O Retorno da Overwatch
8 Infiltração
Notas iniciais
Eu não conseguia mais me aguentar de tanta espera. A demora estava me matando! Nunca achei que uma viagem pudesse ser tão demorada.
Bom, acho que é melhor explicar o que estava acontecendo: Winston, o maior e melhor urso de pelúcia vivo (ou pelo menos parecia ser, porque é muito fofo quando aperto ele!), havia descoberto sobre as Indústrias Volskaya, certo? Bem, ele selecionou alguns de nós para irmos até Moscou investigar o que estava acontecendo exatamente. Íamos eu (dãã), Jack e Lúcio no jato da Overwatch, o Soldado: 76 pilotando. Achamos melhor não levar muita gente porque a Overwatch ainda é ilegal. Tanto que...
— Lembrem-se vocês dois, — disse Jack, interrompendo minha linha de pensamento! — temos que ficar na moita. A missão é entrar, interrogar e sair, sem deixar rastros. Entenderam?
Ok, era isso que eu ia dizer pra você...
—Sim, papai. — falei. — A gente pode parar no caminho pra tomar sorvete?
— Isso é sério, Lena. Não brinque agora.
Bufei. Que cara sem graça.
— Não esquenta com ele. — confortou-me Lúcio. — Ele tá nervoso, faz tempo que não entra em uma missão em campo. Relaxa, gata.
Acho que corei um pouco...
— É... Tem razão...
— Viu, pega esse mp5 player aqui. — Lúcio puxa um fone-de-ouvido de uma mochila que trazia e o aparelho de música. — Tem um monte de música pra passar o tempo aí.
Agradeci e peguei o mp5. Finalmente o tempo iria passar mais rápido! Reclinei meu banco e comecei a escutar as músicas. Meu Deus, que músicas, por sinal! O Lúcio sabia mesmo do assunto...
Não deu outra, dormi. Quando estávamos em cima da indústria, planando, senti a mão de Lúcio balançar meu ombro.
— Ei, Lena, acorda.
Minhas pálpebras abriram enquanto tirava os fones, vendo Jack levantar da cadeira onde estava e pegar seu rifle de pulso.
— Equipe, vamos revisar o plano. Vamos descer no local da missão...
— Achamos a sala da Katya Volskaya — interrompeu Lúcio. — e entramos lá, tudo no furtivo.
— Conversamos com ela — continuei. — e tentamos descobrir qualquer coisa sobre as Corporações Vishkar. Aliás, porque não vamos atrás justamente das Corporações Vishkar?
Jack respondeu:
— Não queremos que eles saibam de nossa pequena investigação. Queremos que pensem que estamos na desvantagem.
— Ah, tendi.
— Quando conseguirmos informações o suficiente, voltamos na surdina. Entendido?
— Sim, capitão! — bradamos eu e Lúcio, fazendo sentido. Estava tão empolgada!
— Perfeito. Boa sorte, soldados.
Dei um leve sorriso. Era hora do show!
Com o jato ainda planando, descemos para o chão com uma corda. Estávamos bem em frente à entrada da indústria, um arco de tijolos com um portão entreaberto. Não estava acostumada com aquela neve toda!
— Peguem esses fones. — disse Lúcio, estendendo pequenos fones por bluetooth. Colocamos estes em nossos ouvidos, imediatamente escutando uma música que, de alguma forma, conseguia influenciar a velocidade de nossos movimentos cardíacos, bombeando o sangue de maneira diferente da usual. Aquele som tinha uma batida acelerada, de modo que eu sentia ser mais rápida ainda!
Ficamos escondidos atrás da parede de tijolos, esperando o sinal de Jack para que pudéssemos seguir. Ele olhava para dentro da indústria, observando os guardas.
— Esperem...
E esperamos.
— Esperem...
Estamos esperando!
— Vamos!
Passamos por baixo do arco e ficamos escondidos atrás das caixas espalhadas pelo chão. Já estávamos dentro do grande salão vermelho, onde várias plataformas flutuantes passavam por cima dos corredores dos andares de cima. Mais a frente, alguns MEKAs eram reparados ou estavam sendo construídos. Guardas realizavam rondas, mas, para nossa sorte, em velocidade quase que negativa de tão lentos que eram.
Passávamos de uma parede para outra, para atrás de uma caixa e depois dos pés dos imensos MEKAs, sempre despercebidos. Subimos um andar e alcançamos uma das plataformas. Agachados, esperamos chegar até perto de um elevador, no qual entramos.
— Ufa! — sussurrou Lúcio. — Estamos quase lá.
O elevador parou. Era o andar da sala de Katya. Quando a porta do elevador se abriu, demos de cara com um corredor que se dividia em três. Podíamos escutar os passos dos guardas, mas eles ainda não nos haviam visto.
— Para a direita. — ordenou Jack.
Corremos em silêncio para o lado indicado, chegando a uma janela. Eu abri-a, passando para a pequena superfície do lado de fora, um quadrado de chão grudado na parede do lado de fora. Os outros fizeram o mesmo, Jack fechando a janela após passar.
— Aquela — continuou ele, apontando para uma janela do outro lado da parede que tínhamos acabado de passar, cerca de uns cinco metros longe de nós. — é a janela do escritório de Katya. Há um pedaço de chão grudado na parede, igual ao nosso aqui, que devemos alcançar.
Infelizmente, não havia chão até lá. Para mim, tudo bem, consigo me teleportar para lá. Lúcio consegue deslizar na parede. Mas...
— Como você vai chegar lá? — Lúcio completou meu pensamento.
Jack sorriu.
— Não se preocupem. O velho aqui ainda aprende novos truques.
Não tenho certeza se fiquei muito confortável com aquilo.
Rapidamente, eu e Lúcio passamos para o pedacinho de chão em frente à janela. Olhamos para trás, apreensivos, esperando Jack. Ele deu um ou outro passo para trás, pegou impulso e pulou. Ele não ia alcançar!
Antes de começar a cair, entretanto, atirou seus foguetes Hélix na superfície onde estava, bem abaixo de si. A onda da pequena explosão lançou ele alguns metros acima, fazendo com que ele alcançasse-nos!
Tenho que dizer, impressionante!
Quando ele retomou o equilíbrio, agarrou-nos e perguntou aflito:
— Não temos tempo, ela está sozinha?!
Lúcio colocou o ouvido na janela.
— Ela parece estar conversando com alguém, mas não consigo ver quem é...
Jack bufou.
— Vamos ter que ser rápidos...
E empurrou a janela, nos empurrando para dentro.
Katya, com um susto, virou-se para nós e correu em direção a grande mesa que havia na sala.
— Opa! — reagi, teleportando para perto desta e segurando o telefone, impedindo-a de pegá-lo. — Ainda não, querida.
Certamente aquela não era uma cara feliz que recebi.
— Katya Volskaya, — iniciou Jack. — deve nos escutar. Temos algo importante para dizer.
— É, — continuou Lúcio. — tipo, muito importante mesmo!
Ela parecia incerta. Coloquei uma mão no ombro dela, reconfortando-a.
— Sente-se, querida. Estamos aqui para ajudar.
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