O Retorno do Titã

1 Lembranças De Um Passado


Notas iniciais
Então, pessoal, não tenho muita experiencia com isso, então não sei se vai ficar bom. Mas tá aí. Boa leitura.

Era apenas mais uma tarde de verão, o som do vento movimentando os campos de Princeton invadiam os ouvidos de Letícia, dando a ela uma sensação de calma e bem estar. Ela observava as nuvens no céu e o sol se pondo ao longe e ficava fazendo suposições de como aquilo tudo avia sido criado. Sua mente de apenas 7 anos viajava imaginando se alguém avia pintado aquilo tudo, como ela pintava com tinta seus quadros.

– Letícia! Venha lanchar! — chamou sua mãe.

– Já vou mamãe!

A menina pegou seus brinquedos no quintal apressadamente e entrou em casa, pulando os pequenos degraus que levavam até a porta. Ela sentou-se à mesa e fitou o rosto de sua mãe, que retirava biscoitos quentinhos do forno. Ela era incrivelmente bonita, parecia com as princesas dos contos que Letícia lia. Tinha cabelos castanhos e ondulados e uma expressão determinada, os quais Letícia tinha herdado. Possuía também, olhos castanhos claros serenos, que divergiam dos azuis esverdeados penetrantes da filha.

A mãe se aproximou de Letícia e passou a mão pelos seus cabelos oleosos enquanto esta saboreava os biscoitos com prazer. Apenas mais uma tarde de domingo comum. Olhando assim, Letícia e sua mãe pareciam apenas cidadãs normais, mas não era bem assim.

Caída a noite, Letícia foi ao banheiro e tomou um banho demorado, não gostava da hora de dormir, sabia que aconteceria o que ocorria todas as noites. Ela acabou o banho, foi para seu quarto e vestiu o seu pijama, deitou-se na cama e esperou sua mãe vir lhe dar o beijo de boa noite.

– Boa noite, minha querida.

–Boa noite, mamãe — respondeu Letícia ,com uma voz triste.

Letícia se encolheu na cama enquanto sua mãe saia do quarto e fez uma prece baixinha " Por favor, sem barulhos hoje". Mas seus pedidos não foram atendidos.

Logo às 23h, Letícia foi acordada novamente pelos gritos do vindos do quarto de sua mãe. Os gritos vinham juntos com uma mistura de vozes e ruídos macabros e assustadores, que faziam a garotinha se encolher no cobertor.

Letícia pegou o travesseiro e pós junto ao seu ouvido, tentando diminuir, pelo menos para si, o barulho. Ela já estava acostumada, toda noite desde que se lembrará sua mãe tinha esses surtos sozinha. Uma vez, a menina curiosa, entrou no quarto da mãe enquanto estava em uma de suas crises e se deparou com ela deitada na cama ,com olhos vermelhos vivos e arrepiantes que fizeram Letícia gelar. Esta foi a primeira e última vez que buscará saber o que acontecia com a mãe. A única coisa que realmente podia fazer era esperar aquilo passar com o tempo.

Os ruídos finalmente acabaram e Letícia se agarrou em seu ursinho de pelúcia e se revirou na cama, até finalmente conseguir dormir de novo.

Já eram quase três da madrugada quando foi acordada de repente, sua mãe estava a sua frente, segurando uma bolsa e um colar. Ela passou a mão pelo rosto de Letícia, acariciando-o com afeição.

– Escute minha filha, agora isto vai parecer bem complicado e muito difícil de entender. Mas para tudo se tem uma resposta — Diz sua mãe, pondo o colar no pescoço da filha — Tudo vai dar certo. Eu te amo minha querida!

A garotinha não entendia o que estava acontecendo, achava que tudo se tratava de um sonho. Ela assentiu e depois assistiu sua mãe saindo do quarto, ela se virou quando chegou a porta e olhou para a filha mais uma vez.

– Eu te amo! — repetiu, e depois foi embora e Letícia caiu novamente no sono.

O sol invadiu a janela do quarto da menina, era um sinal de que havia amanhecido. Ela se revirou na cama com preguiça de levantar, mas sabia que logo sua mãe lhe chamaria e ela seria obrigada a isso.

Ela se preparava para levantar quando escutou um barulho vindo da janela, ao olhar para fora, viu uma águia parada em um poste. A águia a fitou, como se quisesse sua atenção.

Letícia achou estranho a cena e resolveu ir para a cozinha, onde provavelmente sua mãe estaria a esperando com o café da manhã pronto, mas ao chegar lá, não encontrou nada.

–Mamãe?! — chamou.

Ela olhou em volta até se deparar com o espelho da cozinha e percebeu um colar dourado em seu pescoço. No centro do colar, havia uma bela esmeralda cintilante. Letícia logo o reconheceu. "O colar do sonho", ela pensou se lembrando de seu suposto sonho. Ela logo ficou nervosa "Como assim, não foi um sonho?!" . Foi até o quarto da mãe, mas não achou nada.

Logo, uma sensação de pânico tomou conta dela e Letícia já estava saindo do quarto , quando viu novamente a águia na janela do quarto de sua mãe . Observando- a mais de perto, percebeu que possuía um bilhete dourado amarrado em sua pata.

A menina correu até a porta e depois foi para fora, estava um dia quente e uma brisa agradável.

Ela se aproximou da águia, esticando a mão para a mesma a fim de que tivesse um sinal se poderia ou não toca-la. A águia encostou a cabeça na ponta dos dedos de Letícia, deixando — a acaricia-la. A garota conseguiu dar um leve sorriso. Era apaixonada por águias desde que descobriu a existência delas.

Ela esticou a mão, pegou o bilhete e o abriu. Aparentemente, estava vazio, mas depois de um tempo, as letras começaram a surgir magicamente e ela leu o bilhete:

" Siga a águia. Ela lhe mostrará o caminho "

Siga a águia?! Apenas isso?! Sem nenhuma especificação. Apenas siga a águia.

Letícia sentou e ficou um tempo interpretando o bilhete, sem conseguir entende-lo ao certo. Ela já estava indo ligar para a polícia quando, de repente, uma caixa apareceu ao seu lado. Ela vinha com o seu endereço como destinatário e o remetente estava como Monte Olimpo . "Olimpo?! Mitologia..." Letícia pensou consigo mesma. Ela costumava ver muitos filmes e desenhos que envolviam mitologia grega, estava mais que acostumada. Também tinha vários livrinhos de contos gregos vindos como histórias de crianças. Ela estranhou o remetente, mas mesmo assim abriu a caixa. Dentro, havia um pequeno bilhete que dizia :

“Irá precisar dela para sua jornada, use-a com sabedoria e prudência para se proteger e derrotar seus inimigos. Se mostre digna.

Ass: Zeus "

Zeus?! A cada minuto que se passava Letícia se sentia mais confusa. Ela reparou no que tinha dentro da caixa, apenas uma pequena lanterninha cilíndrica dourada de chaveiro. Ela pegou a lanterna" Como vou usar isso para me proteger? ", se perguntou, e depois apertou o botão de acender na lateral , fazendo com que a mesma se transformasse em uma espada.

A menina largou a espada e deu um passo para trás assustada. A arma era dourada com o cabo cheios de detalhes pratas e bronze. Era estranhamente linda e exuberante, e reluzia a luz do sol.

Letícia se aproximou da espada com cuidado, e a segurou pelo cabo. Era leve, um pouco grande para si, mas ainda conseguia manusea-la (Apesar de não saber como fazer isto). Ela admirou um pouco a espada , até que a águia piou e pousou em seu ombro. Letícia não sabia como, mas sentia que ela estava ansiosa, pedindo para que fosse com ela. A menina ainda estava tentando absorver tudo aquilo, mas ela não tinha outra opção. Tinha acontecido tantas coisas sobrenaturais...

Ela apertou novamente o botão de ascender, fazendo com que a espada se torna-se novamente uma lanterna- chaveiro, e depois se virou para voltar para casa. Quando já estava na porta a águia começou a ficar agitada e piar alto.

– O que foi, menina? — Perguntou Letícia para a águia que ainda estava olhando para um lado, exaltada, e se preparando para levantar vôo.

Letícia seguiu o olhar da águia e se deparou com a coisa mais estranha que já vira: Um gigante de dois metros e meio de altura, com olhos selvagens e dentes pontudos. Seus braços eram peludos e tatuados. Ele trazia consigo uma clava e vinha correndo do meio da floresta, ferozmente, em direção a Letícia.

A garota ficou boquiaberta por um instante, mas logo começou a correr para dentro da casa.

– Vou te pegar semideusinha — ele dizia com uma voz aterrorizante, que fez a menina se arrepiar enquanto corria.

Ela foi correndo até a cozinha e trancou a porta que a dividia da sala. Mas não adiantou nada, pois o gigante a derrubou .

Letícia se escondeu em baixo da mesa e pegou a lanterna, transformando — a em espada, enquanto o gigante entrava na cozinha e fareijava o ar a procura da menina.

– Sinto seu cheiro. — ele diz maleficamente — Não pode se esconder!

A garota segurou firme a espada. O gigante começou a se aproximar da mesa, mas de repente, a águia, que avia trago o bilhete para Letícia, entrou no cômodo, com as garras amostra, e avançou nos olhos do gigante. Ele começou a gritar e balançar os braços desnorteadamente pelo ar, procurando se livrar da águia.

Letícia viu que o gigante estava em uma posição de desvantagem e saiu de baixo da mesa, segurando com firmeza a espada e cravando-a na barriga do gigante. Ele deu um enorme grito de dor, depois se desfez em pó.

A menina sentou no chão e ficou um tempo parada olhando para onde, a uns segundos, havia estado um monstro que nunca ouvirá falar que existia. Ela não sabia mais o que pensar, estava confusa, desnorteada, perdida... Qualquer criança normal já teria chorado, mas ela apenas observava, tentando entender o inentendivel.

A águia entrou novamente pela janela da cozinha, e se posicionou no ombro de Letícia, que a acariciou, agradecendo mentalmente per ter salvo sua vida. A menina finalmente se pôs de pé, desde pequena sua mãe a dissera que nunca era para ela se abalar em situações de perigo ou emergência, que sempre deveria manter a calma e pensar.

Letícia olhou para a águia em seu ombro, e depois para a espada que ainda segurava. O bilhete dizia para seguir a águia que ela mostraria o caminho. Com tudo que estava acontecendo, não tinha opções melhores.

Ela foi até seu quarto, trocou de roupa, e preparou tudo que precisa dentro de uma mochila da Barbie. Foi até a cozinha e botou alguns lanches , em seguida, foi até o quarto de sua mãe e pegou dinheiro, cartão de crédito, identidade e tudo que podia enfiar na mochila. Antes de sair, parou e olhou bem para a casa, sentiria saudades, queria acreditar que um dia voltaria para lá com sua mãe, e que esse dia não demoraria tanto.

Letícia saiu de casa e olhou para a águia, dando sinal de que estava pronta. A águia fez um sinal com a cabeça e depois levantou vôo, seguindo para fora do bairro. A menina a seguiu por um bom pedaço até elas chegarem em uma rodoviária.

A águia pousou em uma placa que trazia as informações e horários de um Ônibus que saia para Nova York, e parava em um local chamado Long Island. "Então é pra lá que quer que eu vá?" perguntou a menina mentalmente para a águia, que apenas assentiu e deu um leve bater de asas, como se a apressasse a menina .

Letícia olhou em volta até achar o setor que indicava na placa . Lá, avia um ônibus, com um letreiro pendurado em si, indicando que seu destino era Long Island. A águia levantou vôo e sobrevôo o ônibus, indicando que aquele era o certo.

Ela se aproximou devagar, sabia que nunca deixariam uma criança de 7 anos entrar sozinha em um ônibus de viajem. Observou que o ônibus tinha um bagageiro grande o suficiente para o corpo dela, então olhou em volta e esperou até não ter ninguém observando, depois entrou dentro do bagageiro e se misturou as malas e mochilas das outras pessoas. Ela sabia que aquele era um ônibus direto, então, se tudo desse certo, só pararia em Long Island.

No caminho, ela examinou um pouco o colar que tinha recebido de sua mãe antes desta ir embora. Era muito bonito, mas Letícia ainda não conseguia compreender porque sua mãe o avia deixado com ela. Realmente, era um mistério.

Depois de quase 4 horas de viajem, o ônibus parou e a menina tratou de sair do bagageiro antes que alguém o abrisse. Ela procurou a sua amiga águia no céu, até encontra-la próxima a uma árvore na entrada da floresta.

Letícia relutou um pouco em segui-la, mas não tinha outra escolha, então o fez. A águia a guiou por quase duas horas dentro da floresta, contando as vezes que tinha parado para se esconder de alguns seres esquisitos que apareciam por lá. Então, elas finalmente chegaram a uma colina, e por trás dessa colina, surgia um local cheio de construções, jovens, crianças e seres mitológicos muito estranhos e diversificados. Havia também uns jovens lutando espada em uma espécie de arena, enquanto outros treinavam arco e flecha um pouco mais afastados . Alguns já tinham notado a presença da menina, que estava com uma cara de perdida e impressionada, como se estivesse dormido e depois acordado em outro planeta.

Ela desceu a colina um pouco, ainda olhando hipnotizada toda a estranheza daquela lugar , até que um garoto loiro de olhos claros, que aparentava ter uns dez anos, se chocou contra ela, e acordou- a do transe.

– Opa! Desculpa! — Ele disse, meio envergonhado, ajeitando os óculos que estavam sobre seus olhos.

– Tudo bem... — disse Letícia, ainda meio desnorteada.

– Você... É nova aqui? Qual é o seu nome? — perguntou o menino, intrigado.

–É... Sou. Meu nome é Letícia!

– Sou Lucas, filho de Atena, prazer! — ele estendeu a mão e cumprimentou Letícia.

–Filho de quem... — começou Letícia, mas nessa hora, um grupo de jovens musculosos e desleixados se aproximou , examinado a menina com olhares de soberania.

– Olha só pessoal, gente nova no pedaço! — disse uma menina do grupo. — Hum, parece não ser uma de nossas irmãs, com essa cara de perdida, tão fraquinha...

–Eu não sou fraca! — disse Letícia, indignada — Cheguei até aqui viva! E matei um bicho que eu nem sabia que existia, não sou fraca!

Os jovens deram uma risada debochada da garotinha orgulhosa, e depois, a mesma menina de antes, falou :

– Aaa nossa! Como você é forte! Por que não enfrenta um de nossos irmãos?! Max, venha aqui! — Um garoto saiu do meio do grupo com uma espada na mão . Ele tinha uma aparência de um menino de 10 anos , mas já era perceptível alguns músculos aparecendo nele, o que não era muito comum nos garotos daquela idade. — Pra provar que é boa, enfrente Max em um duelo. Aí a gente nunca mais implica com você!

– Não Letícia, não faça isso — disse Lucas — Ele já está aqui a muito tempo e é bem treinado ... Espere, você sabe que lugar é esse? Ou porque esta aqui?

– Na verdade, não...

– Então pirralha. — interrompeu a menina — Vai aceitar o desafio ou vai dar uma de fracote?

– Ela é nova aqui!- se pronunciou Lucas — Não tem treinamento, chegou agora... Isso é injusto!

– Cala a boca, nerd — disse um dos meninos do grupo.

A menina deu um sorriso maléfico e depois olhou em volta, não tinha muita gente olhando, todos estavam distraídos com suas atividades . Ela mandou com os olhares para que o resto do seu grupo cercasse Letícia e Lucas e depois disse :

–Não é para ser justo! Os novatos tem que aprender quem é que manda! — e fez um sinal para Max avançar.

Letícia puxou a lanterninha a transformando em espada, preparada pelo menos para se defender. Mas então, eles foram interrompidos.

Um raio cortou o céu e caiu entre Max e Letícia. Os dois, assim como o resto dos jovens que estavam em volta, foram lançados para trás. A diferença é que, quando isso aconteceu com Letícia, ela conseguiu planar no ar, flutuando sobre eles. Ela olhou para si impressionada.Como estava conseguindo fazer aquilo?!

Logo, uma pequena multidão surgiu em torno deles, inclusive alguns seres com pernas de bode. Olhavam boquiabertos para a menina, que era a que menos estava entendendo algo dali.

Então, um homem se aproximou. Pelo menos Letícia achou que era um homem, até ver que, da cintura para baixo, tinha corpo de cavalo.

– Saiam da frente! Me deixem passar! — ele dizia, enquanto se aproximava de Letícia, avançando na multidão.

A garotinha estava tão entretida e impressionada com o fato de estar voando, que nem percebeu que algo brilhava em cima de sua cabeça. Uma luz azul e dourada a estava envolvendo e, quando Letícia olhou para cima , viu um raio feito com uma espécie de névoa acima de sua cabeça.

O Homem — Cavalo conseguiu finalmente chegar até Letícia e dizer :

– Zeus! Uma filha de Zeus! — Ele se curvou, e todos os outros se curvaram também — Sinto muito se não te recebemos direito, qual o seu nome?

– Letícia. — respondeu.

– Letícia, filha do deus do céus e das tempestades, o rei dos deuses. Seja bem vinda ao acampamento meio — sangue!

Notas finais
Bem, espero que tenham gostado. Por favor comentem e me digam o que acharam, para eu ver se vale a pena continuar ou não. Então, é isso, bye semidivos!