O Romance de Percy e Annabeth
10 10 - Brigas e pazes.
Notas iniciais
Percy só agora reparou em como a neve estava densa no local, ele não podia ver pouco mais de um metro á sua frente. Reparou Annabeth andando em passos pesados para a neve adentro com o rosto vermelho de raiva mesmo com o frio que castigava todos eles no local.
– Ei cara, está bem? — disse Jason chegando perto de Percy e vendo ele cabisbaixo.
– Estou bem, é só que — ele soltou um grande suspiro de frustação. — estou tentando entender os meus sentimentos.
– Mas, o que aconteceu agora há pouco? — disse Jason com a sobrancelha franzida.
– Não quero falar sobre isso, está bom? — advertiu Percy.
Jason saiu em disparada na frente dele, o que o deixou sozinho no meio da neve. De vez em quando olhava em volta para dar uma estudada no local, e pelos poucos locais que pode perceber, viu que uma grande montanha se eleveva não muito distante dali.
Estava afundado em seus pensamentos, pensando em Annabeth, no beijo que Clarisse lhe deu, e tentando colocar tudo isso no seus pensamentos e encaixá-los.
De tão distraído, ele se choca contra uma pessoa.
– Olha por onde anda! — resmungou Jason dando uma rápida olhada para trás e vendo Percy.
– Porque você parou? — resmungou Percy.
– Talvez isso explique melhor a situação. — ele apontou para um grande paredão de rocha com várias marcas de garras.
– Isto é..
– Sim, a Montanha Triste. — Jason o interrompeu no meio da frase.
Ele pode perceber algumas sombras se movendo mais á frente deles, e pode perceber que era Annabeth e Clarisse discutindo.
– Porque você fez aquilo? — berrou Annabeth.
– Não lhe interessa! Ele quem me beijou! — mentiu Clarisse.
– Eu vi muito bem! Ele até tentou resistir mas você o segurou pela gola da camisa, sua.. — Annabeth nem terminou a frase, e Clarisse pegou na sua camiseta do Acampamento Meio-Sangue, e levantou ela no ar.
– Nunca mais grite comigo, sua idiota! — berrou Clarisse, então deu uma cabeçada em Annabeth e jogou ela no chão.
A raiva zunia em seus ouvidos, ela pode sentir algo escorrendo em sua testa, e sua visão ficando embaçada. Antes de adormecer, ela conseguiu enxergar uma fígura preta sacando uma espada Dourada e correndo até ela gritando por seu nome.
– Annabeth! — gritou Percy correndo até ela. — Vamos Jason me dê um pouco de ambrosia! — disse Percy gritando desesperadamente.
Jason, sem muita demora, chegou até eles com um saquinho plástico e algo dentro que parecia biscoitos.
– Annabeth. — disse Percy mais calmamente, e lhe colocando na boca um pedaço de Ambrósia e ao mesmo tempo acariciando seu rosto.
Ela sentiu seu corpo se revigorar, mesmo com uma dor de cabeça intensa, podia agora enxergar tudo mais claramente. Viu Percy ao seu lado, com os olhos á beira de lágrimas, e Jason olhando tudo com uma expressão vazia.
– Cabeça de alga. — falou Annabeth atordoada.
– Estou aqui sabidinha! — disse Percy olhando naquele seus olhos cinzas tempestuosos penetrizantes. — Me desculpe. Me desculpe. — ele sussurou no ouvido dela.
Então, Annabeth, fazendo um pouco de força, se inclinou e deu um longo beijo em Percy. Seus lábios estavam salgados e rígidos por conta do frio, mas Annabeth não ligou. Seu corpo respondeu ao beijo, fazendo que uma onda de calor penetrasse nela, trazendo para ela na hora seu bem-estar.
– Seu beijo é mais poderoso que ambrosia, cabeça de alga. — sussurou Annabeth no ouvido de Percy.
– Eu te amo, sabidinha. — disse ele.
Os dois se beijaram novamente, mas um beijo totalmente frenético e apaixonado, sem nem ligar a presença de Jason ali por perto, já que aquele momento era apenas dos dois.
Quando se separaram, ofegantes, Percy ajudou Annabeth levantar fazendo ela ficar meio zonza. Ela se apoiou nele, e ambos tentaram dar um passo na neve, mas estava difícil com Annabeth pendurada nos braços de Percy.
– Eu vou sozinha. — disse Annabeth tentando soltar Percy fazendo força.
– Volte aqui boba! Você não está em condições de andar. — dito isso, Percy pegou Annabeth no colo, e a loira tentou reagir, mas o corpo dela respondeu não. O conforto de estar com Percy em seu colo era uma sensação incrível e prazerosa.
Naquele instante, ela esqueçeu de tudo, da missão, da briga com Clarisse, até mesmo da briga com Percy. Apenas deixou o momento levar e aproveitá-lo. Deu para perceber que tinha se passado muito tempo, pois Percy resmungou.
– Você está ficando meio pesada. — resmungou Percy mas não soltando Annabeth.
– Tudo bem, eu já estou bem melhor. — ela saiu delicadamente dos braços de Percy e ficou ao lado dele continuando a caminhada no frio intenso do Norte.
Por estar tão envolvida nos braços de Percy, Annabeth nem percebeu que se adentraram no meio de uma espécie de fenda de rochas, que um pouco mais á frente, uma longa caverna se estendia com algumas estalagmites na entrada.
– Que lugar é esse? — disse Annabeth olhando tudo em volta com espanto.
– Seja bem-vinda á Montanha Triste! — disse Percy com um ar de graça, como se estivesse rindo naquele local fosse sarcasmo.
Andaram mais um pouco, e adentraram na caverna. O ar ficou mais quente e úmido, e Annabeth agradeçeu aos Deuses por isso, se tivesse que ficar mais um pouco lá fora, viraria um novo sabor de picolé.
– Acho que aqui é um bom lugar para acampar. — resmungou Clarisse jogando suas tralhas no chão, depois não falando mais nada nem olhando nos olhos deles.
– Eu arrumo as coisas. — disse Jason pegando suas mochilas. — Annabeth e Percy sentem-se e relaxem um pouco. — ele olhou para Percy e ele agradeu com o olhar.
Ambos se sentaram na caverna, e ficaram um bom tempo sem se falar um com o outro, não um silêncio constrangedor, mas um silêncio gostoso, comparado ao barulho que era a tempestade de neve lá fora.
Dava para ouvir um pouco, pois ainda estavam próximos á entrada, mas mesmo assim estavam em um lugar quente e confortável para passar a noite.
– Então.. — Jason quebrou o silêncio e deu para perceber que ele tinha acabado de arrumar as camas. — Precisamos de uma fogueira. — concluiu.
– Isto é fácil. — disse Clarisse ainda sem olhar para eles. — Tome, pegue esta bolinha e jogue aonde quer que forme uma fogueira.
Jason, com certa relutancia, fez o que Clarisse pediu e colocou a fogueira bem no centro do local onde estavam. No começo não aconteceu nada, ele estava quase olhando para a Clarisse com um ar de deboche, quando a bolinha começou a pegar fogo e umas madeiras flamejantes brotarem de dentro da bolinha.
Em instantes, se via uma linda e bela fogueira, crepitando lentamente sobre a caverna e iluminando o local.
– Aonde é que?
– Um presente da Última Olimpiana. — interrompeu Clarisse. — Ela me deu quando ajudei a matar aquele Dracon, juntamente com meu pai. Então, ela é uma bolinha que sempre faz fogueira, e quando não quiser mais usar, posso simplismente guardá-la de novo falando a palavrá mágica.
– E qual é essa palavra? — disse Jason olhando concentrado para o fogo como se suspeitasse que isso iria explodir a qualquer momento.
– É claro que não vou falar isso em voz alta, pois se não a fogueira iria desmontar e teríamos que espera 4 horas para usá-la de novo. — disse Clarisse revirando os olhos.
Jason olhou de lado, e pode perceber Annabeth e Percy montando uma cama improvisada um do lado da outra, a fim de que podessem dormir juntos.
– Boa noite Jason, iremos dormir um pouco. — disse Percy bocejando e abraçando Annabeth. Os dois então se permaneceram na posição de conchinha e adormeceram em questão de segundos.
– Então.. — Jason mexeu no graveto ao lado. — O que aconteceu?
– Não é da sua conta. — Clarisse lançou um olhar furioso para ele.
– Desculpe, só queria saber. — ele olhou em volta da caverna para tentar achar algo para se distrair.
– Eu não sei bem o que te falar, meus sentimentos estão todos bagunçados. — completou ela quando percebeu que foi rude demais com ele.
– Tudo bem, te entendo. Já sofri isso uma vez. — disse Jason olhando nos olhos dela, e pela cara dela percebeu que era a primeira vez que alguém tinha essa audácia.
– Você, olha nos meus olhos? — disse ela olhando para ele fixamente como se avaliasse seu ponto fraco.
– Sim, quando olhamos nos olhos das pessoas, significa que não estamos mentindo nem com medo. — disse ele.
– E você não tem medo de mim? — perguntou ela desconfiada.
– Até que você me intriga, mas não tenho medo de você. — ele disse ainda com os olhos fixados no dela.
Ela então desviou o olhar do dele, e passou a ver a neve que estava castigando a fenda em que passaram lá fora.
– O temporal pirou. — disse Jason e Clarisse não esboçou nenhuma reação.
– Sabe Jason, irei lhe contar uma coisa que nunca contei para ninguém. — ela pronunciou essas palavras com certa dificuldade. — Sou tão rude assim pois..
– Pois? — pressionou Jason.
– Sinto inveja do Percy e Annabeth. — disse ela com uma voz estranha engasgada.
– Ah.. — foi tudo o que Jason pode dizer.
– Se você contar isso para alguém, eu juro que.. — ela foi interrompida quando Jason colocou o dedo sobre seus lábios.
– Não precisa de explicação Clarisse, eu te entendo. — ele completou e olhou para o rosto de Clarisse que estava inespressível. Então, ela chegou mais perto de Jason, e encostou seus lábios no dele. Foi um beijo quente, que fez com que o corpo de Jason amolecesse.
Eles estavam se beijando a vários segundos, quando faltou oxigênio e eles se separaram ofegantes.
– Escute, isso não aconteceu. — disse Clarisse com um tom na voz que claramente não era pedido.
– Certo. — ele falou meio zonzo por causa do beijo. Ele não admitiu, mas gostou daquele beijo. Sentiu algo nele que nunca sentira beijando na vida, uma sensação de que está fazendo algo perigoso, inédito.
– Porque eu? — ele disse e Clarisse lhe lançou um olhar furioso.
– Porque você tem audácia. — ela riu e Jason pode perceber que ela não riu desde quando conheceu ela na cidade.
Então, os dois ficaram ali, lado a lado parados olhando para a neve lá fora e o temporal que castigava a fenda. Um silêncio gostoso se formou nos dois. Clarisse não queria confessar, mas sentiu algo que nunca sentiu beijando Jason. Algo novo, como se o beijo fosse proibído, perigoso, algo inédito. Ela não queria ter feito isso, mas seus impulsos motores não foram controlados e ela acabou cedendo á vontade do corpo de beijar Jason.
Queria tanto se virar e beijá-lo de novo, mas se conteve para não parecer uma menina muito jogada, já que conhecera ele a poucos dias.
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