O Retorno do Titã

3 Sonhos e assombrações


Notas iniciais
Olaaaaaaaa semidivoos. Bem, tá aí mais um capítulo para vocês. Não sei se já comentei, mas pretendo postar um por semana. Dependendo de quantas pessoas me pedirem ( que eu acho que não serão muitas), posto dois por semana. Mas por enquanto, deixa em off, heuheuheu. Então, tá aí, boa leitura e desculpe se tiver erros gráficos.

Letícia acordou e se viu caindo da colina Meio — Sangue. Ela logo se assustou e pôs-se a voar , pousando desajeitada no solo abaixo. Por um momento não sentiu nada, mas logo caiu no chão com uma forte dor de cabeça. " Jovem semideusa, venha até mim. Estou com ela, posso liberta-la. Só preciso que venha até mim.", disse aquela mesma voz de sempre em sua mente.

Ela pós as mão nos ouvidos e deu um forte grito. Não estava mais aguentando aquilo . Sempre que dormia, tinha o mesmo sonho, onde encontrava sua mãe e, ao acordá-la, via Nova York sendo destruída. E o pior é que, sempre, depois de todo sonho, ela acordava em outro lugar, saindo do acampamento ou se pondo em alguma situação de risco — como segurar uma faca contra si, ou tentar se afogar — e com aquela mesma voz falando em sua cabeça, invocando- a, tentando persuadi-la a ir até um lugar, provavelmente, o visto em seu sonho.

Logo as vozes se cessaram, e Letícia se pôs de pé. Estava de pijama. Com certeza, cheia de olheiras.

Tinha ficado praticamente a noite inteira acordada, tentando não dormir para evitar os pesadelos. Mas sempre que tirava um mero cochilo, o mesmo sonho voltava a atormenta-la. Ela estava se sentindo exausta, tivera que fazer um grande esforço para conseguir planar quando estava em queda livre, pois não possuía quase nenhuma energia.

Ela olhou para o céu, o sol estava nascendo, provavelmente os campistas estariam começando suas atividades naquele momento.

Ela foi mancando até seu chalé. No caminho, alguns campistas paravam e riam da garota com pijama. Outros, procuravam ignorar para não tornar a situação mais constrangedora. Letícia finalmente conseguiu chegar ao seu chalé. Ela foi até o banheiro e tomou um banho demorado para tentar acordar um pouco, mas ainda continuava exausta.

Ela saiu do banho e se vestiu. Lembrou-se que Cristal havia a chamado para mostrar umas coisas da organização da festa. Não se interessava nada por esse tipo de assunto, mas pelo menos era algo que poderia mantê-la acordada. Qualquer coisa para não ter aqueles pesadelos novamente.

Ela pegou sua espada, que estava em forma de lanterna, e saiu do chalé, indo em direção aos campos de morango.

Assim que saiu, viu Lucas se aproximando do chalé. Ela se escondeu atrás de uma árvore e esperou ele se distanciar , não queria que a visse assim. Ela havia contado sobre os sonhos a ele, mas não sobre o fato de estar sendo dominada por eles. Tinha medo de deixá-lo preocupado ou envolvê-lo em uma situação perigosa, seja ela qual fosse.

Assim que Lucas se distanciou, Letícia prosseguiu seu caminho. Ela chegou nos campos de morango. Não havia quase ninguém lá. Cristal ainda não tinha chegado.

Ela se sentou na relva e olhou para os campos. As folhas das árvores balançavam com a brisa gelada porém prazerosa que invadia o acampamento.

Letícia sentiu suas pálpebras ficarem pesadas, para ela, naquele momento, era como chumbo. Ela logo foi perdendo a consciência e acabou dormindo, o que trouxe de volta os pesadelos.

– Letícia?! — escutou . A voz familiar invadia seu sonho e fazia com que a imagem de Nova York destruída começasse a embaçar. — Letícia, o que está fazendo?! LETÍCIA!

Ela finalmente acordou. Estava de pé e Cristal caída no chão a sua frente, com os olhos azuis escancarados e a boca aberta de surpresa. Letícia demorou um pouco para tomar a consciência do que estava acontecendo. Finalmente, percebeu que segurava uma espada contra o pescoço de Cristal, que já estava começando a sangrar.

Ela se afastou surpresa e largou a espada. Cristal a encarava assustada, como se não a reconhecesse.

– O- O que houve?! — gaguejou , Letícia.

– Eu... Fui te acordar e você... Me atacou. — respondeu Cristal, falando um pouco mais baixo do que o de costume e lentamente. Ela se pôs de pé e encarou Letícia. — O que está acontecendo?

– Eu... Não... — gaguejou novamente.

– Ei... Eu sei que você jamais me machucaria. — disse Cristal, se aproximando dela. — Se você me contar o que está havendo, posso te ajudar. — Ela tentou encostar no ombro da amiga, mas Letícia se afastou cambaleando para trás.

– Não... Não pode! Eu estou perigosa... Esses sonhos...

– Sonhos?! — disse Cristal. — Que sonhos, Letícia?! O que está acontecendo?!

– É melhor você não saber... Eu poderia ter te matado.- Cristal tentou se aproximar novamente, mas Letícia se afastou e fez um sinal com as mão para que ela parasse. — Não! Se afaste de mim! Não quero te machucar!

Letícia saiu correndo pelo acampamento enquanto Cristal chamava pelo seu nome. Ela corria tão distraída que não percebeu quando esbarrou em Haven.

– Letícia?! Que cara é essa? O que houve? — interrogou Haven, ao fitar o rosto da amiga.

– Nada... Eu estou bem. Só preciso de um tempo.

– Como assim " nada" ?! Você... — Letícia saiu andando apressadamente e deixou Haven falando sozinha.

Ela entrou de pressa no chalé de Zeus, batendo a porta e depois desabando no chão.

– O que está acontecendo comigo... — sussurrou para si mesma.

Ela pós a cabeça entre as pernas e começou a chorar. Não costumava chorar, mas estava se sentindo tão abalada que era a única coisa que conseguia fazer. Ela estava a um movimento de matar uma de suas melhores amigas. Se tivesse prosseguido, nunca iria se perdoar. Até aquele momento, os pesadelos só tinham tentado atingir a si mesma, mas agora... Estava de fato fora de controle!

Passou-se cerca de meia hora e alguém bateu na porta. Letícia não se levantou para abrir, não estava nem um pouco apta a falar com alguém .

– Letícia?! — chamou Lucas do lado de fora — Sou eu, abra a porta... — ele esperou um pouco até perceber que ela não ia abrir — Olha, sei que está aí dentro. Também sei o que aconteceu... Abra, talvez possa te ajudar.

Ela refletiu um pouco, mas depois resolveu abrir. Lucas fez uma expressão de pena ao ver Letícia.

Ele entrou no chalé em silêncio. Ela sentou na cama evitando encara-lo, não queria chorar na frente dele, não queria que ele ficasse triste por ela.

Lucas sentou ao seu lado , fitando seu rosto com carinho e afeição. Ela se virou e o encarou, e logo sentiu lágrimas escorrerem por seu rosto. Lucas envolveu Letícia com os braços enquanto esta desabava a chorar em seu ombro.

– Calma, eu estou aqui. — ele disse, passando a mão pelo cabelo dela.- Quer me contar o que está acontecendo?

Letícia se deitou no colo de Lucas e começou a falar. Contou tudo. Des dos pesadelos até quando ela começou a agir involuntariamente, e tentar se matar. Lucas ouviu tudo calado, com os olhos vagos, como se tentasse achar uma solução para um enigma.

Quando Letícia acabou, Lucas ficou mais um tempo olhando para o nada até que enfim falou:

– Bem, eu não sei o que pode estar acontecendo. Mas acho que podemos achar uma solução.

– Talvez... Mas Lucas, eu estou me tornando perigosa. Não sei o que está acontecendo comigo e...

– Eii... Vai ficar tudo bem! — disse Lucas, enquanto passava a mão pelas bochechas de Letícia, o que a deixou um pouco ruborizada. — Você não é perigosa... Você é a amiga mais chata que poderia existir!

– Talvez eu seja e... — Nessa hora, Letícia foi interrompida por Haven, que entrou no chalé apressada e com agressividade. Ela se interrompeu ao ver Letícia junto com Lucas.

– Estou atrapalhando algo?! — Ela disse, enquanto Letícia se sentava rapidamente porém desajeitadamente na cama, saindo do colo de Lucas. Ela ficou um pouco vermelha e mais ainda quando viu que Lucas também estava vermelho.

– Não! — disse, Lucas, ajeitando o óculos com nervoso — Claro que não!

– Ata... — disse Haven, meio desconfiada- Mas enfim, agora Letícia, você vai me explicar : O que, em nome dos deuses, aconteceu para você ter feito aquilo com a Cris?!

– Acho que agora não seria uma boa hora...- começou Lucas, mas foi interrompido.

– Sem querer ofender Lucas. Essa pergunta foi para Letícia, e não para você. — respondeu Haven.

– Tudo bem! Eu te conto. — Letícia contou tudo a Haven, que teve a mesma reação que Lucas.

– Não sei o que pode estar acontecendo. Mas de qualquer modo, a coisa é bem séria.

– Sim... Mas o problema é que isso, até agora, só tinha atingido a mim mesma. E não a outras pessoas... Mas hoje...

– Já sabemos o que aconteceu e sei como deve ter sido assustador. — disse, Haven — Mas você precisa manter a calma. Vamos conseguir resolver isso! Não vai machucar mais ninguém!

– Pois é...- disse Letícia, pensativa — Não vou mesmo.

Eles conversaram por mais umas horas até dar a hora do almoço . Então, Haven e Lucas foram até o refeitório. Letícia deu a desculpa de estar muito cansada e não foi.

Assim que seus amigos saíram, começou a arrumar tudo que precisava em uma mochila. Desta vez, não era da Barbie, era apenas uma simples mochila de couro. Ela pós tudo que precisava para um dia. Pegou algum dinheiro que havia guardado e também um pouco de Ambrosia, em caso de emergência.

Letícia esperou até dar a hora do jantar, então foi ao refeitório rapidamente e comeu algo. Voltou para o seu chalé, e começou a escrever tudo o que tinha acontecido, era só um meio de se manter acordada.

De madrugada, saiu de seu chalé, tomando cuidado para não ser vista pelas Harpias. Quando chegou ao topo da Colina, parou um pouco e olhou para o acampamento. " Sinto muito, pessoal. Mas se tem um lugar que posso achar respostas, é lá." pensou, Letícia.

Ela andou metros pela madrugada escura e fria. Tudo que a protegia, era seu amado casaco de Aviadora, do qual nunca desgrudava, e suas luvas e botas de couro. Poderia ter ido voando, mas tinha medo de gastar energia e acabar perdendo a consciência e caindo.

Depois de muito tempo andando, finalmente conseguiu chegar a um ponto de ônibus. O primeiro ônibus para Princeton saia logo de manhã cedo.

Letícia sentou em um banco próximo a uns mendigos, que se aconchegavam perto de uma lareira improvisada. Ela sabia que era perigoso para uma semideusa passar uma madrugada sozinha, tinha muitos monstros a espreita, mas não tinha outra opção. Se pegasse no sono no acampamento, poderia acabar tendo pesadelos e machucando um de seus amigos. Não podia correr esse risco de novo.

Ela andou até uma venda 24h e comprou um energético. O tomou, com o intuito de conseguir ficar acordada a noite. Felizmente, deu certo.

O ônibus chegou no horário previsto, e Letícia embarcou nele. Ela ficou se perguntando se seus amigos já tinham percebido sua falta, provavelmente, sim. Ela se encolheu no banco do ônibus e observou enquanto a paisagem de Long Island se distanciava cada vez mais. Alguns flocos de neve caiam deixando a paisagem com um tom essencialmente verde e branco.

Foram algumas horas de viagem até o ônibus chegar a Princeton. Letícia saiu do ônibus, observando aquela paisagem de longe familiar. Já havia estado ali mais uma vez depois do dia em que sua mãe desapareceu. Havia ido buscar respostas, mas não encontrara nada. Agora, estava ali de novo pelo mesmo motivo, só que dessa vez, era urgente.

Ela foi andando pelas ruas de Princeton, procurando na memória o mapa que levava ao lugar que um dia já chamara de lar. Seguiu por umas ruas vazias, outras nem tanto, até chegar a uma rua bem familiar, na qual estava localizada uma larga casa bege de um andar com o telhado feito de telha colonial.

Letícia se aproximou da casa e olhou pela janela. Estava vazia, provavelmente, ninguém morava ali. Ela foi até o lugar onde sua mãe costumava guardar uma chave reserva e conseguiu achá-la, abrindo a porta da frente em seguida. A porta fez um alto ruído ao ser aberta, o que demonstrava que ninguém entrava lá ha muito tempo.

– Bem-vinda de volta a casa. — disse Letícia para si mesma.

Ela foi andando para onde um dia tinha sido seu quarto. Ao chegar lá, lembrou — se de sua infância e dos dias alegres e também tristes que passara ali. Ela foi até sua cama e passou a mão pelos lençóis. Sentou-se e deu uma leve batida no travesseiro, que estava cheio de ácaros. Então, percebeu que algo brilhava em baixo dele.

Ela puxou o travesseiro e encontrou um bilhete, no qual estavam presos dois frascos, um vermelho, e o outro branco. Ela pegou o bilhete, que dizia :

"Sei o que procura. Venha me encontrar. Beba o frasco branco até o final. Tenho a resposta para algumas de suas perguntas.

Ass : Hypnos "

Hypnos ... O Deus do sono! Claro, fazia todo sentido que ele soubesse o que estava acontecendo a ela. Afinal, ele era o Deus dos sonhos também, era quase certo de que poderia interpretá-los.

Ela se ajeitou na cama e bebeu o frasco até o final, sem pensar duas vezes. Logo, um forte sono a tomou e ela caiu inconsciente na cama. Sonhou, mas dessa vez, não era o mesmo pesadelo.

Em seu sonho, Letícia se viu em uma sala escura e fresca. A única fonte de luz do lugar, vinha de umas tochas de fogo branco que estavam penduradas na parede. Algumas cortinas pretas cobriam as janelas, não deixando com que nenhuma luz de fora entrasse. No centro da sala, havia uma mesa e atrás dela, uma poltrona, na qual homem estava esparramado.

Ela se aproximou mais um pouco para conseguir enxergar melhor. Notou que o homem era magro, baixo e tinhas cabelos negros ondulados. Ele trajava um pijama dourado e dormia calmamente. A menina se aproximou mais um pouco e chamou :

– Sr. Hípnos?! — Ela não obteve resposta. Então, tentou novamente — Sr. Hípnos, estou aqui! — novamente, nada de respostas. Letícia percebeu que havia um sino dourado sobre a mesa. Ela pegou-o e o tocou seguidas vezes até, finalmente, o deus acordar. Ele abriu os olhos lentamente, eram verdes bem claros, quase brancos.. Tinham um tom sereno e eram lotados de olheiras, mas isso não deixava seu rosto feio, apenas mais suave. Ele inspirava calma e tranquilidade.

Hípnos fixou os olhos em Letícia, intrigado.

– Quem ousa perturbar o deus do sono? — perguntou, em um ritmo um tanto devagar.

– Sou eu, Senhor... Letícia. — Hípnos continuou calado, então ela prosseguiu — Sou semideusa, filha de Zeus com a mortal Sara e...

– Haaaa simm... Sara! — interrompeu, Hípnos. — Acha mesmo que ela é uma mortal?

– Como assim?! — perguntou Letícia, surpresa e curiosa.

– Isso não vem ao caso... Mas agora diga, por que está aqui?

– O senhor disse que teria respostas para minhas perguntas.

– E quais são suas perguntas?

– Bem, ultimamente, tenho tido sonhos estranhos... — Letícia contou toda a história a Hípnos, que apenas ouvia com aquela expressão sonolenta. Quando acabou, a menina percebeu que o deus estava dormindo. Logo, ficou com uma tremenda raiva. Pegou o sino, e o tocou violentamente até Hípnos acordar.

– Por que incomodas ? — perguntou, esfregando os olhos verdes calmamente.

– Acabei de te contar a história toda dos sonhos que venho tendo... O senhor disse que teria respostas. — Disse Letícia, impaciente, se controlando para não perder a calma.

– Não se pode ter respostas quando não se tem perguntas... — ele disse, e Letícia respirou fundo.

– Queria saber... Por que estou tendo esses sonhos? O que eles significam? O que devo fazer para que eles parem?- Disse em sequência. Hípnos se inclinou na poltrona e suspirou.

– São muitas perguntas e uma história muito complexa a ser contada. — Hípnos estalou os dedos e um conjunto almofadas grandes e aconchegantes apareceram ao lado de Letícia — Sente-se, semideusa, lhe contarei tudo o que precisa saber.

Notas finais
Então, xente, é isso aí. Espero que tenham gostado. Por favor, comentem, favoritem e tudo mais se gostaram. Isso incentiva a gente a continuar. Okay? Okay. Bjocas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.