O Sacrifício
1 Parte I
Notas iniciais
O Sacrifício
Por SBFernanda
Parte I
Era a última reunião do conselho antes do sacrifício que seria realizado dali a dois meses. A família Hyuuga estava reunida aos pés do grande altar, sentados sobre as pernas como todos os demais e Hiashi, o patriarca, estava de pé recebendo as instruções do grande conselheiro. Ninguém ouvia as palavras ditas naquele momento, mas Hiashi se mostrava concentrado e satisfeito.
A Ordem Han’ei era a mais antiga da vila de Konoha e era responsável por sua prosperidade. Todos os seus integrantes descendiam das principais e mais antigas famílias, as fundadoras da vila, e todas elas possuíam um sangue mágico. Os não mágicos, ou ao menos que não apresentassem aptidão para a magia, eram deserdados e não mais fariam parte da Ordem.
A família Hyuuga era a mais antiga e com mais membros, isto porque desde pequenos seus membros eram apresentados a magia e ensinados a desenvolvê-la. Os “mahoutsukai” eram ensinados em suas casas a cuidar da vila e de seus habitantes, não fazendo mal a nenhum outro ser vivo a não ser que fosse extremamente necessário. Em qualquer outro momento, porém, eles estavam em escolas e trabalhos comuns.
Hinata era a principal “mahoutsukai” de sua família, criada desde que aprendera a falar para ser o destaque da casa Hyuuga. Ela fora ensinada a se portar no meio da Ordem, a falar e se expressar da melhor forma, assim como desenvolvera seus poderes desde a tenra idade. Ela não era um prodígio como sua irmã, que aprendera tudo muito rapidamente, mas sempre estivera um passo a frente de muitos ali, tendo também a capacidade de absorver a magia de objetos e outros seres mágicos.
Isso, claro, não impedia Hinata se ter uma vida comum. Seu primeiro e único namorado fera Naruto Namikaze, descendente de uma das famílias fundadoras da Ordem. Ele possuía grandes poderes, que por vezes não conseguia controlar. Naruto não fora devidamente treinado, pois sua mãe não era um “mahoutsukai” e seu pai falecera quando ele tinha 14 anos. Assim, o treinamento ficara por conta de seu padrinho, um dos anciãos da Ordem e um homem muito indisciplinar.
Naquele momento, quando a família Hyuuga foi chamada a frente do altar pelo conselheiro, Naruto ergueu a cabeça de onde estava e acompanhou todo o caminho de Hinata. Ele sabia que Hiashi teria um grande papel naquele ano, afinal, estivera muito empenhado em chamar a atenção do conselho para si e sua família. Ao ver o rosto satisfeito do homem teve a confirmação que precisava. Hinata, por sua vez, não erguera o olhar nenhuma vez. Ela sempre fora muito disciplinada e obediente, Naruto se admirava com aquilo, por mais que achasse que não faria nenhum mal ela agir conforme sentia vontade mais vezes.
Naruto sempre ficava sozinho naquelas reuniões já que todos eram divididos em famílias, e nisto eles se referiam a pais e filhos. Assim, agora que Hiashi estava junto ao conselheiro, Hinata e Hanabi se encontravam com sua mãe. Naruto ainda ficava surpreso em como todos se pareciam, mas Hinata era a mãe sem tirar nada.
Hiashi voltou para junto dos seus minutos depois e mais duas famílias foram chamadas. Ninguém podia conversar enquanto o conselheiro estava em reunião com algum membro. O olhar de Hinata por fim encontrou o de Naruto quando ela foi olhar para seu pai. Ela o presenteou com um sorriso, mas logo desviou o olhar ao receber um aperto no braço. Hiashi não aceitava que ela agisse de forma diferente nas reuniões.
— Dou por encerrada esta reunião da Ordem Han’ei. Nos encontraremos daqui a duas semanas para o sacrifício. As famílias envolvidas nos preparativos já foram contatadas e não espero nada além de perfeição para o grande dia. — O grande conselheiro falava enquanto todos voltavam seus olhares para ele. Ele era um homem velho, muito enrugado e Naruto nunca tinha visto seu rosto.
Com aquelas palavras, todos se levantaram e ordenadamente caminharam para fora do grande salão que servia como local de reunião. O Namikaze permaneceu ao lado da porta, esperando por Hinata e sua família. Ela provavelmente receberia muitas ordens dos pais já que eles estariam responsáveis pela grande reunião, mas ele precisava falar com ela.
— Hinata! — a chamou, acenando. Ele a viu falar com a mãe e esta apenas acenou rapidamente, não parando nem um segundo. Logo Hyuuga vinha em sua direção, abrindo um grande sorriso. — Mais uma vez a família Hyuuga está nos grandes acontecimentos.
— A diferença é que desta vez nós poderemos mesmo participar — ela o lembrou. Os jovens menores de 17 anos não podiam participar do dia do sacrifício, mas naquele ano Naruto e Hinata eram convidados de honra para tal. — Estou mesmo muito curiosa.
— Ainda não entendo porque fazem tanto mistério quanto a essas coisas para a gente.
— Sei que não entende. Desde quando você tenta entender ou mesmo aceitar regras? — Ela brincou, o abraçando rapidamente. Muitos os membros a Ordem não gostavam quando jovens trocavam carícias, principalmente em público.
— O que acha de sermos um pouco normais e irmos tomar alguma coisa ou comer? Estou morrendo de fome e preciso andar também.
— Tudo bem, mas não posso chegar tarde. Papai disse que precisa contar sobre os preparativos e eu preciso estar presente.
— Comemos e logo eu a levo para casa, tudo bem?
Após Hinata concordar, Naruto a levou até o local que ambos adoravam. Uma amiga de escola de Hinata trabalhava lá e por isso ambos eram sempre atendidos rapidamente. Era uma lanchonete com ar jovial, ao contrário dos lugares perto de onde Hinata morava. A vila era dividida entre a área moderna e a antiga, e raramente esses dois ares se misturavam.
Hinata e Naruto cresceram juntos por conta da Ordem e por isso sempre tiveram uma amizade forte. Eles tinham os mesmos segredos e por isso se sentiam mais ligados do que nunca. Mas tal ligação apenas se solidificou na adolescência, quando Naruto passou a ver a amiga com outros olhos. Desde então os dois namoravam. Quem os visse juntos não poderia duvidar de que tinham uma sintonia e faziam bem um ao outro. Estavam sempre sorrindo ou conversando e apenas quando estavam sozinhos é que trocavam beijos e abraços, afinal Hinata fora criada assim.
Naquela noite, atrás de uma árvore perto da casa da jovem, Naruto a abraçava contra seu corpo enquanto a beijava. As mãos sempre em suas costas, acariciando levemente. Os beijos eram sempre muito castos, mas algo estava mexendo com os dois naquela noite. As mãos do loiro caíram para as nádegas da Hyuuga e o beijo se aprofundou no mesmo instante. O esperado era que Hinata se afastasse, mas ela não o fez, ao invés disso suspirou e se apertou mais contra ele. Apenas quando ele lhe apertou contra si mais uma vez e ela o sentiu foi que despertou e se afastou.
Ofegante e corada, Hinata olhou para o céu. Lá estava o motivo de estarem tão voláteis. Com o céu escurecendo, a lua começava a brilhar e a contornando estava um halo branco. Os “mahoutsukai” acreditavam que seus poderes vinham da natureza e, assim sendo, toda mudança nela afetava-os diretamente. A lua com seu halo branco afetava a líbido deles e, em muitos casos, eram quando as mulheres engravidavam com mais facilidade.
— Acho que é melhor eu entrar — ela sussurrou, passando a mão pelo rosto, tentando diminuir sua vergonha.
Naruto aprendera a não tentar amenizar a situação, sempre que o fazia Hinata dizia que era o jeito que fora criada e não pretendia mudar. Ele, por outro lado, não via qualquer problema em “dar uns amassos” com sua namorada, mas não discutiria.
— Tudo bem. Nos vemos amanhã então, certo? — Ela concordou e ele se aproximou, dando um breve beijo nos lábios dela e em seguida em sua testa. — Eu amo você.
Hinata sempre ficava admirada com aquelas palavras, porque Naruto sempre as dizia com os olhos além dos lábios.
— Eu amo você — ela respondeu, abrindo um sorriso.
Se apressou a entrar. Quando saíra da reunião ia começar a escurecer e apesar de ainda não ser completamente noite, sabia que seu pai não gostaria se ela se demorasse muito mais. Assim que passou pelo portão da casa, soube que o pai tinha conhecimento de sua chegada. A porta estava aberta quando ela chegou e seus pais já estavam sentados ao redor da mesa de jantar, apenas a esperando para a conversa.
— Me desculpem pelo atraso, Sakura estava de serviço hoje e acabamos demorando lá por conta disso. — Ela mal terminara de sentar e seu pai dispensou a explicação, pedindo que ela se calasse. Hinata estava acostumada com aquilo.
Hiashi era sempre muito calmo e, por vezes, atencioso, mas quando os assuntos da Ordem entravam em primeiro lugar, ele se tornava ríspido e irredutível.
— Como sabe este ano você fará parte do grande sacrifício, Hinata. E também, como deve imaginar, nossa família foi privilegiada por fazer parte desta organização. — Ele aguardou e Hinata confirmou com um aceno de cabeça. — O que não sabe é como esse sacrifício é feito. Por sua idade, já tem a capacidade de compreender a importância desse evento e por isso está na hora de o saber.
“O sacrifício é feito desde a fundação da vila. As famílias fundadoras tiveram um padrinho, o deus do fogo, para ajudar na construção da vila e logo após, para que as pessoas que nela moravam não morressem. O deus do fogo garantiu que mesmo quando havia seca, ninguém morresse por conta disso; mesmo na escassez de comida, ninguém morresse de fome. Ele garantiu que as famílias fundadoras pudessem cuidar dos seus habitantes, concedendo poderes. É este o motivo de nós termos tais poderes. Mas ele pediu uma coisa em troca. Como prova de fidelidade, todo ano um sacrifício teria de ser feito.”
A mãe de Hinata soluçou e no mesmo instante recebeu um olhar repreendedor de Hiashi. No mesmo instante a filha ficou confusa. Seus pais nunca brigaram, nunca se desentenderam na frente dela e agora, além de isso estar acontecendo, a mãe estava chorando. Algo de muito errado estava para acontecer e Hinata sentiu receio da continuação daquela história.
— Todo ano o deus do fogo escolhe uma nova esposa. Esta esposa vem através do sacrifício que fazemos. — Novamente Hiashi parou a narração, permitindo que Hinata pensasse sobre aquilo. — Sim. Uma jovem de 17 anos que seja qualificada e ensinada a compreender a magia deve ser sacrificada como esposa do deus do fogo. Este é o grande sacrifício. Ela viverá para sempre ao lado de deus e suas demais esposas e garantirá que seremos abençoados com poderes para proteger a vila.
Para Hinata aquilo era horrível. Quando ouvia sobre o grande sacrifício imaginava que eles tinham que fazer grandes coisas com seus poderes para agradecer o deus do fogo. Nunca imaginaria que estavam matando jovens. Jovens como ela. Não ia aguentar assistir aquilo naquele ano e duvidava que Naruto também o quisesse.
— Este ano fomos muito abençoados, minha filha. — Havia emoção na voz de Hiashi. — Você foi a jovem escolhida pelo deus do fogo.
Naquele momento Hinata perdeu o chão. Seus olhos se arregalaram e no mesmo instante se encheram de lágrimas. O que era motivo de alegria e emoção para seu pai se tornara a sua dor imediata. Ela seria morta, para que todos vivessem com seus poderes. Ela sempre fora ótima, apenas para morrer no final.
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