O Segredo da Meia-noite
1 I Descobertas - Prólogo
Notas iniciais
São Paulo, 00:02
22 de maio
Era uma noite fria de maio, não só na temperatura, mas também na atmosfera que envolvia a ponte, a cidade inteira. O ar pesado da madrugada trazia os barulhos da cidade, as buzinas, motores à combustão, cachorros abandonados na rua latindo, das baladas mais ao sul, das empresas que trabalhavam freneticamente naquela megacidade. Odores também eram sentidos, fortes e nada agradáveis.
Cleide Dielo (nome belga que se pronuncia Diêlo) estava envolta em seu casaco grosso, de peles sintéticas, mas tremia de frio mesmo assim. Não só de frio, mas de medo e até pavor. Temia pelo que estava por vir. Ela andava pela ponte que ficava sobre o rio mais poluído da cidade, e já via a silhueta dele, a única pessoa além dela e dos carros ali. A silhueta ameaçadora de um homem forte, robusto e alto, que inspirava medo nela em todos os seus pesadelos. Em nenhum momento ela deixou de pensar em sua filha, que corria um perigo mortal assim como ela; mas Cleide estava disposta a salvá-la da ira de um assassino.
- Atrasada. Espero que isso não se repita. – disse, com sua voz forte e fria, como o vento na calada da noite que ela sentia, que vinha do corredor sem edifícios que o Rio Tietê fazia.
- Não vai. Porque essa é a última vez que nos veremos. Não. – ela tentou transmitir segurança e firmeza, mas acabou saindo meio trêmula sua voz.
- Pense bem, Cleide. É uma chance única para sua filha. – tentou convencê-la, como sempre fazia.
- Pensei muito. Nem ela nem eu vamos cair nesse seu joguinho de persuasão. – dessa vez ela conseguiu dizer com a firmeza necessária, num tom de quem não estava para brincadeiras.
O homem ficou em silêncio por um longo tempo, olhando as águas acinzentadas que corriam lentamente entre a avenida.
- Então sinto muito. — Com um movimento rápido, ele sacou uma faca de seu casaco e cravou no pescoço dela, na região onde ficava a carótida. Algumas gotas de sangue respingaram na calçada, mas não muito, pois ele a lançava no rio antes que pudesse fazer muita sujeira.
Contemplou o corpo dela afundando, com um sorriso malicioso, até que resolveu entrar no seu carro, estacionado em lugar proibido, e ir embora antes da chegada da polícia que ele mesmo chamara.
Ele a teria, custe o que custasse.
Notas finais
Próximo capítulo...
"Noite sangrenta"
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