O Resgate de Hadassah
25 Capítulo 25: O Plano de Toronto e o Sentido de Tudo
A quietude da madrugada de Nova York sempre parecia mais acolhedora entre as quatro paredes daquele quarto. Deitados na cama de casal de Hadassah, com os lençóis de algodão egípcio cobrindo parcialmente seus corpos ainda quentes e relaxados após se amarem, o casal vivia um momento de rara e doce calmaria. A luz fraca do abajur de cabeceira desenhava sombras suaves na pele alva da ruiva e realçava os contornos do peito musculoso de Jason, onde ela apoiava a cabeça com preguiça.
O dedo longo de Jason traçava caminhos aleatórios e carinhosos pelo ombro nu de Hadassah, enquanto a outra mão segurava uma agenda de couro aberta sobre o colchão. Eles tentavam, há quase uma hora, encontrar uma brecha no calendário para marcar a data do casamento e definir como seria a rotina dali para frente.
— Se escolhermos o final de setembro, pegamos o início do outono em Nova York, ruivinha — Jason sugeriu, a voz grave saindo rouca e mansa no silêncio do quarto. — O jardim da casa grande fica perfeito nessa época.
Hadassah soltou um suspiro pesado, o peito subindo e descendo contra o dele. Ela ergueu os olhos verdes, nublados por uma preocupação real que vinha tentando ignorar desde o brinde no salão.
— Setembro é o fechamento do terceiro trimestre, Jason. Eu tenho o lançamento da campanha da montadora alemã em Toronto — ela explicou, a voz mansa, mas carregada de uma frustração genuína. — Eu passei os últimos cinco anos construindo a minha credibilidade na Vanguard Media. O Richard confia em mim para liderar a expansão. Eu não posso simplesmente arrumar as malas, largar Toronto e fingir que a minha carreira de publicitária fica em segundo plano só porque eu disse "sim" para você.
Jason parou o carinho no ombro dela, virando o rosto para encará-la. Os olhos azuis mantinham uma serenidade que, anos atrás, seria impossível de encontrar nele.
— Eu sei disso, meu amor. E eu nunca te pediria para abrir mão do que você conquistou — ele respondeu com sinceridade.
Hadassah sentou-se na cama, puxando o lençol branco para cobrir os seios fartos, os cabelos ruivos caindo em desalinho pelos ombros. O nó na garganta começou a apertar.
— Então como nós vamos fazer, Jason? — a voz dela vacilou de leve, expondo o medo da distância. — Você tem a holding de logística aqui. Sua vida, seus diretores, a agência de publicidade do grupo Lioncort... tudo está fincado em Manhattan. Eu tenho a minha vida no Canadá. Nós vamos nos casar para vivermos em aviões? A cada momento que eu olho para essa agenda, parece mais difícil. Eu te amo, mas... será que de novo a vida vai dar um jeito de nos separar por causa do nosso orgulho profissional? Eu não quero te deixar outra vez, mas eu também não posso me apagar.
Jason sorriu de canto. Era um sorriso maduro, cheio de cumplicidade e da certeza de quem já havia resolvido o enigma antes mesmo de ela apresentar o problema. Ele fechou a agenda de couro com um estalo suave, jogou-a na mesa de cabeceira e sentou-se logo em frente a ela, aproximando-se até que seus joelhos se tocassem.
— Você realmente acha que eu passei os últimos cinco anos sem aprender nada sobre como funciona a cabeça da maior publicitária do Canadá? — ele brincou, estendendo as mãos para segurar os rostos dela com extrema delicadeza, polegares acariciando suas bochechas.
Hadassah franziu o cenho, os olhos verdes semicerrados em pura desconfiança. — O que você aprontou, Jason Lioncort?
— Antes de você pousar em Nova York para o casamento da Alycia, eu peguei o meu jato particular e fui até Toronto — Jason começou, os olhos azuis brilhando de puro orgulho. — Eu agendei um almoço de negócios com o seu patrão, o Richard Lâfrer.
Hadassah arregalou os olhos, a boca se abrindo em um perfeito sinal de choque. — Você o quê?! Você foi falar com o Richard pelas minhas costas?
— Calma, deixa eu terminar — ele riu da reação dela, inclinando-se para dar um selinho rápido nos lábios dela para acalmá-la. — Nós conversamos por três horas. O Richard me contou o quanto te idolatra, o quanto você é como uma filha para ele e para a Allison, e eu concordei com cada palavra. Mas eu também apresentei um plano de negócios para ele. Uma proposta irrecusável de fusão corporativa.
— Uma fusão?... — ela repetiu, a mente brilhante de publicitária tentando processar a informação na velocidade da luz.
— Exatamente — Jason confirmou, a voz firme e decidida de um verdadeiro líder. — A agência de publicidade do grupo Lioncort e a Vanguard Media vão se fundir, criando a maior holding de comunicação e marketing da América do Norte. E a estrutura já está desenhada. A Alycia acabou de se casar com o Patrick, e ele é um excelente administrador financeiro. Eu conversei com os dois ontem após o ensaio: a Alycia e o Patrick vão assumir o controle total da divisão da Lioncort aqui em Nova York. Eles ficam no comando da matriz de Manhattan.
Hadassah prendeu a respiração, o coração acelerando de forma avassaladora no peito. — E nós?...
— E nós dois vamos morar em Toronto — Jason largou a bomba com um sorriso radiante. — Eu estou transferindo o meu escritório de decisões globais para o Canadá. Nós vamos comprar uma casa nova lá, do jeito que você escolher. Você continua na Vanguard, dividindo a presidência executiva com o Richard até ele se aposentar, e eu gerencio a expansão internacional ao seu lado. Nós não vamos nos separar, Hadassah. Nós vamos governar aquele império juntos, lado a lado, na cidade que te deu asas.
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O silêncio que se instalou no quarto durou apenas o tempo de Hadassah processar o tamanho do sacrifício e da entrega de Jason. O homem que outrora era o centro de Manhattan, o CEO que achava que o mundo girava ao redor de seu próprio umbigo, estava abrindo mão de sua zona de conforto e descentralizando o seu império apenas para não podar as asas da mulher que amava.
Seus olhos verdes transbordaram, não de mágoa ou dor, mas de uma gratidão e de um amor tão intensos que pareceram queimar o seu peito.
— Jason... meu Deus... — ela soltou um suspiro trêmulo.
Sem pensar em mais nada, Hadassah largou o lençol, deixando o corpo nu exposto, e jogou-se com força contra o peito dele. Ela enlaçou o pescoço de Jason com os braços, apertando-o com uma urgência desesperada, enquanto suas pernas circulavam a cintura dele. Ela o agarrou como se sua vida dependesse daquele abraço, escondendo o rosto na curvatura do pescoço dele e chorando de pura felicidade.
Jason a segurou firme pelas costas e pelas nádegas, sustentando o peso dela contra si, rindo de leve com o impacto, mas apertando-a com o mesmo sentimento de posse curada e amor absoluto.
— Obrigado... obrigado por ser você — Hadassah sussurrou entre os soluços de alegria, afastando o rosto apenas o suficiente para olhar no fundo dos olhos azuis dele. Suas mãos espalmaram as bochechas de Jason, cobrindo o rosto dele de beijos ternos, molhados e apaixonados. — Obrigado por me enxergar de verdade, por respeitar o meu espaço. Você não faz ideia do que isso significa para mim. Você é o meu verdadeiro amor, Jason. O único. O homem da minha vida inteira.
Jason selou os lábios dela em um beijo profundo, calmo e cheio de certezas, sentindo o sabor das lágrimas dela misturar-se ao calor da boca que ele tanto adorava. Quando se separaram, ele acariciou os cabelos ruivos dela, com o semblante transbordando paz.
— Eu te prometi no jardim que, dessa vez, nós faríamos as coisas do jeito certo, ruivinha — ele disse, com a voz rouca e firme. — Eu passei cinco anos longe de você para aprender que o meu império não vale nada se a cadeira ao meu lado estiver vazia. Onde você for, eu vou. A nossa história está só começando.
Hadassah sorriu, o deboche fino voltando a brilhar em seus olhos verdes, embora a doçura continuasse ali. Ela mordeu o lábio inferior dele de leve, arrastando o corpo nu contra o dele na cama.
— Bom... já que nós resolvemos o problema da agenda e de Toronto, Sr. Lioncort... acho que temos algumas horas antes do café da manhã para comemorar essa nova joint-venture corporativa. O que você acha?
Jason soltou um rosnado baixo, o tesão reascendendo em suas veias como um rastilho de pólvora ao sentir a intimidade molhada dela roçar em sua masculinidade que já despertava.
— Acho a melhor decisão de mercado que já tomamos, minha noiva — ele respondeu, deitando-a de volta nos lençóis brancos e entregando-se, mais uma vez, ao incêndio perfeito que agora ardia em total harmonia.
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