O Segredo Dos Gêmeos
2 Capítulo 2 - Em Chamas
– Que barulho foi esse Rin?! — Len perguntou olhando rapidamente para trás, vendo assim um clarão do lado de fora do galpão.
Os dois saíram correndo para fora do mesmo e olharam diretamente para a casa.
– A... Casa... — Rin disse com os olhos refletindo a chama que encobria a casa por inteiro.
– A vovó! — Len gritou com os olhos mareados e com uma expressão de dor.
– Eu vou buscá-la! — Rin disse desesperada e puxou Len pelo pulso, mas ele ficou parado, resistindo.
– Mas você sempre vem... — Rin disse e olhou para trás assustada.
– Eu não quero ir! — Len disse e soltou seu braço bruscamente das mãos de Rin, e saiu correndo á poucos metros — Eu não quero morrer!
– Você quer deixar a vovó lá?! Porque eu não quero! Então venha agora comigo! — Rin disse, mas Len se encolheu.
– Eu não vou... — Len sussurrou e deu as costas para Rin, abaixando a cabeça.
– Você não quer salvar a vovó?! Ela pode estar morrendo agora mesmo! Deve estar doendo! Você já se queimou várias vezes com a chaleira, com o fogão, mas imagine com todo esse fogo! Olha tudo que ela já fez pela gente! Ela é nossa única família! — Rin disse chorando e gritando, tentando explicar o quanto sua vó era importante para ela.
– Temos só dez anos e eu completei eles hoje... Eu não vou, quero viver mais! — Len disse gritando mais alto ainda e chorando.
– Então foge! Viva a sua vida pensando que a vovó pode estar morta por sua culpa! — Rin gritou com raiva e saiu correndo em direção da casa.
– Ela não vai morrer... Ela não pode morrer... — Len disse e saiu correndo, em rumo ao nada, apenas com suas roupas de pijama, uma recordação terrível e lágrimas pesadas em seus olhos azuis.
– Vovó?! Vovó?! Onde você está?! Grite se me ouvir! Eu estou aqui! Me responda por favor! — Rin dizia com a mão na boca, para não respirar fumaça.
– Rin... — A vó sussurrou.
Rin ouviu quase automaticamente o sussurro de sua vó e saiu correndo para procurá-la.
Nesse momento ela tropeçou em um escombro e caiu no chão, quando se levantou se sentiu tonta e cambaleou para trás alguns passos encostando em uma parede e queimando gravemente suas costas.
Rin gritou de dor e começou a se debater para apagar as chamas e rapidamente elas sumiram do que restou do pijama.
Então ela continuou na direção de onde ouviu a voz de sua vó, tentando ignorar sua dor por um bem maior.
– Eu te encontrei! Eu vou te ajudar á ir lá para fora! — Rin disse puxando o braço da avó.
– Rin... Rin. — A vó chamava sua atenção. — Fuja... Eu já estou morta.
– Não, não está! Você está falando, ainda tem chance de viver! — Rin disse chorando e foi puxando sua avó até chegar na varanda, que se encontrava na frente da piscina.
– Vamos ficar aqui dentro d'água, assim não nos queimamos. — Rin disse e saiu de dentro da casa.
– Eu não posso entrar, eu não vou aguentar... — A senhora disse em meio a suspiros de dor.
– Vovó... — Rin disse tapando a boca e seus olhos se arregalaram. Sua vó estava toda queimada, estava em carne viva. — Como está aguentando?! Vamos ao médico agora! Vou chamar uma ambulância!
– Eu preciso te dizer algo antes de ir... — A vó disse sorrindo docemente.
– Diga-me que vai viver comigo pra sempre. — Rin disse se ajoelhando e sentando junto á sua avó. As lágrimas escorriam e a menina já não sabia mais o que fazer.
– Só os especiais se lembrarão. — A velha disse, sorriu e fechou os olhos lentamente.
Seu corpo caiu dentro da piscina e Rin entrou nela para tentar segurá-la.
– Você não vai morrer vovó... Não vai! Eu não quero que ninguém mais morra! — Rin dizia puxando as vestes de sua avó para a superfície da piscina.
Ela estava pesada, sua roupas pesaram por estarem molhadas.
– Vovó! Vovó! Por favor! Não me deixa sozinha! — Rin gritava e mergulhava tentando puxá-la, mas de nada adiantava.
Logo ela percebeu que sua vó estava com um expressão serene e não demonstrava mais a dor de antes.
– Não... Não! Vovó... — Rin gritou, se afastando e indo até a borda da piscina. Ela estava assustada e as lágrimas pareciam estar saindo feito um rio. — Se eu não tivesse trazido nós duas aqui! Se eu não tivesse pedido a vela no mercado, se eu não tivesse nascido! Mas não, eu tenho sempre que destruir tudo!
Assim que ela terminou de dizer aquilo, sons de carros de ambulância, bombeiros e policiais surgiram ao fundo.
– Querida! O que aconteceu?! — Sua vizinha, ainda de roupão perguntou desesperada invadindo o quintal da casa de Rin.
Rin estava em choque, seus olhos estavam arregalados, suas lágrimas estavam quase secas em suas bochechas e seu coração esta á mil. A menina observava o corpo de sua vó no fundo da piscina.
Os bombeiros apagaram o fogo e a ambulância colocou a sua vó na maca.
– Vovó... — Rin sussurrou e viu a porta da ambulância se fechar e ela ir embora. — Por que você tinha que ir?
– Chamamos o conselho tutelar querida, eles vão colocá-la em um orfanato para não ficar sozinha. Logo, logo eles chegarão. — A vizinha disse tentando sorrir e entregou-lhe uma toalha. — Sei que parece difícil agora, mas vai dar tudo certo, tudo isso vai passar.
– Orfanato?... — Rin se perguntou, ainda em choque.
A vizinha a abraçou por um tempo e foi embora, deixando-a com os policiais e bombeiros.
Ela tentou levantar, mas ainda estava cambaleando, suas costas estavam ardendo graças ao cloro da piscina e a toalha estava colando na sua carne. Os adultos não prestaram atenção nela, pois estavam ocupados conseguindo recuperar algo ou saber como tudo começou.
Rin se escondeu em meio aos arbustos e ficou observando a movimentação e o desespero do conselho tutelar assim que chegou e não á encontrara.
– Só os especiais se lembrarão... — Rin sussurrou, se levantou e andou pelo meio da rua, sem saber para onde ir, apenas fugindo dos estranhos.
De longe, a fumaça era mais que visível e as luzes das viaturas mais ainda.
– O que aconteceu lá?! — Len perguntou olhando para trás e correndo em direção ao centro. — Eu só desejo que ela...
– Ele esteja bem... — Rin disse baixinho.
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