Notas iniciais
Oieeeee! Desculpe pelo capítulo minúsculo, prometo que o próximo será bem maior, e me desculpe também pela IMENSA demora para atualizar a fanfic, sério! Amo vocês, e boa leitura!

Minha história não começou muito diferente das muitas que existem nos livros dos quais sempre fui apaixonada aqui na Terra. Na verdade, foi o que poderíamos chamar de clichê.

Eu tinha pouco mais de 4 ou 5 anos quando a primeira cicatriz surgiu. Foi de repente, e como a criança ingênua que era, fui facilmente convencida de que havia sido apenas algum acidente envolvendo um esbarrão em alguma pedra, sem querer, e outras desculpas parecidas foram dadas para as outras duas. É claro que ela não iria contar a verdade. Ela não poderia me contar a verdade.

Até que, num dia qualquer, a quarta cicatriz chegou.

Aos treze anos, meus primeiros legados sequer haviam tido as “normais” pequenas aparições. E eu, é claro, não esperava que eles aparecessem. Porém, a cicatriz apareceu. A quarta, que queimava meu tornozelo como brasa, e que me fez morder os lábios até sangrarem, tentando me impedir de gritar de dor dentro do banheiro da escola. Eu não era mais uma criança pequena, então, apenas daquela vez tive a certeza de que não havia sido um acidente qualquer sofrido por mim, uma distraída de primeira linha, e sim algo mais.

E, bem, foi assim que começou.

—Mãe! -Cheguei em casa curiosa, extremamente cansada e ansiosa para saber o que diabos tinha acontecido. — Mãe!

—O que foi, Alex? -Ela surgiu na porta, segurando com firmeza o pano de prato. Qualquer um que olhasse para minha guardiã, Mariana, pensaria que ela realmente era a minha mãe. Tínhamos os mesmos olhos castanhos, os mesmos cabelos escuros e cacheados, e, além disso, era ela quem havia me criado desde que eu me conheço por gente. Havia, é claro, o pequeno detalhe de que ela sempre alegou que realmente era minha mãe, e não apenas para os outros.

—O que significam? -Meu problema, e o que mais me rendeu intrigas durante os anos, sempre foi ter sido direta. Direta demais.-O que elas significam?

—O que? Do que está falando? -Suspirei diante da cara confusa dela, largando a mochila no sofá e tirando os sapatos. Apontei para o tornozelo, onde as cicatrizes estavam.

—Estou falando dessas cicatrizes.

—São arranhões, machucados que você fez quando era menor. Já falamos disso.

—Não falamos não. -Insisti. Dessa vez, aquela conversa me levaria,de qualquer maneira, a algum lugar. — Sabe o que aconteceu hoje? Meu tornozelo ardeu e queimou, como ferro em brasa sendo apertado na minha pele! Foi horrível, e, quando vi, uma quarta marca tinha aparecido. Acha isso normal? Acha que foi outro acidente? Já é a quarta! A quarta cicatriz!

—Q-quarta? -Vejo as mãos dela se tensionarem, seu corpo assumindo uma postura mais rígida, o rosto contendo uma expressão triste. Parecia não acreditar na informação que eu havia dado, embora sequer eu soubesse o significado daquilo.

—Sim, a quarta. -Confirmei, temerosa. Mariana, então, virou a costas sem dizer uma palavra, sumindo de novo para dentro da cozinha de onde tinha vindo, como se nada estivesse acontecendo. Mas estava, e eu conseguia sentir isso.

Fui atrás dela, atravessando a sala e indo até o outro cômodo, onde estava lavando a louça, cabisbaixa.

—Você sabe, não sabe? -Questionei, mas não obtive respostas, apenas uma virada de cabeça, sinalizando que era para eu sair dali. -Mãe!

Ainda sem pronunciar palavra alguma, ela se virou para o fogão, me ignorando por completo. Tive a impressão de poder ver lágrimas escorrendo de seus olhos, mas não pude ter certeza. Então, ainda debruçada sobre as panelas com comida, Mariana me lançou um olhar triste.

—Alexandra, arrume suas coisas.

—O que?

—Eu falei para arrumar suas coisas. Todas elas. Inclusive seu baú.

—Ma-mas porquê? -A confusão se alastrava em minha mente, fazendo minha cabeça girar. Ela estava pretendo fazer o que, exatamente? Me expulsar de casa por conta de uma simples pergunta?

—Não tem um porquê, Alex. Apenas vá. Sairemos depois do almoço.

Sem entender nada, e sem ter o poder de opinar diante daquela seriedade, subo as escadas.

Queria ter tido, naquele momento, um vislumbre do futuro que me esperava.

Notas finais
E aí? Gostaram? Queria muito agradecer á uma leitura muito especial, que conseguiu me fazer ter vergonha na cara e vir escreve a fic. Obrigada, Magui!