- Sentem-se. – ordenou Hae-il, ainda irritado, indicando as cadeiras ao redor da mesa da cozinha para todos os presentes. Como de costume, ele se sentou em posição de lótus sobre a pequena geladeira de kimchi, como um gato, e levou a pequena Maria consigo. Dessa vez ela participaria da conversa, pois não tinha a mínima intenção de dormir. Muito pelo contrário, observava curiosamente todos aqueles rostos, que exibiam as mais diversas expressões, como dúvida, confusão, raiva, culpa, etc. – Bom, Detetive Gu…

Primeiro ele colocou o policial a par da história de como a Maria, ou a Baek Seo-jin, tinha ido parar ali. Depois foi a vez de contar à Irmã Kim e ao Padre Han sobre a verdadeira identidade de sua pequena hóspede. Eles ficaram muito chocados com a notícia. Agora era hora de finalmente ouvir o que a Promotora Park tinha a dizer.

- Então, Velhota, o que você veio me contar de tão importante sobre o Presidente Baek Sang-min, que não poderia ser dito pelo telefone?

- É a respeito de um caso que estamos tentando instaurar sobre supostos crimes cometidos pelo Grupo Baek. Ainda não conseguimos provas concretas, então o assunto não saiu da promotoria. Nem o Departamento de Polícia está sabendo.

- É, não sabemos mesmo nada disso... – confirmou o policial, surpreso e curioso.

- Mas de que crimes você está falando, afinal? – inquiriu Hae-il, impaciente.

- Ultimamente notamos o aumento na apreensão de itens falsificados e drogas pesadas por toda a cidade...

- Isso a polícia está sabendo. – interrompeu Dae-yeong, sem que ninguém perguntasse.

- Então… Continuando. – cortou a promotora, dando um olhar atravessado para o policial, que dizia: “te perguntei alguma coisa?”. Dae-yeong entendeu o recado e se calou. – Ficamos sabendo que essas coisas estão vindo do exterior e que, muito provavelmente, a sua receptação e distribuição estão sendo feitas através do Grupo Baek.

Após a revelação de Gyeong-seon, houve uma pequena pausa para suspiros e exclamações de todos os presentes. Eles precisaram de alguns instantes para absorverem a notícia chocante.

- Mas por que uma empresa bilionária como o Grupo Baek se envolveria num negócio desses? Isso nem faz sentido. – concluiu Kim Hae-il, confuso.

- Realmente é algo muito estranho. Com a fortuna que o Presidente Baek já tem e com o que ele provavelmente ganha diariamente, acho que ele deve ter dinheiro acumulado para gastar por umas três vidas, então também foi meio difícil de acreditar no início. – concordou a promotora. – Mas nós recebemos essa informação há uns dez meses, mais ou menos, através de uma carta anônima. Ela relatava a suspeita de que atos ilícitos pudessem estar sendo cometidos através da empresa do Sr. Baek, mas não havia nenhuma prova de que isso fosse verdade ou de que ele próprio estivesse envolvido. Tentamos investigar, mas sem ter quase nenhuma informação concreta, não pudemos prosseguir, pois poderíamos ser acusados de difamação ou perseguição ilegal.

“Depois desse primeiro contato, nosso informante secreto pareceu ter se arrependido de ter feito a denúncia, porque sumiu completamente do mapa, então deixamos a história pra lá e concluímos que tudo não tinha passado de algum tipo bizarro de trote, mas dois meses depois, recebemos algumas fotos bastante suspeitas de um conhecido traficante e contrabandista internacional próximo de caminhões com o logotipo do Grupo Baek.”

“Não conseguimos descobrir se aquelas fotos haviam sido tiradas na sede da empresa ou em algum outro lugar, mas com elas, obtivemos um mandado para ir até lá e interrogar o Presidente Baek Sang-min. Ele, obviamente, negou tudo e disse não fazer ideia de quem era aquele homem, nem de que lugar era aquele. Disse que aquelas fotos, inclusive, eram forjadas ou antigas, porque aqueles caminhões já não estavam mais sendo utilizados pela empresa há mais de um ano, porque tinham sido substituídos por modelos mais atuais.”

“Solicitamos as imagens do período de um mês das câmeras de segurança da sede do grupo e das garagens. Passamos muitos dias analisando elas, mas não encontramos nada de suspeito, então fomos obrigados a recuar, já que também não tínhamos conseguido aquelas fotos por meios legais de investigação.”

“Pouco tempo depois, aconteceu aquela tragédia da morte do filho dele e o aparecimento da neta. Com esses assuntos na mídia, o Promotor Chefe nos proibiu de continuar importunando o Sr. Baek. Nosso denunciante, que parecia estar nos fazendo de bobos, desapareceu de vez e voltamos à estaca zero.”

- Quem poderia imaginar que alguém tão rico e importante poderia estar por trás de um esquema desses? – perguntou a Irmã Kim, chocada com as informações.

- Pois é. Mas até o momento não pudemos confirmar se realmente esse crime está sendo cometido ou se é apenas alguém, um inimigo comercial do Grupo Baek, que está tentando difamar o Sr. Baek. Esse denunciante anônimo, que some e aparece quando quer, também não ajuda a dar muita credibilidade às coisas.

- Mas mesmo assim, Velhota, eu acho que podemos tirar algumas coisas interessantes desse seu relato. – disse Hae-il, pensativo. –Mesmo sem provas, algumas coisas até que fazem sentido.

- O quê, por exemplo? – inquiriu a promotora, curiosa.

- Se existe mesmo essa possibilidade, de um crime desse porte estar sendo cometido em uma das empresas mais importantes do país, é realmente possível que o Serviço Nacional de Inteligência esteja envolvido, ainda mais se criminosos internacionais estiverem metidos nisso. Talvez esse seu informante seja a própria Srta. Yoon In-a. Ela poderia estar sendo protegida secretamente por algum agente do SNI, só que algo deu errado três dias atrás e eles precisaram fugir. Mas fugir levando uma criança de colo é algo complicado e perigoso, então eles precisavam deixar ela segura em algum lugar para conseguirem desaparecer com mais facilidade. Pode ter sido apenas uma coincidência de a nossa igreja estar na rota de fuga deles e eles acabaram deixando a Maria aqui para poderem seguir em frente. Ela fugiu para se proteger de alguém e não para escapar da decisão judicial sobre a guarda da menina, como afirmou o Presidente Baek na coletiva.

- Pode até ser, mas essas denúncias começaram há quase um ano. Como a Srta. Yoon poderia saber alguma coisa do que acontece no Grupo Baek, a ponto de testemunhar contra eles? Eles mal deixavam que ela se aproximasse e, pelo que eu sei, ela é a atual inimiga número um deles.

- Não sei, mas esse poderia ser mais um motivo para eles terem tentado fazer alguma coisa contra ela. – insistiu Hae-il.

- Eu até entendo o Sr. Baek ter motivos para querer se livrar dela, mas acho que ele nunca faria algo que colocasse a menina em perigo... – rebateu a promotora.

- Isso é verdade, mas acho que toda essa situação merece ser investigada. – sugeriu o padre.

- Eu concordo, mas sem indícios reais fica difícil de acusarmos ele de qualquer coisa...

- E quanto a menina, o que faremos? – perguntou o Padre Han.

- Podemos continuar mantendo ela escondida aqui por enquanto, mas agora que sabemos quem ela é e que estão procurando por ela, vai ser só uma questão de tempo para que eles descubram o seu paradeiro. – alertou Park Gyeng-seon. – Eu não acho que eles estejam realmente contando com a polícia para encontrá-la e, com certeza, já devem ter contratado os melhores detetives do país. Quando descobrirem onde ela está, vocês estarão em maus lençóis. Eles não terão dó, vão vir com tudo para cima de vocês e podem até acusar vocês de serem cúmplices da Yoon In-a ou de estarem mantendo a menina em cárcere privado. Por mais que saibamos que ela está mais segura aqui, acho que já é hora de entregar ela para as autoridades.

- Não, eu não vou deixar vocês entregarem ela para esse homem perigoso. – recusou-se a freira, que era justamente a pessoa que, de início, mais queria levar a menina para a polícia.

- Eu entendo a sua preocupação, irmã, mas agora que a notícia já foi tão amplamente divulgada, se eles descobrirem que ela está aqui, vocês não poderão se defender alegando que não sabiam de nada. – insistiu a promotora.

- Me dá só mais uns dias para pensar no assunto, por favor. – pediu Kim Hae-il. – Se Deus colocou essa criança no meu caminho, eu não vou desampará-la. Acho que Ele está me dando uma segunda chance para me redimir dos meus pecados e eu vou protegê-la de todo o mal que a cerca, nem que isso custe a minha vida.

- Está bem, Padre Kim. – rendeu-se Park Gyeong-seon. – Só mais uns dias, mas tomem cuidado.