O Resgate de Hadassah
13 O Jogo de Gato e Rato
Morar na casa da piscina e trabalhar na mesma empresa que Jason Lioncort havia transformado a vida de Hadassah em uma verdadeira comédia de erros. Ela havia decretado um "pique-esconde" mental: onde Jason aparecia, ela simplesmente evaporava. O problema era que manter o profissionalismo enquanto se foge do CEO exigia táticas cada vez mais absurdas.
Na manhã de terça-feira, no setor de arquivos da logística, a supervisora de contratos caminhava com uma prancheta na mão.
— Hadassah, você viu a planilha de... — A mulher parou de falar, encarando o par de pernas que saía debaixo da mesa de canto. — Mas o que é isso?
Hadassah colocou a cabeça para fora debaixo da mesa, ajeitando os óculos de leitura no nariz e segurando um espanador de pó com um sorriso amarelo.
— Ah, oi, Lívia! Eu só estava... checando se a fiação do roteador estava com poeira. Sabe como é, segurança digital em primeiro lugar! — ela mentiu descaradamente.
A verdade? Ela havia avistado a silhueta imponente de Jason cruzar as portas de vidro do setor um minuto antes. Assim que a supervisora se afastou balançando a cabeça, Hadassah rastejou para fora, limpando os joelhos do blazer.
Dois dias depois, o cenário foi o pátio de cargas atrás do galpão principal. Jason estava fazendo uma vistoria surpresa com dois diretores. Ele parou perto de uma pilha de paletes de madeira, sentindo o aroma floral familiar pairar no ar. Ele olhou ao redor, desconfiado.
Atrás da pilha de paletes, Hadassah estava literalmente espremida contra a parede, prendendo a respiração. Para o azar de seus nervos, um dos motoristas da frota, segurando uma caneca de café, apareceu por trás do galpão e tomou um susto ao ver a assistente executiva camuflada entre as madeiras.
— Puta merda, Telles! O que você está fazendo aí? Tá imitando um camaleão? — o motorista perguntou, rindo alto.
— Shhh! Fica quieto, pelo amor de Deus! — Hadassah sussurrou desesperada, tapando a boca do homem com a mão. — Se você me entregar para o chefe, eu juro que cancelo o seu vale-refeição do mês que vem!
O motorista saiu de fininho, rindo baixo, enquanto Hadassah esperava o som dos passos pesados de Jason se afastar na direção oposta. Fugir dele estava se tornando um trabalho de meio período altamente exaustivo.
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Na sexta-feira, no final do expediente, Hadassah achou que finalmente estava segura. Ela caminhou pelo hall do andar da diretoria carregando uma pilha de pastas que cobria quase todo o seu campo de visão. Exausta, ela apertou o botão do elevador privativo.
A porta de metal escovado se abriu. Sem olhar para dentro, ela deu um passo para a frente. As portas se fecharam atrás dela com um clique suave.
— Precisa de ajuda com o peso, Telles? — a voz grave e aveludada reverberou no espaço fechado, fazendo a espinha dela dar um estalo.
Hadassah abaixou a pilha de pastas devagar. Jason estava encostado na parede do espelho do elevador, com as mãos nos bolsos da calça, o paletó aberto e um sorriso de puro deboche e satisfação cravado nos lábios.
— Puta que pariu... — ela praguejou baixinho.
— Sabe, o pessoal da TI me mandou as imagens das câmeras do galpão ontem — Jason comentou, dando um passo à frente, os olhos azuis faiscando de diversão. — Você tem uma flexibilidade impressionante para se esconder atrás daquelas caixas, ruivinha. Mas acho que o jogo de pique-esconde acabou.
— Eu não estava me escondendo, Sr. Lioncort. Estava fazendo auditoria de espaço — ela rebateu, batendo a mão no painel para apertar o botão do próximo andar.
Antes que seu dedo alcançasse o painel, a mão grande e firme de Jason travou seu pulso. Com o outro braço, ele puxou a chave de emergência do painel, travando o elevador entre o 12º e o 11º andar. O tranco forte fez as pastas de Hadassah voarem pelo chão, espalhando papéis por todo o carpete.
— Jason! Ficou maluco?! Destrava essa droga! — ela esbravejou, tentando se soltar, mas ele usou o peso do próprio corpo para prensá-la contra a parede de metal do elevador.
— Não até você parar de fugir de mim — ele sibilou, o rosto a centímetros do dela. A diversão sumiu de suas feições, substituída por aquela mesma luxúria primitiva que a assombrava desde a noite no quarto. — Você acha que eu não sinto o seu olhar em mim nas reuniões? Você acha que eu esqueci o jeito que você correspondeu ao meu beijo antes de me dar aquele tapa?
— Eu te odeio — ela mentiu, a respiração começando a ficar curta à medida que o calor do corpo de Jason a encurralava. A proximidade dele, o cheiro de uísque e colônia cara, e a memória da masculinidade dele exposta na poltrona acenderam uma eletricidade violenta entre os dois.
— Odeia nada. Você está louca por isso tanto quanto eu — ele afirmou, possessivo.
Jason atacou a boca de Hadassah com uma fome devastadora. Desta vez, não havia onde correr. O beijo começou bruto, necessitado, as línguas se encontrando em um ritmo selvagem que fez Hadassah soltar um gemido agudo de rendição. Ela abandonou a resistência; suas mãos subiram pelo pescoço dele, enterrando os dedos nos cabelos escuros de Jason, puxando-o para mais perto.
Jason arfou contra os lábios dela, descendo as mãos com urgência pelas curvas do corpo dela. Ele segurou a saia justa do uniforme de Hadassah, puxando o tecido para cima com pressa, expondo as coxas alvas da ruiva. Suas mãos subiram pela pele quente, apertando a carne com força, deixando marcas invisíveis de posse. Ele a ergueu ligeiramente do chão, fazendo com que a intimidade dela, protegida apenas pela calcinha de renda, se pressionasse com força total contra a ereção monstruosa que já rasgava o tecido da calça dele.
— Jason... meu Deus... aqui não... — ela arfou entre os beijos, sentindo o ventre derreter em puro desejo enquanto ele mordia seu lábio inferior com força.
— Aqui, na minha sala, na casa da piscina... em qualquer lugar, Hadassah. Você é minha — ele rosnou, a voz completamente embargada pelo tesão.
Jason desceu os beijos pelo pescoço dela, chupando a pele sensível logo abaixo da orelha, deixando ali uma marca vermelha e evidente que ela não conseguiria esconder com os óculos. Uma de suas mãos desceu pela frente da blusa social dela, enfiando os dedos por dentro do sutiã, apertando o seio firme com força, fazendo Hadassah arquear as costas contra a parede do elevador, completamente entregue às carícias extremas. O quadril de Jason se movia em estocadas lentas e pesadas contra o dela, esfregando os membros rígidos através do pano, arrancando gemidos sôfregos da assistente.
O visor do elevador piscou e um bipe de alerta do sistema de segurança ecoou, indicando que a central havia notado a parada brusca.
O som trouxe Hadassah de volta à realidade por um triz. Com os olhos nublados de luxúria e o sutiã desalinhado, ela usou as duas mãos para empurrar o peito de Jason com força.
— Afasta... Jason, chega! Vão pegar a gente! — ela arfou, a voz trêmula.
Jason se afastou dois centímetros, ofegante, com os lábios vermelhos e o olhar completamente anestesiado pelo tesão. Ele olhou para a saia dela levantada e para a marca no pescoço, sentindo uma satisfação vitoriosa.
Hadassah, num reflexo rápido de sobrevivência, aproveitou a distração dele, bateu a mão no painel e girou a chave de emergência de volta. O elevador deu um solavanco e voltou a descer. No segundo seguinte, as portas se abriram no andar do subsolo.
Sem pensar duas vezes, Hadassah se abaixou, pegou apenas a sua bolsa do chão, deixando todas as pastas espalhadas para trás, e correu para fora do elevador a passos rápidos, ajeitando a saia e o cabelo com os dedos trêmulos.
— Você não vai conseguir fugir para sempre, Hadassah! — Jason gritou de dentro do elevador, a voz ecoando pelo estacionamento deserto, enquanto tentava controlar a própria respiração e o volume óbvio em sua calça.
Hadassah entrou em seu carro particular, trancou as portas e apoiou a cabeça no volante, sentindo o coração faltar batidas. Ela olhou pelo retrovisor e viu a marca roxa em seu pescoço. O pique-esconde estava ficando perigoso demais, e ela sabia que, na próxima vez que ficasse encurralada, o gelo de seu orgulho não seria suficiente para apagar o fogo daquele homem.
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