- Mas será possível? Tinha que ser a Velhota! Parece que ela tem um sexto sentido para aparecer nos momentos mais inoportunos. Pega a menina, irmã. Leva ela para o quarto, que eu vou tentar despachar a promotora. – cochichou Hae-il, enquanto entregava, com cuidado, a garotinha adormecida para a freira.

A mulher obedeceu e saiu rapidamente para esconder a bebê, enquanto Hae-il foi atender à porta.

- O que faz aqui a essa hora, Irmã Angela? – recebeu-a com a porta entreaberta, sem intenção de deixá-la entrar.

- Isso é jeito de receber uma paroquiana, padre? – indignou-se a promotora com a recepção pouco calorosa.

- É que no momento nós estamos ocupados. Não dá pra você voltar amanhã?

- Ah, é que eu trouxe algumas doações para aquela mãezinha que você disse que precisava de ajuda.

- Ah, sim. Pode me dar, muito obrigado. Eu mesmo vou entregar para ela.

Quando Hae-il soltou a porta momentaneamente para pegar as sacolas das mãos da promotora, ela se aproveitou da oportunidade e se jogou inesperadamente pra cima dele, desequilibrando-o, e assim, conseguiu invadir a casa paroquial. Só parou quando já estava a uma distância razoavelmente segura do padre.

- Ei!!! – gritou Hae-il, irritado com a ousadia da mulher, tão impetuosa quanto ele. – O que você pensa que está fazendo!?

- Boa noite, Padre Han. – cumprimentou ela o padre mais jovem, que apenas observava a cena e ficou sem reação com a invasão da promotora. – Como vai o senhor?

- B-boa noite. – respondeu ele gaguejando, sem muita confiança e tentando esboçar um sorriso. Ele havia sido ator na infância, mas assim, de surpresa, era meio difícil encenar alguma coisa convincente. – Eu estou bem, promotora. E a senhora?

- Viu, Padre Kim. É assim que se cumprimentam as visitas. – afrontou a promotora.

- Eu cumprimento quem eu convido, não quem invade. – respondeu anda mais irritado.

- Nossa, eu só queria ver como vocês estavam. Que grosseria… – continuou ela, como se apenas ele estivesse errado naquela situação.

- Estamos todos maravilhosos, como você pode ver. Então, tchau. – disse ele, largando as sacolas no chão, já pegando a promotora pelo braço e começando a puxar ela de volta em direção à saída, enquanto ela se esforçava para seguir para o lado contrário.

- Mas eu nem vi a Irmã Kim ainda. Irmã Kim! – gritou a mulher, insistindo sem nenhuma cerimônia, chamando pela freira e tentando se desvencilhar do padre. Se estava realmente acontecendo alguma coisa naquele lugar, como seus instintos diziam, ela estava determinada a descobrir. – Irmã Kim, é a Park Gyeong-seon! Cadê você?

- Shhh! Fala baixo! – disse Hae-il, agora já agarrando a insistente promotora por trás, com mais força. Um de seus braços dava a volta na cintura da mulher, a tirando do chão, enquanto que com a outra mão, tentava tapar sua boca. Ele estava doido para expulsá-la aos berros da casa paroquial, mas não podia fazer isso, com medo de acordar a Maria.

A promotora já imaginava que algo estranho estivesse acontecendo ali e aquela reação exagerada, até mesmo para os padrões do Padre Kim, foi a prova de que ela tinha razão.

- Me ajuda aqui, Padre Han! – pediu Hae-il, enquanto Seong-gyu, continuava imóvel, observando a cena sem saber o que fazer. Ele jamais seria capaz de segurá-la como Hae-il estava fazendo, mas isso acabou nem sendo necessário, pois os esforços de Hae-il não foram suficientes para evitar o que ele temia. De repente, a confusão na sala da casa paroquial foi interrompida por um choro estridente de criança, que vinha da área dos quartos.

A surpresa com o choro inesperado da menina fez com que Kim Hae-il baixasse a guarda novamente, e a promotora se aproveitou daquele breve momento para se livrar dele de uma vez por todas.

Mesmo também surpresa, ela teve mais presença de espírito naquela hora e mordeu a mão do padre, que cobria sua boca; em seguida, deu um pisão em seu pé descalço com o salto de seu elegante scarpin preto e saiu correndo em direção ao som do choro. A ocasião não permitiu que ela fosse educada e ela entrou na residência sem descalçar os sapatos mesmo.

- Segura ela, Padre Han! – gritou Hae-il, furioso, e sem saber se massageava a mão dolorida pela mordida, ou o pé, mais dolorido ainda, por causa do pisão.

O jovem padre até tentou obedecer, mas ele era delicado demais para uma tarefa tão bruta, e não foi páreo, nem de longe, para a determinação da promotora, que empurrou o rapaz e seguiu seu caminho como um furacão.

- Padre Han! – gritou Hae-il novamente, em tom de reprovação.

- Eu tentei, Padre Kim, mas ela é forte demais…

Ao observar, com decepção, a destemida promotora virar no corredor e desaparecer, Hae-il viu que havia sido derrotado e seguiu mancando atrás dela, mas não sem antes dar um leve tapa na nuca do Padre Han por sua incompetência. Agora quatro pessoas sabiam sobre Maria. Aquilo já estava deixando de ser um segredo...