Corações! Era só isso o que Samanta via após ser sugada pelo espelho. Quase tudo era em forma de coração. As árvores eram em formatos de coração, as casas eram em formato de coração, e até mesmo o pequeno riacho que havia alí tinha a forma de um coração.
– Oh, meus Deus! Que lugar é esse que eu vim parar? — Samanta se perguntou. — Parece que eu vim parar no mundo dos corações! Eu quero voltar para casa! E o ruim é que quando eu fui jogada aqui, não me vi passar por nenhum portal! Não há nenhum outro "espelho mágico" e nenhum outro tipo de saída! Eu ainda nem consigo acreditar que um espelho me sugou para dentro de si!
Samanta estava muito confusa. A moça resolveu procurar ajuda naquela terra esquisita, então começou a andar à procura dos habitantes de lá.
Ela caminhava sem parar, mas sempre encontrava tudo deserto. Até que, através dos matos e dar árvores, ela conseguiu avistar várias pessoas de roupas caracterizadas com naipes de baralho, principalmente o de copas. Várias dessas pessoas eram cartas de baralho vivas, e o restante, eram pessoas comuns habiantes daquele lugar.
– Com licença, senhor? — Perguntou Samanta à um Ás de Copas. — Eu gostaria de saber o caminho de volta para um pequeno vilarejo na cidade de Oxford, na Inglaterra!
– O que é Oxford? E o que seria Inglaterra? — Perguntou a grande carta viva de baralho.
– Ah, me desculpe! Oxford é a minha cidade, e Inglaterra é o país onde moro.
– Me desculpe, senhorita! Mas nós daqui, só conhecemos o Reino de Copas, nosso reino. Quem sabe mais sobre os outros lugares e dimensões é o nosso rei.
– Rei?
– Sim! O majestoso Rei de Copas!
– E onde eu posso encontrá-lo?
– Oh, ele está ali! Está vendo? Está se aproximando com o seu grande exército de cartas vivas de baralho.
O rei e o seu exército de cartas se aproximavam de Samanta. O rei parou diante da moça e perguntou:
– Quem seria essta belíssima moça? Eu nunca a vi por aqui, senhorita!
– Olá, Vossa Majestade! Meu nome é Samanta! Eu não sou daqui, esse lugar é muito estranho! É algum tipo de "reinho mágico"?
– É quase isso. — Respondeu o rei dando uma leve risada. — Como chegou aqui? A cavalo?
– Não! A forma que eu cheguei aqui foi bem estranha! Você acredita que eu vim parar aqui porque um espelho me sugou?
– Um espelho? Você pronunciou algumas palavras para que isso acontecesse?
– Sim! Elas eram bem estranhas! Algo como "mientri, threefildon, hajac"...
– Por acaso seria "Oh Gruhejd fliqpou i treefildhon, fiuplemnri yu meintri fre hajiosh funh surdw hajac!" ??
– Sim! Isso mesmo! O que significa?
– Ah, você não tem ideia do que fez! Aquele era o idioma naqtivo do Reino de Copas há muitos anos. Aquelas palavras significam "Oh, espelho mágico e poderoso, me sugue para dentro de ti e me leve ao Reino de Copas!"
– Eu não acredito! Então quer dizer que eu praticamente pedi para estar aqui? O que eu faço agora? Eu quero ir para casa!
– Não se preocupe! Estamos tentando criar portais para vários outros lugares, mas isso ainda não foi possível! Enquanto isso, você pode ficar morando em um dos quartos do meu castelo.
– O que? Espere... então quer dizer que vai demorar para eu voltar ao meu vilarejo?
– Receio que sim... Mas você vai adorar esse reino. Esse é o Reino de Copas. O reinho de todas as cartas de baralho
– E por que não se chama "Reino dos Baralhos"?
– Na sua terra as pessoas não devem saber, mas copas é o principal naipe de baralhos que tem. Agora vamos conhecer o seu novo lar.
Samanta entrou na carruagem do rei puxada por lindos cavalos e o exército de cartas deu a partida.
A cada lugar pelos quais eles passavam, as paisagens se tornavam mais bonitas e mais gostosas de se ver.
Quando eles entraram no castelo, Samanta ficou deslumbrada. Nunca havia visto tamanha beleza.
– Esse é o seu palácio? Quero dizer, é esse o lar de Vossa Majestade? — Samanta perguntou.
– Não precisa de tamanha cerimônia comigo! — Disse o rei sorrindo. — E sim, esse é o meu palácio! Muito bonito, não acha?
Samanta assentiu com a cabeça, e se preparou para entrar no castelo. O lugar era grande, bonito, e claro, repleto de corações.
Duas cartas do naipe de Espadas tocaram a corneta e anunciaram:
– Eu lhes apresento Vossa Majestade, a Rainha de Copas!
– O que está acontecendo aqui? Está pensando que isso é um lugar aberto para plebeus, Rumble? — Perguntou a Rainha com uma voz áspera e severa.
– Ela é uma moça perdida, meu bem! Só estou tentando ajudá-la! — Disse o Rei.
– Se ajudássemos todas as pessoas perdidas que encontrássemos, esse castelo seria uma possilga de pessoas órfãs e desamparadas!
– Me desculpe, dona rainha! Não quero tirar o conforto de vocês! Se quiser, eu vou para fora do palácio imediatamente!
– Dona rainha? Veja lá como fala! Deve me chamar de Vossa Majestade!
– Não se preocupe, Samanta! — Disse o rei envergonhado. — Você não está incomodando ninguém! É a minha esposa que fala demais!
– Falo demais? Eu costumo falar a verdade, apenas isso! O que ela faz aqui?
– Ela vai morar aqui por um tempo!
– No meu palácio? Nunca!
– Esqueceu que o castelo também é meu? Você não é a única que governa este reino! Vamos, Samanta! Venha conhecer o seu quarto!
Samanta saiu acompanhada do rei. Os dois estavam envergonhados e não conseguiam olhar para a rainha.
Assim que os dois saíram, a rainha pôde desabafar consigo mesma:
– Essa energúmena não vai ficar aqui por muito tempo! Pensa que vai roubar a minha coroa! Ah, mas ela está muito enganada! vou deixar que ela viva por um tempo para que se acostume, mas assim que eu me cansar de ver a cara dessa mulher nos corredores do meu castelo, mandarei cortarem sua cabeça!
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