Remus fitou o nada enquanto Lílian se acabava se ensinar os novos monitores do quinto ano da Grifinória. O fim do verão havia sido infeliz para todos e cada um parecia preso em seu inferno particular. Estar prestes a terminar Hogwarts estava causando dores da cabeça insuportáveis a Remus principalmente pelas perspectivas falidas que o mundo fora do colégio lhe dava: Havia algo de estranho acontecendo no ambiente político da Grã-Bretanha bruxa.

Ele soube que a coisa estava séria quando seus pais começaram a cogitar mudar-se de casa mais uma vez e pela primeira vez em dezesseis anos de existência do rapaz, o motivo não era Remus.

— Devemos prezar por sua mãe... Por nós três, na verdade. — as rugas do pai entre as antigas cicatrizes que foram geradas por um desencontro com dois lobisomens, Fenrir, o agressor que amaldiçoara Remus, e o próprio Remus, no auge de suas primeiras transformações. Olhar os olhos derretidos cor de mel de seu pai lhe traziam uma profunda vontade de chorar por uma culpa que o garoto simplesmente não sabia verbalizar.

Falando em dificuldade de verbalização, apesar de calmo e domado por McKinnon, algo havia mudado em Sirius Black de forma tão drástica que os garotos sequer tiveram tempo de sofrer o luto da perca da identidade anterior do amigo. Como se fosse possível, Sirius se mostrava cada dia mais e mais instável, conseguira uma detenção literalmente no primeiro dia no castelo por ter quebrado uma vidraçaria antiguíssima do quinto anos simplesmente porque sim.

— Eu não sei mais o que fazer. — James colocou as mãos na cintura, com a testa enrugada. Peter mordeu os lábios, tentando não rir da pose materna que James tinha para com Sirius às vezes. — Isso vai acabar espirrando em nós, anotem isso.

E espirrara, mas Remus não sabia disso na época.

Continuou sentindo o peso de seu novo livro de Traduções Avançadas de Runas Antigas enquanto Lílian discursava elaborações pedagógicas para os pobres novos monitores, anotando tudo rapidamente.

Decidiu sentar-se no banco de concreto do pátio, assistindo ao longe James manejar a máquina fotográfica que ganhara de presente no verão, tirando fotos de Sirius erguendo um Peter desesperado sob o lago apenas com um levicorpus bem executado, inventado por James. O sexto ano – em sua teoria – promete calmaria: os alunos recebem mais horas vagas naquele limbo entre os N.O.M’s e N.I.E.M’s, o que para Peter significava horas lendo quadrinhos no jardim, para James significava fotografia. Lílian estava engajada em uma pesquisa bruxa em Poções muito chamativa (o que a fizera receber um parabéns particular de Dumbledore em pessoa), e, por fim, a famosa carta...

— Clube das putinhas do Slugh — riu Sirius amassando o convite de Remus, roubando mais doces de Peter, a seu lado.

Não! — gritou Remus e Peter ao mesmo tempo, sendo que o primeiro se referia a carta e o segundo ao roubo de doces.

— Por que eu não fui convidado? — esganiçou James, pulando da cama. — O que é isso e por que você foi convidado e eu não? O que vocês fazem nesse clube?

Eu não sei! — exclamou, irritado pelo estado do convite que Sirius estragara. Teve que descobrir mais tarde, através de Lílian, que apenas ele e a garota foram escolhidos, dentre todos os anos da Grifinória e outras Casas. Ninguém sabia o porquê de Remus ter sido convidado, mas o garoto tinha certeza que o professor sabia que Remus era um lobisomem, e a ideia de ter uma criatura mágica em seu exclusivo grupinho de pessoas de nome, com currículos invejáveis, era algo magnifico. Preferiu não comentar sobre isso com Lílian, muito menos com sua namorada, que também estava se tornando uma dor de cabeça.

Remus amava Emmeline, aquilo era um fato para ele, mas seria mentira se Remus dissesse que não andava ponderando seu relacionamento mais do que o normal. O que Marlene lhe dissera em Ruslip Woods o balançara profundamente: o relacionamento dos dois nunca seria profundamente verdadeiro porque Remus já mergulhara no interior secreto de Emms, mas nunca ela na dele e provavelmente nunca o faria. Confiava em Emmeline, mas contar para ela era contar para Marlene e em pouco tempo toda Hogwarts saberia algo que Dumbledore o fez jurar que apenas ele e mais alguns poucos professores saberiam.

Fitou a ruiva procurar o pulso de Remus e apertá-lo, ficando muda de repente. O garoto também ficou tenso, observando pequenos choques no céu, como se estivesse em uma redoma de vidro que estava tentando ser quebrada. Dumbledore tentou acalmá-los no jantar de boas-vindas, porém gerara um trauma coletivo: o que antes jamais tocavam as sagradas portas do Castelo finalmente tocara, a crise política da Grã-Bretanha bruxa estava amadurecendo todos ao seu redor à força.

— Eu quero que esse seja um bom ano, eu realmente quero. — disse Dumbledore após um silêncio tenso, tamborilando os dedos em sua mesa, não se levantando como costumava fazer. Os professores ao se reuniam ao seu redor, também tensos. — Mas não posso criar um ambiente a parte do mundo a fora, por mais que eu queira protegê-los, é fato que estamos em um estado de mudança. E mudar nunca é difícil, todos nós sabemos disso.

Dumbledore parecia ter olhado Remus, mas o garoto não suportou o peso do olhar, escondendo-se atrás de Peter na mesa, sentindo o jantar implorar para sair.

— As proteções mágicas do castelo foram fortificadas durante o verão, nós estamos protegidos por novas e mais poderosas mágicas, ocasionalmente vocês verão choques aparecendo ao redor da redoma porque sempre estaremos refazendo e reforçando... Eu peço a vocês que obedeçam a cada imposição de seus professores em parte de segurança, mas há uma regra que vocês devem prestar muita atenção, em particular, a regra que depois de certas horas, vocês não podem ficar andando pelo Castelo. Eu imploro a vocês, notifiquem-nos de qualquer coisa estranha ou suspeita que percebam dentro ou fora do castelo. Eu confio em vocês para se conduzirem, sempre, a vocês e aos outros com muito cuidado.

Quando abriu a boca para falar mais alguma coisa, apenas um breve sorriso melancólico, fitando seu prato.

Tenham bons sonhos. — limitara-se a dizer, agora sorrindo para os alunos.

E Hogwarts virara um campo de guerra a céu aberto e enjaulado.

Algumas pessoas pareciam queriam que alguns estudantes de família sangue-puro fossem expulsos do colégio, pois diversos jornais bruxos apontavam as ligações dessa família à organização que estava realizando ataques organizados à nascidos trouxas e mestiços. O inferno particular de James e Sirius se instalava nisso.

Os Potter eram bem posicionais politicamente, e reafirmavam sua posição contrária ao levante fascista que se instaurava pelo Mundo Bruxo de forma veemente, entretanto Sirius não tinha a mesma sorte e as línguas maldosas pareciam atingir o garoto de formas... Ruins.

Cala a boca, porra! — Lílian, que há pouco havia se acalmado pelo susto dos choques na redoma, assustara-se novamente com Marlene McKinnon gritando com alguém ao longe. Suspirou antes de olhar para Remus e chamar o casal de quintanistas para segui-la com Remus. — Cala a boca se não eu vou fazer você calar, entendeu?

Eles aproximaram-se quase sendo cegados pelos flashes de James, se divertindo e parecendo também estar xingando um garoto da Corvinal com seus amigos.

— McKinnon, por favor pare de ameaçar os outros. — pediu Lílian como se falasse com uma criança bagunceira.

— Ele está enchendo o saco de Sirius há uma semana, chama um monitor da Corvinal AGORA! — gritou ela, apontando para o menino ruivo.

— Eu não estou fazendo nada, eu só falei que era engraçado Dumbledore não expulsar estudantes que- — o garoto abaixou-se rapidamente. — EI!

— Sirius não é um Comensal da Morte! — urrou Marlene, vermelha após jogar um feitiço no garoto, que desviara. Remus parecia ter levado um choque elétrico quando empurrou o ruivo da Corvinal para longe de uma Marlene já sendo segurada por outros, olhou o garoto seriamente, ignorando os gritos de Marlene e quem tentava apartar a briga.

Se você falar isso de novo eu faço questão de fazer sua vida um inferno. — Remus quis se sentir mal por utilizar-se de seu poder de Monitor para aterrorizar um estudante claramente dois anos mais novo que Remus. O garoto ruivo parecia pronto para replicar, mas o Lupin apenas arregalou os olhos. — Tem certeza de que o que você vai falar é importante? Porque estou muito perto de te dar uma detenção.

O garoto ia explodir de ódio quando virou-se, indo embora com os amigos. Remus voltou para o grupo de amigos com Marlene vermelha gritando à plenos pulmões que a escola estava infestada de retardados. O Lupin olhou Sirius de braços cruzados, apático, assistindo o surto da namorada, e soube que aquilo era apenas mais um tijolo no já enorme muro que separa Sirius de compartilhar com os amigos o que sua família tinha de envolvimento com os crimes políticos que estavam assustando à todos.

Remus queria que aquilo tudo fosse só sobre idiotas atazanando pessoas de sangue-puro, mas não era. A situação política externa estava causando desconfiança geral e Remus havia adquirido um temor de andar perto de Sonserinos em corredores vazios que simplesmente não existia antes, logo, as aulas de Poções eram uma história de terror para os poucos Grifinórios que sobraram.

James estava com sua cara de merda habitual para mais um ano de mediocridade em Poções quando Severus levantou a mão para Slughorn.

— É Veritaserum, uma incolor e inodora poção que força quem bebe a falar a verdade — explicou o garoto de forma monótona, como se aquilo fosse o básico do básico, mas Remus estava chocado com a descoberta de uma poção poderosa assim.

— Muito bem, muito bem! Agora essa-

A mão de Snape foi a mais rápida de novo, mas o professor escolhera Lílian.

— É Amortentia, senhor, uma das poções mais poderosas do mundo.

— Brilhante, brilhante! — sorriu enormemente.

Mais um dia de Slughorn lambendo o chão pra sua namorada. — sussurrou o Black, mas James se manteve concentrado e anotar tudo na velocidade da luz.

— E acredito que alguém saiba identificar essa poção pela...?

James levantou a mão.

— Senhor Potter?

— Brilho pérola, fumaça em forma de espiral, senhor. — Slughorn assentiu, impressionado, mas James o interrompeu antes que o professor pudesse continuar. — E, se me permite, claro, o aroma é diferente para cada um dependendo do que nos atrai. Por exemplo eu sinto cheiro de livros antigos, aqueles da biblioteca, cheiro de caldeirão recém-lavado e... — James segurou os lábios, o impedindo de terminar, ficou levemente rosado e apenas deu um breve sorriso, fitando o vazio. Lílian o fitou, impassível, esperando ele terminar de falar.

Remus também aproximou-se do caldeirão, sentindo o cheiro forte de chá de hibisco, uniforme recém lavado e shampoo de coco. Sorriu para o caldeirão, como se fosse Emmeline. Sabia que James estava dizendo cheiros que rodeavam Lílian, porque Remus e qualquer um que tivesse contato com a garota já havia sentido o cheiro de material séptico que a rodeava por conta do contato diário com materiais de Poções.

Assim como James havia previsto, o tempo de folga dos sextanistas não eram horas para relaxar como Peter havia imaginado, mas sim tempo para ficar em dia com a enorme quantidade de tarefas que tinham, que estavam tomando proporções são absurdamente complicadas e especificas que até mesmo James parecia estar com dificuldade de entender e ainda assim o garoto tinha tempo para praticar fotografia por Hogwarts. Seu portfólio, para a surpresa de ninguém, tinha muitas fotos de Lílian, que parecia estar gostando de posar para James.

Remus admirou uma foto em que a ruiva segurava o sorriso, segurando o queixo com a mão esquerda e seu cotovelo apoiado em seu exemplar de Traduções Avançadas de Runas Antigas, o crachá de monitora brilhava entre as madeixas lisas com o plano de fundo da Sala Comunal.

— Linda, né? — exibiu-se James. — Ela quer mandar essa foto pros pais dela!

— Por que você parece que tornou-se virgem de novo? — questionou Sirius, deitado no sofá. James o olhou, enojado.

— Por favor, para de descontar seu mal humor nos outros. — pediu, voltando-se para Remus novamente. — Enfim, Slughorn quer que eu fotografe a punheta grupal que vocês vão fazer no Natal.

Lupin respirou fundo, esquecendo-se completamente da confraternização do Clube do Slugh que se aproximava cada vez mais. O ano mal havia começado mas todos já estavam exaustos, até mesmo Peter estava mal, após ter sido atacado por um tentáculo na aula de Herbologia.

— Como esse homem pode pensar em fazer uma festa nesse clima? — questionou Remus, com dor de cabeça só de se imaginar nessa confraternização. Olhou para a escrivaninha da Sala Comunal lembrando que estava fazendo uma tradução de vinte páginas de Runas Antigas e sentiu uma pontada no peito como se fosse infartar de estresse.

— Eu não sei, mas eu quero participar dessa porcaria, eu quero tudo que esse lugar pode me oferecer escrito no meu currículo! — explicou James. — E você deveria fazer o mesmo.

Como poderia? Naquele mesmo dia, uma garota da Lufa Lufa fora retirada da aula de Feitiços e apenas no fim da aula, através dos boatos, descobriram que a família dela fora encontrada morta com as mesmas características que vários outros mortos políticos.

E não viram a garota novamente por um bom tempo.

...

Remus estava completamente obcecado pelo novo album do Fleetwood Mac, Rumours, confiscado a poucos dias de um estudante do quinto ano, ele decidiu enviar o disco para sua mãe após ouvir mais de quarenta vezes, percebendo que estava fugindo de seus afazeres para ficar lendo as letras das músicas no contra-disco na Sala Comunal.

Estava prestes a tirar o disco do toca-discos quando Sirius adentrou o local, parecendo concentrado no Mapa do Maroto.

— Oi. — disse Remus, tomando atenção do amigo, que assustou-se e guardou imediatamente o mapa no bolso de sua capa.

— E aí. — Sirius forçou um sorriso e subiu para o dormitório, deixando Remus sozinho. Quando questionou James, horas mais tarde, o garoto apenas rolou os olhos, observando as pernas que passavam pelos dois, sentados em um dos corredores mais movimentados do primeiro andar.

— Bem... — James posicionou os olhos no visor da câmera enquanto falava. — Ele não superou o amigo invisível e a possibilidade de Snape saber do seu problema peludo.

O flash de James interrompeu a fala e o garoto sacou a foto que descia da boca da câmera, ansioso. Remus aproximou-se e os dois observaram juntos as pernas, sejam canelas femininas desnudas pelas saias ou calças cinzentas de um lado para o outro na congestão de troca de aula. Remus quis ter forças para impedir o amigo de perder tempo com aquilo, mas desistiu, pensando nos testes de aparatação que teria na semana seguinte e ficou com medo de vomitar que nem da última vez.

Remus fitava Hogwarts pela janela que trazia luminosidade à sala do Clube de Xadrez, tentando não encarar os olhos azuis intensos de Dorcas, concentrada no jogo. Sentiu o sol queimar sua orelha esquerda e quase sucumbiu ao impulso de se levantar ao lembrar que tinha um encontro com Emmeline naquela mesma tarde.

Dorcas notou a movimentação fora do normal e ergueu os olhos para Remus.

— Desculpe. — pediu, envergonhado.

— Tem algum compromisso? — perguntou a garota, escondendo um sorriso solidário. O tom sombrio que os últimos anos haviam tomado pareciam ter amadurecido Dorcas à força, ou talvez ela havia se adaptado ao lugar de uma forma que Remus não prestara tempo o suficiente para perceber.

— Eu... — a porta da sala foi aberta bruscamente, revelando uma Emmeline irritada, com olhos de fogo olhando cada estudante até achar Remus. O garoto olhou Dorcas e não conseguiu verbalizar uma desculpa, apenas levantou-se, sentindo que já atuara em uma cena semelhante à aquela.

Algo de errado claramente se instalava entre os dois e por mais que Remus conscientemente visse que o problema era ele, o garoto simplesmente não conseguia ter forças nos pés para dar o primeiro passo para trás. Sentia-se preso em uma redoma (e literalmente estava), onde quem ele era estava morto, e o corpo atual que habitava era covarde demais para arrumar as desastrosas decisões que sua versão anterior fizera.

Seu ego falara mais alto que sua mente e ele se colocara em um relacionamento que nunca passaria daquele nível de intimidade e Remus não conseguia suportar nadar em água rasa por mais tempo. Sabia exatamente o que estava sentindo, mas jamais conseguiria colocar em palavras, não agora... Agora a carne estava fresca e sua mão suja de sangue.

Por agora ele apenas lava as mãos e congela seus sentimentos.

— Sabe, uma vez minha vó me contou de seu cachorro que sentou em um prego enquanto ela conversava com a avó dela... E ele começou a ganir e tudo mais, mas não se movia. Minha vó perguntou porque ele não saia de cima e a avó dela apenas disse que ainda não doía o bastante. — Remus fitou o sorriso triste de James para ele, depois de ter assistido uma breve discussão do garoto com Emmeline. O garoto de óculos continuou traduzindo um artigo de Runas como se não tivesse acabado com a vida de Remus em um minuto.

Quando o Natal finalmente chegara, Remus ainda estava tentando convencer Sirius à ir à confraternização de Slugh em seu lugar, já que estaria em transformação na data. James, que seria o fotografo, foi muito persuasivo em convencer Slughorn de que precisava sim de um auxiliar e esse seria Peter, logo, se Sirius aceitasse ir, seria perfeito, mas o garoto estava decidido que queria acompanhar Remus.

— Eu não preciso de companhia! — insistiu Remus, tremendo de frio no jardim, esperando Sirius terminar seu cigarro, o qual ele estava fumando lentamente. — Meu deus, anda logo, está muito frio!

— Moony, não é pra contar isso pra James, — alertou, aproximando-se. Remus sentiu o forte cheiro de cigarro e perfume caro que rodeava Sirius e entendeu porquê Marlene se enrolar todo no garoto e enfiar o rosto em seus cachos. — mas... Eu tenho observado Snape, e aparentemente ele... Não sei, tem algo que ele sabe. Já o peguei perto das rochas do Corujal mais de uma vez.

— Mas faz muito tempo que não vamos lá.

— Eu sei, por isso transo com Marlene lá. — Remus retorceu o rosto de desgosto e Sirius sorriu. — Enfim, eu estou muito perto de pegá-lo, falta pouco.

— Pegá-lo como?

Sirius acabou o cigarro, soltando a fumaça na cara de Remus.

— Dando o que ele quer, oras. — sorriu.

Elton John – Rocket Man (I Think It's Going To Be A Long, Long Time)

Semanas depois, Remus quis voltar no tempo e ter perguntado, ou evitado de alguma forma, entretanto, ele estava acordado na aula de Viagens no Tempo do professor Binns no quarto ano e ele sabia que viagens no tempo não eram tão simples como pareciam e ele provavelmente causaria o evento.

Na fatídica noite da confraternização do Slugh, Remus tivera sua mais violenta transformação, tocado pelo estresse diário manifestando-se em seu demônio interior, e, alguns dias antes, Sirius sussurrara no ouvido de Snape que ele encontraria o que queria mobilizando o Salgueiro Lutador, e James vira a cena enquanto fazia o lindo retrato de Lily perto da janela durante a festa.

Remus nunca saberia a história por completo, apenas onde estavam seus personagens: Ele, em sua forma crua, Snape em um longo corredor e James e sua câmera quebrada após soltá-la e correr em direção da árvore que se retorcia enlouquecidamente, como se sentisse a mudança de clima que aquela noite traria consigo.

Depois, a tempestade.

It's lonely out in space

On such a timeless flight

And I think it's gonna be a long, long, time

'Til touchdown brings me 'round again to find

I'm not the man they think I am at home

Ah, no, no, no

I'm a rocket man

Rocket man

Burnin' out his fuse

Up here,

alone

Notas finais
Esse trecho do cachorro foi retirado do livro da Amanda Palmer, cujo eu infelizmente ainda não li, mas estou na busca... Estava viajando em um blog antigo que é como se fosse meu quarto adolescente (Cabeça Tédio Blogpost) e reli a resenha maravilhosa da Carla sobre a arte de pedir e imediatamente voltei pro arquivo do word pra acrescentar isso porque explica exatamente o que eu queria colocar o Remus e não conseguia exemplificar. Continuando, se a própria Patti Smith (que é a única pessoa do mundo que me importa) diz que as pessoas devem continuar escrevendo por mais que ninguém leia, por que essa é a sua missão no momento, aqui continuo. Aliás, ela diz isso nesse vídeo incrível em conselhos para jovens: https://www.youtube.com/watch?v=L2EO3aXTWwg Eu ouvi muito harvest moon do neil young escrevendo esse capítulo, nao to satisfeita mas eu não conseguia ir além disso kkkkkkk Enfim, obrigada por ter lido.