente ao líquido e ela voltou, levitando, delicadamente, às mãos de Matthew. Mesmo assim ele disse relutante:
–Ok, isso foi muito legal, mas continua não me impressionando, por que deixaria minha família e amigos e ouviria uma mulher azul que conserta xícaras?
Quando Matthew fez referência a sua pele ela sentiu a sobrancelha se contrair involuntariamente, odiava que comentassem sobre sua pele desse jeito, se fosse Magnus, com seus olhos de gato, ele estaria impressionado e já teria aceitado como a sociedade mesmo tão evoluída continua se importando com coisas tão fúteis, pensou ela.
–Olha Matthew, isso não é brincadeira de criança...
–É eu sei. –Ele parou, pensou um pouco e disse, não era um bom argumento, mas era o último que tinha. –E a escola?
–O que são contas matemáticas em comparação as maravilhas que você vai aprender no Labirinto, em pouco tempo você vai poder falar com o próprio Einstein se quiser.
–Ok me convenceu, mas e quanto a minha mãe?
–Sua mãe sempre soube quem você era, sabia que seu pai era um demônio e mesmo assim escolheu te amar e cuidar, eu, não tive a mesma sorte. — Ela olhou para o espelho que a refletia, sua pele azul ficava mais clara quando exposta a luz fluorescente. Ela pareceu acordar de um devaneio. –De qualquer forma, agora que o Labirinto sabe provavelmente outros demônios também sabem, sangue de feiticeiro tem propriedades mágicas exorbitantes para magia demoníaca, você sabe se quer ascender uma brasa, está indefeso, sua mãe corre perigo com você por perto.
–Posso pelo menos despedir dela antes e, pegar minhas coisas? –Ele soava, pela primeira vez, tocado e preocupado.
–O quanto antes, o cheiro de magia que erradia de você vai, naturalmente, ficar mais forte agora, você viveu por muitos anos na casa de sua mãe, tenho que ir lá e lançar um feitiço para protegê-la.
–Tudo bem. –Ele se levantou.
Catarina pagou os cafés e ambos rumaram para casa dele, no caminho ela explicou a ele sobre o Labirinto e sobre marcas de feiticeiro, sobre como muitos feiticeiros interpretavam quem as encaravam como uma sentença de morte.
Quando eles chegaram a casa sua mãe se assustou, estava fazendo panquecas na cozinha, ambos se sentaram e a senhora Langdon tentou ignorar a mulher com pele azul, pois sabia que ela fazia parte do Submundo. Quando Catarina se referiu a mulher assim, perguntou:
–Por que você é Langdon e ele é White?
–Porque o pai dele pediu para que colocasse o sobrenome dele, disse que seria muito importante no futuro. –Disse ela dando um gole no café que ela mesma fizera.
–Senhora Whi... Langdon, já deve saber o porquê deu estar aqui não?-Disse ela encarando a mulher no fundo dos olhos.
–Sim, sei, mas, confesso que esperei que fosse antes, bem antes. –Ela levantou a sobrancelha esquerda, talvez o tom desafiador não tenha vindo da herança demoníaca de Matthew.
–Eu... Vou lá em cima pegar minhas coisas, acho que estou sobrando aqui. –Matthew percebeu que ambas as mulheres estavam travando uma conversa silenciosa e muito séria.
–Não será preciso, no Labirinto você não conseguiria usar essas roupas, iriam virar pó em segundos.
Matthew e a mãe se olharam por alguns segundos e ele logo levantou, se abraçaram, foi uma despedida silenciosa, o jeito que ela passava as mãos em seus cabelos, da mesma forma que fazia quando criança fazia com que um desejo ardente de ficar o tomasse por completo, mas sabia que não podia, com ele aqui, sua mãe corria perigo. Quando finalmente se desvencilhou do abraço materno ele virou para Catarina e disse:
–Esta na hora.
Catarina assentiu de leve com a cabeça, estendeu a mão direita para a mãe de Matthew. A senhora Langdon hesitou um instante, mas apertou a mão da mulher azul, ambas às mulheres trocaram um olhar severo e sereno, a feiticeira disse:
–Cuidaremos bem dele, prometo.
Ela se virou e entoou um cântico em uma língua estranha para a mãe, mas, misteriosamente, Matthew entendeu a maioria das palavras, era um cântico sobre explorar um lugar escuro e misterioso.
Assim que ela terminou o cântico uma espiral azul clara se formou na parede da casa da senhora Langdon, era fluída feita água, Catarina foi a única a se pronunciar:
–Ao Labirinto Espiral.
Catarina ofereceu sua mão para Matthew e ambos mergulharam no portal, Matthew, sem saber o que esperava do outro lado.
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