O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
8 Uma nova cúmplice

Quando alcançou o quarto da Irmã Kim, Park Gyeong-seon finalmente parou.
A religiosa havia escutado toda a confusão na sala e até pensou em esconder a menina, mas não havia muito o que se fazer. Onde ela a esconderia? Dentro do armário? Embaixo da cama? Dentro de uma gaveta da cômoda? Fora de cogitação. Ao perceber que não tinha como escondê-la, apenas torceu para que o Padre Kim conseguisse deter a promotora, mas conhecendo ela como a conhecia, sabia que isso seria difícil até mesmo para ele, pois quando a promotora colocava algo na cabeça, ela só poderia ser parada se nocauteada e o Padre Kim não ousaria fazer isso com uma mulher. Se bem, que ele já a havia nocauteado em outra ocasião… Mas não fez isso dessa vez.
A freira estava tentando fazer Maria parar de chorar, quando Gyeong-seon apareceu. A promotora já esperava encontrar um bebê, mas ficou encantada com a menina, que mais parecia uma bonequinha. Ela entrou no quarto, já menos acelerada e foi ao encontro da freira.
- Irmã Kim, quem é essa princesinha? – perguntou a promotora, toda derretida, já esticando os braços para pegar a menina.
Decepcionada com a incapacidade dos dois padres em deter a promotora, a irmã decidiu que entregaria a menina, à mulher. Ela já a tinha visto mesmo, então não havia motivos para negar.
- Bem… ela é…
- Park Gyeong-seon!! – gritou Kim Hae-il, furioso, assim que também chegou mancando ao quarto, amparado pelo Padre Han. Não era seu costume chamá-la pelo primeiro nome, muito menos por seu nome completo, então ela já sabia que ele tinha ficado bravo de verdade. – Como você ousa agredir um sacerdote e invadir a Casa do Senhor desse jeito? Você quase atravessou o meu pé com esse salto!
- Ai, que exagero. – respondeu ela, fazendo pouco-caso da situação. – O que eu quero saber, é de quem é essa criança? Eu tenho certeza de que aquela história que você me contou lá na loja de conveniência é mentira, ou então vocês não estariam fazendo todo esse esforço para escondê-la. Por acaso… ela é sua filha?
A apreensão que a Irmã Kim e o Padre Han sentiram ao ver que a promotora tinha descoberto a menina, se desfez no segundo em que eles ouviram sua pergunta. Eles não conseguiram conter o riso e caíram na gargalhada, porque já sabiam qual seria a reação do colega religioso.
- Mas você também?! – esbravejou Hae-il, transtornado. – Por acaso eu tenho cara de safado e irresponsável, que sai por aí fazendo filho escondido? Não é possível que essa seja sempre a primeira ideia que vem na cabeça das pessoas!
- Bom… não sei… – respondeu ela, sem temer o perigo de sua ousadia.
- Sua… sua… – Kim Hae-il quis xingá-la do fundo se seu âmago, mas pensou melhor, respirou fundo, pediu perdão a Deus por mais aquele acesso de fúria e então continuou, tentando se acalmar e baixando o tom de voz. – Não, Srta. Park, ela não é minha filha. Embora, como você mesma pode ver, ambos tenhamos uma beleza encantadora, quase angelical, nós não somos parentes. Nós não sabemos quem é ela. Ela foi deixada aqui na porta ontem à noite.
- Ah, entendi. É um anjinho abandonado. Mas, então, por que todo esse mistério? Por que todo esse plano mirabolante para tentar esconder a verdade desse jeito? Era só levar ela para a polícia… – questionou a promotora, ainda sem entender a atitude dos religiosos.
- Não é tão simples assim…
Hae-il viu que não adiantaria esconder a verdade da promotora. Querendo ou não, ela era uma oficial da justiça e poderia obrigá-lo e entregar a menina, então ele decidiu contar tudo o que tinha acontecido e falou sobre o bilhete deixado, pedindo sigilo e tentando, assim, trazê-la para o seu lado.
Enquanto os religiosos relatavam os acontecimentos, a promotora ninava Maria, que gostou do seu colo e se acalmou novamente.
- Quem diria que você levava jeito com crianças, hein, Velhota? – observou o padre, surpreso.
- Todos adoram a incrível Park Gyeong-seon, especialmente as crianças. – respondeu ela, orgulhosa. – Mas voltando ao assunto, isso é mesmo estranho… Acho que deveríamos dar uma sondada discretamente na delegacia, na Divisão de Pessoas Desaparecidas. Quem sabe não estão procurando por ela, ou pior, vai saber se vocês não se meteram em um caso de sequestro...
- Ai, minha Nossa Senhora! – exclamou a freira ao ouvir a hipótese. Essa possibilidade não havia passado pela sua cabeça, mas Kim Hae-il tratou de acalmá-la.
- Eu acho muito difícil que esse seja o caso. Se fosse isso, por que a deixariam aqui? Ainda mais me citando diretamente no bilhete? Se fosse um sequestro, eles jamais se separariam dela, porque precisariam apresentar provas para a família para pedir o resgate. Não, não é isso.
- Então será que tem mesmo a ver com o SNI? – indagou a promotora.
- Esse é o meu melhor palpite. E se for isso mesmo, os pais dessa criança devem estar envolvidos em algo muito grande, para estarem sendo protegidos por um agente da inteligência. Mas as coisas não devem ter saído como o planejado e ele precisou improvisar e pensar em um plano de contingência. Parece que eu fui o plano de contingência.
- Pode ser… Mas o que você vai fazer? Vai mantê-la aqui? Eu não confio em vocês dois pra tomar conta dela. – disse a promotora, descrente da capacidade dos dois padres em cuidar de uma criança.
- Pois fique você sabendo, Velhota, que o Padre Han e eu, somos ótimos em cuidar de crianças, não é mesmo, Maria? – disse Hae-il, ofendido, tomando a menina dos braços da promotora e a erguendo acima de sua cabeça, fazendo-a achar graça e dar risada da brincadeira.
- Sei bem da capacidade desses dois… – discordou a freira.
- Ainda bem que essa pobre criança tem a senhora, Irmã Kim. – disse a promotora, abraçando a freira carinhosamente e alfinetando os dois padres com sua fala. – Se a senhora não estivesse aqui, eu já estaria levando ela embora agora mesmo.
Hae-il olhou com desdém para a promotora, mas não retrucou e continuou brincando com a menina.
- Pois bem, então eu acho que já vou indo. Eu já descobri o que queria. Nas sacolas que eu trouxe, tem mesmo fraldas, papinhas e algumas roupinhas. Acho que acertei o tamanho. Amanhã eu volto para ver como as coisas estão.
- Não precisa voltar, não. As coisas vão estar perfeitamente bem. – previu Hae-il.
Gyeong-seon sorriu, exibindo suas covinhas, e dirigiu-se à porta, mas antes de sair, se virou e disse:
- Eu vou voltar mesmo assim. Boa noite, pessoal! – despediu-se com um aceno e uma piscadela.
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