O Senhor do Tempo
4 Capitulo 3
Demorou a Matthew adaptar sua cabeça a visão, estava em um correr muito escuro, iluminado apenas por tochas em forma de cabeça de dragão, mas elas ainda estavam longe, Catarina seguiu na frente, rumando o imenso corredor que parecia ter apenas uma porta, ao se aproximar das tochas ele percebeu que as cabeças de dragão se mexiam e conversavam entre si e com eles, Catarina até trocou algumas palavras com elas. Quando os dois chegaram à porta de madeira Matthew percebeu que era imensa e tinha varias frases de proteção e mistério talhadas nela, todas, se juntando e formando apenas uma forma- um Labirinto Espiral.
–Está pronto, ao passar por essa porta sua vida vai mudar completamente, não que, agora, você tenha escolha. –Depois que Catarina disse isso a cabeça de dragão mais próxima riu. Matthew assentiu com a cabeça, quando ela abriu a porta ele viu a coisa mais impressionando da vida dele, o lugar era um corredor de castelo, de forma espiralada que se estendia por quilômetros a cima e quilômetros abaixo, no meio do espiral havia uma plataforma-um labirinto, viu várias formas andando por ele, outras paradas, todas fazendo algo. Tudo era fluido, as paredes do labirinto se moviam, assim como o corredor espiral, nos espaços vazios não havia nada, como se estivessem flutuando no vácuo, estavam em um salão onde havia um lustre feito de ossos e velas, mas fora isso, toda a iluminação do local era feita com as mesmas cabeças de dragões do corredor inicial. Catarina fez um movimento com a mão e uma chama azul se acendeu e logo em seguida se apagou, depois, disse: –Vamos, Tessa está nos esperando no salão principal. Salão principal? Geralmente os salões principais ficavam no meio dos ambientes, onde exatamente era o meio disso? Isso tinha um meio? Catarina parecia conhecer o lugar como a palma de sua mão, mesmo que as paredes dos corredores mudassem e os dragões dessem as direções erradas só para zombar com feiticeiros desavisados. Depois de muito andarem por corredores retos, curvos, que faziam ângulos de 45 e 90 graus, andares de ponta cabeça e nas paredes, Catarina parou na frente de uma porta, se virou e disse: –É aqui. A porta não tinha maçaneta, na verdade, nenhuma porta pela qual passaram tinha maçaneta, ela simplesmente floreou a mão e a porta abriu, convidou-o para entrar e logo em seguida entrou também, fez outro floreio e a porta se trancou. A sala parecia estranhamente normal, haviam cinco pomposas poltronas voltadas para uma mesinha de centro e no extremo da sala crepitava uma lareira, as paredes eram todas de tijolos e haviam muitos objetos de decoração, vasos chineses, animais quais Matthew nunca havia visto empalhado entre outros. Catarina convidou-o para sentar, como se ela fosse dona do lugar, ele sentou-se em uma cadeira que o deixava de costas para a porta, ela sentou a sua esquerda, logo em seguida ouve um clique de uma chave inexistente que fez com que ele se virasse para ver em estava entrando na sala. Uma mulher magra, de cabelos castanhos presos em um coque com mechas soltas entrou, levava no pescoço dois colares, um ele percebeu que era uma pedra, o outro reluzia, mas Matthew não conseguiu o identificar, ela foi ao encontro de Catarina, que disse:–Que bom revê-la amiga. –As duas se abraçaram. Enquanto faziam isso Matthew se aproveitou da oportunidade e se levantou, a moça se virou para ele, seus olhos eram duas tempestades cinzentas, ela estendeu a mão para ele e disse: –Muito prazer, Tessa Gray.–Então você é Theresa Gray, você quem escreveu a carta para Catarina? –Disse ele estendendo a mão para ela.–Sim. –Ela assentiu e se sentou, tinha um forte sotaque britânico.–Por que me trouxe aqui? Por que corro perigo? –Ele disse.–Por algum motivo que ninguém sabe, quando você nasceu o geas não te registrou, isso nunca acontece na história antes e, misteriosamente, ele alertou perigo iminente no seu nome, que foi registrado há uma semana, mas datado de 17 anos atrás. –Seu rosto e corpo eram de uma mulher de no máximo 25 anos, mas seus olhos eram deslumbrantes e cansados, do tipo que só uma anciã tem.–O que é o Geas? –Matthew perguntou confuso. –O Geas é um artefato mágico que registra o começo da vida de todos feiticeiro, ou, pelo menos, deveria. –Ela desviou os olhos penetrantes para a lareira. – Conforme você fica mais velho seu cheiro de magia fica mais forte, não ia demorar muito até você e sua mãe estarem mortos. Catarina estava encarando uma pintura na parede, era uma pintura do Arcanjo Miguel expulsando os demônios e levando-os para o Inferno, Tessa continuava a encarar o fogo da lareira e Matthew olhava para a parede, tentando absorver a situação. Catarina quebrou o silêncio e disse:–Desculpe o incômodo, mas em Nova Iorque já está amanhecendo e o dia no Beth Israel será longo, se me permitem a despedida. –Sempre muito ocupada Catarina, não se esqueça, você a eternidade para cuidar dos enfermos, umas férias de vez em quando não fariam mal.–As férias no Peru foram o suficiente para que eu não queira tira-las tão cedo.
Catarina desenhou alguns gestos com a mão no ar e um espiral azul –um portal- se fez na parede, ela abraçou Tessa e apertou a mão de Matthew, logo depois, entrou dentro dele, que se fechou. O que essa mulher estava querendo dizer quando disse que tinha a eternidade? Estavam a sós agora, poderia perguntar a ela sem ter vergonha:–O que você quis insinuar com eternidade? –Catarina não te contou? Nós feiticeiros somos a segunda raça mais antiga do Submundo, perdemos apenas para as fadas. Nós feiticeiros somos imortais.Imortais. Essa palavra martelou na cabeça de Matthew como a Mjölnir de Thor, era por isso, só assim essa mulher poderia parecer tão nova e tão velha ao mesmo tempo-ela era atemporal. –Não morremos?–Sim morremos, mas apenas se formos assassinados, como aconteceu com o famoso Ragnor Fell, dizem que ele conseguia fazer Magia Dimensional, muito rara. –Ela completou. –Não se alegre tanto, os primeiros anos da imortalidade parecem ser legais, depois viram um fardo, você vê todos que ama envelhecendo e só você continua com cara de jovem. –Ela segurou com sua mão esquerda uma pulseira que estava em sua mão direita. –Carregamos outro fardo, todos os feiticeiros são estéreis, somos mutantes, filhos de humanos e demônios, aberrações da natureza, como as mulas. Matthew achou impressionante a capacidade da mulher de vinte e tantos anos soar como alguém muito velho.Ela continuava encarar a lareira como se estivesse em um devaneio nostálgico e moveu os lábios formando palavras, nomes — James, William, Lucie e alguns outros, mas foi esses os que conseguiu identificar. Depois disso, ela pareceu acordar do sonho e disse: –Tudo bem, hora de lhe dar as roupas e mostrar onde você ficará. Tessa o acompanhou pelos corredores aleatórios do lugar, no percurso viu as mais deferentes coisas, humanos com rabos, com asas, chifres, mais humanos que demônios, mais demônios que humanos e, todos, conseguiram por medo nele, Tessa percebeu e o alertou:–Não se preocupe, eles não podem te ferir, fazem isso porque tem inveja. Sabe, não são todos que tem uma marca de feiticeiro fácil e até, charmosa como a sua, muitos moram aqui porque não tem outra opção, muitos nunca se quer saíram daqui.–E o que, exatamente se faz aqui? –Ele olhou para Tessa.–Estudam, o universo é um lugar com conhecimento ilimitado, e esse conhecimento se concentra todo aqui, eu sei menos de um milésimo dos segredos escondidos aqui. –Ela continuou andando. Durante o percurso ele viu uma jovem que tinha chifres e asas nas costas limpando o chão, ela tinha a pele muito pálida –como se não visse a luz solar a muito tempo- e visíveis marcas de violência. Assim que os dois passaram pelo corredor que a mulher se encontrava ele perguntou:–Você acabou de dizer que todos os feiticeiros estudavam, por que ela estava limpando, não era muito mais fácil agitar a mão e pronto, tudo limpo?–É sim, mas esse lugar, ainda que habitado por seres poderosíssimos, possui regras, ela é uma Ifrit, essa espécie é tão sofrida quanto a nossa, carregam o nosso fardo, as marcas e a esterilidade, mas são incapazes de fazer magia, ao passo que nós, feiticeiros, podemos. Com sorte quando um Ifrit tem uma marca de feiticeiro que é escondida com facilidade, eles se aventuram no mundo como mundano, mas no caso dela, por ser incapaz de fazer magia, acabou por optar em morar aqui, como uma empregada. Todos os empregados daqui são Ifrits, mas as punições para os que tentam acessar a biblioteca do Labirinto ou surrupiar comida são tão severas quanto às dos feiticeiros, já ouvi boatos que um Ifrit conseguiu roubar um livro da biblioteca, um livro que dava acesso a magia até mesmo para um mundano, depois disso, foi jogado no Esquife. Eles andaram por mais alguns minutos, Matthew sentiu pena da menina Ifrit, pouco tempo depois Tessa disse:–É aqui. A porta não possuía maçaneta, como ele iria entrar, então, lançou um olhar para Tessa, que entendeu a mensagem e ela falou: –É fácil, é só pensar em abrir. Ele se concentrou, depois de algumas tentativas algumas faíscas laranja e azuis saíram de sua mão direita, IRADO pensou ele. Logo depois que ele e ela entraram no quarto ela disse:–Para compensar os 17 anos de treinamento perdido, o seu começa amanha cedo, durma bem e bem-vindo ao Labirinto Espiral, evite sair nos corredores, você pode se perder, venho te buscar aqui amanhã.–Quem vai me treinar? –Perguntou ele.–Geralmente é um feiticeiro chamado Serptius Cistard, mas o Grão-Mestre do Labirinto me mandou uma carta pedindo que fosse eu quem o treinasse, disse que mesmo com minha capacidade limitada de magia confiava muito no meu potencial.–Quem é o Grão-Mestre?–Ninguém sabe, nem mesmo os mais antigos, alguns dizem que é um anjo que tenta por regras e instalar o bem no meio de filhos do Inferno, outros dizem que é um demônio, outros dizem que o lendário Elphas, o Instável, que conheceu Jhonatan o Caçador de Sombras, mas nada disso é provado. Ele ficou encarando-a confuso, como se ela tivesse falado outro idoma. Ela disse:–Vou deixa-lo dormir, até amanhã cedo. –E saiu do quarto. Matthew ficou encarando o lustre do seu quarto que não era muito grande, mas muito confortável, estava deitado em uma cama muito macia quando de repente algo irrompe à noite, uma explosão azul em seu criado mudo- uma mensagem do fogo. Ele a pegou e abriu, não conheceu a letra deitada e elegante, mas sim o autor dela. Matthew, Sei que não confia muito em mim, mas gostei realmente de você, acho que pode ser o início de uma amizade longa e duradoura, não espero que consiga responder a essa mensagem agora, mas espero sua resposta o quanto antes. Desculpe ter de sair daquele jeito no saguão mais cedo, o dever no hospital me chama. Quero que escreva para mim toda vez que fizer algum progresso em seu treinamento. Catarina Loss. Uma amiga, ele leu e releu o bilhete até que uma ideia tomou conta de sua cabeça tenho que dormir, não gostaria de estressar uma pessoa como Tessa no primeiro dia de treinamento, ela brava deve ser de dar medo. Quando se deitou o lustre magicamente se apagou e assim fez ele alguns instantes depois, o primeiro dia no Labirinto Espiral.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.
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