Notas iniciais
Ladies and gentlemen, apresento-lhes o novo capítulo!
lol
ficou boa minha nova saudação? comentem nos reviews!!! se gostarem, vai ser essa daki pra frente^^
esse capt fikou o mais curto, e vai ser o mais curto... e o ultimo sem sal... enfim!
a parte II Duas caras está acabando... esse eh o penultimo dela =*
no capt 15 vai começar a parte III Tormenta, a ultima da fic... ta acabando.... buah
ate o fim... espero estar melhor lah =*

São Paulo, 14:00

04 de junho

Assim que Vittoria gritou, o homem ficou imóvel, pois levou algum tempo para processar a informação. Era esse o tempo que André precisou para dar-lhe um chute nas partes íntimas, puxá-lo para dentro da cela e continuar chutando-o, até que ele ficasse imóvel.

Quando Vit percebeu que ele não estava chutando-o apenas para deixá-lo imóvel mais alguns segundos, puxou-o e disse:

- Que diabos está fazendo?!

Ele pareceu perceber, e então parou. Vit e André saíram dali, trancaram a porta e continuaram seguindo pelo corredor úmido e mal iluminado.

Subiram a escadaria quase correndo. Mesmo com a falta de oxigênio e a fome, a adrenalina os fez ter força de vontade para continuarem subindo aquelas escadas infinitas. Quando finalmente chegaram ao patamar onde se encontrava a porta para a antecâmara.

- VOCÊS NÃO VÃO FUGIR!!! — berrava o Sr. Oliveira, no final da escadaria.

- Abre logo a porra dessa porta, André! Ou vão acontecer coisas piores que a morte para nós!

Ele, sob pressão, não conseguia enfiar a chave na fechadura. Ela arrancou o molho de chaves da mão dele e destrancou a porta. Eles passaram correndo pela porta, e logo que entraram ela a trancou, para atrasar o Sr. Oliveira. Abriu a outra porta, e assim que passaram trancou-a.

Eles finalmente chegaram ao átrio do prédio. Como já passavam do horário de almoço, muitas pessoas observavam a cena: dois jovens correndo com roupas chiques sujas, saindo de uma sala com urgência.

Vittoria não ligou para isso. Afinal, tinha outras preocupações em mente, como sua vida.

André e ela correram até a Avenida Brás Leme, onde finalmente estavam livres, mas com um assassino os perseguindo.

- Aqui não tem um metrô, um ônibus que nos leve pra perto da nossa casa? — perguntou Vittoria, eufórica.

- Depende de onde estamos. Se estivermos no final da avenida, próximos à Santana, em poucos minutos chegaremos no metrô. Mas se estivermos na Casa Verde...

- Em qual direção que fica o metrô? Eu topo qualquer coisa.

Ele correu até um pedestre qualquer e perguntou algo. Então voltou.

- Estamos a uns cinco minutos da estação. É para lá. — Ele indicou a direção para onde seguiam.

Eles começaram a correr naquela direção. Algumas vezes ela olhava para onde tinham vindo, para ver se o homem os seguia.

- Não olhe para trás! Isso vai te fazer perder velocidade! — alertava ele.

Vit parou então de olhar, não só por isso, mas também porque a avenida acabara.

- Chegamos? — perguntou, esperançosa. Antes mesmo de obter a resposta, ela viu um metrô passando, alguns metros adiante. Era só chegar ao fim daquela rua para qual ele os guiava.

- Mais um pouco.

Eles continuaram correndo, agora em velocidade menor e ofegantes. Vit sentia como se seus pulmões ardessem em chamas, pois tamanha era a necessidade de oxigênio.

Chegaram finalmente à Cruzeiro do Sul. Ela estava quase animada, até ver onde estava a estação.

- Droga! — Ela deu o maior grito que conseguia dar. Depois disso, ela precisou descansar alguns instantes, pois não suportava nem mesmo andar.

- Vamos, Vittoria! Estamos quase conseguindo!

Ela, então, ganhou forças para continuar. Correram até o metrô, onde subiram as escadas rolantes e depois passaram por baixo da catraca. O guarda que ficava olhando as pessoas passarem, pararam-nos, e eles foram forçados a ir falar com ele.

- Não podem passar sem pagar.

- Escute aqui: — vociferou Vittoria, irritada demais para conversar. — Eu fui assaltada. Não tenho dinheiro nem nada, não conheço onde estou e estou desesperada para voltar pra minha casa tomar um banho. Uma única vez na minha vida eu não posso passar por baixo?!

O guarda então os deixou ir.

- Ele acha que você está de TPM.

- E daí?

- Não há nada mais assustador para um homem do que uma mulher de TPM, ainda mais se estiver irritada com ele.

Ela se controlou para não dar um soco nele. Eles estavam descendo as escadas rolantes para irem até a plataforma, quando o metrô que seguia no sentido Jabaquara chegou. Eles desceram correndo, empurrando quem fosse para passar. Um monte de gente resmungou no caminho.

Eles conseguiram embarcar e, assim que o fizeram, as portas automáticas se fecharam.

- Conseguimos — disse ele. Ela deu um sorriso, e eles seguiram de metrô e ônibus (ela teve que contar outra mentira para que eles conseguissem passar sem pagar) até o apartamento dela.

Quando finalmente chegaram lá, a primeira coisa que ela fez foi tomar um banho. André estava desesperado para ir ao banheiro, e ele foi enquanto ela tirava toda a maquiagem e a sujeira que o cativeiro colocara.

Depois que ela saiu do banho, foi fazer lanches. Eles já estavam há mais de vinte horas sem alimento nem água, e mesmo aqueles lanches simples seriam um banquete.

Mais de duas horas depois de que chegaram, eles terminaram de fazer o que tinham necessidade. Então, sentaram-se no sofá e começaram a conversar.

- Isso tudo foi a maior maluquice que eu já vi! – disse ela, eufórica.

- Concordo. Mas agora temos outra coisa para nos preocupar: amanhã seu pai vai vim.

- Você mesmo disse que... – começou.

- Eu sei o que eu disse. Mas devemos ignorar, se quisermos ter sucesso. Agora precisamos dele, se quisermos ter um plano e saber o que fazer.

- Ok.

- Que droga! – urrou o Sr. Oliveira. – Eu te pago para quê? Pra deixar dois garotos de dezoito anos escaparem?! Claro que não!!!

O capanga estava ali, sem fala. Ele não sabia o que poderia fazer, para contornar a situação. Nada devia ser a palavra certa.

- Está demitido. – disse ele, após um longo tempo de silêncio.

- Mas... – tentou argumentar. – Eu não tenho outro trabalho! Não sei o que fazer! Se me demitir, não vou ter com o que alimentar meus filhos e minha mulher!

- Isso não me interessa. Pegue suas coisas e vá embora! Ah! – ele se aproximou perigosamente do capanga. – Se ousar tentar contar algo que você viu pra alguém, eu mato seus filhos e sua mulher. Está me entendendo?

- S... Sim... – disse, apavorado.

- Adeus. – falou, sombrio.

O homem saiu sem perguntar nada, de tanto que era o medo que sentia. Provavelmente a melhor coisa a se fazer naquele momento era esperar, e fazer tudo que ele pedisse. Afinal, ele sabia do que o homem era capaz.

O homem ficou algum tempo lá, esperando que seu capanga saísse. Depois, começou a fazer a coisa mais desumana que podia: começou a esquartejar o corpo de Carol, que estava preso e sem vida há horas. Ele cortou-o em vários pedaços, colocou-os em uma sacola de supermercado e os guardou em uma mala. O Sr. Oliveira saiu da sala de tortura, levando a mala, e foi para bem longe da cidade. Ficou um bom tempo na estrada, até que achou um lugar silencioso próximo a uma mata fechada. Estacionou no acostamento e adentrou a floresta, até um lugar que ele achou seguro para desovar os pedaços do corpo dela.

Cavou um metro na terra e jogou as sacolas lá dentro. Depois colocou toda a terra novamente por cima da sacola e voltou para o carro. Retornou até a cidade e foi para sua empresa. Ele tinha que achar os garotos antes que eles agissem, e matá-los antes que eles tentassem escapar novamente da sala de tortura dele.

Subiu os elevadores, retribuindo os cumprimentos de seus funcionários. A maioria daqueles estavam apenas puxando saco, para tentar ganhar um aumento. Inútil, já que ele não daria a menos que merecesse. Ele era extremamente rigoroso quando o assunto era suas responsabilidades.

Ficou um bom tempo lá, resolvendo alguns assuntos que estavam pendentes. Depois começou a preparar como ele capturaria novamente os garotos.

Vittoria e André estavam sentados no sofá, conversando sobre uma coisa que teria que ser resolvida muito em breve: como contariam aos pais de Carol sobre o que acontecera. Ela cogitava várias hipóteses, entre elas a mais bizarra: esperar eles se desesperarem e a darem como desaparecida para sempre.

- Vou ligar para eles. E depois para a polícia. Vou contar tudo o que aconteceu, até a parte do cativeiro e da tortura. – disse, por fim.

- Você tem certeza?

- Sim. Mas o que mais me incomoda é que a polícia vai nos encher de perguntas, e vamos ter que contar sobre seu pai.

- E qual é o problema?

- Eu não sei... Mas acho que devemos falar com meu pai primeiro, para ver o que ele acha. Por ora, vamos falar sobre Carol apenas com os pais dela. O que acha?

- É uma boa opção.

- Pegue o telefone, que eu vou ligar agora. Só não sei como dizer...

- Então espere um pouco mais, pelo menos até saber como vai fazê-lo.

- Não! Se fosse com você, não preferia saber o quanto antes?

Ele ficou em silêncio, confirmando que estava correto o que ela disse. Vittoria discou o número e esperou que atendessem ao telefone.

- Alô? – chamou uma voz feminina.

- Juliana?

- Sim. Quem gostaria?

- Aqui é Vittoria, lembra de mim?

- Vittoria? Er... Não. — respondeu, sem jeito.

- Amiga da Carol.

- Ah, sim! Oi, Vittoria! Tudo bem?

- Não.

- A Carol foi dormir aí? Acho que a festa foi boa demais para que ela resolvesse dormir com você.

- Infelizmente, é sobre isso que eu tenho que falar.

- O quê aconteceu?

- A Carol... Nós fomos sequestradas. – criou coragem.

- Ai meu Deus! E vocês estão bem? Saíram? Só você saiu? A Carol está bem? Vão pedir resgate? Quando vão liberá-la? A polícia já sabe? Vai dar tudo certo?

- Acalme-se, Juliana! Eu estou bem, saí do cativeiro. Mas...

- Minha Nossa Senhora! Não diga que aconteceu alguma coisa ruim!

- Infelizmente... Lamento, mas acho que Carol foi assassinada pelos sequestradores.

O outro lado da linha ficou silencioso por um longo instante. Vittoria começou a se apavorar. Queria saber o que tinha acontecido com Juliana.

- Está tudo bem? Você ainda está aí?

- Minha filha... – disse, soluçando. – Não, meu Deus! Isso não pode ter acontecido! Não podem ter assassinado minha filhinha! AI MEU DEUS DO CÉU!!!

Ela desligou, e Vit ficou escutando o "tu-tu-tu" por uns longos minutos.

- Vittoria... – André arrancou o telefone da mão dela e colocou-o no gancho. – Acalme-se, meu amor!

Ele a abraçou, apertando-a em seus braços fortes. Ficou ali até que ela parasse de chorar, de ficar aos prantos. Beijou o topo da cabeça dela inúmeras vezes, até que ela finalmente parasse de soluçar.

- Está melhor? – perguntou.

- Um pouco... – ela foi até o banheiro para lavar o rosto, e depois foi tomar banho, mais para relaxar do que para se limpar. Ficou uns longos instantes embaixo d’água, e depois saiu para dormir.

- Vou descansar um pouco. Afinal, o dia amanhã vai ser longo.

Ele concordou, e deixou que ela fosse. Segundos depois ele foi atrás, e dormiu abraçado com ela.

Vittoria e Cleide estavam abraçadas no sonho dela. Sua mãe transmitia-lhe amor e afeto, enquanto ela precisava de um ombro amigo.

- Mamãe...

- Shhh... Não chore, querida.

Elas continuaram abraçadas, até que Vit começou a conversar com ela sobre tudo que precisava saber, ou pelo menos achava que precisava.

- Mãe, eu fiz tudo que você pediu. Meu pai vai vim?

- Provavelmente. Ele deve ter ficado contente em receber sua ligação, mesmo depois de tanto tempo. Ficou confuso, é claro. Quem não ficaria?

- Ele me disse que nunca mais falou com você após saber que estava grávida. Nem sabia meu nome. É verdade?

- Não. Ele tenta esquecer e esconder tudo, mas ele mesmo sabe que isso não é verdade. Nós conversávamos pelo menos uma vez por mês, nesses últimos dezoito anos e meio, contando com o tempo da gravidez.

- Então ele sempre soube do Segredo?

- Sim. – respondeu ela.

- E foi só por isso que ele resolveu vir pra São Paulo?

- Basicamente isso e porque eu morri. Você precisa de apoio, e uma coisa sobre seu pai eu tenho que te dizer: as qualidades. Ele é sincero, leal, amigo e nunca deixa o próximo de lado, ainda mais se o próximo é a filha dele.

- Então porque ele não me ligou esses anos todos?

- Não me crucifique, mas foi porque eu não deixei.

- Por quê?

- Isso você vai ter que perguntar a ele. Ele vai saber te explicar melhor do que eu, mesmo com anos de tentativas. Agora tenho que ir, querida. Quando você adormecer novamente, eu vou voltar para continuarmos a conversar.

Vittoria fingiu que ela não acabara de ouvir sua mãe dizer que impediu seu pai de vê-la durante todos esses anos. Quando ela voltasse a vê-la, conversariam. E quando seu pai viesse, amanhã, ela escutaria o lado dele da história.

- Te amo, meu amor.

- Também te amo...

Houve o clarão habitual, e tudo se dissolveu, até reaparecer no seu quarto, abraçada com seu namorado.

Vit passeou um pouco pelo quarto, e depois pela sala. Abriu a porta da sacada e saiu, observando a paisagem noturna da cidade de São Paulo. Era linda. O silêncio, reconfortante e acolhedor. Era algo maravilhoso num espaço tão densamente urbanizado como aquele, onde o único som ouvido era algo feito pela natureza: o vento, que soprava levemente ali. Um sereno caía lentamente, e em questão de minutos uma fina camada d’água envolvia seus braços.

Ela pensou em tentar domar o clima novamente, testar como se sairia. Segundo seu celular, já passava das onze horas, e na calada da noite ninguém perceberia. Começou eliminando algumas nuvens do céu, deixando-o um pouco mais límpido. Cinco minutos depois, ela notou que não garoava mais. Continuou por mais algum tempo, até ver algumas constelações que conhecia: as Três Marias (ou Cinturão de Orion), o Centauro, onde as duas estrelas de seu rabo apontavam para o Cruzeiro do Sul e a Crux, uma espécie de cruz antiga.

- Observando as estrelas? – a voz familiar surpreendeu-a. Ela não esperava que André acordasse, muito menos fosse ver o que ela estava fazendo.

- André! Você me assustou!

Ele sorriu levemente, e juntou-se a ela.

- São lindas, não são?

- Muito...

- Ainda mais se a cidade não tivesse tantas luzes. São elas que nos impedem de ver todas elas.

Houve uma pausa.

- Algum dia vamos ao campo. Lá elas aparecem mais intensas e mais numerosas. É algo que não se vê todo dia aqui. – completou ele.

- Isto será um encontro?

- Se quiser...

- Com você, sim.

Ela ficou quieta mais um tempo. Os dois juntos, tarde da noite, lembraram-na a cena que aconteceu com Daniel, tempos atrás. Dias que para ela pareciam séculos.

- Vou deitar, amor – disse ela. – Estou aqui há um tempo, e já estou com frio e sono. Se quiser ficar aí, não há problemas.

- Não, eu vou também. – ele seguiu-a, e no caminho fechou a porta da sacada. Eles deitaram juntos, e dormiram abraçados...

Notas finais
voltei =]
eai, gostaram? e a nova saudação? mandem seus reviews dizendo o que acharam^^
espero vcs lah...
Próximo capítulo...
"Cara ou coroa?"