O Resgate de Hadassah
12 O Retorno e a Invasão
O domingo à tarde trouxe uma calmaria há muito esquecida para a sala de estar da mansão Lioncort. Sentada no sofá de veludo, Hadassah segurava uma xícara de chá, sendo sufocada pelo abraço apertado de Alycia e pelos olhares cheios de adoração de Marta. Elas conversavam sobre os anos de separação, rindo das histórias do orfanato e compartilhando a dor da ausência.
— Você não faz ideia do quanto essa casa ficou sem vida, Hadas — Alycia disse, segurando a mão da ruiva. — Parecia que as paredes choravam.
— Mas agora você voltou para as nossas vidas, e eu não vou permitir que você passe dificuldades naquele abrigo ou em apartamentos minúsculos — Marta interveio, sua voz assumindo um tom de autoridade materna inabalável. — Eu quero que você se mude para a casa da piscina aqui da mansão. Ela é totalmente independente, tem sua própria entrada, sua cozinha... Você não precisará cruzar com o Jason se não quiser.
Hadassah colocou a xícara no pires, balançando a cabeça.
— Marta, eu agradeço do fundo do meu coração, mas não posso aceitar. Eu tenho meu orgulho, e aceitar a caridade dos Lioncort de novo me faz sentir...
— Não é caridade! É a sua família cuidando de você! — Alycia cortou, cruzando os braços e fazendo um bico idêntico ao de anos atrás. — O aluguel em Nova York é um roubo. Você vai gastar metade do seu salário da logística com um cubículo, sendo que a nossa casa da piscina está lá, vazia, acumulando poeira. Por favor, Hadas... Por mim. Pela mamãe.
Marta segurou as mãos de Hadassah, os olhos suplicantes.
— Deixe-me fazer isso por você, minha princesa. Eu vou mandar reformar tudo, colocar móveis novos, deixar do seu jeito. É um espaço seu. Seu porto seguro.
Pressionada pelo amor genuíno das duas, a armadura de Hadassah cedeu um milímetro. Ela suspirou, derrotada por um sorriso de canto.
— Tudo bem... Eu aceito. Mas só até eu conseguir juntar dinheiro suficiente para dar entrada em um lugar meu.
— Combinado! — Marta comemorou, limpando uma lágrima de alívio. — Vou mandar Olívia ajeitar tudo a partir de amanhã.
Neste momento, as primeiras gotas grossas de chuva começaram a bater contra as imensas vidraças da sala. O céu escureceu rapidamente, anunciando um temporal violento de outono, com trovões ecoando ao longe.
— Ah, mas você não vai embora com esse tempo — Marta decretou, levantando-se. — O seu antigo quarto está exatamente do jeito que você deixou. Ninguém tocou em nada em seis anos. Você vai passar a noite aqui hoje.
Hadassah olhou para a tempestade lá fora e aceitou. Subir as escadas e entrar em seu antigo aposento foi como viajar no tempo. A cama de casal com dossel, os livros na estante, o perfume suave que Olívia fazia questão de manter nas cortinas. Ela tomou um banho quente, vestiu uma camisola antiga de algodão que encontrara no closet e se deitou, adormecendo rapidamente com o som reconfortante da chuva.
---
Madrugada escura. O relógio digital na cabeceira marcava três e meia da manhã.
Jason Lioncort entrou na mansão completamente encharcado da chuva e embriagado pelo cansaço do trabalho e pela obsessão que o corroía. Ele subira as escadas sem saber que Hadassah estava na casa. Em seu estado de transe mental, seus pés o guiaram por puro instinto até o quarto dela, como ele costumava fazer nos anos de luto para respirar o cheiro que ainda restava ali.
Ele girou a maçaneta devagar e entrou na penumbra do quarto, iluminado apenas pelos relâmpagos ocasionais que cruzavam a janela. Jason não olhou para a cama; seus olhos estavam turvos. Exausto, ele caminhou até a grande poltrona de couro no canto do quarto, desabando ali.
No entanto, Hadassah não estava dormindo profundamente. O som da porta a despertara. Ela estava encolhida, sentada no chão, atrás da cabeceira estofada da cama, onde recolhera um livro que caíra antes de dormir. Ao ver a silhueta imensa de Jason entrar, ela congelou na escuridão, com o coração disparado.
Jason soltou um suspiro pesado, a voz saindo em um sussurro arrastado, quebrando o silêncio do quarto:
— Hadassah... por que você me destrói desse jeito?...
Hadassah arregalou os olhos na escuridão, em puro choque.
Jason afrouxou o cinto da calça de alfaiataria com dedos trêmulos. Ele abriu o zíper, libertando seu membro já rigidamente ereto pelo fluxo de pensamentos eróticos que nutria pela ruiva todas as noites. Ele fechou os olhos, jogando a cabeça para trás no encosto da poltrona, e começou a se masturbar com movimentos rápidos e firmes. A respiração dele tornou-se opressa, pesada, ecoando pelo quarto.
— Ruivinha... tão apertada... — Jason arfou alto, a voz carregada de uma luxúria primitiva, enquanto sua mão subia e descia pelo comprimento de sua masculinidade pulsante. — Puta merda, Hadassah... se você soubesse o que eu quero fazer com você... o quanto eu quero te rasgar no meio...
O choque de Hadassah transformou-se em uma mistura caótica de indignação, vergonha e uma onda de calor involuntária que subiu por seu ventre ao ouvir aquelas palavras cruas. Em sua tentativa de se afastar mais para trás na escuridão, seu pé bateu com força contra a madeira do criado-mudo, fazendo um abajur menor balançar e produzir um estalo alto.
Jason congelou no mesmo instante. Seus olhos se abriram na penumbra. Com o reflexo rápido de um predador, ele se levantou, esticou o braço e bateu no interruptor da parede.
A luz forte do teto inundou o quarto, cegando os dois por um segundo.
A cena era simultaneamente ultrajante, erótica e absurdamente cômica. Jason estava de pé no meio do quarto, com a camisa social metade aberta, a calça abaixada até o meio dos quadris e sua ereção imensa, latejante e completamente exposta, apontada na direção dela. Do outro lado, Hadassah estava sentada no chão, de pernas cruzadas, segurando um travesseiro contra o peito como se fosse um escudo, encarando a genitália do seu chefe com os olhos arregalados por trás dos óculos que ela esquecera de tirar.
— Mas que porra é essa?! — Hadassah gritou, a voz misturando desespero e deboche. — Você perdeu o resto de sanidade que te restava, Jason Lioncort?! O que você pensa que está fazendo no meu quarto com... com isso para fora?!
Jason, apesar de ser o temido CEO implacável, sentiu o rosto queimar em um vermelho violento. Ele tentou puxar a calça para cima com pressa, mas acabou tropeçando no próprio sapato, cambaleando para o lado e quase derrubando uma cadeira.
— Hadassah! O que você está fazendo aqui?! A minha mãe não me avisou... — ele gaguejou, a voz falhando enquanto tentava fechar o zíper de forma desajeitada, com o membro ainda duro insistindo em marcar o tecido da calça.
— O que eu estou fazendo aqui?! Este é o meu quarto! — Ela se levantou num salto, jogando o travesseiro na direção da cara dele. Jason o pegou no ar, com uma expressão patética de flagrante. — Você entra aqui no meio da noite para fazer... para fazer essa pouca vergonha?! Você é um pervertido doentio!
— Eu achei que o quarto estivesse vazio! Eu venho aqui para pensar em você! — ele tentou se defender, dando um passo à frente, a vergonha se transformando rapidamente na urgência da paixão acumulada por anos.
— Pensar em mim?! Você estava se tocando falando meu nome, seu tarado! — ela esbravejou, avançando na direção dele com os punhos fechados, o deboche dando lugar a uma fúria incandescente. — Sai do meu quarto agora antes que eu chame a dona Marta e a Alycia para verem o grande CEO da publicidade nesse estado lamentável!
Jason largou o travesseiro no chão. Ao ver a ruiva tão perto, com as bochechas coradas, os lábios trêmulos de raiva e a camisola de algodão marcando levemente as curvas de seu corpo maduro, o resto de seu autocontrole evaporou. Ele não ligou para o ridículo da situação. Ele deu um passo agressivo para a frente, segurou os pulsos de Hadassah com uma força firme e a prensou contra a parede ao lado da porta.
— Jason, me solta... — ela arfou, mas sua voz perdeu metade da força quando o corpo maciço e quente dele se colou ao seu.
— Eu não vou soltar — Jason sibilou, os olhos azuis faiscando de pura luxúria e desespero. — Você quer me chamar de tarado? Quer me chamar de doentio? Eu sou tudo isso por você, Hadassah. Eu estou ficando louco há seis anos!
Antes que ela pudesse disparar outra resposta ácida, Jason atacou os lábios dela.
O beijo foi uma explosão de urgência e desejo reprimido por quase uma década. Jason invadiu a boca dela com a língua, possessivo, faminto, segurando a nuca de Hadassah com força para que ela não escapasse. Hadassah soltou um gemido abafado de surpresa contra a boca dele. Ela tentou lutar, tentou empurrá-lo, mas o calor do corpo de Jason, as mãos dele descendo firmes por suas costas, apertando sua cintura através do cetim da camisola, despertaram um incêndio que ela tentava negar a si mesma há dias. O membro rígido dele pressionava diretamente contra o seu ventre através das roupas, fazendo-a arfar de desejo involuntário. Por três segundos insanos, ela retribuiu o beijo com a mesma intensidade selvagem, cravando as unhas nos ombros dele.
Mas a razão voltou como um balde de água fria. Ela se lembrou de quem ele era. Lembrou-se do controle.
Com um esforço hercúleo, Hadassah desvencilhou uma das mãos e, acumulando toda a força de seu corpo, desferiu um tapa violento contra a bochecha esquerda de Jason.
ESTALO.
O impacto quebrou o beijo abruptamente. A cabeça de Jason virou para o lado, e o silêncio voltou a reinar no quarto, quebrado apenas pela respiração opressa de ambos. Ele a soltou devagar, levando a mão ao rosto, olhando para ela em choque.
Hadassah apontou o dedo trêmulo na direção da porta aberta, os lábios vermelhos e inchados pelo beijo, os olhos verdes vertendo lágrimas de puro ódio e excitação confusa.
— Fora. Do. Meu. Quarto. Agora. — ela sibilou, cada palavra saindo como uma pedrada. — Se você encostar um dedo em mim de novo, Jason... eu juro pela minha vida que eu sumo desta cidade e você nunca mais vai me ver, nem em um milhão de anos.
Jason a encarou por longos segundos. O calor do tapa ardia em sua pele, mas o gosto dela ainda estava em sua boca. Ele percebeu que cruzara uma linha perigosa, mas, ao mesmo tempo, o fato de ela ter correspondido ao beijo, mesmo que por segundos, acendeu uma faísca de esperança em sua mente torturada.
Arrumando a camisa rasgada com os dedos ainda trêmulos, Jason deu um passo para trás, sem tirar os olhos dela.
— Isso não acabou, Hadassah — ele sussurrou, a voz tensa.
Ele virou as costas e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si. Hadassah desabou contra a parede, escorregando até o chão, levando os dedos aos lábios ainda ardentes. Ela estava furiosa, chocada e humilhada pelo flagrante ridículo do irmão adotivo, mas, no fundo de seu ventre, o fogo que Jason acendera deixava claro que mantê-lo afastado morando na casa da piscina seria a tarefa mais difícil de sua vida.
Fale com o autor