O Sangue Que Adormeceu o Vampiro
1 Fragmentos do tempo
Notas iniciais
Feliz Aniversário. Exatamente no dia!!
Há um comentário muito curioso sobre o Castelo Vajdahuyad em Budapeste na Hungria; ele foi construído para celebrar os 1.000 anos da Hungria, ele é gótico, estiloso, barroco, porém, ele também é visivelmente romântico que era de se duvidar. Os comentários sempre eram sobre uma pessoa com a identidade desconhecida que vivia nele.
Dizem que era um escritor, um monge, alguém que nunca saia do seu amável castelo, por algum motivo desconhecido. Existe também um boato que o morador anônimo observava a todos da sua janela mais alta onde também dali escrevia versos sem nenhuma expectativa, porque uma ou outra vez uma página havia sido encontrada bem distante dali, sem assinatura e com uma caligrafia diferente.
Mas, eram apenas comentários, apenas boatos, apenas dizeres.
Boatos... Ela acreditava em todos os comentários sobre o belo Castelo Vajdahuyad. Talvez até ajudou a espalhar alguns deles, e mesmo sem poder se aproximar da propriedade que era enorme, ás vezes sentia falta de conversar com alguém.
Katherynne Komáromi, olhou pela janela de seu quarto mordiscando o polegar. Estava esperando o tempo abrir um pouquinho, ela queria sentir nem que fosse por um breve momento os raios do sol em um dia monótono de final de inverno e começo de primavera. Aquele inverno estava sendo cruel de várias formas. Pouca comida, patrões insuportáveis, roupas finas, conversas inúteis e bobas. Repetitivo.
Sua mão esquerda segurava uma folha arrancada com poucas palavras, feita por uma pena cara, com uma tinta visivelmente rebuscada:
Estou escrevendo o que não consigo ver.
Estão me dizendo que é bonito.
Por entre fragmentos do tempo.
As quais ninguém consegue encontrar.
Voou durante a noite anterior, e ela pegou para si. Não tinha nome nem nada, então teoricamente, era seu.
Ela ansiava tanto pelo calor solar, mesmo que o calor não fosse algo que lhe atraísse. Mas, para quem não tinha calor humano a um bom tempo, poderia ser trocado facilmente por calor solar. Tudo aconteceu tão rápido que talvez ela estivesse sentindo os efeitos até agora. Á dois verões atrás sua mãe havia morrido, seu mais velho irmão faleceu no inverno do mesmo ano. Sobrando apenas ela, suas três irmãs e seu pai. Um reconfortava o outro, um abraçava o outro, todos cuidavam uns dos outros. Eis, que no outro verão, a Morte veio levar sua irmã gêmea; que desidratou até morrer. Já a segunda mais velha, se casou, e com a mesma rapidez que engravidou, foi enterrada. Deixando apenas ela, sua irmã mais velha e um cunhado incrivelmente, como ela dizia, intelectualmente atrasado e insuportável.
Mas, ela não podia reclamar, não podia-se dar o luxo de reclamar. Ainda tinha sua irmã mais velha... Arrogante e mandona, porém, ainda a tinha; a irmã que em nenhum momento mostrou compaixão ou carinho depois que os parentes morriam um por um. Então ela poderia se considerar estar sozinha. Em uma casa barulhenta. Com um papel nas mãos. Vendo o sol nascer, se preparando para seu dia. Foi então que uma mão pousou sobre seu ombro o fazendo pesar, a fazendo olhar para trás com rapidez a tirando do seu transe. Em teoria, ela esperava que quem fizesse isso fosse sua irmã, Katalin que é extremamente ríspida e autoritária, claro que ela era rabugenta, só sobrou ela para cuidar da irmã caçula que diga-se de passagem dava muito trabalho, mesmo que ela fizesse todo o trabalho que lhe mandassem.
A mão era mais pesada, então para seu desapontamento, parecia que alguém queria dar ordens na casa naquele dia de inverno. Quando foi obrigada a ficar frente a frente para Benedek, seu cunhado que estava irritado, e nem tinha o porquê ele estar irritado, Katherynne apenas ergueu uma sobrancelha.
—Me solta. – Ela disse abaixando o ombro para que ele a tirasse a mão. – Eu esperava um “Bom dia Katherynne, como você está? ” E não uma demonstração besta de força. O que você quer? – Ela se afastou. Foi quando o frio cortante de fevereiro bateu em suas costas por uma janela aberta. Ela não sentia o frio enquanto estava de frente para a janela.
Benedek Hagedüs não era nenhum nobre, não era o cara que iria tirar a irmã dela da pobreza como seu pai tanto rezou para acontecer; ele era apenas um
—Está atrasada! Você sabe, ou vai querer ficar sem jantar de novo? – Ela pensou em retrucar, mas, não deu tempo. – Se a essa altura, com essa idade e com essa sua responsabilidade deixasse eu escolher um noivo para você, duvido que passaria fome. – Ela fez um bico, Katherynne sabia desses detalhes, as coisas eram assim: nõ existia justiça quando seu cunhado lhe via como um incomodo, já que ele trabalhava para sustentar sua noiva, ela trabalhava na casa e ela trabalhava para alimentar a si mesma. E esse fato era muito ruim. Como Katherynne estava torcendo para os dias na sua monótona vida acabarem, e ela não ter que conviver com seu cunhado.
Ela deu um sorriso falso, tentou parecer simpática, acenou com a cabeça e fechou a janela. Para sua surpresa o agregado burro entendeu que ela iria se trocar e saiu do quarto batendo a porta com tudo quando saiu. Katherynne sabia que homens eram todos iguais, machos baratos e insuportáveis. Ficou pensando quando o cara que estava em sua casa iria trabalhar, mas, como pensar nesse fator era algo inútil, ela olhou para a folha com letras formosas mais uma vez, e guardou na sua gaveta, pensou em vender aquele achado por alguns míseros trocados, mas, parecia alguma coisa que o dono gostaria de ter de volta algum momento. Mesmo que isso não fosse acontecer, ela queria ficar com aquela folha com frases tão fortes.
—Fragmentos do tempo... Como se o tempo pudesse ser quebrado; ou imaginado que isso fosse possível. – Katherynne falou consigo mesma respirando fundo em seguida. – É cedo para perguntas sem respostas! – Foi quando ouviu a voz de sua irmã, ela ainda não havia saído para trabalhar, abriu a porta e a observou por alguns segundos dentro do quarto. Parecia estar conversando sobre algo muito sério com o noivo pois ele passou a mão sobre o rosto, pensativo, preocupado, e em seguida olhou para seu quarto, na verdade ficou surpreso em ver ela com a cara para fora do quarto. Katherynne não se intimidou.
—Bom dia Katherynne, como você está? – Ela percebeu que a voz da sua irmã estava tremula, ela estava tentando segurar as emoções, o que preocupou a caçula. – Achei que você já tinha ido trabalhar. – Então a voz de Katalin se suavizou um pouco.
—Digo o mesmo de você. O que aconteceu? – Ela saiu de seu quarto se aproximando de sua irmã, evitando seu cunhado. Katalin relaxou os ombros, mas, continuava tensa. As duas irmãs Komáromi eram loiras, de cabelos ondulados, e olhos castanhos; quando era mais nova, Katalin se parecia muito com Katherynne; então provavelmente quando Katherynne fosse mais nova, se pareceria com Katalin.
—Você vai ter que voltar hoje antes do anoitecer.
—(...)
—Laini virou comida de monstro na floresta! – Ela completou; e Katherynne ficou petrificada por uns instantes. – Parece que ela saiu da trilha na hora de voltar para casa, e só hoje acharam seu corpo. – Laini fora a pessoa mais próxima que Katherynne identificava como irmã mais nova de consideração. Ás vezes ela a convidava para andar na floresta apenas para relaxar, já que por causa do trabalho duro e a pressão social para se casarem estavam ocupando todo o seu tempo. Ambas passavam muito tempo juntas, as irmãs de Laini haviam morrido no último inverno e sua mãe e seu irmão não davam folga para a pequena. Agora, iriam ter que trabalhar em um funeral para a filha.
Katherynne iria falar alguma coisa quando sua irmã tocou em sua cabeça a assustando. Tanto pelo contato, quanto pela atitude.
—Eu sinto muito pela sua perda. – Antes de ela agradecer, a irmã continuou. – Mas, sinceramente, não pode dar o luxo de ficar de luto e perder o emprego. – Ela se afastou da irmã.
—Eu ainda acho que eu deveria ainda ir na casa da mãe dela! Lógico que eu não posso ficar de luto! – Ela retrucou estava bem irritada. – Não pode me privar de ficar de luto, principalmente por uma pessoa que me dava mais atenção do que alguém da minha própria família! – A verdade era tão amarga; Laini era seu doce. – Para mim tanto faz trabalhar ou não, quem fica com fome sou eu, porque o casal não pode ficar com fome, não é? – Katherynne reagiu de uma forma que ela evitava reagir até porque sua irmã estava tão sensível, com certeza estava grávida; por isso comia demais. – Quer saber? Talvez eu sirva de sobremesa de monstros.
E calçando as botas, vestindo seu melhor agasalho e pegando seu avental de costura, ela saiu de casa batendo a porta com tudo.
Laini havia partido, mas, isso era o que sua irmã falou, quem garantia que era verdade? Precisava passar na casa dela para ter certeza; quando mudou a sua rota, para ir em direção à casa da garota, alguém a puxou pelo braço com tudo, quase fazendo cair sobre a neve.
—Onde é que você vai? Não ouviu os boatos? Não saia da trilha, não vá para o bosque! – Os olhos verdes e os cabelos ruivos mal presos no laço invadiram a visão, Mariska trabalhava junto com ela, então não era surpresa encontrar ela no meio do caminho. Surpresa era ela estar no SEU caminho. – Eu vi o corpo da Laini.
—Oi Mariska. – Disse Katherynne nada animada, sua colega de trabalho era tão desbocada, tão estranha, tão incoerente que geralmente ela tentava evitar. – Você saiu da sua trilha. – Ela negou. – Ah não?
—Estou andando na trilha da Laini. Eu sei que vocês eram muito amigas, e não acreditei quando falaram que ela foi atacada por alguma coisa; mas, pelo que eu percebi, ela tentou se defender. Por isso morreu. O seu pescoço estava completamente dilacerado. – Katherynne mordeu os lábios, não queria acreditar no que estava ouvindo.
—E que animal foi? Dá para saber qual foi? – A outra negou; então ela era bem inútil ali dando informações para Katherynne. Que preferiu ficar em silêncio, no caminho para o trabalho, mesmo que a outra não pensasse assim.
—Mas, com certeza foi um lobo. – Mariska continuou falando enquanto caminhavam. – Se não foi um lobo, deve ter sido uma raposa. Ou...
—O que é um monstro para você?
—(...) Um demônio? – Katherynne estralou os dedos na frente dela.
—E o que um demônio geralmente faz? – Elas pararam de andar, Mariska deu ombros, não entendeu a pergunta. – Eles possuem pessoas. Um monstro não precisa ser necessariamente um animal.
—Komáromi... Um humano não faria aquilo nem pelas forças ocultas de magia negra. – Não importava como, quem ou o que fizera aquilo, por um momento ela queria desviar sua mente daquela imagem macabra, para no fim a imagem ficar pior, e a angustia tomar conta do seu corpo. Ela perdeu sua melhor amiga para sempre.
Á cada passo que dava, as perguntas começaram a surgir; aparentemente agora era o momento do dia em que as perguntas tinham que fazer sentido. Laini era mais nova que ela, não saia andando para lugar nenhum sozinha, isso era questão de querer companhia, ela amava estar acompanhada. Na hora de voltar para casa já estava no ponto de escuro, e mesmo acompanhada ela não iria sair da trilha porque estava perto da hora do jantar. Elas se separaram na curva em que elas haviam acabado de passar, ela foi para sua casa e Katherynne para a sua. Sair do caminho seria apenas para a floresta, mas, porque ela iria para a floresta? Não tinha folhas, flores ou gramas, apenas neve e árvores dormindo para a primavera. Ela não tinha o que fazer na floresta. Alguém podia ter chamado sua atenção?
Mesmo assim, quem ia estar em lugar repleto de neve quando se estava tão frio? Aquelas perguntas assolavam a sua mente tapando seus ouvidos das coisas que Mariska estava falando, e foi pensando nisso até chegar na fábrica de costura, onde iria trabalhar incansavelmente de luto até umas cinco horas. Assim que entraram na fábrica de roupas, todos pareciam assustados, porém, aliviados quando Mariska e Katherynne passaram pelos portões.
—Ah! Vocês estão vivas! – Exclamou a encarregada das duas. – Ilesas.
—Vamos ficar nessa apreensão por quanto tempo?— Sussurrou Katherynne para si mesma, ficar lembrando disso era uma tortura, era como se lembrar da morte de seus pais e irmão, que foram tão rápidos quanto a de Laini foi; do dia para a noite.
O dia já começou ruim quando seu cunhado arruinou seu momento sozinha, em seguida ela descobriu que Laini morreu, então Mariska tentou uma amizade forçada e o clima fúnebre no trabalho estava cortando sua garganta. Era como repassar todas as partes do luto de outras pessoas e de uma que foi adicionada. Uma situação esquisita que ela não estava conseguindo explicar.
Porém, não estava difícil de entender. Katherynne refletiu por poucos segundos, foi o tempo que ela levou para chegar até o seu lugar e começar a separar o tecido.
(...)
O tempo estava passando em pedaços.
Fragmentos.
~
Fragmentos do tempo era o que estava escrito no papel, e obviamente era uma coincidência, não era algo que algum mago ou adivinho teria previsto, e estava caído no chão, não significava nada. Eram apenas frases. Nem formavam algo concreto, nem nada...
E por esses longos pensamentos sobre coincidências ou não, Katherynne acabou perdendo dois tecidos em que rasgou acidentalmente, isso não acontecia, não podia acontecer, foi apenas levada pela emoção do luto. E depois pela curiosidade de quem havia escrito aquilo e forma tão bonita. Quando foi chamada a sua atenção, ela decidiu que depois do trabalho precisava ver a mãe de Laini, talvez apenas talvez o corpo ainda estivesse na casa, possivelmente ainda não arrumaram uma cova para a pequena Laini.
—Atenção, para segurança e evitar o pânico, antes de começar a escurecer vamos estar dispensando vocês. – Houve alguns cochichos. – Não precisa ficar com medo, de dia é mais fácil de socorrer.
—Ah, claro. – Katherynne comentou, mas, não elevou a voz para que ninguém pudesse contesta-la; então riu, como se a luz do dia pudesse ou não impedir um animal selvagem de atacar alguém. Sua amiga foi apenas surpreendida por uma besta fera, por ter saído da sua trilha habitual; o que já acabava com o argumento de Mariska; se ela estivesse ou não na trilha, o bicho selvagem a pegaria iria pega-la se ela estivesse ou não na trilha, como se um animal terminasse até onde era uma trilha ou até onde poderia atacar. Claro, o animal tinha essa consciência.
A medida que o tempo ia passando, parecia que as pessoas iam se acalmando, e aos poucos conversando entre si, porque segundo alguns, dentro da fábrica eles estavam seguros, e em grupo poderiam se defender. Então eles mantiveram essa mentalidade até mais perto da hora de irem embora, que foi quando tudo voltou à tona, e mesmo com um pouco de luminosidade ainda temiam que algo pudesse acontecer.
O pagamento daquele dia não foi mais do que cinco moedas; as outras oito moedas não foram entregues porque não cumpriram as horas certas de trabalho.
—Não me importaria de sair daqui de noite se fosse para ganhar minhas treze moedas. – Resmungou Mariska. Katherynne riu guardando suas moedas no bolso do avental.
—Mas, e se algo acontecesse com você, quem iria trabalhar amanhã para a Madame? Ela teria perdido oito moedas à toa. – Katherynne olhou para o céu. – Do que adiantaria você morta? – A outra fez um bico indignada. – Estou tão frustrada quanto você, por isso eu pensei que alguém já estaria indo atrás desse monstro. Mas, já estou vendo que são bem covardes.
—Que seja, que façam, que eles sejam mesmo... – A outra falou. – Já sabe o que vai comprar com suas preciosas moedas? – Katherynne colocou a mão no bolso pensando. – Eu vou comprar pão e um pedaço de queijo.
—Eu ainda não sei exatamente. – Katherynne estralou os dedos. – Mas, queijo é bom, mas, não compraria algo para dividir com meu cunhado. – Mariska sorriu.
—Então, vamos comprar algo antes de ficar muito tarde para voltar para casa? – Katherynne prensou os lábios e acenando com a cabeça foi comprar algum alimento com suas trabalhadas cinco moedas. A caminhada até o mercado foi até mais silenciosa, Mariska estava cansada por isso o silêncio, e isso era simplesmente maravilhoso.
Katherynne gastou tudo com dois pães e dois peixes, e segundo Mariska ela tinha feito uma boa escolha, iria dormir de barriga cheia, quem dera se realmente ela fosse dormir de barriga cheia, mas, era muito improvável que isso realmente fosse ocorrer. Quando elas se voltaram em direção às suas casas quase era possível verem as estrelas, se a noite não prometesse ser nublada. As duas moravam em direções opostas, e quando se despediram, Mariska pediu para Katherynne ter cuidado que pediu o mesmo dizendo que ainda assim ela fosse para sua casa, e não ficasse de rodeios.
Porém, nesse momento Katherynne foi hipócrita e em vez de ir direto para a sua casa, ela pegou o outro caminho e foi em direção à casa da mãe de Laini. Ela precisava ver como eles estavam, dizer os seus pesares, falar o quanto a sua filha foi importante para ela. Ia ser uma visita muito rápida; ela passou pelo caminho que sua amiga fazia e olhou ao redor, a floresta era bem mais longe da trilha do que ela havia percebido, se tivesse um monstro vindo de lá, a pequena poderia avisar e sair correndo, e principalmente gritando, tinham casas próximas, mas, quanto mais perguntas fazia, menos respostas lógicas ela tinha.
Já chega de perguntas sem respostas.
Ela não achava mesmo que a mãe de Laini fosse atende-la, o luto era uma coisa horrível que ninguém merecia passar. Por mais que fosse o ciclo da vida, tão cedo não era natural.
—Senhora Virág... – Katherynne disse assim que a porta foi aberta, estava aliviada que não deu a viagem perdida. – Eu... Minhas condolências pela sua perda; a Laini era fabulosa como amiga, eu... – A senhora acenou positivamente, quantas “condolências” ela deve ter ouvido ao decorrer daquele dia? – (...) Bem; eu sei que por agora, nenhuma palavra irá aliviar a sua dor; mas, eu trouxe isso para você; sabe... Bem, precisam se manter alimentados. Ela sempre gostava de comprar comidas mais sofisticadas, faz de conta que essa será semelhante.
Depois de um longo silêncio e Katherynne ter abraçado ela por um tempo dizendo que estaria à disposição para qualquer coisa que eles precisassem; ela precisou ir embora, e foi apenas nesse momento que a Senhor Virág disse alguma coisa.
—Disseram que dois animais estavam brigando por ela. – Ela soltou um suspiro de aflição. – Parece que meu anjinho era doce como ela mesma dizia.
—Eu sinto muito pela sua perda. De verdade. Ela era a minha melhor amiga...
—Oh querida, você também era a melhor amiga dela. Uma amiga de verdade. Obrigada por aparecer.
O luto é um caminho silencioso, o mesmo que Katherynne estava fazendo para voltar para a casa, que pelo jeito não seria tão perigoso, entre aspas, claro, já que a lua crescente gibosa estava dançando por algumas nuvens no céu, mas, não significava que não poderia nevar durante a madrugada, mas, naquele momento não. Se o clima de terror e medo não estivesse pairando sobre aquela vila de Budapeste, seria realmente uma noite agradável para ficar-se olhando o céu, até certo ponto, onde estaria frio demais para não estar sobre alguma coberta. Katherynne estava pensativa enquanto voltava para a casa; não se permitiu de se fazer perguntas sem respostas naquele momento. Ah, como sua irmã falaria um monte dela aparecer já tão tarde e sem nada para ela comer, o lado bom é que não estava sem um pingo de fome, toda a tensão criada naquele dia dissipou a sua fome; até porque ela começou a tremer de frio então precisou andar mais rápido para chegar em casa mais rápido.
E nas suas passadas mais rápidas, sentiu que tinha alguma coisa a observando, alguma coisa esgueirando, que não estava muito perto, mas, estava ali. Katherynne abaixou a cabeça como impulso e continuou andando olhando para os pés. Mas, depois se tocou que não podia fazer isso, ela tinha que olhar o que era que ela sentia que estava a olhando; talvez não fosse nada.
Olhando para as árvores que estavam se recuperando para a primavera, havia uma silhueta, alguém observava aquele ponto da estrada. Seu corpo parou por um tempo, mas, seu cérebro empurrou ela para prosseguir andando.
Não estava escuro o suficiente para ela não saber descrever de quem era a silhueta. Era de um homem bem alto, vestindo roupas elegantes demais para alguém que morava na vila, e não parecia sentir frio. Mas, ela não sabia descrever mais do que isso; então parou de ficar olhando para os lados e focou apenas nos seus pés enquanto ia direto para casa.
Não podia se dar ao luxo de ficar olhando para alguém que estava brincando de pega-pega, ou esconde-esconde entre as árvores em pleno inverno. Não poderia ceder olhar para aquele estranho, o que já era estranho o suficiente ter alguém parado no meio do nada.
(...)
Assim como talvez Laini ficou, ela poderia avisar a ele que havia uma fera naquelas redondezas, mas... Quando ela olhou novamente para poder avisa-lo; não o achou, ela um leve desespero passou sobre seu corpo, foram questões e segundos, ele poderia ter se machucado? Ou ido embora... E era o que Katherynne devia fazer também. Porém, sentiu algo nas suas costas. E quando se virou, com mais calma que deveria se virar.
O homem que estava no meio das árvores agora estava a encarando com um longo sorriso. E mesmo se quisesse não iria esquecer daquela pele branca e sorriso tão perfeito quanto uma constelação, sem contar a sua postura.
—Ah, ah... Vai ser problemático se você continuar me olhando assim... – E seus olhos verdes claros brilharam como duas esmeraldas fazendo o corpo de Katherynne se arrepiar por completo. Aquilo ela nunca iria esquecer.
Notas finais
J'aime vous!!
~♥Beijos da Autora & Feliz Aniversário.♥~
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