Notas iniciais
bem... desculpe pela demora... Ando enfrentando uma fadiga mental grave...
mas felizmente agr j estou melhorzinho!
por isso postei o capt soh agr
ele eh o ultimo da parte II Duas Caras...
intaum divirtao-se!!!

São Paulo, 03:40

05 de junho

Logo que começou, Vittoria se lembrou que deveria ficar brava com sua mãe por ter impedido seu pai de ficar longe da vida dela.

- Mãe, agora você vai me explicar o porquê de ter me deixado longe do meu pai por tantos anos?

- Sim, querida. Agora já está na hora de você saber a verdade. – respondeu ela. Estavam na sala que sempre ficavam quando ela sonhava. Cleide respirou fundo e começou a história: — Seu pai queria te ver, mas eu impedi-o por conselho do pai do André.

- Com todo respeito, mas que droga de conselho foi esse?

- Ele disse que se você o visse, ele poderia querer levá-la pra o Mato Grosso do Sul, e eu perderia você para sempre, e isso nunca seria aceitável.

Vit sorriu. Por mais que fosse meio estranha aquela desculpa, a intenção fora boa.

- Agora, filha, vá dormir. Amanhã seu pai chega, e vocês terão muito a conversar sobre inúmeros assuntos.

Ela concordou, acenando com a cabeça. Ela virou para o lado a tempo, e o clarão levou todo o sonho consigo.

Vit fez o café da manhã, tomou um banho e foi preparar um belo almoço para receber seu pai: arroz, feijão, salada e batata com carne assada ao forno.

Ele chegou ao aeroporto por volta das três da tarde, e André e Vittoria foram buscá-lo.

- Definitivamente... Não é o que eu esperava – disse ela, ao vê-lo pela primeira vez.

- Idem eu.

Ela olhou para ele enquanto o mesmo se aproximava. Alto, forte, com cabelos grisalhos e um rosto com traços fortes e bem masculinos.

- Se eu fosse vinte anos mais velha, e ele não fosse meu pai, namoraria com ele. – brincou.

André se dividiu entre ficar abismado e com ciúmes. Preferiu se fingir de enciumado mesmo.

O pai dela se aproximou deles, cumprimentou-os e disse:

- Vamos? Temos muito a conversar hoje.

- Vamos – disse André. Ele guiou-os até seu Prisma, e foi para o banco do motorista. Paulo sentou-se no banco de trás, e continuou a colocar as novidades em dia.

- E você, está bem?

- Sim, melhor.

- Realmente, foi um baque pra todos. Ninguém esperava algo assim. E o culpado, foi pego, ou pelo menos já sabem quem é?

- Sabemos quem é, mas a polícia não tem nada. Eles disseram que não tem nenhuma evidência, por isso não tem nada concreto ainda.

- E enquanto isso ele fica impune?

- Por isso que pretendemos agir. Eu não quero ficar parada, e ver meu mundo se destruir por causa de um qualquer por aí.

- Tem razão. Mas o que te leva a acreditar que esse seu suspeito é de fato o assassino?

- Ele planejou minha morte duas vezes, tentou me sequestrar uma, conseguiu outra, me disse com todas as letras que ele tinha matado ela, matou minha melhor amiga, meu instrutor, tentou matar meu namorado e a mim.

- Tem razão, é o assassino – riu – Mas como vamos agir? O que você pretende fazer?

- Eu pretendo invadir o covil dele e destruir tudo que ele possa usar contra mim ou contra o mundo.

- Contra o mundo?

- Ele construiu uma máquina que controla o tempo climático, e pretende usá-la pela primeira vez amanhã. Quer fazer a temperatura mais baixa do ano até agora.

- E como você sabe disso?

- Fui informada.

- Hummm...

- E você sabe onde é esse "covil" dele?

- Eu sei onde ele tem uma sala de tortura, para as pessoas que ele deseja matar.

- Mas isso não é o suficiente.

- Não?

- Você precisa saber onde ele construiu essa máquina do tempo, onde ele planeja o que vai fazer... Se não nada poderá ser feito.

Vittoria ficou em silêncio pensando. Deveria realmente fazer isso? Ela estava com medo, até que resolveu tomar uma atitude drástica.

- Vou ligar para o Daniel. Ele sabe onde fica.

Sabia que ia se arrepender disso pra sempre, mas não custava nada tentar. Pegou seu celular na bolsa, e discou o número que estava na agenda do celular. Até hoje não sabia por que não tinha apagado, mas agora ela estava profundamente grata por não ter feito-o.

- Alô? Daniel?

- Sim, sou eu... Vittoria? – animou-se rapidamente.

- É – disse, grosseiramente. – Preciso de um favor seu.

- Qual?

- Onde se pai guarda a máquina do tempo?

- Por que você quer saber isso?

- Curiosidade.

- Ah! Então quando você me falar o real motivo, eu te passo o endereço. – Tava na cara que ele queria apenas prolongar aquele momento.

- Porque eu vou invadir lá.

- Boa sorte. Tchau, tenho que desligar...

- Não, espere! Eu te disse o porquê.

- E eu desejei boa sorte.

- O que você vai querer para me dizer onde é?

- Ir junto com você. Só eu e você.

Ela olhou para André, a procura de apoio.

- O que foi?

- Ele disse que só vai me falar onde fica se só eu e ele formos. Vale à pena?

- Você quer muito entrar lá o quanto antes?

Ela se lembrou da promessa que sua mãe fizera: "eu prometo que tudo vai estar acabado na quarta-feira".

- Sim.

- Então vale.

Ela voltou a conversar com Daniel.

- Tudo bem, vamos.

- Que ótimo! Então eu te busco na sua casa... Na terça-feira, tudo bem?

- Mas onde é?

Ele hesitou. E então disse o endereço, provavelmente com medo de perder a única mísera oportunidade de tê-la. Ela anotou mentalmente, e então terminou de combinar.

- Vamos nos encontrar na porta de lá, na terça-feira, às cinco da tarde. Tudo bem pra você? – disse ela.

- Sim. Então até lá, Vittoria.

Ela desligou o celular, e anotou o endereço num bloco de notas.

- Terça, cinco da tarde. – anunciou, vitoriosa.

Daniel desligou o telefone sorrindo. Depois ligou para seu pai, e anunciou o feito.

Quando chegaram a casa, eles comeram o almoço que Vittoria preparara mais cedo, e o pai dela continuou a conversa.

- E a escola, os amigos... Tudo vai bem?

- Minha melhor amiga foi assassinada pelo mesmo homem que matou minha mãe, já disse. De resto eu estou perdendo muitas aulas por causa dessa confusão toda, então preciso que você assine um documento explicando o porquê.

- Eu assino... Mas você tem certeza que deseja que eu fale o que realmente aconteceu?

- Diga apenas que estou abalada pela morte da minha mãe e da minha amiga. Acho que já é mais que suficiente.

Ele concordou. Mordeu um pedaço de batata assada, e olhou para a janela, relembrando dos velhos tempos.

- E você, está casado, tem filhos?

- Não. Moro com meus irmãos, sobrinhos, cunhados e minha mãe na fazenda. – disse, evasivo.

Eles terminaram de comer em silêncio. Depois da sobremesa, eles realmente começaram a planejar a parte importante.

- Você pretende entrar lá como? – perguntou ele.

- Bem, isso eu não sei. Acho que arrombar a porta já é o suficiente.

- Errado. Você tem que ficar a maior parte do tempo oculta, sem que ninguém saiba que você entrou lá.

- Acho difícil – André interrompeu. – Se conheço meu pai, lá tem câmera até nos mictórios. Ele não gosta que ninguém ande sem que ele saiba.

- Isso é um fato quase que concreto. Todos os locais onde acontecem atividades ilícitas há muita segurança, principalmente quando os donos desses locais são pessoas de grande influência financeira. Mas... Você nunca testou suas habilidades até o ponto máximo? – essa pergunta era para Vittoria.

- Como assim?

- Fazer os elementos da natureza trabalharem para você, como escravos. Por exemplo: fazer a chuva se desviar de você. Talvez você possa até curvar a luz solar, para se tornar invisível.

- Não. Mas mesmo que eu possa, nós entraremos lá durante a noite, e será totalmente coberto e sem nenhuma iluminação natural. Ninguém pratica isso ao ar livre.

- Ninguém?

Era uma pegadinha, mas ela não conseguia decifrá-la.

- Quem?

- Foi esse homem que me afastou de você durante dezoito anos. Eu o conheço há tempos. E eu sei que ele tem um terreno um pouco afastado da cidade, totalmente coberto de mata e algumas favelas, onde ele desova corpos e esconde tudo que ele deseja desviar. Comprou-o no ano passado de um amigo da minha mãe, que usava lá como depósito de grãos. Quando foi ocupado por uma favela, ele decidiu vender, sem esperança, mas esse homem o comprou e até hoje não moveu uma única ação na justiça para expulsar as pessoas de lá. Há uns cinco meses eu fui ver o que estava acontecendo lá, e vi tudo isso. O povo vê o que o governo finge não ver. Se fosse uma ditadura, isso já teria sido percebido.

Ela ficou em silêncio absorvendo toda aquela quantidade imensa de informações. Depois contra-atacou:

- Mas isso não significa que o covil dele seja a céu aberto.

- Tem razão. Mas nunca o subestime a esse ponto. – Era um conselho muito importante, conjecturou.

- E tem mais uma coisa: eu vou entrar lá, mas como vou achar a máquina ou mesmo destruí-la?

- Achar é fácil: fique perambulando por lá até achá-la. Provavelmente vai ter uma sala dedicada a ela, e se houverem pessoas, a maioria vai em direção ao núcleo do covil: ela. Quanto a destruir, depende de que ela é feita, e como está protegida. Tente primeiro cortar alguns fios, ou mexer nos controles. Se o Daniel te ajudar, melhor ainda. Conte principalmente com ele, e depois com a possibilidade de destruí-la usando força bruta ou a ignorância.

Ela olhou para André. Desde sua dica de que haveria muitas câmeras lá, ele ficou quieto. Ela queria beijá-lo, pedir pra ele olhar pra ela. Estava pensando muito e algum assunto importante...

- Então, é isso?

- Não. Temos outros problemas: nem eu nem ele temos emprego, mas vamos ter contas a pagar em breve. – ela sentia-se até envergonhada de falar isso.

- Isso eu ajudo. Também vamos ver o inventário da sua mãe, e os direitos que você tem de receber. Se não me engano, há até uma indenização que você pode pedir para ele, por danos morais. Ele matou sua mãe e sua amiga, e isso pode dar um bom dinheiro. Mesmo que eu esteja errado, vou ajudá-los.

Mais tarde, ela mostrou a seu pai onde ele iria dormir, e foi deitar-se com André. Quando a casa estava totalmente em silêncio, ela resolveu perguntar o que estava acontecendo.

- Nada...

- É ciúme?

- De você com seu pai? De jeito nenhum.

- Não. Eu sei que você quer ir comigo para o covil, e eu vou ter que ir com o seu irmão. Eu sei que isso deixa você triste e chateado.

Ele ficou em silêncio. Isso só podia significar uma coisa: ela estava certa.

- Não precisa ficar com ciúmes. Afinal, ele disse que eu e ele deveríamos ir sozinhos, mas não disse que poderia haver outro grupo indo.

- Você quer dizer que...

- Eu e ele vamos dar cobertura pra você e para meu pai. Vocês vão destruir a máquina, enquanto eu e o Daniel vamos distrair seu pai. O que você acha?

- Eu acho bom... Bom não. Ótimo. Mas... Tem certeza que você vai conseguir fazer isso? Eu não poderia viver sem você, e nunca me perdoaria se você não voltasse a ser a mesma.

- Mas nada seria sua culpa, amor.

- Seria, sim. Indiretamente fui eu que provoquei o acidente com meu pai. Se naquele dia eu tivesse ido com meu pai, ele não teria corrido, e nada disso teria acontecido. Você viveria com sua mãe, teria sua amiga com você...

- Exatamente: nada disso teria acontecido. Eu nunca teria te conhecido, nunca teria conhecido meu pai... E outra: quem garante que ele não teria corrido? Ele poderia continuar fazendo isso, e você provavelmente estaria morto, ou pior: com sequelas graves. E para completar: você nunca saberia o que ia acontecer, ou o que teria acontecido se você tivesse ido com ele. O que passou não pode ser mudado.

Ele ficou quieto. Vit percebeu que ele estava chorando, e ela abraçou-o fortemente.

- Eu prometo pra você que voltarei inteira, pra continuar enchendo seu saco – riu. Ele retribuiu o sorriso.

- Tudo bem, eu aceito.

Ela beijou-o, e sussurrou:

- Obrigada!

São Paulo, 03:35

06 de junho

Novamente aquele ambiente que lhe inspirava paz. Sua mãe e ela, abraçadas, e ela sussurrando:

— Vai dar tudo certo...

Vit esperou o momento certo de dizer o que queria:

- Agora eu entendo tudo, mãe. Tudo o que você me disse, aquela noite. Na hora eu não tinha entendido nada, mas agora parece que tudo está claro.

- Espere mais um pouco. Daqui dois dias você vai ver que tudo fará mais sentido ainda. Mas, meu amor, nem tudo está acabado. Ainda faltam muitos problemas a serem resolvidos, e todos cairão sobre você na terça-feira.

- Por que essa data se tornou tão importante?

- Porque é a data final. Quando você enfrentar seus desafios, só virá a paz.

Vit engoliu em seco. Isso era alguma profecia? Ou pior: isso significava que ela ia morrer?

- Você está seguindo pelo caminho certo – disse ela, indicando a têmpora com o indicador. – Mas nada será como imagina, pelo menos não totalmente.

Ela observou sua mãe por um longo instante.

- Agora eu vou, filha. Tenho que ir.

- Até amanhã, mãe...

- Até.

O clarão sugou todo o sonho, e só restou ela, na escuridão do quarto durante a madrugada.

Ela bebeu um copo d’água.

- Acordou durante a noite? – perguntou seu pai, assustando-a.

- Sim... Que susto!

Ele sorriu.

- Bem, pai... Eu e o André conversamos, e acho que seria melhor se eu e o Daniel fôssemos à frente, e déssemos cobertura para você e para o André destruírem a máquina, sem o Daniel saber.

- De jeito nenhum. Você deve acabar isso, e não eu ou ele. Ninguém deve interferir no seu destino.

- Pai... Ajude-me!

- Eu ajudo, mas isso não dá.

- Então vamos decidir no cara ou coroa?

- Decidir se seu destino será completo num mísero joguinho de cara ou coroa? Mas nem pensar!

- Você tem uma moeda aí?

- Não, e não vou aceitar.

- Pai, você mesmo disse que estava disposto a aceitar qualquer coisa para ajudar-nos. E isso vai!

- Não...

- Por favor... Por mim...

Ele encarou-a, bravo.

- Isso é jogo sujo... – disse, pegando uma moeda no bolso. — Coroa — anunciou, enquanto jogava-a para o alto, e olhou o resultado com uma expressão estranha.

Notas finais
oi de novo!
bem, espero q tenham gostado!
agr começa a parte III Tormenta, onde ocorrera o desfecho dramatico dessa fic....
muahahahahahah
bem, teh la int^^
Próximo capítulo...
"O teste"