O Resgate de Hadassah

15 O Troco e o Eco do Passado



​O silêncio de Hadassah após aquela noite na casa da piscina tornou-se uma muralha intransponível. Se antes ela usava o deboche para se defender, agora usava a mais absoluta indiferença. Na Lioncort Logística, ela limitava-se a monossílabos estritamente profissionais: "Sim, senhor", "Não, senhor", "Os relatórios estão na mesa". Nem mesmo os olhos verdes cruzavam com os azuis de Jason. Nos almoços de domingo na casa grande, ela mantinha a doçura com Marta e Alycia, mas se Jason entrava no recinto, Hadassah agia como se a cadeira dele estivesse vazia. Ela o havia apagado de sua existência.

​Essa frieza calculada estava enlouquecendo o CEO. A certeza de que havia sido o primeiro homem de sua vida não lhe trazia paz; trazia a agonia de saber que ela sentia nojo daquela entrega.

​Buscando arrancar o sufoco do peito, Hadassah aceitou o convite de Alycia em uma sexta-feira à noite. Elas foram à Neon Club, uma das boates mais badaladas de Manhattan. Entre a música eletrônica pulsante e algumas taças de vodca, Hadassah decidiu que precisava quebrar o vínculo psicológico que a prendia ao toque de Jason. Ela precisava provar a si mesma que seu corpo não pertencia a ele.

​No balcão do bar, um homem atraente, de cabelos escuros e sorriso fácil, aproximou-se. O santo bateu, a conversa fluiu regada a segundas intenções e, no meio da madrugada, Hadassah se despediu de Alycia e foi para o apartamento dele. O sexo foi casual, desprovido de sentimentos, uma noite puramente física onde ela se entregou para um estranho, usando o corpo daquele homem como um escudo para tentar apagar as marcas que as mãos de Jason haviam deixado em sua pele.

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​Na tarde de domingo, o clima na mansão estava tenso. Na cozinha da casa grande, Alycia conversava com Marta em sussurros enquanto preparavam o café, mas a empolgação da jovem acabou falando mais alto.

​— Mamãe, você precisava ver a Hadas na boate na sexta... Ela estava maravilhosa! E não voltou para casa. Saiu com um cara lindo que conheceu lá e só apareceu ontem de tarde. Fiquei tão orgulhosa de ver ela finalmente seguindo em frente, deixando o passado para trás.

​Marta sorriu, aliviada. — Fico feliz, minha filha. Ela merece ser feliz, conhecer rapazes da idade dela...

​O que as duas não sabiam era que Jason estava parado no corredor, prestes a entrar na cozinha. Ao ouvir as palavras de Alycia — “saiu com um cara”, “deu para ele”, “só apareceu ontem” —, o mundo do empresário ruiu. Uma fúria cega, misturada com um sentimento de posse violento e uma dor dilacerante no peito, fez o sangue subir à sua cabeça.

​Sem dizer uma palavra para a mãe ou para a irmã, Jason virou as costas, cruzou o jardim a passos largos e arrombou a porta da casa da piscina com um chute, sem se importar em pedir licença.

​Hadassah estava na sala, lendo um livro no sofá, vestindo apenas um camisetão preto largo. Ao ver Jason entrar como um animal enfurecido, ela fechou o livro devagar, mantendo a expressão gélida.

​— Você ficou louca, Hadassah?! — ele rugiu, aproximando-se e segurando-a pelos ombros com força, sacudindo-a levemente. — Quem era ele?! Quem era o desgraçado com quem você passou a noite na sexta-feira?!

​Hadassah puxou os ombros, livrando-se do aperto dele com um movimento brusco. Ela se levantou, encarando-o com os olhos verdes brilhando de puro deboche.

​— Não berre na minha casa, Jason. E a minha vida sexual não é da sua conta. Eu sou uma mulher solteira, livre. Eu saio com quem eu quiser e dou para quem eu bem entender. O rapaz de sexta foi maravilhoso, caso você queira os detalhes. Ele sabe como tratar uma mulher.

​— Cala a boca! — Jason esbravejou, a mandíbula travada, as lágrimas de ciúme e ódio ameaçando cair. — Você é minha! Você foi minha primeiro! Eu não vou deixar nenhum moleque encostar as mãos no que é meu!

​— Eu não sou sua propriedade! — ela gritou de volta, perdendo a paciência. — O que aconteceu entre nós foi um erro que eu já apaguei! Eu usei aquele homem na sexta para tirar o nojo do seu toque de dentro de mim! Você não passa de um hipócrita!

​A provocação foi o estopim. Jason a puxou pela cintura com violência, colando os corpos. Hadassah começou a esmurrar o peito dele, gritando e xingando, mas a fúria da discussão rapidamente se transformou em uma tensão sexual incontrolável. Jason a calou com um beijo brutal, faminto, que queimava com o gosto do ciúme. Hadassah lutou, mordeu o lábio dele até sangrar, mas o calor do corpo de Jason e a agressividade do desejo a dominaram.

​Em um movimento rápido, ele a jogou no sofá, rasgando o camisetão preto dela ao meio, deixando o corpo nu da ruiva exposto sob a luz da sala. Jason se livrou das próprias roupas com pressa desesperada, sua masculinidade saltando, gigantesca, latejando de fúria e tesão acumulados. Ele abriu as pernas de Hadassah com brutalidade e se posicionou.

​— Você é minha... só minha... — ele rosnou, a voz embargada.

​Jason empurrou o quadril para a frente, entrando nela de uma vez só, em uma estocada profunda e violenta que fez Hadassah soltar um grito agudo, misto de dor e prazer avassalador. O aperto dela ainda era estreito, mas a lubrificação da raiva facilitou a entrada. Sem dar tempo para ela respirar, ele começou a se mover em um ritmo selvagem, rápido e impiedoso.

​O som dos corpos se chocando contra o couro do sofá era alto. Jason a puxava pelos quadris, cravando os dedos na pele dela, deixando marcas roxas enquanto a penetrava com força total, batendo no fundo de seu útero.

​— Ah... Jason... mais forte! — Hadassah cedeu à luxúria primitiva, arranhando as costas dele, puxando-o para mais fundo. A queimação interna era deliciosa, e ela se viu implorando pelo preenchimento daquele homem que ela tanto odiava.

​Ele a ergueu do sofá e a carregou até o quarto, sem interromper a penetração. Jogou-a de bruços na cama, elevando os quadris dela. Jason entrou por trás, segurando os cabelos ruivos de Hadassah para trás, expondo o pescoço dela enquanto desferia estocadas cavalares, rápidas e profundas, fazendo a cama ranger violentamente. O tesão era tão insano que o suor escorria pelo peito de ambos. Hadassah gemia alto, o corpo inteiro tremendo até que o orgasmo a atingiu em uma onda de espasmos violentos que apertaram o membro de Jason como uma prensa. Jason soltou um urro de satisfação, deu mais quatro estocadas brutais e derramou uma quantidade imensa de sêmen quente dentro dela, desabando exausto ao seu lado.

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​Desta vez, Hadassah não o expulsou. O cansaço do ato e o efeito da bebida de sexta-feira a venceram. Ela simplesmente virou as costas para ele e dormiu. Jason, sentindo o calor do corpo dela e achando que aquela noite significava o perdão, envolveu-a em seus braços e passou a noite ali, dormindo em paz pela primeira vez em anos.

​O sol da manhã entrou pelas frestas da cortina. Jason acordou com um sorriso nos lábios, esticando o braço para puxar Hadassah para um beijo de bom dia.

​No entanto, o espaço ao seu lado estava vazio.

​Ele sentou-se na cama e ouviu o barulho do chuveiro. Minutos depois, Hadassah saiu do banheiro. Ela já estava vestida com o uniforme da empresa, o cabelo preso em um coque perfeito e os óculos no rosto. Sua expressão era de total indiferença, como se a noite anterior nunca tivesse existido.

​— Bom dia, ruivinha... — Jason disse, a voz mansa, levantando-se nu da cama e indo em direção a ela com os braços abertos.

​Hadassah sequer parou de arrumar sua bolsa. Ela se desviou dele com uma facilidade gélida, pegou uma pasta de documentos e olhou para o relógio de pulso.

​— O carro da empresa passa em dez minutos, Sr. Lioncort — ela disse, sua voz saindo perfeitamente profissional, fria e robótica. — Sugiro que pegue suas roupas no chão da sala e saia. Eu preciso trancar a casa.

​Jason estancou no meio do quarto, o sorriso morrendo em seu rosto. — Hadassah... do que você está falando? Ontem à noite... nós nos entregamos, foi lindo, eu passei a noite com você...

​Hadassah finalmente olhou para ele, soltando um sorriso cínico de lado, os olhos verdes desprovidos de qualquer calor.

​— Ontem à noite foi apenas sexo, Jason. O senhor estava com as necessidades em alta por causa do ciúme e eu decidi aliviar o meu estresse. Nada mais. Foi bom para passar o tempo, mas agora o expediente vai começar. Por favor, vista-se. Não misturo a minha vida profissional com os meus... passatempos carnais.

​As palavras dela entraram como facas no peito de Jason. Passatempo carnal. Apenas sexo. Usei para aliviar o estresse. Naquele segundo, o poderoso Jason Lioncort sentiu a alma sangrar. Ele lembrou-se instantaneamente de todas as mulheres que havia levado para hotéis nos últimos anos; lembrou-se de Milena, das modelos e socialites que ele despachava com um maço de dinheiro e um "peça um táxi" logo após usá-las para saciar seu desejo. Ele estava sentindo na própria pele, da forma mais dolorosa e cruel possível, o exato tratamento impessoal e descartável que sempre dera às outras mulheres. Ela o havia transformado em um mero objeto de prazer descartável.

​Com o orgulho em pedaços e o coração esmagado pela frieza dela, Jason recolheu suas roupas do chão em silêncio. Ele se vestiu sob o olhar indiferente de Hadassah, que checava os e-mails no celular.

​Sem dizer mais nada, o CEO saiu da casa da piscina com a cabeça baixa, sentindo o peso do carma e sabendo que a ruivinha não apenas havia aprendido a jogar o jogo dele, mas agora ditava as regras com uma crueldade que ele mesmo a ensinara a ter.