Notas iniciais
Esse capítulo é relacionado com um outro trailer do jogo, "Recall" (link: https://www.youtube.com/watch?v=zBJs_Wf9hQ4), mas não é uma versão escrita, como o primeiro. Sugiro que você assista antes de ler. Se já viu, espero que goste!

Em um minuto eu já estava no avião indo para Gibraltar. Simplesmente não conseguia esperar! Estava muito ansiosa! Finalmente poderia rever Jesse, Lúcio, Jack, Torbjörn, Angela, Winston... Em especial Winston, é. Afinal, ele que me dera a chance de viver de novo.

Eu não conseguia parar quieta no avião. Estava, o tempo todo, ou dedilhando o assento do meu banco ou batendo os pés no chão. Estava sempre em movimento.

A viagem parecia demorar bem mais do que o normal. Tudo bem que ir de Londres à Itália não levaria cinco minutos, mas sim muito mais tempo do que minha ansiedade podia esperar. Quando cheguei no aeroporto, apenas peguei minha mochila (a mesma que eu usava de manhã, de levar nas costas) e segui para o local que o transmissor indicava ser o local de onde o chamado havia sido mandado. Afinal, a base da Overwatch não ficava na Itália (segredinho, queridos, não posso contar). Não era longe do aeroporto, fui usando os teleportes discretamente para chegar no lugar.

E cheguei. Não parecia nada com uma base da Overwatch. Era uma espécie de pequena indústria abandonada (há muito tempo, aliás). A cerca não barrava a entrada de ninguém, o chão estava sujo e empoeirado, e, pelo visto, vários objetos estavam quebrados e jogados no chão lá dentro. Dava medo só de pensar em entrar lá, e talvez essa fosse a intenção, mas o transmissor apontava naquela direção.

Fui contornando as caixas vazias e os ratos que apareciam correndo, de vez em quando. Adentrei a grande sala aberta, com pé direito duplo e várias lâmpadas acesas. Havia uma mesa com vários utensílios e objetos em cima, uma das armaduras de Winston, muitas peças no chão e um pneu de trator amarrado com uma corda no teto. O andar de cima era um corredor que seguia por toda a parede do salão e um cômodo aberto, com uma escrivaninha grande e vários monitores holográficos desligados.

As luzes ainda estavam acesas e havia um pote de manteiga de amendoim aberto. Winston não devia ter ido longe. Comecei a rondar pela casa. Vi várias ferramentas, gráficos e lousas espalhados, tubos de ensaio, cilindros de vidro (não como o que eu tinha), instrumentos científicos, etc. Para subir, tive que ficar em cima do pneu gigantes e teletransportar-me para o corredor. Ao chegar lá, passei ao cômodo, onde os vários monitores estavam desligados. Na mesa escura e lisa, muitas tampas de potes de manteiga de amendoim formavam uma pilha. Ele já estava aqui a algum tempo.

E, então, eu ouvi um barulho no andar de baixo. Surpresa, eu agachei imediatamente e encostei na meia-parede do cômodo. Prestando atenção, eu consegui ouvir passos. Eram vários, então tinham mais de uma pessoa. Eram caras grandes, pesados, e deviam estar usando armaduras ou algo do tipo. Eu já estava pronta para atacar, com as pistolas nas mãos.

— Pode acordar, Athena.

Com o comando, todos os monitores e teclados da mesa escura acenderam. Porém, o que realmente me surpreendeu foi a voz. Aquela voz grossa, finalmente perto, me fez levantar na hora.

— Winston?

E lá estava ele, o grande gorila com armadura branca e óculos quadrado.

— Lena...

— Winston! — gritei.

Não me contive, obviamente. Pulei do segundo andar e teleportei para perto dele. Com um pulo, abracei (ou tentei) ele, muito forte.

— Há quanto tempo, querido!

— É, hum hum hum. Já estava com saudade.

— Você estava? — perguntava, desgrudando-me dele. — Pode ir sonhando. Como você está, grandalhão?

— Eu estou bem. Tenho feito pesquisas e fabricado uns “brinquedinhos”. Você sabe, coisas que eu gosto de fazer.

— Claro. Bom, pelo menos esteve feliz esse tempo todo, imagino.

— Ah, não tanto quanto estou agora.

— Aw, pare, Winston. Vai me fazer chorar.

— He he he. Mas e você, Lena? O que tem feito?

— Bom, nada, na verdade. Ando por ai, tento passar o tempo. Ontem mesmo, eu vi Mondatta...

E, então, a noite passada invadiu minha mente. Toda a tristeza e sofrimento que eu não havia evitado subia a minha cabeça. E pior: devo contar a ele? Devo por a par do meu fracasso e deixá-lo decepcionado?

— Mondatta o que, Lena?

— É...

Vamos, responda, Tracer!

— ... discursar. Para algumas pessoas. E ômnicos. Nada demais.

— Bem, parece divertido, certo?

— Ah, sim! Foi sim...

— Que bom. Fico feliz de ver que você está feliz.

Tentei não pensar na noite de ontem.

— Mas, vem cá, Winston: por que você chamou a Overwatch?

Ele ficou sério, e sua voz parecia embargada:

— Alguma coisa está acontecendo, Lena. Eu não estou gostando disso.

Ele subiu ao segundo andar, jogando-se contra o pneu e, com a agilidade de seus braços e pernas, balançando-se na corda. Segui-o, até chegarmos nos monitores. Ele digitou alguma coisa, enquanto ajeitava os óculos, e puxou um dos monitores na minha direção, para que eu pudesse ver.

— A guerra com os ômnicos está voltando, Lena.

Podia ver os gigantes robôs devastando uma pequena cidade na Rússia.

— Nos tornaram criminosos, e olha no que deu!

Ele estava realmente zangado.

Por que não estaria?

— E, ontem à noite, além de tudo, fui atacado, e...

Fui pega de surpresa. Pisquei e tirei os olhos da tela.

— Peraí! O quê?! Como assim? Quem foi?

— Eu... eu não sei. Era um homem grande, vestia sobretudo preto, blusa preta, capuz preto, tudo preto...

Ele deve ter brigado feio. Parecia ficar cada vez mais cansado, enquanto falava.

— ... menos a máscara. Era uma caveira, mas não humana. Não, não era exatamente uma caveira, era uma máscara, sim, mas imitava algum tipo de crânio, eu acho que de boi. Eu não sei... Ele era um tipo de fantasma... Virava uma fumaça preta e saía voando... Veio ele e mais alguns capangas. Felizmente pude contê-los.

— Meu Deus, Winston! Mas você está bem?

— Ah, sim, sim. O laboratório ficou meio bagunçado, mas não houve nenhum dano irreparável.

— Bom, nesse caso, eu não desgrudo mais de você, querido. Não vou deixar que nada de ruim aconteça, ok?

Abracei-o novamente. Meu Deus, ele era muito fofo, bom pra abraçar.

— Eu sei.

Soltei-o e puxei meu transmissor da Overwatch.

— Mais alguém respondeu?

— Torbjörn disse que vem assim que puder, assim como Jesse e Angela. Lúcio já está a caminho, mas demora um pouco. Reinhardt disse que tem de resolver algumas coisas antes. Os outros ainda não responderam.

Winston sentou-se no pneu de trator que servia de cadeira e pegou um pote de manteiga de amendoim.

— Aliás, Lena, eu chamei mais algumas pessoas. Não faziam parte da Overwatch, mas acho que se dariam muito bem no time.

Ele digitou com os pés e uma lista apareceu no monitor principal. Vários nomes e fotos eram mostrados.

Céus, eu estava ficando animada.

Notas finais
Deixe comentários, sugestões e críticas, se possível. Espero que tenha gostado. Obrigado por ter lido até aqui!