O Sétimo filho e o Lobo
1 O Homem misterioso
Notas iniciais
Catarina havia sido prometida há um homem que ela nem mesmo conhecia, pois em sua família não havia espaço para que a mesma tomasse a decisão e se casasse com a pessoa que realmente amava, quanto mais o tempo passava seus sonhos eram assombrados pelo homem que ela imaginava ser seu marido misterioso, seu coração se partia a cada dia, pois ela nutria sentimentos por Sebastian, o filho mais novo de seu Tio Albuquerque. Mesmo Sebastian sendo seu primo de sangue, os dois partilhava de amores desde crianças. Como seu Tio Albuquerque tinha terras ao Sul do estado, acabou que em umas de suas últimas viagens levara Sebastian com ele e já passará mais de sete meses que eles não voltaram e nem mandaram notícias.
Cantarina suspeitava que sua mãe Cândida tivesse algo haver com essa viagem, pois sua mãe já havia notado seu interesse por Sebastian, e pela cara que ela fazia nos jantares ou quando nos encontrava esgueirando-se pelos cantos a sussurros, eu já sabia que ela não aprovaria o que fazíamos. Tive medo do que poderia acontecer comigo e Sebastian, pois nossa família é muito ligada valores tradicionalistas e religioso, se relacionar com meu primo seria promiscuidade e banimento da família, eu não queria isso para nós, mas o amor que sentíamos um pelo outro, era tão grande que nos consumia de uma forma que não aguentávamos. Sebastian sempre achava uma forma de me encontrar escondido, aquilo me deixava com medo e ao mesmo tempo excitada, pois ao lado dele era como se não houvesse mas nada, que o mundo não mais reservava maldades, éramos livres para ser quem somos, destinados a ser um do outro, quando ele tocava meu corpo eu estremecia por inteira, nunca imaginei sentir algo daquela forma por alguém, sei que ele foi destinado para mim, mas agora nada mais importa ele foi embora, sabe Deus onde se encontra, não sei quando o encontrarei novamente, estou prometida a um outro homem que eu nem conheço e nem amo.
No dia da chegada do homem misterioso, o dia estava frio, e todos bem alvoroçados na casa, empregas arrumando tudo, e uma mesa com um banquete estava a espera, ele logo chegaria, demorei muito para fazer tudo, para levantar, tomar banho, pentear os cabelos, ao sair na porta do meu quarto, ouvi conversas no corredor, meu coração parou por alguns instantes e o medo tomou conta de mim, contornei o corredor e sair pela porta dos fundos, passei por uma varanda, para que eu pudesse olha para o homem misterioso pela janela sem que eles percebessem, ao olhar para dentro da casa, visualizei um homem baixo, com barba grossa, gordo, que aparentava ter uns 50 anos, quase enlouqueci ao vê-lo, olhei para um lado e para o outro, não havia outra opção senão fugir, quando virei para correr, bate de frente com um rapaz, quase ao cair sentir sua mão pegar na minha cintura e me puxar de volta, sua respiração pulsava na minha nuca, pois o desconhecido que me salvou da queda, era alto, jovem, aparentava ter 20 anos, sentir ele me observando de cima para baixo, com um olhar misterioso.
– Quando me contaram de sua beleza, não imaginei o qual grande seria.
– Você é o homem que estou prometida? Achei que...
– Sim! Você fala como se esse casamento arranjando fosse um total fardo para você, vai dizer que você estava saindo tão apressada, porque queria fugir de mim.
O desconhecido deu uma risada baixa, eu ainda sentia seu olhar misterioso rodando sobre mim, mas eu não sentir medo dele, de misterioso passou a ser Nicolau, me contou de suas aventuras na escola militar que teve que desistir, porque seu pai queria investir em terras por essa região, queria cultivar cacau, cana-de-açúcar e café, como a região era centrada, onde grande parte era famílias que tomava conta, a única forma de entrar para região seria o casamento arranjado feito com minha família, dessa forma seu pai seria apresentado para todos na região, comprando o máximo de terras para os seus negócios agrícolas. Já havíamos engatado uma grande conversa até minha mãe aparecer na janela, com um grande sorriso no rosto e nos chamou para o café da manhã.
O café da manhã, foi o mais chato possível, falavam de terras e a data do casamento, eu e Nicolau nada fala, percebi que da mesma forma que eu, a opinião dele também não contava, naquela mesma manhã ficou certo que o casamento sairia em 15 dias, e seria aqui mesmo na fazenda, o padre da igreja local viria fazer a cerimonia e todos estariam convidados para o festejo que seria a noite. A noite me peguei pensando em Sebastian, onde ele estaria? Se estava bem, até que a imagem de Nicolau surgiu em sua mente, ela se perguntou, se iria conseguir amar aquele homem, da mesma forma que amava seu primo.
Os dias se passaram, Catarina encontrava-se em seu quarto trajando um vestido em pleno dia do seu casamento, suas primas gritando feitos loucas, dizendo o quando Nicolau era lindo, e como eu era sortudo. Me perguntava, se eu realmente era sortuda por tê-lo. Minha mãe logo entrou mandando eu descer, pois o casamento iria começar.
Ao caminhar até a varanda, onde na porta encontra-se seu pai, o único pensamento que permeava sua mente era Sebastian, ela sempre imaginou aquele momento com ele, ele que deveria está esperando por ela no altar, não aquele desconhecido.
O casamento passou como um borrão em sua mente, agora Catarina encontrava-se preste a se entregar a um outro homem, que nem mesmo amava, ela pensou em quantas vezes almejou se entregar a Sebastian, mas como os dois idealizava o casamento, decidiram esperar até que se cassassem para que pudesse consumar o desejo carnal que existia entre os dois. Na manhã seguinte encontrava se na mesa Catarina, Nicolau e a empregada Isabel, Isabel era uma moça de 22 anos, Filha de Esmeralda empregada dos meus pais, Isabel viveu por anos com minha família e resolvi traze-la para trabalhar comigo, já que ela era minha melhor amiga e companheira, infelizmente nem todo mundo a tratava com mesmo respeito, pois ela era uma negra, que eu mesma considerava ter uma beleza maior que a minha, mas o preconceito da época cegava tantos aqueles que residia as terras, que ao menos a observavam dessa forma, na minha nova casa, que agora ficava alguns quilômetros da casa de meus pais, eu que comandava juntamente com Isabel as tarefas da casa, da limpeza e comida, Isabel era uma mulher com grande talento culinário, me ensinava o máximo que podia, passávamos dia conversando sobre várias coisas.
– Catarina, o que será que aconteceu com Sebastian?
– Infelizmente não sei Isabel, minha mãe faz de tudo para eu não saiba de nada, sei que ela esconde alguma coisa.
Isabel sabia do amor que eu sentia por Sebastian, algumas das vezes foi ela que facilitou para que eu e Sebastian pudesse se encontrar, temia por várias vezes ser descoberta e Isabel sofrer mais que todos. Não achei que os dias passariam tão depressa, mas a cada dia Nicolau não mais parece um estanho e sim um amigo, onde partilhamos história incríveis, ele ama literatura e poesia e eu amo poesia, incontáveis foram as vezes que ele recitava poesia para mim, já conhecia bastante da Literatura portuguesa, pois ele fazia questão que eu aprendesse, o mesmo falava que se eu quisesse ir para a capital estudar, ele me apoiaria e mudaria comigo, se eu quisesse, ele enfrentaria seu pai, mas realizaria meu sonho.
Passaram três meses do nosso casamento e as suspeitas que eu tinha se concretizaram hoje, estou gravida! ao que parece são dois meses de gravidez, minha mente permeia em meio a tantos pensamentos, onde não mas existia Sebastian, o sumiço, o casamento e agora um filho, me encontro lamentado um amor no qual não mas existiria, as lágrimas desce pelo meu rosto, a sensação de vazio me preenche, um futuro que eu nem mesmo sabia como poderia ser, nunca imaginei ir por um caminho que não tivesse sonhado, era como se as rédeas que controlavam minha vida, não mais encontrava-se em minhas mãos e sim nas mãos de um futuro distante e desconhecido.
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