Notas iniciais
Desculpe-me pela demora, foi uma semana difícil par mim. Sei que pega mal já começar atrasando assim, mas prometo que vou acelerar. Espero que goste!

Tudo que eu queria era esquecer da noite de ontem. Foi um fiasco completo. Eu levei uma surra fenomenal, Widow escapou e Mondatta estava morto.

Durante a manhã eu fui ver o local onde o ômnico morreu. Não havia mais nada lá, apenas a área interditada. A usual faixa holográfica da polícia barrava a passagem de qualquer civil.

— Ah, não vai fazer mal a ninguém, né? — sussurrei.

Teletransportei-me para dentro da cena do crime. Apenas o carro e o corpo foram retirados. Todas as marcas de pneu, pegadas, poeira, tudo estava no mesmo lugar. Para muitos, aquilo não significaria nada. Mas dava um peso na consciência gigante pra mim.

Resolvi esfriar a cabeça, e fui para um café ali perto. Sentei-me perto da janela, de onde podia ver a Torre do Relógio. O lugar, calmo e aconchegante, estava quase vazio. Havia apenas uma mulher com sua filha a algumas mesas de distância. Logo chegou uma garçonete, com o tablet em sua mão.

— Bom dia! O que gostaria de pedir?

— Ah, eu quero...

Ok, o que eu gostaria de pedir? Meu Deus, eu estava fora de mim. Não conseguia parar de pensar na noite anterior. Entrei no café aleatoriamente esperando estar lá algum tipo de psicólogo para me ajudar.

— ... um café, por favor. — completei, tentando sorrir.

Droga, por que eu pedi um café? É a única coisa que eu tenho que evitar.

A garçonete sai e volta dali a pouco com o café. Agradeço, mas não bebo. Apenas fico olhando a xícara e o movimento da bebida. Chegava até a ser hipnotizante...

Dei um gole. Ao engolir o café, imediatamente desisti de tomar o resto. Além de perigoso, para mim, era um café extremamente ruim. Não ousei beber o resto, apenas peguei o dinheiro e deixei o lugar. Saí observando o céu e os telhados nos quais lutei. Malditos telhados.

Cheguei mais perto dos prédios, e pude ver as marcas dos tiros pelas paredes. Subi no telhado novamente. Rápidos flashbacks do combate pipocavam na minha cabeça. Fui acompanhando, passo-a-passo, a noite de ontem, passeando de prédio em prédio. Visualizava os tiros, os golpes, os pulos, tudo. Teletransportava agora como teletransportei antes.

E cheguei no mesmo telhado onde a armadilha de Widowmaker havia acionado. E aquele maldito treco ainda estava lá. Tinha patas que pareciam de aranha e um cilindro de vidro no meio (que agora estava aberto), como o corpo do bicho. Aproximei minha mão, tinha quase que o dobro do tamanho. Segurei e tentei puxar, mas estava colado.

Tentei desistir, juro! Tentei mesmo! Falava para mim mesma: “Pra que tirar isso daí, Tracer? Não vai acontece nada se você tirar.” O que eu fiz? Tirei, óbvio.

Tive que atirar nas perninhas finas, mas consegui segurar o cilindro nas mãos. Era bem leve, e tinha uma pequena barra na parte de trás, onde a “aranha” grudava. Dava pra ver escrito ali “Talon”, no centro, a organização terrorista na qual ela trabalhava. Nada demais. Estava pronta para levar aquilo comigo. Mas então eu vi, bem no canto de baixo da barra roxa: era uma espécie de ziguezague branco, com a primeira ponta no canto inferior esquerdo de um retângulo cinza, com duas ondas, e um semicírculo azul que começava no espaço da primeira onda.

Nunca havia visto nada parecido com aquilo antes, ou, pelo menos, não me lembrava. Dificilmente era uma empresa conhecida, pois ninguém faria uma parceria com a Talon.

Se antes eu já estava curiosa, naquele momento eu estava quase morrendo de.

Não sabia como faria para descobrir do que se tratava aquele símbolo. Fui para a rua, perguntando de pessoa em pessoa. Algumas nem respondiam, outras não sabiam, e outras diziam que aquele desenho era familiar, mas que não poderiam se lembrar. Mas que droga! A única pista que tinha para poder pegar Widowmaker e ela não levava a lugar nenhum.

Ela poderia chamar... Não, seria bobagem. Por que tomar o tempo dele com algo tão bobo? Além disso, eu já era uma adulta, deveria saber lidar com meus problemas. Mas a tentação... Puxei meu visor da Overwatch do cinto. Era uma espécie de celular transparente, com o símbolo da equipe. Fazia tanto tempo que não via o pessoal... Claro que eu queria chamar o time por vários outros motivos, e não somente um estúpido cilindro com um desenho que podia não significar nada. Eu gostava de ser da Overwatch, de fazer o que eu fazia: proteger as pessoas, ao lado de amigos verdadeiros, barrar o mal, me divertir.

Ah, chega de momento carente! Se continuar, vou começar a chorar de saudade...

Puxei a mochila que estava usando e guardei o cilindro nesta. Tentaria fazer algo com aquilo depois. Sem mais o que fazer, comecei a andar pelas ruas de Londres. Realmente achei que aquilo me faria melhor. Adivinha só? Não fez. Pois é, né? Não deu outra: assim que achei um, sentei-me em um banco e comecei a chorar. Chorei de leve, calma, mas chorei. Por minha incompetência, agora um dos ômnicos mais importantes da história estava morto. Por minha causa! E eu ainda tinha deixado a assassina escapar.

Eu deveria ter sido mais esperta.

Eu deveria estar um passo adiante.

Eu...

Eu estava chorando em um banco.

Acho que foi bom. Não foi um desabafo, mas aliviou um pouco minha consciência. Eu realmente só parei de chorar quando uma garotinha chegou perto de mim e tocou meu joelho, enquanto eu estava com as mãos no rosto. Entre os soluços, eu olhei para ela, com os olhos vermelhos e as marcas das lágrimas no meu rosto. Ela deveria ter uns cinco anos. Era certamente muito fofinha. Forcei um sorrisinho para ela.

— Olha, o que aconteceu ontem não foi culpa sua, ok?

Eu levei um pequeno susto ao ouvir isso. Como ela poderia saber que eu tinha tentado proteger Mondatta?

Ah, sim, claro. Como poderia ter esquecido? Aquela era a garotinha no meio da multidão de ontem, que me viu e avisou a mãe.

— Eu sei que você fez o melhor, ok? Eu vi você fazendo. Você fez, né?

O sorriso se tornava real.

— Err... Sim... Fiz...

Ela me olhou curiosa.

— Jura de mindinho?

Soltei uma risada.

— Juro de mindinho.

Juntei meu dedo com o dela, entrelaçando-os, e selando a promessa. Era uma fofa, não era?

Logo depois eu vi a mãe dela chamando a filha. A garotinha foi correndo em direção à mulher. Já queria chamá-la de volta, pedir mais conselhos, compensar a falta de um psicólogo. Mas, fazer o quê? Ela tinha uma mãe...

Pelo menos, agora eu me sentia muito melhor. Alguém sabia que a culpa não era minha e me dava crédito por isso. Isso significava muito para mim, naquela hora. A garotinha veio como um anjo para mim e melhorou meu espírito em mil por cento.

E, como se meu dia não pudesse melhorar, sinto o transmissor da Overwatch vibrar em meu bolso. Com um movimento rápido, puxo ele e olho para o visor: era um chamado geral de Winston, para todo o time.

Meu coração praticamente saía pela boca. Era simplesmente maravilhoso ver aquele símbolo piscando na tela. Não me aguentei e chamei Winston por telefone.

— Winston? É você, querido? Ha, faz tanto tempo.

A voz dele saindo do outro lado foi uma emoção muito forte:

— É, hum hum hum. Tanto tempo...

Quase comecei a chorar de novo.

Notas finais
Deixe comentários, sugestões e críticas, se possível. Espero que tenha gostado. Obrigado por ter lido!