O Reino De Copas - A História Da Rainha De Copas
3 Vestido Vermelho
Ele era grande, luxuoso, e muito bonito. O novo quarto de Samanta era mais do que ela poderia desejar.
Naquele momento, Samanta se deu conta de que quando foi sugada pelo espelho, estava segurando a sua fantasia de rainha. Ela olhou para o traje e lhe bateu uma repentina saudade de casa. De sua mãe, de seus familiares... e de Conner. O moço levava ela em bailes, jantares, e vários lugares. Mas Samanta não tinha certeza se aquilo era mesmo amor.... talvez ela gostasse dele apenas como um amigo.
Agora que ela morava em um castelo, podia desfrutar da beleza do palácio. A moça recebeu várias roupas, muitos mimos, e vários outros confortos.
Enquanto tudo isso acontecia, a invejosa rainha olhava com desprezo e ódio para Samanta.
Mimos, roupas, jóias, luxo... essa inútil está recebendo tudo o que eu devieria receber! — resmungou a rainha.
Disse algo, meu bem? — Perguntou o rei.
E por acaso eu lhe devo satisfação?
Desculpe, querida! Eu sei como se sente sobre o que está acontecendo! Tente se acalmar. — Disse o rei se afastando.
Intometido! — ela voltou a resmungar — Eu não aguento mais! Já era para eu ter dado um fim nesse rei! Pouco me importa o nosso casamento! O que realmente importa é ser rainha, e ter o corpo do marido cremado em uma urna.
Disse algo, Vossa Majestade? — Perguntou uma das cartas.
Por que todos estão me perguntando isso? Eu não posso mais desabafar comigo mesma sem ser interrompida? Isso se chama falta do que fazer! Quer perder a sua cabeça?
Não, senhora! Digo, Majestade! Quero dizer, Vossa Majestade! Não, quero dizer...
Saia daqui, eu não quero saber o que você quer dizer!
A carta saiu assustada e, se tivesse um coração, estaria batendo forte de tanto medo.
A rainha era uma mulher perigosíssima, e todos lá, menos Samanta que era recém-chegada, sabiam disso. A megera já havia cortado milhares de cabeças e já havia torturado milhares de pessoas. A próxima da sua lista era Samanta.
O que eu posso fazer para acabar com ela? Tem que ser algo doloroso e lento. Vai ser muito divertido. Primeiro eu preciso atraí-la de forma gentil. Depois eu a convido para uma janta. E por fim, a melhor parte! A matança!
Disse alguma coisa, Vossa Majestade?
CHEGA!!! CORTEM A CABEÇA!!!
Quem havia perguntado dessa vez, era Samanta, que se assustou com o grito da rainha.
A malvada teria que se contar para começar a efetuar a primeira parte do plano.
Desclupe, meu bem! Minha intenção não era assustà-la.Na verdade, eu queria conversar com você, querida.
Claro! Pode dizer!
Primeiramente, eu gostaria de me desculpar com você! Eu fui rude e insensível com você. Eu realmente não queria ter agido daquela forma, é que eu não estava esperando gente nova no castelo.
Tudo bem, Majestade!
Me chame de Jeanice, meu bem! E, para brindar a sua chegada, eu queria jantar assós com você! Amanhã! Você aceita?
É claro! Como eu recusaria?
Ótimo! Então, até lá!
Samanta saiu feliz da vida e a rainha comemorava apenas com um sorriso maléfico! A metade da primeira etapa já estava completa. Para que a etapa fosse completa por inteira, ela deveria presentear Samanta com algo fascinante. Mas o quê?
Um vestido! — a malvada pensou. — Um lindo vestido brilhante atrai qualquer mulher. Mas de que cor será que essa energúmena gosta?
Rainha, as rosas vermelhas que solicitou já estão sendo plantadas.
Está bem! Agora me deixe um pouco sozinho, inútil!
Sim, Majestade!
Espere! — Ela disse tendo uma ideia — É isso! Vermelho! A cor que mais deixará o vestido deslumbrante! Dois de Paus, venha aqui!
Na verdade eu sou o três, Majestade...
Eu não perguntei! Esqueçam as flores. Peçam para que comecem já a costurar um vestido vermelho de brilhante!
Mas Majestade, se isso acontecer as rosas deverão ser plantadas apenas na próxima semana.
Nem que demore um ano! É para que vocês façam o que eu estou mandando e não me questionar, seu inútil! Vocês são mesmo um bando de incopetentes, não?
A carta obedeceu a rainha e resolveu parar de questioná-la. Trabalharam sem parar o dia inteiro no vestido.
Enquanto isso, nos jardins do castelo, Samanta encontrou-se com o rei.
Olá, Majestade! — Ela cumprimentou.
Olá, Samanta! E então? Está desfrutando da beleza do seu novo lar?
Sim! E agora o clima está muito melhor!
Como assim?
Ainda não sabe? Sua esposa, a rainha, me convidou para um jantar amanhã assós com ela! Disse que era para brindar a minha chegada.
Brindar? Como assim? Não percebeu que ela não tratou você com o mínimo de cortesia?
Sim, mas ela se desculpou. Eu acho que todos merecem uma segunda chance!
Ah, eu não sei, Samanta... conheço bem a minha esposa!Ela nunca se desculpou com ninguém! Pelo contrário, ela sempre mandou cortar as cabeças dos indivíduos. Se eu fosse você, não me envolveria com ela! Não tem ideia do quanto ela é perigosa!
Tolice, Majestade! Se ela se desculpou, é sinal de que isso já é um começo.
Arainha observava tudo aquilo bem escondida!
Que inocente essa garota! E isso só vai aumentar depois que receber o lindo traje vermelho de gala!
A rainha saiu bem mansa e foi ao salão de costura.
Cadê o vestido? — Ela entrou perguntando sem ao menos olhar para os rostos dos baralhos.
Está aqui, Majestade. Não ficou lindo? Fui eu que dei as ideias de como confeccioná-lo.
É... não posso discordar. Realmente, ficou muito bonito.
E o que eu recebo por ter feito um traje tão maravilhoso?
Ah, a sua recompensa é maravilhosa! Você vai continuar com a sua cabeça! Mas se me amolar mais uma vez, terei que retirar a recompensa.
A carta não respondeu e ficou de cabeça baixa.
A Rainha Jeanice pegou o vestido e foi até o quarto de Samanta. Bateu na porta, e Samanta atendeu com um sorriso.
Majestade! Acabei de entrar no meu quarto! Posso ajudar?
Não, querida! Mas eu vim lhe ajudar! Mandei que meus criados fizessem um vestido maravilhoso para que você pudesse usar no jantar de amanhã!
Oh! Como é lindo! — Samanta exclamou surpresa com a beleza do vestido.
Vou deixar você sozinha para que experimente o vestido.
A rainha fechou a porta do quarto e o seu sorriso maléfico foi ainda maior que o outro. Agora a primeira etapa estava mesmo completa.
O truque do vestido vermelho não deveria falhar.

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