Notas iniciais
Deus Salve a Rainha vampira reptiliana; como alguém me comentou: "saiu no sol"... E em homenagem á um simbolo de longevidade, quero focar no meu vampiro... ~Enjoy

Seu coração acelerou, porém, não houve nenhum suspiro, ela estava apenas incrédula, foi apenas o segundo de olhar para as árvores e senti-lo atrás de si, geralmente isso vinha com algum truque, uma pegadinha, e mesmo que seu instinto fosse o de gritar ou de correr, ela ficou apenas observando a postura do homem, em uma roupa toda preta, só de bater o olho ela soube que era uma pessoa que possuía o padrão de vida bem alto. Ou apenas um padrão de vida bom o suficiente para comprar um tecido de roupa bem bonito. Ou como em vários casos que ela viu, herança. Explicaria o que alguém bem vestido estaria fazendo naquela vila. Era como um dom, Katherynne era uma artista na arte de fazer roupas; ela fazia muitas roupas, e usava diversos tecidos, claro que aquela roupa não foi feita em Budapeste, mesmo podendo ter sido feita em qualquer lugar da Hungria, em Budapeste não.

Aquele olhar e sorriso entraram em sua pele como se fosse ar entrando em seus pulmões, e ela estava sendo louca o suficiente de continuar olhando para ele, um completo desconhecido no meio da trilha, ainda iluminada sobre alguns raios da lua; era para ela estar com medo, isso seria a lógica, mas, a sua curiosidade falou bem mais alto. Porque era um peso que aquela presença lhe transmitia, que todo o tempo que ela passava solitária em casa depois da morte de quase toda sua família ter perecido; mas, ao mesmo tempo, parecia uma ilusão criada pela lua. Seria seu luto falando mais alto? Alto o suficiente para começar a criar uma ilusão tão perfeita assim? Não. Então ela esticou a mão para poder tocar no homem á sua frente, porém, ele se afastou.

—Interessante sua curiosidade de saber se sou real ou não. – E ele sorriu novamente, antes que pudesse dizer algo sentir uma outra presencia novamente atrás dela; e era aqui que ela morria? Assim? Mas, não foi com calma, foi bem rápido para falar a verdade. Tomando um susto.

—O que foi que sua irmã lhe pediu para fazer? – O estúpido do seu cunhado. Katherynne se segurou para não gritar, então ela se afastou de Benedek, e se recuperou do susto. Ele estava segurando uma lanterna e estava não só com a cara franzina, assim como congelando. – Já faz tempos que está escuro e você está sem luz! – Ora, que preocupado ele estava, foi quando ela se virou para trás para procurar o homem que estava atrás dela; mas, foi aí que do mesmo jeito que fez naquela manhã, o estupido do seu cunhado colocou a mão sobre seu ombro e a virou para ele. – O que você está fazendo? Eu vim te buscar porque sua irmã está preocupada contigo! (...) Está esperando alguém?

Foram alguns segundos, e sem fazer barulho, desapareceu. Então talvez a lógica a consumiu novamente, se ela estava tremendo de frio, se Benedek estava tremendo de frio; não tinha como aquele homem não estar ao menos com os ombros tremendo, ou encolhido de frio, nem que fosse um pouco. E pelo pouco que ela o olhou, que o fitou longamente, ele não demonstrava estar com frio, nem um pouco. Parecia apenas estar zombando de suas capacidades mentais, mas, ela estava confusa demais para dizer o que ocorrera, e antes de apontar para onde estava o homem incrivelmente bem vestido, seu cunhado extremamente mal educado a puxou pelo cotovelo e começou a andar com ela em direção a sua casa.

—Eu não sei porque eu faço essas coisas pra sua irmã. – Benedek começou a reclamar enquanto a puxava com uma mão e segurava a lanterna com a outra. – Você nem é mais responsabilidade dela. – Ele apertava seu braço com força, fazendo Katherynne sentir os dedos dele perfurarem sua pele. Porém, ela estava tão desorientada que esqueceu do básico, reclamar com ele, ou mesmo contrariar ele. O que queria muito fazer já que ele era uma pessoa que não devia se meter em sua vida; ela já havia falado naquela manhã que seria uma refeição para o monstro, então, porque o alarde?

Ele não apenas passou todo o caminho agarrado ao braço de Katherynne, como se ela fosse fugir, devia; mas também ficou retrucando e reclamando o quanto ela era um fardo, o quanto era indesejável, e principalmente irresponsável quando deu sua janta para outra pessoa, por hora, por bem ou mal, ela não iria comer. Talvez se pedisse as devidas desculpas, se comportasse e aceitasse conhecer um bom partido para se casar, como sua irmã gêmea Katharyna teria feito se fosse viva; ela poderia comer uma batata e meio pão para não passar fome de madrugada. Katharyna pensaria nisso.
Mas ela não era Katharyna. Ela era Katherynne!
E esse acordo estava completamente fora de cogitação; ela passaria a madrugada com fome, talvez morresse durante a noite fria do inverno, mas, não seria ele quem daria regras absurdas a ela.

Mesmo que ele continuasse falando, uma ou outra vez, ela se virava para trás, para as árvores, para algum lugar para ver se achava aquele homem de preto, misterioso, de olhos verde esmeraldas; porque se não achasse nenhum rasto dele, saberia que era uma ilusão; e com razão, apenas naquele momento lembrou que não tinha comido nada, não tinha como pegar nenhuma fruta em nenhuma árvore em pleno inverno, e achava muito desleal morder um dos pães que comprou para a família Virág... E pela sua lógica quase vazia, assim como seu estomago; talvez nenhum animal selvagem a atacasse se visse o quão magra ela estava. Katherynne sorriu, como se algum animal com fome fosse observar se ela estava magra ou gorda; tendo pele, carne, gordura; além dos ossos, era tudo o que uma besta fera precisava.

Mas, mesmo que ela olhasse, procurasse por algum sinal, não achava nenhum, e depois de tropeçar nos próprios pés, na neve e quase ter deslocado o braço, ela parou de ficar olhando para trás e fitou seu olhar em chegar em casa; em silêncio, pensativa, ela tinha saudades de conversar com alguém durante a noite para fazer com que o tempo passasse mais rápido e o sono logo lhe tomasse. Laini era sua companhia diurna, Katharyna era sua companhia noturna... E agora, o coração de ambas não batiam mais, por motivos diferentes, resultando naquele inverno o mais amargo e cruel de Katherynne Komáromi. E quando ele acabasse, ela estava contando que já estaria acabada, não sabia o que seria dela na primavera. Quando estava chegando próximo à sua propriedade, seu cunhado foi na frente, dando um tempo para que ela pudesse ver novamente uma folha, um papel incrivelmente exorbitante, com poucas palavras aprimoradas, feita por uma tinta cara e escrita com uma tinta rebuscada voando com o vento frio da noite e ficando presa na sua cerca mal pintada. Ela tirou com cuidado dos pregos para que não pudesse rasgar e leu mentalmente:

O sol vai brilhar como nunca antes.

Estou pronto para cair.

Estou pronto para curar.

Um dia eu vou estar preparado para partir.

Estou pronto para sentir.

Novamente, não tinha nome, um endereçamento, nem nada; apenas a prova que foi arrancada e lançada pelos ventos invernais. Ela pegou para si de novo, e colocando no bolso do seu avental entrou para dentro de casa. Era uma madrugada fria, sua temperatura cairia bastante e ela iria dormir. Com outra folha sem entendimento em suas mãos.
E mesmo que o abraço que recebeu de sua irmã de alivio, não foi gratificante quanto ajudar a senhora Varig, ou tão tranquilizante quanto o abraço da morte seria naquele inverno.

Antes do Castelo Vajdahuyad em Budapeste ser idealizado e finalizado na ilha Széchenyi, antes da celebração dos mil anos da Hungria, antes do Rei Estevão I, antes do grão-príncipe de Arpades, antes da ocupação dos eslavos, antes dos romanos, e muito antes dos celtas, ele estava lá.
Ele gostava da localização difícil de Vajdahuyad, cercado por água, um castelo visivelmente abandonado que foi apenas construído para uma celebração, e um castelo que nunca abrigou ninguém da realeza, cercado por árvores e vegetação, a distância dele com a civilização.
Era assim que ele preferia.

Quando tudo começou ele não tinha nem quatrocentos anos, tudo ao redor dele começou a mudar, não era mais velho que o mundo, mais era antigo como a humanidade; porém, não veio sozinho, vir sozinho seria entediante, na verdade, para ele foi um momento que ele nunca esqueceu; sempre se espreitava sobre as sombras das árvores desde novo, e quando corria pelas trilhas e escuridão da Transilvânia sentindo tudo sobre seus pés, o comportamento dos outros despertava curiosidade, se houvesse terra fértil, havia pessoas, mas quando ela se tornava infértil, nunca sobrava ninguém para contar história ou fazer história.

E mesmo assim, eles eram observados e sobre algumas ocasiões, algumas frases eram riscadas no papel. Era divertido escrever e guardar para si mesmo, o que mais tarde foi chamado de “registros e pensamentos noturnos”. Aquilo tomava seu tempo de uma forma complexa. Sua atenção seria apenas para observar, escrever, correr e se esconder.

Mas, chamar a atenção não era parte da escrita.

Então quando a mordida aconteceu, quando a dor veio, junto com a surpresa, o susto e o medo foi compreensível como um castigo divino. Ou das trevas, porque ele nem imaginava que aquela dor viesse dos céus. Ao seu ver, parecia uma doença, pois, começou a ficar sem forças para correr pelos cantos, cansado demais para escrever, a doença se agravando, algumas pessoas diziam que a morte lhe estava aguardando de braços abertos. E de uma forma até que estranha, mais organizada, escreveu. E mesmo que não tivesse nenhuma lógica em suas palavras, era como um testamento. Um pedido de ajuda para não morrer. E quando chamaram os médicos, especialistas, aparentemente a ajuda que o garoto tanto precisava na estranha doença;

Ele morreu.

“Era o tempo dele”, um disse; “não tinha um tratamento certo”, falou outro; “alguém lhe aplicou o tratamento incorreto”, alguém acusou; “Foi melhor assim”, finalizaram. Ele era um jovem brilhante demais para morrer de uma forma tão idiota, rápida e de repente, nem um enterro digno puderam dar a ele.

Não havia corpo.

Os habitantes do vilarejo não ousaram dizer muita coisa, nem opinar, muito menos dar sua teoria, já que tudo demorou apenas três meses para ocorrer, um corpo doente não faria falta, não prejudicaria a terra, não usariam ainda o novo caixão com alguém tão novo; alguém mais velho poderia usar e logo depois ser substituído. O ciclo da vida era assim. Alguns pensavam assim. Outros viam como mau presságio.
E as luas passaram, até que o corpo daquele jovem rapaz pudesse descansar em um lugar mais apropriado, menos movimentado, mais escuro, menos procurado. Um castelo.
Ele estava doente, beirando a morte, mas, por uma troca o outro deixaria ele viver. Aliás, noites atrás, ele se alimentou da sua força vital, seria justo que fizesse o mesmo, porém, era injusto dar lhe o mesmo destino. Mas, não tinha mais o que fazer, era uma dívida de sangue.

Literalmente de sangue.

Os olhos cintilantes o forçaram a prestar atenção, o sorriso perverso o convidou a abrir a boca, porque o cheiro forte de algo similar ao ferro incomodava, então olhar naqueles olhos violetas como as flores, era mais fácil de obedecer e ingerir o liquido de gosto suave, quase neutro, porém, diferente, o rubor em sua boca era capaz de fazê-lo vomitar se visse, por isso mesmo o senhor de olhos violetas não permitiu que olhasse para nada além de seus olhos. Afinal de contas, ele estava demorando demais para morrer, o máximo era nove dias, e ele estava naquela situação agonizante á mais de um mês; alguém precisava intervir, precisava atender a sua suplica de morte. Com morte.

Existia outro jeito de fazer aquilo; como se nessas situações fosse mais fácil e rápida do que essa, até porque o corpo estava bem fragilizado, era para ter sido uma morte terrível, porém, o outro era muito mais forte do que o imaginado, o que era muito preocupante, e também com um grande potencial pela frente.
Era forte, então seria duradouro. O corpo era forte, todo aquele processo iria durar para sempre, mesmo que esse não fosse o plano de um, era do outro. Naquela ocasião em questão, foram momentos para o coração parar por completo, e nisso foi apenas aguardar, a dívida d sangue estava paga.

O único morador de um castelo afastado, abandonado e macabro da Transilvânia, precisou se alimentar, e depois de um tempo sabendo de que sua última refeição não havia morrido de imediato, aquele sentimento frio de compaixão, ou dó o incomodou. Não era uma opção correr de imediato para salva-lo, apenas quando começou á se tornar um problema que ele teve que intervir, não era o que ele esperava, e quando foi ajuda-lo, teve que sequestra-lo; aliás, ninguém iria atrás dele, ele estava por um fio de vida, e seria o mais velho que encerraria ela.
Pelo lado bom, aquele imenso castelo não seria mais um lugar solitário, entediante, que era preciso andar por longos quilômetros para achar alguém, de todo modo ainda precisariam caminhar, mas, ele teria uma companhia para conversar.

Quando a tarde virou madrugada, exatamente naquele momento, ele sabia que o novo vampiro acordaria. O que não demorou, depois das três badaladas da meia noite, o rapaz de olhos verdes estava morto, e precisava comer, ou iria morrer logo. Era um processo bem simples. Mesmo que o mais novo estivesse confuso, assustado, apavorado, atordoado, e principalmente faminto.
O de olhos violetas observava de longe, havia deixado o jovem sobre um sofá, mas, no desespero, na confusão mental, em não ter ou precisar de ar para respirar e estar perfeitamente bem, o fez cair no chão; e o mais velho observava tudo, com calma, sem ser percebido, porque na verdade queria ver como sua transformação seria, se ela seria dolorida, angustiante ou turbulenta. No momento estava sendo eufórica. E depois de muito tempo se debatendo no chão, irritado, conseguindo se levantar e olhar ao seu redor; ainda mais confuso, era obscuro, diferente de tudo que já havia feito até então o dia que de súbito ficara doente.

—Se parar por um instante, – Disse o mais velho se revelou para ele, estava bem longe, do outro lado do hall, e sua visão era aguçada, precisava controlar a situação. – se tentar se controlar, e me escutar, posso explicar devagar. – Étienne procurou quem falava, e tentou se isolar dobre a voz imponderada, autoritária. – Sou o Visconde de Hardcastle, Constantin Dragomir; ouvi sua suplica, compreendi a sua dor, e lhe dando a morte, lhe dei uma vida!

—(...) ? – A expressão de revoltada tomou conta de seu corpo, para ser sincero, o jovem não entendeu em nada o que o tal “Visconde” queria dizer, apenas observou, o homem se aproximar, a postura firme, os cabelos dourados, os olhos violetas, a pele branca, o sorriso macabro, as vestes mais antigas que as suas; visivelmente ele parecia muito rico, aquele expressão diferente; e Étienne não entendeu o que estava acontecendo, ainda estava confuso, mas, estava com tanto medo e tonto que achou melhor ficar em silêncio. Ouvir o que aquele sujeito tinha a dizer.

Uma risada macabra, ou divertida? Ele não soube dizer que tipo de risada era.

—Bem, talvez nós começamos pela maior formalidade de todas; o seu nome!

—Magyar. – Respondeu rápido ao Visconde; ainda olhava em volta, ainda estava com a cabeça rodando, e foi então que ele conseguiu ficar em pé, mesmo que suas pernas ainda estivessem tremendo, era como se tudo passasse muito rápido, o vento em seu rosto passava devagar, e mesmo que puxasse ar não fazia muita diferença, seu coração nem estava batendo, portanto seus pulmões nem estavam inflando. – Étienne Khalid Magyar. (...) O que está acontecendo comigo?

—Você precisa se acalmar. – O mais jovem o olhou desacreditado; como poderia se acalmar a tantas poucas informações? – Como irei te explicar cordialmente? Precisei da sua força vital para viver, para me alimentar; eis que, você não morreu em uma semana como estava previsto... – Ele foi interrompido.

—Como previsto? Você por acaso é Deus para prever quem morre?

—Oh! Não usamos esse nome por aqui não garoto. – Houve um sorriso sarcástico vindo do Visconde Constantin. – O divino tem coisas muito mais importantes para fazer, então não use se o nome dele. Então, sim; eu prevejo quem morre e quem vive quando eu quero.

—(...) Então você é Deus.

—Não.

—Apesar Deus tem a capacidade de escolher quem vive, quem morre e.

—(...) Pelo diabo, criatura! – Exclamou Constantin irritado, fazendo Étienne recuar um pouco, perdendo o equilíbrio que havia conseguido a um tempo atrás. – Eu não sou Deus!

—Então, o que você é? Um demônio? – O homem riu, o mais novo era agitado, um completo camponês, crente em Deus, então todo o processo seria entre complicado, engraçado, mas, também diverti; poderia seu um problema, mas, naqueles primeiros momentos, Étienne estava sentindo a cabeça pesar, e o pânico veio, veio de uma força tão rápida quanto tudo que lhe estava acontecendo. – Porque se eu vim parar no inferno, me diga o por Deus eu fiz...

Constantin inflou os pulmões como sinal de irritação, juntou as mãos e em seguida o olhando o garoto e se aproximando.

—Pelos infernos! Não diga esse nome de novo. E eu não sou um demônio, apesar de me assemelhar a um. – Ele colocou a mão no canto da boca puxando o lábio superior de leve mostrando dois dentes diferente do que ele já havia visto; eram afiados e longos, fazendo com que o mais novo ficasse imóvel. – Uma senhora me chamou de algo “vampiro”. – Houve um salto; o moreno murmurou algo, mesmo que em seguida já não lembrasse o que dissera. Ele tampou a boca por uns instantes e recomeçou a olhar em volta, depois para si mesmo, e por fim, para o Visconde.

—Santo D. – Constantin tampou a boca do garoto imediatamente, parecia uma igreja, já exerceu as vezes que aquele nome podia ser mencionado. Os olhos violetas estavam tão pertos de seus olhos verdes que parecia criar uma força sobre-humana apenas com aquele olhar penetrante, fazendo o outro se sentir um coelho encurralado sobre uma pedra por um lobo feroz.

Ele não era.

Mas, aquilo era novidade para ele, é normal ter medo e pavor do que não se conhece.

Isso porque, logo ele seria um lobo.

—Está apavorado porquê? Você é um vampiro novo também.

O tempo agora parou, assim como as palavras na sua boca, que faziam fila para sair.

—Como é? – Ao se afastar e arrumar a gola da roupa, o Visconde caminhou até a janela mais próxima, abriu a cortina, ainda estava escuro, ele fez uma expressão que se assemelhava à apreciação.

—Você morreu por um longo tempo. – Étienne abriu a boca. – Antes claro, você ingeriu meu sangue imortal. Como eu já tinha lhe mordido, não achava que você sobreviveria, não precisou de muita coisa, de muita ingestão de sangue.

—Eu... Morri?

—Mas, você precisa se alimentar. – Houve um longo instante de silêncio, Constantin se virou para o mais novo, ele estava imóvel exatamente como ele tinha imaginado que iria acontecer. Foi quase a mesma coisa que ocorreu com ele quando o Duque de Albany fez o mesmo com ele. Então o Visconde deu uma risada indiscreta. – Está me ouvindo?

As palavras eram fortes demais, o penetraram com tal choque que ele ficou de joelhos, estava com a cabeça rodando, tudo havia se acabado? Foi rápido demais para ele. Um choque que poderia atingir um país inteiro. Estav trêmulo, em silêncio.

—Eu não sei. – Constantin bateu nas costas retas de Étienne e percebeu que o mais jovem estava tenso; para ele era um infortúnio. – Mas, e minha família? E minha casa? E...

—Se você não se alimentar, aí de fato sim, você vai morrer. Para sempre. – O mais jovem mordeu os lábios, não doeu, ele não entendia o que um ser das trevas queria com ele, porque estava o ajudando, tão subitamente, do nada, se ele não estava mais vivo do que poderia chamar sua nova rotina? Morte? Encarar aqueles olhos violeta era a coisa mais hipnotizante que ele já havia feito em sua vida, e mesmo que um vampiro não pudesse fazer isso com outro, ele ainda estava em transformação, ou seja, enquanto não estivesse forte de nada adiantaria tentar se esquivar e evitar o olhar. Étienne vacilou um pouco e caiu sentado no sofá, talvez fraco, talvez enjoado. – Eu aconselho você sair para se alimentar agora.

—Eu não me importo se for mais tarde. – Constantin negou com a cabeça.

—Você não quer comer uma colher com alho também? – O outro ergueu uma sobrancelha. – (...) Isso pode matar você, como outras coisas. – Constantin disse, seus olhos brilhavam de curiosidade, esperava a sua reação. – Mas ache que você fosse mais escandaloso. Entretanto, logo irá amanhecer, então... que tal aquele caçador? – Ele apontou para alguém do outro lado da floresta, sua vista era perfeita, algo que a do outro se tornou também.

O sol logo iria nascer, e foi apenas alguns segundos, de sair do castelo, correr pela floresta e se alimentar de sua energia vital, do sangue do caçador. O suficiente para se alimentar, e do jeito certo para que ele não sofresse por um longo tempo, e morresse de imediato. Visconde de Hardcastle ficou admirado, com uma pontinha de inveja pela habilidade, mas, quando ele era um novo vampiro também era rápido e ágil daquele jeito.
Étienne deixava Constantin admirado, ele não fazia bagunça, não provocava alvoroço, era exatamente como o “mestre” imaginou que seu pupilo seria; menos no verão, o problema de noites quentes é que as pessoas sempre saiam para caminhar, mas, nunca sozinhas, sempre levavam fogo consigo ou algo que o Visconde comentou que seria perigoso ter perto. E esse fato deixava o mais novo desesperado, e no final das contas, havia sangue não saindo apenas da vítima, mas no queixo dele escorrendo pela sua garganta, sujando sua roupa dando uma agonia no Visconde. Mas, não era sempre, e esse comportamento atraia mortais, que queriam saber como aquilo ocorreu e o que fez aquilo.

No final sempre era um problema, que através das décadas o mais novo conseguiu controlar; então no verão eles paravam de se alimentar, nada de noites quentes, apenas frias; aquilo foi uma tortura no começo para Étienne? Foi, até porque ele nem tinha pedido por aquela vida/morte e agora estava tão chocado quanto o Visconde estava incrédulo com tal comportamento.
Mas, com o decorrer do tempo, com tantos outros mortos vivos o mais novo acabara criando, Transilvânia não era um lugar que ele queria mais estar, não era naquele lugar que ele queria se esconder. A companhia que ás vezes fazia falta não era a que ele esperava, ainda era estranho.

Constantin Dragomir ainda era muito rígido, e pelo que o outro estava entendendo, ele estava se tornando em um morto-vivo terrível, um vampiro que não sabia controlar seus impulsos alimentares, não tendo nenhum cuidado com a limpeza de seu rosto; que poderiam muito bem evoluírem para impulsos sexuais perigosos, híbridos sempre eram um perigo, independente de quem fosse, seres híbridos eram perigosos, e o senhor Magyar estava caminhando para esse impulso.
Mesmo que ele discordasse veemente das palavras do Visconde, era apenas uma fase de azar, uma fase difícil e de desatenção, aliás, a culpa sempre fora dele, se nem seus pais tinham um controle completo dele, porque seu “salvador” teria?

Apesar que depois ele se desculpara algumas vezes, tinha receio que o que o Visconde lhe falava realmente poderia vir a acontecer, chegar à um momento em que desmembraria alguém, do instinto mais animalesco que ele nunca imaginara.
Apesar do medo, nada o assustava mais do que a primeira vez que acordou depois de ter morrido; mesmo que tivesse um grande respeito por Constantin, entendia que estava dando dor de cabeça para o outro. Talvez, no entanto, fosse muito cuidado, o jeito que eles viam vampiros sendo mortos por caçadores de monstros noturnos apenas crescia e para dizer a verdade, dava medo, por isso seus impulsos eram cuidadosamente cuidados, Étienne sabia o quanto sua companhia era suficientemente boa e preciosa, entendia o Visconde nessa parte. Mas, sem dúvida, ele precisava fazer alguma coisa para amenizar a preocupação do seu assassino e salvador, em uma pessoa só.

Então, uma noite de lua nova, um comentário chegou aos seus ouvidos apurados.

Estavam terminando de construir um castelo, para a comemoração de mil anos em um país que ele passou brevemente em certa ocasião.
Mas, o mais importante de tudo em questão era que não era para ninguém da monarquia habitar.

E esse foi o sinal que ele precisava para mudar de lugar.

Notas finais
~♠~Eu sempre digo, estou aqui para Você. E se cada presente for uma história, você merece uma biblioteca da minha parte ~♠~ J'aime vous!! ~♥Beijos da Autora & Feliz Oitavas de Aniversário.♥~ Obs: E nunca se esqueçam da nossa Rainha vampira reptiliana♠