Notas iniciais
Então gente...Mais um capítulo. Tá aí, espero que gostem.

Letícia acordou e se sentou na cama, pensativa. Havia sonhado com sua chegada ao acampamento. Nove anos, longos nove anos. Letícia lembrou de como era pequena e ingênua quando chegou, tinha apenas sete anos. Agora, com dezesseis, já sabia muito bem o que é e como é o mundo com o qual se assustara tanto quando descobrira que existia .

Ela se levantou da cama em seu chalé vazio, e se olhou no espelho que estava a sua frente. Tinha mudado muito desde sua infância. Agora, seu cabelo era maior e mais escuro. Seus olhos tomaram um tom mais voltado para o verde, e seu rosto havia amadurecido, assim como ela.

Uma nostalgia a atingiu quando se lembrou de sua infância, de como era feliz em sua casa com sua mãe... Sua mãe! Nunca mais ouviu falar nela. Nunca soube seu paradeiro. Ela procurou muito, mas como nunca achou, preferiu esquecer, para que não ficasse se martirizando. Mesmo assim, toda vez que se lembrava da mãe, era como se pegasse uma faca e reabrisse uma ferida.

A falta materna era algo que sempre ficara marcado em Letícia. Uma cicatriz que nunca se curava. O colar que havia recebido de sua mãe ainda estava pendurado em seu pescoço. Ela nunca o tirava na esperança de que, um dia, ele lhe trouxesse respostas sobre o paradeiro de sua mãe.

Ela se recompôs, balançando a cabeça. "Isso não vai te ajudar, tem que esquecer isso." disse para si mesma. Ela foi ate seu armário e pegou algumas roupas, depois se virou para ir em direção ao banheiro, mas se interrompeu e olhou para a estátua de Zeus que ficava no centro do chalé.

– Bom dia, papai! Então... Como vai a vida imortal de líder dos deuses? — Ela perguntou e fitou a estátua por um instante, mas como era previsto, não obteve resposta — Eu estou bem, obrigada por perguntar. — ela se virou e foi em direção ao banheiro — Como sempre, nossas conversas, muito interessantes. — Letícia bateu a porta do banheiro e tomou um banho demorado, depois, pós suas típicas roupas e pegou suas armas. Sua velha espada- chaveiro e então, lembrou-se de seu arco, e ele apareceu nas suas costas. Ela pegou-o e o examinou. Havia ganhado ele no mesmo dia que chegará ao acampamento. Lembrou — se de ter entrado pela primeira vez no chalé e encontrado o arco em sua cama. Ele vinha com um bilhete que dizia que a arma lhe pertencia, e que sua mãe iria querer que a usasse. Letícia procurou Quíron para perguntar do que se tratava, e ele disse que, ha muito tempo, haviam deixado o arco com um bilhete, dizendo que ele deveria ser deixado no chalé de Zeus, pois, quando chegasse a hora, era para ser entregue a uma filha do mesmo . O arco tinha propriedades mágicas, aparecia sempre que Letícia queria ou precisava , assim como sua aljava. Mais uma, a menina tinha ficado confusa, mas deixou passar. Apenas mais um mistério em seu passado.

Letícia acordou dos seus pensamentos e pendurou o arco novamente nas costas. Em seguida, guardou sua lanterna — chaveiro no bolso e saiu do chalé. Andou até o pavilhão onde encontrou Lucas, seu melhor amigo, sentado desenhando em seu caderno, como de costume.

Lucas também havia mudado bastante desde que Letícia o conheceu. Não era mais magrinho com aquela cara de nerd toda que tinha. Bem, ainda era nerd, (típico dos filhos de Atena) mas pela aparência não parecia mais . Seu cabelo loiro cresceu e ficou encaracolado, com algumas mechas castanhas. Ele permanecia com os óculos, mas isso não o deixava esquisito ou feio, pelo contrário, dava um ar estiloso a ele. Havia ganhado músculos e agora só andava ereto. Estava muito bonito.

Letícia sorriu ao vê-lo, ele era a pessoa que mais a fazia feliz naquele acampamento. Ela se aproximou por trás dele, pulou em suas costas e se agarrou em seu pescoço , fazendo ele derrubar seu caderno de desenhos. Ele a principio se assustou, mas depois percebeu que era Letícia e riu.

–Aaaa, tá me sufocando — disse ele, meio rindo, tentando tirar o braço de Letícia do seu pescoço.

– Se renda, não tem escapatória. — Ela disse rindo e tentando fazer uma voz maléfica.

– Ta bom, tá bom. — Ele levantou as mãos — Eu me rendo.

Letícia o soltou e bagunçou seu cabelo, depois sentou ao seu lado.

– Sua maluca... — ele disse passando a mão pelo pescoço e depois ajeitando o cabelo.

Ela riu da cara de Lucas e depois percebeu o caderno de desenhos no chão, então se levantou e o pegou rapidamente. Lucas fez uma cara de assustado e ficou meio vermelho ao ver Letícia com o caderno, mas pareceu se conter.

– Devolva... — ele disse, se levantando.

– Ora, ora... O que será que tem aqui que você nunca me deixa ver?

– Não te interessa! — ele disse, esticando a mão. — Agora, seja uma boa menina e devolva!

– Vamos ver primeiro... — Letícia começou a abrir as páginas, mas Lucas foi rápido e deu uma rasteira nela. Mas antes dela cair ele pegou o livro com uma mão e a apoiou com o outro braço.

– EII! — Ela exclamou, enquanto se apoiava nele para se por de pé. — Isso não é justo. — ela deu um leve soco no ombro dele e depois se ajeitou.

– Não é justo você pegar as coisas das pessoas sem elas deixarem, e não devolver quando pedem de volta.

– Não sei porque você esconde tanto isso de mim... Se você desenhou algum tipo de coisas exencialmente masculinas que eu não possa ver é só falar.

– O que?! Claro que não! Não desenho esse tipo de coisa! — disse ele , com um tom defensivo.

–Okay, okay. — Letícia disse enquanto levantava os braços em sinal de rendição. Ela olhou para o relógio que estava no pulso de Lucas e depois exclamou — A AULA DE ESGRIMA!! — Ela saiu correndo pelo acampamento.

– Espera, maluca! — disse Lucas , correndo atrás dela.

Letícia chegou na arena, lá tinha um grupo de crianças aglomeradas. Algumas brincavam de pregar peças em outras, colando chiclete no cabelo das meninas que brincavam de boneca na arquibancada. Outras brincavam de bater umas nas outras ou de queda de braço. As mesmas crianças que perturbavam as garotinhas que brincavam de boneca, também roubavam alguns desenhos de umas crianças que estavam próximas às árvores, observando a Arena e desenhando como ela poderia ficar melhor, no ponto de vista de cada uma. Resumindo, era uma correria misturada de gritos e risos que tomavam conta do lugar.

Lucas se aproximou e se pôs ao lado de Letícia, rindo ao ver a cara da menina em frente aquele pandemônio.

– Primeira aula para os baixinhos. Deve estar bem empolgada. — ele disse, rindo.

– Acho que eu preferia lutar contra um exército de Equidnas a enfrentar isto. — Ela disse, ainda com os olhos vidrados na cena que estava vendo.

– Cuidado com o que deseja, garota dos raios. — Lucas riu e sentou-se em um banco próximo — Boa sorte!

– Vou precisar. — respondeu Letícia.

Realmente, aquela fora uma das situações mais irritantes que Letícia já passou na vida. Não sabia o que era mais difícil : Fazer uma filha de Afrodite segurar em uma espada, ou um de Ares largar uma.

As crianças não facilitaram nada. Sempre que podiam, os filhos de Hermes davam um jeito de implicar com algum de Afrodite, o que gerava um caos e um chororo tremendo. Letícia gastou mais tempo tentando controlar os pirralhos do que ensinando esgrima. No final da aula, ela estava exausta e rouca de tanto ter gritado. Ela foi até Lucas , que a aula inteira ficara sentado, desenhando em seu caderno, parando as vezes para rir da cara de Letícia.

– Definitivamente, preferia ter enfrentado um exército de Equidnas. — disse Letícia, sentando ao lado de Lucas.

– Tem uma coisa nas suas costas.- ele disse, e depois arrancou um papelzinho cheio de cola que estava preso nas costas dela.

– Filhos de Hermes me dão nos nervos... Crianças me dão nos nervos. — Disse ela, elevando as duas mãos ao rosto e interrando-o nelas.

–Você se acostuma...

– O que?! Acostuma?! Nunca mais. Vou dizer a Quiron para nunca mais me por no "programa de treinamento para iniciantes". Sem chance de eu passar por isso de novo.

– Paciência é uma virtude que não te falta em.

– Ei! Eu sou paciente, pelo menos até porém minha paciência a prova.

– Se você diz, quem sou eu para discutir. — disse Lucas, se levantando e estendendo a mão para Letícia. Ela aceitou a mão estendida, pondo-se ao lado dele.

– Bem que você podia ter me ajudado, né?! — disse Letícia.

– Sabe, eu até pensei em fazer isso. Mas acho que minha habilidade está a cima de treinar crianças. — Provocou Lucas, dando um pequeno sorriso.

– Aé?! E a minha não está?! Eu quase te derrotei um bando de vezes...

– Usou o termo certo. — ele disse, rindo — Quase. Você nunca me derrotou e nunca derrotará.

– Duvida? — perguntou Letícia e Lucas assentiu.- Então tá! — Ela pegou sua lanterna e apertou o botão em sua lateral, a transformando em espada. — Que tal um duelo?

– Eu não queria, mas já que insiste.- Lucas pegou sua espada e se pôs em posição de luta — Lembrando que eu te ensinei quase tudo que sabe sobre isso, conheço toda sua movimentação e estilo.

– Vamos ver...

Lucas deu um sorriso torto e esperou Letícia ir para cima dele. Ela segurou firme a espada e deu-lhe um golpe, mas Lucas se desviou e tentou acerta-la, então ela se esquivou e tentou-lhe acertar outro golpe, e assim foi seguindo. Eles já lutavam a um bom tempo, quando Lucas tentou dar um golpe em Letícia novamente, quando ela se desviou, deixou um espaço desprotegido, o que foi o suficiente para Lucas atacar. Ele se esquivou para o mesmo lado que Letícia, dando — lhe uma rasteira enquanto se movimentava, e depois, pondo o peso do corpo contra o da menina, fazendo com que ela não conseguisse voar. Ela caiu no chão com Lucas agachado ao seu lado, com a espada em seu pescoço, a pressionando contra o chão com a mão, que estava no ombro dela .

– Como disse, conheço todo o seu posicionamento e pontos fracos.

–Isso não vale! — disse Letícia, indignada, enquanto se sentava na grama . — Eu estava cansada por isso perdi, já você ficou desenhando no seu caderninho a manhã inteira.

– Você perdeu por causa daquele motivo de sempre. Já falei, deve melhorar sua postura e não se esquivar daquele jeito, se eu fosse um inimigo você já estaria morta.

– Há, tá bom. Já entendi. Melhorar a postura. Ainda bem que você não era um inimigo. — disse Letícia, dando um leve sorriso.

–Isso é sério, Letícia. Me preocupo com você. Esse é, e sempre foi, seu ponto fraco em uma batalha. Já passamos por várias missões e você deu a sorte de nunca ninguém ter tentado o golpe que eu lhe dei porque se não...

– Ei! Eu sei. Relaxa. Ainda estou aqui, ainda te pertubo ne? — Ela disse, dando um leve esbarrão no ombro dele. — Não vai se livrar de mim tão cedo, sabe tudo!

– Pois é. — ele disse, rindo — A vida não está fácil para ninguém.

Letícia riu e bagunçou o cabelo de Lucas, e depois se levantou.

– Ei!- exclamou o menino, em protesto — Por que ama fazer isso com o meu cabelo?!

– Porque sim. — desse ela, dando de ombros.

– "Porque sim", não é reposta. — ele disse, se levantando também é ajeitando o cabelo. Depois pegou seu livro de desenhos que tinha deixado onde estava sentado e o guardou no bolso.

– Bem, acho que já está próximo a hora do almoço. – disse ela, olhando a movimentação dos jovens ao seu redor. — Vou tomar um banho, preciso relaxar um pouco. – ela transformou a espada novamente em um chaveiro. — Nos vemos mais tarde.

– Okay. — respondeu Lucas.- Até mais.

Ela foi até seu chalé e tomou um banho. Ela pós suas roupas e então se jogou na cama. Ainda não tinha chegado na metade do dia e já estava exausta de cansaço. Pegou seu celular e fone, e pós para tocar Imagine dragons. Sentiu seus olhos se fecharem lentamente e acabou caindo no sono.

" Letícia se viu em uma floresta fechada e escura. Ela olhou em volta perdida, o lugar era calmo e tudo que se ouvia era o ruído dos animais e do vento soprando nas folhas das árvore. Sua visão embasou e ela se encontrou em um outro local, ainda na mesma floresta, a única diferença é que um riacho com uma pequena cachoeira cortava a paisagem.

A menina se aproximou da cachoeira, se sentia atraída para aquele local por algum motivo. Ela atravessou o véu de água que a cachoeira formava e se encontrou de frente para uma parede. Na parede, havia algumas coisas escritas em grego que ela não conseguiu identificar no sonho , e também um buraco que parecia uma encaixe para chave, só que mais grosso e esférico. Também havia um pequeno cálice prateado preso a parede.

A Visão de Letícia embasou novamente e ela estava em um lugar úmido e escuro. Tinha uma aparência sinistra e sem vida. Ela começou a andar pelo local, parecia uma caverna. Não havia entrada de luz e nem portas. Tudo que se via era pedra e o lodo verde que descia pelas paredes.

Ela continuou andando, adentrando cada vez mais no lugar. Andou até chegar em uma grande sala, que era quase um salão. Em seu centro, havia uma cama, com alguém deitado nela. Ao se aproximar, Letícia sentia algo horrível. Uma sensação de temor e desespero, era como se a sua vida estivesse se esgotando, ou que sua alma estivesse sendo sugada. Mas ela seguiu em frente, e na cama, deitada, encontrou sua mãe, com as mãos sobre a barriga dormindo mansamente.

Estava tão serena que parecia estar morta. Letícia deu um pequeno grito de surpresa, então começou a balançar sua mãe a fim de acorda-la. E ela acordou, mas não era o que a menina esperava. Seus olhos, que de costume era castanhos serenos e aconchegantes, estavam vermelhos escuros, quase pretos. Seu aspecto era sem vida e rude. Aquela não era sua mãe, Letícia pensou, não poderia ser.

Ela se assustou e recuou, então escutou uma voz "Venha até mim" dizia a voz, em um tom ruidoso e áspero, um tanto medonho, que fez com que a garota se arrepiasse. “ Posso te devolver o que tanto procurou, é só vir até mim que tudo ficará bem". Ela elevou as mãos aos ouvidos, e se virou. Então se viu em em Nova York, mas não era Nova York comum.

A cidade estava em ruínas, fogo tomava conta de alguns locais e entre as ruas e sobrevoando elas, estavam vários monstros. Eles matavam as pessoas e quebravam a cidade. Mas, o que mais aterrorizou Letícia foi quando ela olhou para o Empire State e, em vez de um prédio grande, erguido e esbelto no centro de Nova York, viu um prédio em chamas destruído se despedaçando e desabando. "

Alguém bateu na porta do chalé e Letícia acordou em um sobressalto. Ela estava tremendo e suando. Nunca havia tido um pesadelo daqueles na vida. Fazia tempos que não sonhava com sua mãe ou algo parecido, e agora avia sonhado com ela e algo maior, algo aterrorizante.

A pessoa bateu na porta novamente e Letícia foi até lá. Ainda meio desnorteada e com uma pontada de dor de cabeça. Ela abriu a porta e encontrou Haven, sua amiga filha de Hades. Ela era branca de cabelos pretos bem escuros e olhos tão escuros quanto. Seu cabelo era cortado irregularmente e suas roupas era escuras com algumas estampas de caveiras e tudo mais, típicas de uma rockeira. Ela não era uma pessoa muito sociável, na verdade, não falava com quase ninguém que não fosse Letícia e Cristal , uma outra amiga de ambas, filha de Deméter. Haven se assustou. ao ver ao rosto da amiga e franziu o cenho .

– Que cara é essa, Leti?! — exclamou — Caiu da cama foi?!

– Bem... Quase isso. Pesadelos, mas deixa quieto. O que faz aqui?

– Bem, nada de mais...- respondeu Haven em um tom cínico — Só que achei que depois de você ter ficado um dia inteiro tentando me convencer a começar a fazer aulas de arco e flecha com o pessoal, você não deixaria pra lá assim.

– Nossa, já tinha me esquecido! – Letícia disse, e depois saiu do chalé, batendo a porta — Acabei caindo no sono. Foi mal. Vamos!

As duas saíram andando pelo acampamento até chegarem na área de treino de arco. Chegando lá, Letícia avistou seu amigo e treinador Erick, filho de Apolo.

Erick era um dos meninos "populares" do acampamento. Era alto, tinha cabelos castanhos e forte, o que deixava as garotas babando. Ele era um dos melhores em arco e flecha do lugar . Tudo o que Letícia sabia sobre arco e técnicas parecidas tinha aprendido com Erick. Ele até que era um bom professor, quando não deixava de dar aula para flertar com as meninas ou ir em festas com os amigos.

Erick avistou Letícia e deu aquele sorriso que deixava as meninas loucas. Ele comentou algo com seus amigos e se afastou do grupo, vindo ao encontro delas .

– Olá, menina das tempestades! — ele disse, enquanto abraçava Letícia.

– Olá, garoto do arco!

Ele se virou ao ver Haven e a examinou, dando um leve sorriso.

– Então essa é minha nova aluna! — ele estendeu a mão — Meu nome é Erick, prazer em conhece-la, gatinha!

– Haven... E não me chame assim! — disse ela, apertando a mão do garoto.

– Por que não se é verdade? — começou Erick, mas Letícia o interrompeu.

– Então Erick, podemos conversar um minutinho?

– Sempre que quiser, gata! — Letícia fez um sinal para Haven esperar e puxou Erick até estar a uma distância considerável de Haven.

– Erick, escute bem. — começou, ela — Haven é filha de Hades. Ela não é muito sociável e já foi difícil convence-la a vir até aqui fazer aulas de arco. Então, por favor, não estrague tudo.

– Mas eu só chamei ela de gatinha e... — ele se interrompeu ao ver a expressão de Letícia e então ergueu as mãos em sinal de rendição — Ta bom, tá bom... Não vou mexer com ela!

– Obrigada pela cooperação!

– Não tem de que.

Erick e Leíicia voltaram até Haven. Eles começaram a treinar arco. Haven até que era boa e Erick se comportou bastante durante o treino. As vezes, ele tentava lançar umas de suas piadinhas para Haven, mas tudo que recebia era uma cara de deboche e uma virada de olho. No final da tarde, eles acabaram o treino .

– Acho que já deu por hoje. — disse Eric. — Vou sair com meus amigos mais tarde, não posso me atrasar. — ele se virou para Haven — Até que você é boa nisso, gati... Haven. — ele se corrigiu e esticou os braços para abraça-la, mas ela se afastou um pouco e estendeu a mão. Erick levantou uma sobrancelha e deu de ombros, depois esticou sua mão e apertou a da menina — Legal te conhecer. A gente se vê por aí!

– Até mais. — respondeu Haven.

Ele se afastou indo em direção ao chalé de Apolo. Letícia se virou para Haven e perguntou:

– Então, gostou da aula?

– Até que foi legal. –respondeu.- Mas poderia ter escolhido um professor melhor. Esse garoto se acha de mais!

– Nisso você tem razão... — disse Letícia, rindo — Mas ele é o melhor em arco e flecha que já conheci. Foi o que me ensinou a atirar, sem ele, não seria tão boa quanto sou hoje.

– Mesmo assim, continua sendo um metidinho. — Haven bufou — Não gosto de gente medida!

Letícia revirou os olhos e estava prestes a fazer um comentário quando uma voz feminina familiar chamou atrás dela :

– Oie, pessoinhas!!

Ela se virou e deparou-se com a imagem de uma menina ruiva, de cabelos curtos, baixinha e de olhos azuis brilhantes. Seu nome era Cristal , a segunda melhor amiga de Letícia e de Haven. Era filha de Deméter e bem gentil, atenciosa e pacífica, pelo menos, com outras pessoas. Essas características faziam com que quase todo o acampamento gostasse dela. Até mesmo alguns filhos de Ares se rendiam a sua simpatia e sutileza. Porém, isso não a tornava mais fraca. Letícia nunca tinha visto Cristal em um combate, mas já a havia avistado treinando, e era muito poderosa.

– Oi, Cristal . — responderam Letícia e Haven.

– Então, animadas para a festa?- perguntou, Cristal.

– Não gosto muito de festas. — respondeu Haven — Um bando de gente falando e fazendo coisas idiotas.

– Não muito... — respondeu Letícia a pergunta de Cristal .

– Mas Haven, essa é a graça! — disse Cristal , rindo. — Ai, vocês são muito chatas. Mas enfim, adivinha quem vai ser a responsável pela decoração e ornamentação da festa?!

– Você?! — disse, Letícia.

– Exato, Leti! Não é maravilhoso! Organizar a festa do solstício de inverno!!

– É só mais uma festa no acampamento. — disse Haven.

– Sim! Agora é no acampamento! Mas já pensou, no futuro, eu ser chamada para organizar uma festa no Olimpo!! Que perfeito seria. — disse Cristal , e então ficou um tempo olhando para cima com um leve sorriso no rosto.

– Eii! Terra chamando Cristal! — disse Letícia, enquanto estalava os dedos na frente dos olhos de Cristal até ela voltar ao normal.

– Caramba! Minha agenda agora está cheia. — disse Cristal- Tenho uma reunião agora com os filhos de Apolo e de Dionísio sobre a festa. Só vim mesmo pra falar com vocês. Até mais tarde, lindas ! — Cristal saiu andando pelo acampamento, fazendo algumas flores crescerem e outras ficarem mais vivas enquanto cantarolava musiquinhas aleatórias.

– Essa nossa amiga é doidinha. — disse Letícia a Haven , enquanto ria ao ver Cristal se afastar.

– Pois é... Acho que eu sou a mais normal desse grupo!

– Não mesmo! — protestou, Letícia. — Eu sou a mais normal!

Elas foram andando discutindo sobre quem era a mais normal entre elas até chegarem ao refeitório, onde Lucas estava parado, como sempre, desenhando. Ele se aproximou de Letícia e Haven.

– Olá, meninas!

– Oi, Loirinho. — disse Letícia, e Haven respondeu ao " Olá " com um leve aceno.

– Ha! Não tem aquela aula de canoagem que você ia começar?! Bem, eu marquei para amanhã . — disse Lucas a Letícia.

– Hum... Canoagem... Tá né! — Letícia disse, meio receosa. Não era muito fã de água, muito menos de ficar cercada por ela. Quando era pequena, quase morreu afogada em uma praia que fora. Depois disso, ficou meio que com um trauma de qualquer ambiente aquático. Sempre os evitava. Mas Lucas, com aquela idéia de que "Tudo é psicológico e se você enfrentar seus medos, vai superar isso.", conseguiu convencer Letícia a fazer aulas de canoagem.

– Err, bem, acho que não tô afim de ficar de vela então vou para meu chalé tomar banho. — disse Haven, se retirando de perto dos dois — Até mais tarde, talvez.

Letícia se sentiu meio constrangida e deu o dedo do meio para Haven, enquanto esta se retirava rindo.

– Até mais, Babaca. — Disse Letícia, e depois se virou para Lucas, que estava rindo sem graça.

– Boba ela ne?!

– Sim, muito boba. — disse Letícia.

Lucas e Letícia ficaram conversando o final da tarde toda, como era de costume dos dois. Ele falando dos seus estudos e projetos, ela de seus treinos e trapalhadas. Quando deu a hora, eles foram até a fogueira, onde o pessoal estava reunido. Eles se sentaram próximos a Cristal , mas esta não parava de falar sobre a festa com umas meninas que estavam ao seu lado, e anotar coisas em uma agenda da Moranguinho.

Tinha sido um dia normal, a não ser pelo sonho estranho que Letícia havia tido. Ela ainda não tinha conseguido interpreta-lo ou saber porque havia sonhado aquilo. Mas esperava que parasse . Lembrar da mãe era como se auto flagelar para Letícia, e ver a mãe daquele jeito... Era como estava na vez que Letícia entrou em seu quarto, quando tinha 6 anos. Mas nem o que virá naquela época tinha sido tão aterrorizante quanto o que vira em seu sonho. Desejava que eles nunca mais se repetissem. Mas seu desejo não se tornou realidade.

Notas finais
Não esqueçam de comentar e dizer o que acharam okay?okay. bjocas.