O Sacerdote Impetuoso: Protegendo os Inocentes
9 A identidade da pequena hóspede

Gyeong-seon agora também sabia sobre a criança escondida e estava igualmente curiosa com a situação.
Seu dever como representante da justiça era levar imediatamente a menina para as autoridades competentes, mas ela não faria aquilo, por enquanto, e daria mais um tempo para o Padre Kim. Embora ocupasse o cargo de promotora há vários anos, ela já tinha feito tantas coisas ilegais na sua vida, que uma a mais ou uma a menos, não faria a menor diferença.
Ela havia prometido voltar à igreja no dia seguinte, mesmo diante dos protestos do Padre Kim, porém ela não poderia fazer isso logo cedo, porque tinha assuntos importantes para resolver em seu escritório na promotoria. Naquele momento, ela estava ocupada, investigando dois casos paralelamente.
O mais importante e mais complicado deles, corria em sigilo absoluto e se tratava de uma denúncia contra um dos maiores empresários do país. Aquele poderia se tornar o maior caso de sua carreira, lhe trazendo as tão sonhadas fama e prestígio, porém a investigação caminhava a passos lentos com as provas escassas, quase inexistentes. Qualquer outro promotor já teria desistido dele, mas Park Gyeong-seon não era qualquer promotora.
O outro caso era referente a uma fraude de seguro automotivo. Nada muito emocionante, mas ela estava aguardando a chegada de uma testemunha, que supostamente, apresentaria provas de que o dono do veículo sinistrado não tinha sofrido acidente nenhum e sim forjado tudo para receber o dinheiro do seguro. O problema era que o horário marcado para que o depoimento acontecesse já havia chegado e passado, e nada de a testemunha aparecer.
- Será que ele desistiu de depor? – perguntou-se a promotora, irritada, já com a sua pouca paciência no limite. – O pior é que aquele infeliz nem atende as minhas ligações. Se ele não vier, teremos que recomeçar tudo do zero. Que estresse!
- Calma, Promotora Park. Eu tenho certeza de que ele só se atrasou um pouco. – disse sua assistente.
- Um pouco? Dez minutos é um pouco, mas duas horas e meia, já é uma afronta. Se ele não chegar em cinco minutos, eu mando a polícia atrás dele!
- Vamos esperar mais um pouquinho…
- Promotora Park! Promotora Park! – irrompeu pela porta, aos berros, seu outro assistente.
- Que escândalo é esse, Sr. Lee? Por acaso o senhor está querendo me matar do coração? – irritou-se a promotora.
- Não é isso, promotora. Liga a televisão. Parece que tem mais coisa acontecendo com a família Baek.
Curiosa com a informação trazida pelo assistente, ela pegou o controle remoto e ligou a TV, que ficava pendurada na parede do escritório.
A poderosa família Baek era justamente o alvo da investigação complicada e sigilosa que ela e sua equipe estavam tentando instaurar já há um bom tempo. Apesar de todo o seu poderio econômico, a família volta e meia aparecia nos noticiários, não apenas por assuntos relacionados ao seu grande império de importação, exportação e distribuição de produtos, mas também por alguns escândalos pessoais. O último, referente a Baek Seok-jun, o falecido filho único do patriarca da família,Baek Sang-min, tinha estourado há pouco mais de seis meses. Agora, parecia que a família tumultuada estava novamente nos telejornais.
“… antes de concluir a disputa judicial que já dura seis meses, o Sr. Baek convocou esta coletiva de imprensa, porém não adiantou o assunto para os jornalistas. Estamos aqui ao vivo, direto do saguão da sede do Grupo Baek, aguardando para saber de que se trata o seu pronunciamento. A coletiva está marcada para iniciar nos próximos minutos. Ah, lá está o Presidente. Baek.” – disse o repórter animado, enquanto só se viam os incessantes flashes das câmeras fotográficas, durante a entrada do empresário em seu caminho até o púlpito. Contudo, o primeiro a falar não foi o presidente da companhia, Baek Sang-min e sim, seu sobrinho e diretor do Grupo Baek, Baek Ji-sung.
“- Boa tarde. O Presidente Baek agradece a presença de todos, mesmo após essa convocação repentina. Seu pronunciamento será breve e não estará aberto a perguntas. Obrigado.” – foi só o que disse o rapaz bem-apessoado, de cerca de 25 anos.
Mais flashes dispararam quando o homem idoso, de cerca de 65 anos, finalmente chegou ao microfone.
“- Muito obrigado a todos por terem atendido a esse meu pedido tão inesperado. – iniciou a leitura do comunicado que trazia nas mãos, o homem elegantemente vestido, de cabelos ainda não completamente grisalhos, feições sérias e óculos de lentes grossas. – A disputa judicial entre mim e a Srta. Yoon In-a, pela guarda da minha neta não é um segredo para ninguém. Embora já tenhamos confirmado através de um exame de DNA que a Baek Seo-jin é mesmo filha do meu falecido filho, a Srta, Yoon não conseguiu comprovar ter tido alguma relação estável com ele e por esse motivo, a Srta. Yoon não terá direito a nada que pertença a Família Baek. Já a minha netinha, como minha única descendente direta, que um dia, herdará tudo o que eu tenho, precisa começar a ser preparada desde cedo para a posição que ocupará no futuro e aquela mulher, de caráter duvidoso, não tem condições de oferecer a vida que a minha neta merece. Por isso, eu entrei na justiça para pleitear sua guarda. Tenho plena confiança de que sairei vitorioso dessa disputa e que para isso acontecer é apenas uma questão de tempo. No entanto, com medo de sair perdedora do processo e ser obrigada a cumprir com a ordem da justiça, aquela mulher cruel, fugiu há dois dias levando a minha inocente Seo-jin com ela. O motivo pelo qual chamei vocês aqui, foi para que me ajudem a divulgar a imagem delas aos quatro cantos do mundo. Eu preciso encontrar a minha netinha e tirá-la das mãos daquela oportunista. A polícia já está investigando e está fazendo de tudo para que a minha pequena Seo-jin seja encontrada, mas eu também gostaria de pedir a ajuda de todos vocês. Muito obrigado.”
O homem, que sempre havia exibido a figura austera de um homem de negócios implacável, terminou seu pronunciamento, para a surpresa de todos os presentes, visivelmente emocionado. Ele fez uma reverência demorada aos jornalistas, enquanto atrás dele, um telão exibia a imagem da nora e da neta desaparecidas. Dezenas de panfletos com a mesma imagem foram entregues aos jornalistas, enquanto as câmeras focavam em captar a imagem mostrada no telão.
- Oh-oh. Isso não é nada bom... Eu preciso que vocês saiam por um momento. Eu tenho que fazer uma ligação urgente. – disse Gyeong-seon para os seus dois assistentes, assim que viu as imagens divulgadas. Quando os dois saíam para obedecer a ordem, o depoente atrasado finalmente chegou.
- Eu cheguei, prom…
- Cai fora daqui, seu irresponsável! – berrou ela, sem nem deixar ele terminar a frase, assustando-o.
Seus assistentes carregaram o homem consigo, tentando amenizar a situação.
- Venha conosco, senhor. O senhor não acha que está “um pouquinho” atrasado? – perguntou o Sr. Lee. – Infelizmente, a Promotora Park não tem mais horário para recebê-lo hoje. Vamos ter que remarcar seu depoimento.
Dito isso, o homem teve que aceitar a mudança de data e saiu, junto dos dois assistentes.
Assim que se viu sozinha, Gyeong-seon pegou o telefone imediatamente e buscou em sua lista de contatos por “Kim Tsunami”. Após o aparelho chamar algumas vezes, Kim Hae-il finalmente atendeu. – Padre Kim, o senhor, por acaso, está vendo TV agora?
O padre estranhou a pergunta feita de forma tão abrupta, sem nem mesmo cumprimentá-lo antes, como mandam os bons costumes.
- Não. Por quê? – indagou ele, confuso.
- Então liga agora. Pode ser em qualquer canal. Acho que está reprisando em todos.
O padre estava do lado de fora da casa paroquial, varrendo as folhas caídas das árvores, e precisou entrar para atender a ordem estranha da promotora. Assim que ligou o televisor, entendeu sua afobação e precisou se sentar. Ficou surpreso ao ver o rostinho da pequena Maria em praticamente todos os canais.
- Acho que isso responde a pergunta sobre quem ela é. – disse a promotora ao telefone.
Hae-il ficou em silêncio por alguns minutos tentando absorver as informações passadas pelos jornalistas, enquanto permanecia com o telefone no ouvido com a Promotora Park na linha.
- Padre? Padre Kim? O senhor ainda está aí?
- S-sim, estou.
- E agora? O que você vai fazer? Vai devolver a menina para o avô?
- Não sei... Preciso pensar. Essa história me parece muito mal contada.
- Verdade. Se o avô está falando que a mãe fugiu com a menina, por que só a menina está aí? Cadê a mãe? Por que ela deixaria a criança com você? Você conhece ela?
Foram muitas perguntas disparadas pela promotora e o padre só possuía resposta para as duas últimas, mas elas não eram lá muito satisfatórias.
- Não conheço. Ela nunca esteve por aqui, pelo que eu me lembre. Não faço ideia do porquê dela ter deixado a Maria, quer dizer, a Seo-jin, aqui.
- Tá bom… é o seguinte: não faça nada. Eu vou até aí para conversarmos pessoalmente e pensarmos no que fazer. Depois dessa denúncia em rede nacional, se descobrirem que vocês estão mantendo a menina aí na igreja, vocês podem ter problemas muito sérios. Eles são muito poderosos e, se quiserem, conseguem colocar todos vocês atrás das grades por sequestro num piscar de olhos.
- Eles que tentem fazer isso. – desafiou o sacerdote.
- Eu estou falando sério, Padre Kim. Essa família não é o que aparenta. Tem muita coisa sobre eles, que você não sabe. Me espera, eu tô indo aí. E, mais do que nunca: esconde essa criança!
- Tá bom. – respondeu Hae-il, desligando o telefone em seguida, ainda meio desnorteado com a revelação, mas principalmente, preocupado com o problema que a Irmã Kim e o Padre Han tinham causado inadvertidamente algumas horas antes. – Mas e agora? Onde será que aqueles dois se meteram com a menina? Justo agora eles tinham de inventar de “sair para tomar um sol”?
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