O Retorno da Overwatch
9 Simplesmente do nada
Notas iniciais
— Vocês não podem fazer isso, e sabem o porquê. — retrucou Katya, enquanto sentava-se. — O Ato Petras deixou claro que a Overwatch é ilegal.
— Creio que uma pequena quebra nas regras não seja pior do que está para acontecer. — resmungou Jack, já um tanto impaciente.
A situação não ia bem. Estava ficando meio tensa.
— Sra. Katya, o que estamos tentando dizer é que, provavelmente, está correndo perigo.
Ela pareceu ficar confusa por um segundo, olhando para mim. Era dúvida ou medo no olhar dela?
Lúcio puxou tablet holográfico da mochila e abriu uma notícia.
— Isso é verdade, Katya?
Era a reportagem que havíamos visto no Observatório Gibraltar, da compra da indústria onde estávamos pelas Corporações Vishkar.
— Bom, — sussurrou ela. — sim... É... É verdade...
— Ok. — Lúcio guardou o tablet. — O que tá rolando é que essa Corporações Vishkar...
De repente, ele olhou a parede atrás de Katya furtivamente, sem se mover.
— ... ela tá...
O que estava acontecendo, Senhor? Tive que continuar:
— As Corporações parecem ter um envolvimento não oficial com a Talon, organização criminosa. Não sabemos até que ponto essa relação afeta as corporações como um todo, e nem o quão prejudicadas suas indústrias estão. Não sabemos se tudo não passa de um plano ou se não é nada.
Ela me olhou mais confusa ainda. Fez então, do nada, uma leve cara de dor, e levou a mão ao ombro esquerdo, massageando-o.
— Ah... entende? — terminei.
Katya olhou para mim, depois para Jack, depois para mim de novo.
— Eu... Eu...
E a confusão em seus olhos, agora, parecia mais raiva. Levantou-se brutalmente.
— Eu não acredito que vocês vieram aqui, invadiram minha indústria, meu escritório e me prenderam aqui apenas para me dizer que há uma possibilidade de eu estar em perigo?!
Nossa. Grossa.
— Eu tenho completa consciência dos riscos que corro por comandar toda uma produção de MEKAs! Não preciso de babás que me alertem de “possíveis perigos”! Vocês que são os riscos! São ilegais!
Eu estava meio zonza com tudo aquilo. Jack não movia um músculo. Lúcio tinha o rosto virado para Katya, mas ainda olhava de canto para a parede.
— Então, por gentileza, convido-lhes a sair imediatamente da minha indústria antes que eu chame a polícia e...
Lúcio, SIMPLESMENTE DO NADA, girou seu braço em direção à parede e agarrou alguma coisa no ar, mas algo invisível... Apareceu, então, SIMPLESMENTE DO NADA DE NOVO, uma mulher morena, com metade do cabelo raspado (onde havia faixas de luz rosa), usando um casaco e calça justa cinzas com faixas rosa também. Lúcio agarrava sua garganta.
Ela deu um soco no braço dele, fazendo-o larga-la. Puxou, então, uma pistola automática de seu cinto e apontou na cabeça do brasileiro. Katya havia virado para trás, assustada. Eu olhei para a mulher, sem saber o que fazer, paralisada. Jack puxava o rifle.
Felizmente, Lúcio era bom de reflexo: levantou seu amplificador sônico e, com uma “explosão sônica”, jogou a dama maligna para longe, fazendo-a bater na parede da janela na qual havíamos entrado (pela qual sua pistola saiu voando).
Recobrando minha consciência, teleportei para o lado de Katya e puxei ela em direção à janela, enquanto Jack pulava sobre a mesa, com a mulher estranha na mira. Porém, antes que pudéssemos fazer algo, ela havia jogado algo que parecia um cubo estranho pela janela, e, olhando a gente com desdém, disse algo como:
— Boop.
Então, fechou as mãos com força e, SIMPLESMENTE DO NADA DE NOVO DE NOVO, sumiu! Meu Deus, que mulher estranha.
Eu segurava Katya pelos ombros, nós duas com a respiração ofegante. Lúcio ainda estava na posição de quando havia jogado a mulher para longe. Jack... parecia com raiva.
— Você está bem? — perguntei, assustada, para Katya.
Antes que ela pudesse responder, porém, Soldado: 76 vinha em nossa direção, com passos pesados. Parou próximo e apontou o rifle na cara da Katya.
— Você tá maluco?! — gritei.
— QUEM É ELA? — gritou ele, mais alto.
Katya estava pálida.
— Mais baixo. Os guardas podem perceber, se já não notaram.
— Soldado! — tentei afastá-lo.
— Eu vou perguntar de novo! — aproximou a arma do rosto dela. — Quem é ela?!
Eu tentava empurrar ele, afastá-lo de Katya. Por que ele estava fazendo isso com ela?
— Sombra...
Eu parei de tentar (ele era muito mais forte que eu) e virei meu rosto. Lúcio se aproximou.
— Bom... — Katya estava muito nervosa. — Ela nunca disse o nome de verdade, mas me disse que poderia chama-la assim... Ela aparece de pouco em pouco aqui, em meu escritório, pedindo favores... Aparece do nada, e desaparece do nada...
— Por que obedece Sombra? — Jack não mostrava piedade.
— É que... É...
Hesitou.
— Ela... ameaçou minha filha...
Não parecia tão convincente, mas não a culpo, estar nessa situação (um rifle apontado na sua cara) dispensa atuação boa.
— Como ela chegou a você?
— Um dia, cerca de uma semana atrás, ela invadiu minha indústria, com outros dois terroristas, e...
— Quem?
— Bom... acho que seus nomes eram Widowmaker e Reaper.
Droga.
— Mataram homens meus e destruíram um de meus MEKAs. Sombra chegou a mim primeiro, disse ter acionado o alarme que impediu os outros de chegarem aqui. Não tentaram novamente.
Jack continuou apontando a arma. Eu já não sabia o que fazer. Lúcio parecia um tanto preocupado também.
— Acho que já temos o suficiente, Soldado: 76. — disse Lúcio.
Jack respirou lentamente. Abaixou a arma (finalmente!) e foi até a mesa. Pegou uma caneta holográfica e anotou algo na mesa.
(Não se preocupe, não marca e sai.)
— Chame a gente se algo der errado.
Largou a caneta, pegou o transmissor da Overwatch do bolso e apertou um botão.
— Não hesite.
Foi para a janela com passos pesados. Ele e Lúcio saíram. Eu olhei para Katya, enquanto saía. Ela estava totalmente pálida, assustada. Mas seu rosto... seu rosto aparentava... alívio.
Não pude deixar de sentir pena. Pelo menos, nada de extremamente ruim aconteceu. Quando pulei a janela, vi o jato chegando bem acima de nós, e uma escada desceu. Ao ficarmos seguros, já a caminho do observatório, me perguntei onde Sombra havia ido parar...
— Por que você fez aquilo com Katya, Jack? — perguntei, indignada. — Ela podia ter morrido antes!
Ele pareceu suspirar, nervoso.
— Escute, Lena: acho que ela não tinha tanta inocência assim. Ela estava conversando com Sombra antes de entrarmos no escritório. Escondeu ela de nós. Poderíamos ter morrido se não tivéssemos agido rápido. Talvez até Katya. Não podíamos demorar. Não gosto de tratar os outros assim, me lembra de guerra. Mas, em situações como essa, não vi outra escolha...
Fiquei pensativa. Tá, talvez ele não fosse tão rabugento assim. O que eu tinha certeza, porém, é que as coisas estavam piores do que nunca.
E íam piorar...
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